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1 de agosto de 2015

Quando éramos mentirosos


Autor:
E. Lockhart
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 312
Editora:
Asa

Ano:
2014

ISBN:
978-989-23273656
Tradução: Elsa Vieira
Título original: We were liars
 
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Éramos mentirosos é uma história contada na primeira pessoa por Cadence Sinclair Eastman, a herdeira da família Sinclair, que nos brinda com o relato de uma adolescência financeiramente desafogada e povoada de sonhos e primeiras experiências, saboreada ao máximo nas longas férias de Verão com primos e amigos, na ilha privada da família.

Bem vindo à bela família Sinclair.
Ninguém é criminoso.
Ninguém é viciado em nada.
Ninguém é um fracasso
.
 

Cadence faz parte dos Mentirosos, juntamente com os primos Johnny e Mirren e um amigo, Gat. Com idades semelhantes, são inseparáveis nas férias de Verão, que passam na ilha todos os anos. Cúmplices, partilham os testemunhos e palpitações típicos da idade, gozando os privilégios que a riqueza familiar concede.

No Verão 17 (em que Cadence tem 17 anos), e após alguns anos do divórcio dos pais e muitas discussões familiares, com a morte da avó pelo meio, a jovem sente-se confusa e debilitada, e aproveita o regresso à ilha para se reencontrar, tentando lembrar-se do que terá acontecido para ficar assim, quando o seu pensamento era claro e a sua memória confiável, antes dos anti-depressivos e outros inibidores. O clima familiar não ajuda, com a mãe de Cadence e as duas tias a discutirem constantemente sobre dinheiro e a partilha do património da mãe (a avó de Cadence), espevitadas pelo patriarca.

O livro não é previsível mas percebi a reviravolta antes de chegar a metade da história. E isto apenas porque o que me fez lê-lo (os alertas na capa para "mentir" sobre o desfecho do livro, que me aguçou a curiosidade) me pôs a conjecturar sobre o que seria o mistério e lá cheguei à conclusão que só poderia ser um par de coisas... e era uma delas, efectivamente.

Éramos mentirosos foi escrito com cuidado (nota-se), tem passagens bonitas, poéticas até, e há credibilidade, ainda que estereotipada, na descrição de uma aristocracia decadente. Porém, é claramente dirigido a um público juvenil e esqueci-me disso. Talvez há uma década, tivesse apreciado mais a história, mas como já não é assim, fiquei-me pelo satisfeita e doei o livro à biblioteca municipal, para que alguém possa desfrutar mais da sua leitura. 

***
(mediano/razoável)

28 de março de 2014

A frágil doçura do bolo de limão

Autor: Aimee Bender
Género:
Romance
Idioma: Português
Editora:
Marcador

Colecção: Marcador Literatura
ISBN: 978-989-847070768
Título original: The particular sadness of lemon cake
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A frágil doçura do bolo de limão ilustra a vida de uma família de classe média na soalheira Califórnia, pela voz da filha mais nova.

Rose Edelstein, uma criança alegre e sensível, descobre, na véspera do seu nono aniversário, que tem um dom extraordinário: consegue saborear no bolo de limão e chocolate, que a mãe fez, todos os sentimentos e emoções que a envolvem, saboreando na mistura o amor maternal mas também o sentimento de vazio e desespero.

Curiosa e astuta, rapidamente descobre que a sua habilidade envolve toda a comida que saboreia: através dela, percebe o que move e sente a pessoa que cozinhou. Para uma cabeça tão jovem, a revelação é assustadora e Rose altera a sua forma de ser, escudando-se do que a rodeia recorrendo a fast food e alimentos processados, ao mesmo tempo que a idade da inocência acaba e Rose é confrontada com a forma como o mundo dos adultos funciona.

Um Dorito não te exige nada, o que é uma dádiva maravilhosa. Apenas te pede que não estejas ali...

No entanto, já não consegue evitar uma maior percepção do que a rodeia, sendo o maior golpe a dinâmica da sua própria família, que descobre estar deprimida e a tentar lidar (cada um à sua maneira) com os problemas: o isolamento do irmão, Joseph, a apatia do pai, a tristeza da mãe. Rose cria então mecanismos para sobreviver ao turbilhão emocional que a rodeia, paralelamente à vida que não deixa de acontecer à sua volta.

