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14 de novembro de 2018

The cabin at the end of the world



 Autor: Paul Tremblay
Género: Thriller, Terror
Idioma: Inglês
Páginas: 288
Editora: William Morrow (Kindle)
Ano: 2018
ASIN: B074DTFY26
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The cabin at the end of the world é uma mistura bem sucedida de terror e thriller.

Logo no início do livro somos apresentados a Wen, filha adotiva do Pai Andrew e do Pai Eric, um casal gay que achou boa ideia arrendar uma cabana remota junto a um lago, algures em New Hampshire. Não há vizinhos num raio de alguns quilómetros nem há rede de telemóvel. O cenário é aparentemente perfeito para umas férias em família.

Andrew e Eric conseguem proporcionar a Wen o contacto com a natureza. São vários os mergulhos no lago, a apanha de gafanhotos, o desfrutar da imensidão verde. De lado ficam as preocupações com os ursos, os mosquitos ou em retocar o protector solar.

Mas a chegada de quatro estranhos, trazendo consigo armas artesanais, vem quebrar a paz familiar. Os quatro, liderados pelo "bom" gigante Leonard, dizem não querer fazer mal a ninguém mas trazem más notícias: um membro da família terá de ser sacrificado ou o apocalipse virá. E são os membros da família quem deve escolher quem será o sacrificado... Naturalmente, isto coloca-lhes um dilema moral que testa os limites do seu amor, mas que permite também explorar os temas da fé, da lealdade, do amor e do sacrifício, tudo num cenário de terror e violência crescentes, à medida que os estranhos vão ficando impacientes.

Porém, por mais angustiante que a acção seja, há calor na representação da pequena família de Eric, Andrew e Wen. Até os estranhos que invadem a cabana e sequestram os protagonistas não são os monstros unidimensionais a que estamos habituados - a caracterização é cuidada e os diálogos muito bons; fiquei bem impressionada com a acção e o ritmo da estória mas um pouco menos com o final.

The cabin at the end of the world é o primeiro livro que leio de Paul Tremblay, mas espero ler outros em breve.


****
(bom)

29 de julho de 2018

The last time I lied


Autor: Riley Sager
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 384
Editora: Dutton (Kindle)
Ano: 2018
ISBN: B076GNTWQM
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Depois de ter lido o meu primeiro livro de Riley Sager, Final girls, fui pesquisar se havia outros. Foi assim que descobri que Final girls tinha sido o seu livro de estreia (apesar de já ter publicado outros livros sob outro nome) e que o segundo seria publicado em Julho de 2018. Eu sabia que o ia ler assim que saísse.

E li-o… em três dias, o que é raro; e estamos a falar de quase 400 páginas!

Vamos então à história: duas verdades e uma mentira. O grupo de raparigas com quem Emma Davis calhou partilhar a cabana, no campo de férias Nightingale, jogavam-no de vez em quando e ela também participava. Vivian, Natalie e Allison, de 16 anos, eram todas mais velhas que Emma, de 13, mas ficaram amigas.

Mesmo assim, a diferença de idades e interesses significava que nem sempre faziam coisas juntas. Como na noite em que as três raparigas mais velhas saíram, já tarde, e desapareceram. Uma Emma sonolenta viu-as saírem e viu Vivian a fazer-lhe o gesto que não dissesse nada nem as seguisse mas foi só. As três nunca mais foram vistas e Emma ficou para sempre assombrada pelo que aconteceu.

15 anos mais tarde, a proprietária decide reabrir o campo e convidar Emma – uma pintora em ascensão – para dar aulas de arte. Dividida entre as memórias do que se passou e um anseio em fechar esse capítulo traumático (o salário ser bom também ajuda), Emma aceita, apenas para rever vários rostos do passado e reviver alguns episódios angustiantes.

Os capítulos do livro alternam entre a Emma adulta e a adolescente de há quinze anos atrás, à medida que vamos descobrindo mais sobre as personagens. As revelações e a acção avançam lentamente, assim como o suspense; embora eu tenha achado que acabar quase todos os capítulos em jeito de cliffhanger, sempre com uma interrogação, é um bocado irritante, a gradação e a adição de pormenores foi feita de uma forma sólida, e essa conjugação resultou. O final chegou glorioso, muito bem pensado.

