22 de outubro de 2011

Beijo do ferro



Autor: Patricia Briggs
Género:
Fantasia Urbana
 

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Páginas: 304
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-637334-4
Título original: Iron kissed

Avaliação:
**** (bom)

Beijo do ferro é o volume 3 da série Mercedes Thompson, depois de O Apelo da lua e Vínculo de Sangue.

Mercy é uma mulher independente e corajosa, que divide o tempo entre a sua oficina de mecânica e os amigos. De descendência nativo-americana e traços índios, é uma caminhante (walker), podendo assumir a forma de um coiote
.
 

Nas Tri-cidades, onde se desenrola a acção, vive uma amálgama de espécies: humanos, lobisomens, seres feéricos, vampiros. Os lobisomens deram a conhecer a sua existência ao mundo (os seres feéricos já tinham saído do armário anos antes) e os vampiros continuam na obscuridade.
 

O 1.º livro da série focou-se no universo dos lobisomens, o 2.º no dos vampiros, e este último desvenda mais sobre os seres feéricos, que vivem numa reserva. Mercy tem de ilibar o seu mentor, Zee, um ser feérico acusado de matar um humano que trabalhava na reserva, com todos os riscos que isso acarreta (e é bastante arriscado).
 

É o começo de mais uma aventura, com o assassino a ser revelado perto do fim, numa sucessão de parágrafos electrizante. A caminhante conta com a ajuda dos lobisomens, liderados por Adam, por quem se sente atraída. Porém, Mercy foi criada por lobisomens e está consciente que são uma espécie dominadora, habituada a sobreviver a todo o custo, e não quer abdicar da sua independência.

O livro explora temas mais maduros e a protagonista é bastante mais desenvolvida, passando por situações traumáticas, crescendo bastante como personagem (olhamos para Mercy de forma diferente quando o livro acaba).

A acção continua emocionante, o tom é bem-humorado. Mercy é despachada e decidida, e gere com habilidade as suas relações com as várias criaturas sobrenaturais
que existem na sua vida. É uma série que vou continuar a ler, a leitura é bastante divertida e os livros estão a ficar cada vez melhores, pelo que estou com expectativas elevadas em relação ao quarto volume.

Um excerto do livro está disponível no site da editora. Boa leitura.

16 de outubro de 2011

The Store

Autor: Bentley Little
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: Signet
Páginas: 432
Preço: € 8
ISBN:  978-0451192196

Avaliação:
***** (muito bom)

The Store é o primeiro livro que leio de Bentley Little e fiquei com duas certezas: vou ler os restantes dele e é um autor a recomendar. Vencedor do Bram Stoker Award, Bentley Little tem um ritmo narrativo hipnótico.

A história é sobre uma cadeia de lojas, intitulada The Store, que vai abrir um dos seus estabelecimentos em Juniper, uma pequena cidade no Arizona. Esta loja é gigantesca e vende tudo, desde electrodomésticos a mercearias, objectos de lazer, artigos de jardinagem, tudo o que se lembrem. Tudo o que as pessoas precisam ou querem está disponível n'A Loja.

Bill Davis vive em Juniper e trabalha em casa; desde o início que acompanha a chegada da mega-empresa, a construção da loja, a forma como vai esmagando o comércio tradicional e violando as leis de concorrência.
O poder autárquico é facilmente corrompido e comprado, rendendo-se ao poderio económico
da companhia. A partir daí vamos conhecendo as verdadeiras intenções da abertura da loja em Juniper, as estranhas condições de trabalho a que os trabalhadores d'A Loja estão sujeitos e o clima de medo e repressão que se vai apoderando da cidade.

Há resistentes à forma como as coisas de desenrolam, mas uma a uma, as vozes contra A Loja vão sendo silenciadas, instalando-se um cenário demoníaco (com várias pitadas de terror), onde o capitalismo e o totalitarismo dominam a comunidade e ninguém confia em ninguém.

As personagens de The Store são bastante reais e têm uma voz própria. A narrativa tem um bom ritmo e a história é inteligente com várias surpresas, fazendo a leitura das mais de 400 páginas viciante.

Recomendadíssimo.

11 de outubro de 2011

Trevas satânicas

Autor: Marion Zimmer Bradley
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Difel
Páginas: 224
Preço: € 14
ISBN:  978-9-72-290632-6
Título original: Dark satanic

Avaliação:
** (fraco)


Trevas Satânicas foi uma das primeiras obras de Marion Zimmer Bradley, falecida em 1999. Esta autora editou livros de diversos géneros, mas as suas obras de referência encontram-se na fantasia (As Brumas de Avalon) e na ficção científica (a série Darkover).

Este título integra-se numa série de livros escritos pela autora com nuances góticas, abordando o tema das seitas secretas e do satanismo, sendo uma espécie de prequela para A Herdeira, já analisado aqui no blog.

Jamie Melford é editor-adjunto numa editora, a Blackock Books, e vive com a mãe e a mulher, Bárbara, em Nova Iorque, sem sobressaltos. Até ao dia em que um dos seus autores mais vendidos, Jock Cannon, lhe entra pelo gabinete adentro, seriamente perturbado.

Jock tem sido ameaçado para não publicar o seu mais recente livro, uma obra sobre bruxaria. Jamie desvaloriza a situação e leva avante a publicação. O autor aparece morto pouco tempo depois e o casal Melford começa a receber ameaças e a ver um quotidiano outrora pacato ser revirado.

Apesar de ter gostado minimamente do livro (a autora escreve bem), não posso negar que foi uma leitura decepcionante. A história é bastante previsível e tem um fim morno.
Além disso, as personagens são demasiado estereotipadas, o que surpreende, uma vez que Marion Zimmer Bradley foi uma defensora do feminismo e incluiu-o amiúde no seu trabalho.