Um dos pontos fortes do livro são as personagens. A família Edelstein é uma família-tipo que se afoga enquanto tenta manter a aparência de normalidade; cada membro da família lida com as aflições da melhor forma que pode sem nunca se envolver com os outros membros da família. Rose percebe isto tudo e mais, não evitando um sentimento de perda à medida que a ideia luminosa que tinha dos pais se desvanece.

O livro tem passagens admiráveis e extremamente lúcidas mas não é perfeito e a execução de algumas ideias ficou aquém do esperado. A apatia das personagens é, por vezes, exasperante e o final não enche olho nem barriga.

Porém, A frágil doçura do bolo de limão é uma narrativa pouco tradicional, com uma pitada de realismo mágico e vários apontamentos líricos, um livro diferente do que tenho lido e que me permitiu uma leitura alternativa que muito apreciei e que recomendo (ler excerto).

****
(bom)

16 de fevereiro de 2014

As virgens suicidas



Autor: Jeffrey Eugenides
Género:
Literatura contemporânea
Idioma: Português

Páginas: 256
Editora:
Dom Quixote
ISBN:  978-972-202449-5
Título original: The virgin suicides
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O livro começa como acaba (o autor não o esconde): cinco adolescentes entre os 13 e os 17 anos, as irmãs Lisbon, suicidam-se no espaço de um ano. A razão? Temos as restantes 255 páginas para descobrir.

Cecilia, a mais nova, é a primeira a matar-se. A partir daí, a família Lisbon cai numa espiral descendente de escuridão e isolamento, afastando-se do resto da comunidade e deixando de ser vista no exterior. Ao mesmo tempo que a sua casa se deteriora por fora, o interior deixa adivinhar uma profunda depressão dos pais e das 4 irmãs sobreviventes.

A história é contada por um grupo de rapazes da idade das raparigas, seus vizinhos e colegas de escola, que seguem todos os passos daqueles «seres luminosos» com tão pouco em comum com os seus pais socialmente inaptos. Os rapazes estão fascinados pelas irmãs, desenvolvendo uma obsessão que se prolonga na idade adulta, razão pela qual o livro é narrado vários anos depois, por mentes já desenvolvidas e críticas, que conseguem analisar mais friamente o que os olhos inexperientes não viam nem percebiam na altura.

A razão do suicídio não é clara, mas algumas razões são lançadas para a mesa: a opressão de uma mãe religiosa e castradora que não consegue lidar com o vento da mudança dos anos 70, a impassividade de um pai que cede toda a autoridade à esposa, uma predisposição genética para uma tristeza crónica debilitante, uma mistura explosiva das anteriores.
 
O tema é sombrio e Jeffrey Eugenides cria uma atmosfera claustrofóbica que fica na memória muito depois de acabarmos o livro. O estilo é poético e floreado q.b., mas equilibra bem com o tom, dando luz a um conteúdo escuro.

Confesso que a história me afectou nos dias em que o li, ao que não ajudou ser Inverno, com muitos dias nublados e de chuva, como se a melancolia das irmãs Lisbon me acompanhasse mesmo nos momentos em que não estava a ler; é raro um livro ter este efeito sobre mim, mas reconheço que prefiro não o sentir, pois As virgens suicidas trata temas demasiado desconfortáveis para andarmos com eles na cabeça todo o dia.

Também por isso, este é um dos raros casos em que gostei mais do filme do que do livro; a realizadora Sofia Coppola soube captar o essencial da obra de Eugenides e dar a luminosidade ideal a uma história bastante sombria, que em livro se torna demasiado longo e pesado; a qualidade da história é evidente, não nego, mas continuava a ser provocador com menos umas cinquenta páginas, que só prolongam a agonia do leitor e não acrescentam nada de novo.

Uma boa leitura, extremamente melancólica, que aconselho a alternar com um livro mais "levezinho" (eu gostaria de ter tido esta dica).

****
(bom)
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