The last time I lied é outro excelente thriller de Riley Sager, emocionante e inteligente.

Até agora, gostei bastante dos 2 livros que ele publicou… e não sou a única: Final girls vai ser adaptado ao cinema e The last time I lied a série de televisão.


*****
(muito bom)

15 de abril de 2018

Final girls



 Autor: Riley Sager
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 352
Editora: Dutton (Kindle)
Ano: 2017
ISBN: B01MCXUTIU
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Há uma década, Quincy e uns amigos foram para uma cabana no meio da floresta. Em Pine Cottage viveram um pesadelo, do qual apenas Quincy saiu com vida. 

Quincy juntou-se assim a um exclusivo clube com duas outras sobreviventes de situações semelhantes, ganhando uma alcunha orelhuda, em tributo aos filmes de terror onde apenas uma jovem rapariga sobrevive ao massacre: Quincy é uma final girl

Dez anos passados, Quincy seguiu, aparentemente, em frente. Tem um blog bem-sucedido, um namorado dedicado e um amigo precioso - o polícia que a salvou em Pine Cottage, e que se manteve ao seu lado todos estes anos; sofre ainda de amnésia selectiva sobre o que se passou na noite do massacre, e aprendeu a viver com isso. De um dia para o outro, a sua existência pacífica é revirada quando Lisa, uma das três final girls, é encontrada com os pulsos cortados; e Sam, a outra final girl, lhe aparece à porta. Não há xanax que a ajude a lidar com tudo isso.

O livro demora um pouco a arrancar e está longe de ser uma leitura exigente, mas as personagens são interessantes, a história é credível e o suspense é constante. Há muitos detalhes, algumas reviravoltas - mais ou menos previstas -, mas rapidamente nos vicia - eu li o último terço do livro em algumas horas, já passada a hora recomendada de deitar (não me acontecia há muito tempo); a curiosidade em saber quem era o assassino era muita. Valeu a pena.

Final girls é um excelente thriller, um dos melhores que tenho lido ultimamente.  


*****
(muito bom)

27 de janeiro de 2018

Bedbugs



Autor: Ben H. Winters
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 260
Editora: Quirk Books (Kindle)
Ano: 2011
ISBN: B004J4X76C
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Cansados de viverem num cochicho, Susan e Alex mudam-se com a filha pequena para um duplex duplamente maravilhoso - tanto em espaço como em preço.  

A proprietária é uma velhota excêntrica que parece genuinamente feliz em tê-los como inquilinos. Viúva, aparece frequentamente para verificar se está tudo bem, e envia amiúde um amigo de longa data, que faz uns biscates como faz-tudo, para reparar pequenas coisas. 

Susan está no sétimo céu, mas fica alarmada quando as notícias dão conta de uma praga de percevejos um pouco por toda a cidade; o alarme dá lugar à histeria quando acorda um dia com o que parece ser uma picada e toda a gente com quem fala parece minimizar o facto. Pouco a pouco, Susan fica convencida de que há uma infestação de percevejos no apartamento. Ninguém acredita nela, mas ela sabe que tem razão - afinal já soma três picadas, que agora são feridas enormes de tanto serem coçadas. A exterminadora não encontra nada e o médico acredita que Susan está a alucinar, mas a situação vai piorando e uma Susan insomne já não pensa noutra coisa, obcecada em acabar com uma infestação cujos únicos efeitos são visiveis apenas nela mesma.

A acção do livro avança devagar mas a meio da história já estamos seduzidos. É um livro bastante visual, com um bom ritmo e que nos deixa na dúvida até ao fim; bom thriller.  