Fraquinho.

NOTA: Como, infelizmente, a Difel fechou, poderão encontrar este livro em alfarrabistas ou para requisição nas bibliotecas municipais.

7 de outubro de 2011

A Condessa



Autor: Rebecca Johns
Género:
Ficção

Idioma: Português
Editora: Edições Asa
Páginas: 336
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-231596-6
Título original: The Countess: a novel of Elizabeth Bathory


Avaliação: **** (bom)

Erzébet Báthory nasceu nobre, rica e bela, filha de aristocratas húngaros. Acabou prisioneira na torre do seu castelo, abandonada para morrer, sem família nem amigos. Sobre si pendiam acusações macabras: teria morto centenas de jovens, vítimas de espancamento, fome ou ambas, por lhe terem desagradado.

A história é contada na 1.ª pessoa, com a aristocrata a relatar a sua vida, desde a infância até às circunstâncias que levaram ao seu encarceramento, sempre num tom intimista. Apesar de algumas nuances góticas e da frase na capa (Bathory é considerada a primeira assassina em série da História), os relatos de violência são poucos e ligeiramente aflorados, além de que a autora escolheu não usar muito do folclore que envolve a lenda da Condessa Sangrenta.


Bastante ricas são as descrições da vida na Hungria nos séculos 16 e 17, que permite ao leitor perceber como viviam e se entretinham no ócio os nobres; quanto ao povo, já se sabe: trabalho, privações, sacrifício. O livro tem um bom ritmo, o retrato psicológico da condessa é muito subtil, evitando a diabolização fácil
mas deixando adivinhar alguns traços negativos, como a desconsideração das pessoas pela sua classe social e um extremo egoísmo.

Para aqueles que possam ser atraídos por promessas de "vampiragem" e banhos de sangue, não vão levar nada. A Condessa é a história de uma mulher forte e autónoma, prometida em casamento aos 11 anos, que conseguiu aumentar a sua riqueza e acolheu dezenas de jovens na sua casa, com a promessa de trabalho honesto, dote e casamento. Ajudou algumas, mas algures pelo caminho perdeu-se, assustada com o avançar da idade e desconfiada das intenções dos que a rodeavam.

Esperava mais do livro, assim como o aprofundar de algumas passagens (o casamento com Ferenc e a relação com Anna Darvulia, a sua criada mais fiel e querida), mas a autora mantém um tom de romance histórico até ao fim, numa escrita fluida e pouco negra, justamente esperada tendo em conta o tema.

3 de outubro de 2011

Rainhas trágicas

Autor: Juliette Benzoni
Género:
Biografia

Idioma: Português
Editora: Edições 70
Páginas: 325
Preço: € 19
ISBN:  978-9-72-441222-1
Título original: Reines tragiques

Avaliação: **** (bom)

Julliete Benzoni é uma autora bastante publicada em Portugal, com várias sagas e trilogias disponíveis no mercado, das quais tenho uma, a trilogia Segredo de Estado.

Longe de ser uma má autora, os seus livros têm um tom previsível e cor-de-rosa, o que é bom se for apenas uma obra ficcional e não tão bom se tivermos em conta que são romances referenciados como históricos.

Isso não me impediu de comprar Rainhas Trágicas, que alterna breves biografias de figuras conhecidas com a de figuras mais obscuras, contadas em tom novelesco. Em comum, estas mulheres têm o facto de terem sido rainhas (de título oficial ou de alcova), terem sido detentoras de grande beleza e o seu final ter sido trágico (e até prematuro).

Nomes famosos como Catarina Howard (a 5ª mulher de Henrique VIII), Maria Tudor (a Católica), Agripina (mãe do odiado Nero) e Leonor de Aquitânia (mãe do mítico Ricardo Coração de Leão) são apenas quatro das muitas mulheres cuja vida nos é relatada, sendo o leitor transportado para cortes, leitos e multidões em fúria ou em aclamação, desde o Antigo Egipto ao início do século 20.

Apesar da autora pautar por uma escrita leve, o livro beneficiou disso, aligeirando um volume com tendência a ser maçudo, tornando-o apetecível, cujas trezentas e poucas páginas se lêem ligeiras. Recomendo.

Segue o índice, com as 18 soberanas, que vêm a sua vida relatada numa série de feitos heróicos «que conjuga amor, ambição e ódio, a par do crime, da loucura e da razão de Estado.»

I – Nitócris, a Cinderela do Nilo.
II – Lu, a camponesa de Kiang-Su.
III – Agripina, uma cliente de Locusta.
IV – Teofania, a Imperatriz das tabernas.
V – Fredegunda contra Brunilde, as rainhas rivais.
VI – Leonor de Aquitânia, duas vezes rainha.
VII – Isabel de Angolema, a rainha vassala.
VIII – Margarida, Branca e Joana de Borgonha, as rainhas malditas.
IX – Isabel, a loba de França.
X – Branca de Bourbon, a rainha assassinada.
XI – Catarina Cornaro, rainha de Chipre.
XII – Joana, a Louca.
XIII – Catarina Howard, a quinta vítima de Henrique VIII.
XIV – Maria Tudor, a «Saguinária».
XV – Cristina da Suécia, a assassina de Fontainbleau.
XVI – Carolina Matilde da Dinamarca, a prisioneira de Kroenberg.
XVII – Maria Josefina de Sabóia, uma rainha francesa desconhecida.
XVIII – Draga, rainha da Sérvia: a vítima da Mão Negra.

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