26 de julho de 2014

Dei-te o melhor de mim


Autor: Nicholas Sparks
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 304
Editora:
Editorial Presença
 

Colecção: Grandes Narrativas
Ano:
2011
ISBN: 978-972-2347044
Título original: The best of me
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Nicholas Sparks é sinónimo de sucesso de vendas. Quando sai um livro novo, é ver as senhoras nos transportes públicos suspensas na leitura de mais um romance bestseller do norte-americano.

Ultimamente, tenho visto outros nomes nas lombadas: Jill Mansell, Emma Wildes, Julia Quinn; nunca li nenhuma das autoras mas as capas são claramente femininas e remetem para o romance cor de rosa, um género que não me atrai por aí além, mas isso agora não interessa nada.

De Nicholas Sparks, li um livro há uns anos (Corações em silêncio, confirmei há pouco na wikipedia) e não gostei. Amigas e bloggers recomendaram-me outros títulos dele e como leio todos os géneros, decidi experimentar outro título. Orgulho-me de ler todos os géneros literários e tantos autores diferentes quanto possível.

Dei-te o melhor de mim conta a história de amor de Amanda e Dawson, que em adolescentes foram o primeiro amor um do outro e viveram uma paixão intensa. Separados pela família de ambos (Amanda Collier é a menina bonita e rica e Dawson faz parte da escumalha que são os Cole, famosos pelas piores razões), reencontram-se duas décadas mais tarde e descobrem que ainda se amam. Um fim-de-semana é suficiente para colocar tudo em perspectiva e evocar memórias do passado, mas a vida não é um filme e ser adulto é ter responsabilidades, o que implica respeitar as pessoas que fazem parte da nossa vida e tentar perceber o que queremos realmente da nossa passagem pelo mundo.

Gostei das primeiras páginas do livro, do facto de termos várias personagens diferentes entre si, cada uma com a sua voz. Achei a história interessante e gostei da abordagem do autor (relações humanas, expectativas, desamores); nem me importei grande coisa com algum floreado romântico e alguns elementos sobrenaturais que não acrescentaram grande coisa à história. 

E fui virando as páginas... O livro está bem escrito e a protagonista é credível, assim como os seus dilemas. Amanda tem um casamento infeliz mas tenta aguentar-se o melhor que pode pelos filhos. É fiel ao marido porque é assim que uma mulher séria se comporta. Tenta não mandar a mãe às urtigas apesar desta ser corrosiva e inconveniente.

Já Dawson é claramente um galã para agradar ao mulherio; um homem que se mantém preso ao passado, apaixonado por uma recordação e incapaz de estar com outra mulher desde que Amanda saiu de cena? Não me parece, ainda mais porque a descrição indica que é um borracho... Os vilões de serviço, então, são igualmente irreais.

O que estragou a impressão geral do livro, para mim, é o final, previsível e demasiado melodramático. Além do mais, algumas personagens desaparecem de cena (simplesmente deixa de haver capítulos narrados por elas) e não sabemos o que lhes acontece.

Dei-te o melhor de mim mostrou-me que Nicholas Sparks tem alguns elementos que me agradam. Gosto de livros com temas reais e não me incomoda o romatismo, mas ainda não foi desta que fiquei fã; para ler um excerto do livro, cliquem aqui.

***
(mediano/razoável)

11 de julho de 2014

Novela de xadrez


Autor: Stefan Zweig
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 96
Editora:
Assírio & Alvim

Ano:
2013
ISBN:  978-972-371703-7
Título original: Schachnovelle
Tradução: Álvaro Gonçalves
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Stefan Zweig escreveu esta história pouco antes de se suicidar, corria o ano de 1942. A razão alegada foi a de que este austríaco, exilado no Brasil, estava deprimido com o avanço nazi na Europa.

Novela de xadrez foi, assim, publicada, postumamente. Apesar de ser um dos autores mais famosos e vendidos nas décadas de 20 e 30, eu nunca tinha ouvido falar de Zweig e este livro foi a minha estreia.

É uma história intensa, que contrapõe duas personagens memoráveis: o aclamado campeão mundial de xadrez, apático e anti-social, que joga sem paixão e sem ardor, e o advogado humilde e amável que sobreviveu a uma das mais requintadas formas de tortura graças a uma mente superior mas pagando um preço elevado, refletindo uma instabilidade preocupante, jogando xadrez com o coração e não apenas com a mente.
 
Os dois cruzam-se num cruzeiro e o resto é história... que terão de ler.

Apesar de curta, é uma história intensa, escrita de uma forma simples e cativante. Adorei a abordagem subtil ao desequilíbrio e à loucura, e a demonstração inspiradora da força da mente.

Não é preciso ser um amante do xadrez para perceber ou desfrutar da história. Stefan Zweig doseou habilmente as emoções das personagens e as expectativas do leitor. O resultado é um livro que se devora rapidamente.

*****
(muito bom)

5 de julho de 2014

A canção de Kali


Autor: Dan Simmons
Género:
Terror
Idioma: Português

Páginas: 296
Editora:
Clássica Editora

Ano:
1993
ISBN:  978-972-561215-6
Título original: Song of Kali
Tradução: João Barreiros
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Este livro foi o primeiro que li de Dan Simmons, na primeira vez que fui de férias com a minha cara-metade, na primeira (e única) vez que acampei. Ufa. Na altura, já lá vão uns anitos, gostei menos do livro; ao relê-lo recentemente, descobri outras cores e novos arrepios.
 
Robert Luczak, poeta, jornalista e editor, é enviado a Calcutá para recuperar um manuscrito inédito do poeta indiano M. Das, desaparecido há dez anos. Leva consigo a esposa indiana, Amrita, e Victoria, a filha bebé. Desde o início Calcutá revela-se hostil, ameaçadora e sombria. Amrita não reconhece ali a Índia onde nasceu e Luczak não compreende a falta de humanidade e a imundície que envolve tudo. As descrições que ele faz tornam Calcutá repugnante, como se fosse o último lugar onde se quer estar.

Este é o ponto forte do livro, com Calcutá a tornar-se uma personagem central, uma antagonista implacável para aqueles que a habitam e visitam, nomeadamente para Luczak, que percebe rapidamente a dificuldade da tarefa que lhe coube, navegando numa cidade deprimente e escura.

Um dos pontos menos conseguidos é a tradução e algumas gralhas, quiçá devido ao ano da edição. A história não sofre com isso, mas distrai-nos da leitura momentaneamente. A capa é folclórica na sua recriação da figura de Kali. Perdeu-se uma boa oportunidade de inspirar no leitor o temor que o narrador menciona quando na presença da deusa. Para compensar isso, utilizei as várias memórias que tenho do filme Indiana Jones e o Templo Perdido, um dos meus filmes favoritos de miúda. É apenas um extra, uma vez que Simmons é um mestre a descrever vividamente tudo o que o protagonista vê e percepciona. A acção é uma espiral descendente, com algumas surpresas e algum mistério, presidida pela deusa hindu da morte e da destruição.

A canção de Kali é uma leitura atmosférica e envolvente, com um desfecho que pedia mais impacto; gostei de algumas partes terem ficado em aberto.

Sigo para outros autores, mas em breve voltarei a Dan Simmons.

****
(bom)
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