****
(bom)

5 de novembro de 2017

Good as gone


Autor: Amy Gentry
Género:
Romance
Idioma: Inglês

Páginas: 273
Editora:
Houghton Mifflin Harcourt (Kindle)
Ano:
2016

ASIN: B01EKQFUHC
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Uma noite, Julie Whitaker, de 13 anos, é raptada do seu quarto enquanto a irmã mais nova assiste a tudo, aterrorizada de tal modo que não dá o alarme imediatamente, comprometendo a linha de tempo e a eficácia da polícia; durante anos, a investigação permanece parada e sem factos novos. Os Whitaker esforçam-se por manter a família unida, sempre na esperança de que Julie ainda esteja viva. Até ao dia em que a campainha toca e uma jovem que parece ser - e afirma ser - Julie está à porta.

Segue-se um período de euforia e festa em que a família tenta compensar o tempo perdido mas Anna, a mãe, tem dúvidas, dúvidas que a envergonham profundamente mas que não consegue evitar ter. Quando é contactada por um investigador privado, decide descobrir se Julie é quem diz ser.

Gostei de ler este livro, sobretudo a forma como a autora aborda a humanidade das personagens, as suas dúvidas e reacções naturais: a forma como cada membro da família fez o luto e lidou com o sofrimento de um acontecimento tão traumático, a análise de Anna sobre se teria sido uma boa mãe, a forma como cada um se culpou de não ter feito mais ou o suficiente. 

Pelos olhos de Anna vemos a acção avançar normalmente, mas pelos olhos de Julie a história vai sendo contada em flashbacks, com a informação a ser lentamente desvendada ao leitor (resulta bem!).

Por outro lado, houve alguns pormenores que podiam ter sido melhor trabalhados, como a postura indiferente da polícia em verificar a veracidade da história de Julie e a falta de curiosidade dos jornalistas por uma situação tão "apetecível"; não achei muito credível. Se nos abstrairmos disso, conseguimos desfrutar melhor do livro.

Good as gone é um bom thriller e deixa-nos na dúvida até ao fim, por isso recomendo.

****
(bom)

17 de outubro de 2017

Little Children


Autor: Tom Perrotta
Género:
Romance
Idioma: Inglês

Páginas: 336
Editora:
St. Martin's Paperbacks

Ano:
2004

ISBN: 0-312-99032-4
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Bem-vindos ao típico subúrbio americano: populado pela classe alta, belas vivendas de 2 andares com relvados verdejantes e carros recentes, parques infantis sempre lotados onde os utentes debitam filosofias de vida e conselhos de como educar os filhos - como ser pai é deixar de ser egoísta e aprender a viver para uma outra pessoa, atingindo uma consciência superior.

Nem todas as personagens de Little children – todos eles residentes na mesma área - são assim: temos pais aborrecidos para lá do imaginável, cansados da sua prole, altamente susceptíveis ao adultério; pais que se esquecem de embalar lanches e peluches preferidos; ou os que andam com os filhos no parque a horas pouco recomendáveis, mesmo quando um ex-recluso (condenado por se ter exibido a uma menor) se muda para a vizinhança… há aqui um real desejo de fuga.

Tom Perrotta não poupa as suas personagens, é satírico no seu retrato, mas há um cuidado em humanizar sem ceder ao sentimentalismo.

Uma das protagonistas é Sarah, que não se identifica com as outras mães que passam o tempo a falar dos filhos e se sente isolada e sem amigos. Em casa, ela e o marido tornaram-se estranhos. A única coisa que a ajuda a suportar a rotina é Todd, um pai dono de casa que também leva o filho ao parque todos os dias e bastante cobiçado pelas mulheres da vizinhança. A solidão e o tédio vão levar a que tenham um caso amoroso que se torna um dos dramas centrais do livro, mas há outros dramas em abundância.

Little children não é livro que nos faça sentir bem nem tem personagens simpáticas mas está muito bem escrito, não é previsível e é interessante.

Este foi o primeiro livro que li de Tom Perrotta e não será o último.

****
(bom)

23 de agosto de 2015

Por que engordamos - e o que fazer para evitar


Autor:
Gary Taubes
Género:
Saúde
Idioma: Português
Páginas: 288
Editora:
L&PM (Brasil)

Ano:
2014

ISBN:
978-852-5431493
Tradução: Janaína Marcoantonio
Título original: Why we get fat - and what to do about it
 
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Com tanta informação sobre alimentação todos os dias (via Facebook, nos jornais, nas revistas, em conversas com colegas e amigos), decidi ler algo mais aprofundado sobre nutrição, de preferência um livro para o consumidor comum, porque os estudos científicos não são fáceis de assimilar para uma leiga.

Quando chegou a altura de o escolher, foi incrível ver a quantidade disponível, as várias ideologias e a diversidade de autores, de celebridades a profissionais de saúde (cardiologistas, endocrinologistas, médicos de família), passando por preparadores físicos e bloggers.

Por que engordamos - e o que fazer para evitar é um best-seller que se destacou dos outros, não só porque reconheci o nome do autor de dois documentários que já vi sobre alimentação mas também porque tinha excelentes críticas. Na realidade, os argumentos de Taubes têm tantos apoiantes como opositores, mas o seu sucesso deve-se: 1) à citação de inúmeros estudos e testemunhos especializados (de cientistas e médicos) a que o autor recorre para fundamentar as suas conclusões e desmontar alguns dos maiores mitos sobre nutrição e emagrecimento; e 2) ao uso de uma linguagem simples e corrente e de exemplos concretos.
 
Não engordamos porque comemos demais. Comemos demais porque engordamos.
 
Taubes pega nos paradigmas tradicionais e deita-os por terra, um a um, recorrendo a estudos e índices científicos, às leis da termodinâmica e à lógica. A dieta e as mudanças defendidas (consumo elevado de proteína e gordura animal, eliminação de alimentos processados, açúcares e farináceos) não são novidade e têm muitos aderentes faz muitos anos, mas o livro tem o condão de nos fazer pensar e questionar, seja qual for a nossa orientação alimentar (vegan, crudívoro, carnívoro, etc.).

O autor organiza o livro de forma clara, mas Por que engordamos - e o que fazer para evitar é repetitivo; as ideias-chave são repetidas e fundamentadas através de diferentes argumentos e exemplos capítulo após capítulo. Este é o ponto menos positivo.

Apesar da capa sensacionalista, é um bom livro, com um encadeamento claro de ideias. Uma leitura interessante sobre um tema que está sempre na ordem do dia.

Gary Taubes nasceu em Nova Iorque, em 1956, e é colaborador da revista Science. Estudou Física Aplicada em Harvard, Engenharia Aeroespacial em Stanford e é jornalista pela Universidade de Columbia. Recebeu três vezes o prémio Science in Society Journalism Award da National Association of Science Writers, sendo o único jornalista a obter tal reconhecimento.

 

****
(bom)

1 de agosto de 2015

Quando éramos mentirosos


Autor:
E. Lockhart
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 312
Editora:
Asa

Ano:
2014

ISBN:
978-989-23273656
Tradução: Elsa Vieira
Título original: We were liars
 
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Éramos mentirosos é uma história contada na primeira pessoa por Cadence Sinclair Eastman, a herdeira da família Sinclair, que nos brinda com o relato de uma adolescência financeiramente desafogada e povoada de sonhos e primeiras experiências, saboreada ao máximo nas longas férias de Verão com primos e amigos, na ilha privada da família.

Bem vindo à bela família Sinclair.
Ninguém é criminoso.
Ninguém é viciado em nada.
Ninguém é um fracasso
.
 

Cadence faz parte dos Mentirosos, juntamente com os primos Johnny e Mirren e um amigo, Gat. Com idades semelhantes, são inseparáveis nas férias de Verão, que passam na ilha todos os anos. Cúmplices, partilham os testemunhos e palpitações típicos da idade, gozando os privilégios que a riqueza familiar concede.

No Verão 17 (em que Cadence tem 17 anos), e após alguns anos do divórcio dos pais e muitas discussões familiares, com a morte da avó pelo meio, a jovem sente-se confusa e debilitada, e aproveita o regresso à ilha para se reencontrar, tentando lembrar-se do que terá acontecido para ficar assim, quando o seu pensamento era claro e a sua memória confiável, antes dos anti-depressivos e outros inibidores. O clima familiar não ajuda, com a mãe de Cadence e as duas tias a discutirem constantemente sobre dinheiro e a partilha do património da mãe (a avó de Cadence), espevitadas pelo patriarca.

O livro não é previsível mas percebi a reviravolta antes de chegar a metade da história. E isto apenas porque o que me fez lê-lo (os alertas na capa para "mentir" sobre o desfecho do livro, que me aguçou a curiosidade) me pôs a conjecturar sobre o que seria o mistério e lá cheguei à conclusão que só poderia ser um par de coisas... e era uma delas, efectivamente.

Éramos mentirosos foi escrito com cuidado (nota-se), tem passagens bonitas, poéticas até, e há credibilidade, ainda que estereotipada, na descrição de uma aristocracia decadente. Porém, é claramente dirigido a um público juvenil e esqueci-me disso. Talvez há uma década, tivesse apreciado mais a história, mas como já não é assim, fiquei-me pelo satisfeita e doei o livro à biblioteca municipal, para que alguém possa desfrutar mais da sua leitura. 

***
(mediano/razoável)

22 de junho de 2015

Laços de Família

Autor: Marilynne Robinson
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 232
Editora:
Difel

Ano:
2007

ISBN:
978-972-2908511
Tradução: Isabel Veríssimo
Título original: Housekeeping 
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Lançado em 1981, Laços de Família foi considerado uma pérola rara. Nomeado para o Pullitzer (nesse ano, ganhou Coelho Enriquece, de John Updike), ficou-se pelo PEN/Hemingway Award e deixou a autora, Marilynne Robinson, debaixo de olho (curiosamente,  Robinson apenas publicaria o segundo romance, Gilead, 24 anos depois, em 2004).

Anos 50. Ruthie (a narradora) e a irmã, Lucille, são levadas pela mãe (uma mulher solitária e calada) a uma pequena cidade do Idaho, Fingerbone, onde vive a avó materna. Entregues as meninas, a mãe afasta-se de prego a fundo em direcção ao lago da cidade, suicidando-se na mesma massa de água onde o seu pai se afogara anos antes.

As duas crianças ficam entregues a uma avó inexpressiva, passando para duas tias "taralhocas" com a morte daquela e finalmente para outra tia (excêntrica até ao tutano) quando as duas solteironas decidem que criar duas crianças dá demasiado trabalho.

Rapidamente nos apercebemos que a família é atormentada pela doença mental, o suicídio e a inquietude. A autora é mestra em envolver-nos na vida doméstica e no crescimento das crianças, mas há toda uma atmosfera estranha que não torna a história credível (os actos das personagens não fazem grande sentido e a indiferença dos habitantes de Fingerbone é absurda). Há muitas respostas que ficam por dar, as personagens masculinas são irrelevantes e as mulheres da história pautam-se por uma passividade aflitiva.

Há três palavras que, para mim, resumem a história e o ambiente de Laços de Família: sublime, entediante e melancólico.
A história tem momentos evocativos e de grande beleza poética, escritos com uma elegância que se reconhece rara, mas a repetição de alguns cenários torna-se maçadora ao ponto de querermos que desate. Quanto à melancolia, é ambivalente, pois dá uma riqueza ao texto que acaba por aborrecer quando a história não avança. Ainda agora, depois de ter repensado os capítulos/as cenas mais relevantes, não consigo ver a apregoada genialidade deste livro; não foi nada gratificante seguir a infância e adolescência de Ruthie e Lucille.
 
Perdeu-se ainda algo na tradução do título: Housekeeping converteu-se em Laços de Família, quebrando o elo com a história e a forma como cada personagem é afectada pela atenção (excessiva ou falta dela) aos cuidados domésticos e à lida da casa.
 
Acredito que o livro seja superior à percepção que tive dele, mas só posso comentar aquilo que me fez sentir, num deambular demasiado longo que uma edição mais apurada teria resolvido.
 
Não vou desistir do que me trouxe ao nome da autora: a leitura de Gilead, considerada a sua melhor obra. Comecei por este romance porque foi o primeiro e queria lê-los por ordem cronológica, mas não tão cedo; cada vez que penso em Laços de Família, apetece-me bocejar.

***
(mediano/razoável)
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