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2 de junho de 2019

The Art of Happiness


Autor: Dalai Lama XIV, Howard C. Cutler
Género: Espiritualidade, Religião
Idioma: Inglês
Páginas: 268
Editora: Coronet Books
Ano: 1999
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Este é um livro que apesar de ter vinte anos, continua actual. Escrito pelo psiquiatra Howard Cutler, é uma sucessão de capítulos com perguntas-chave do especialista ao líder espiritual do Tibete, juntamente com algumas reflexões e apontamento clínicos.

O tema do livro centra-se na busca da felicidade, aliando a abordagem budista com a abordagem psiquiátrica, ambas tentando chegar à meta do alívio do sofrimento e do bem-estar psíquico.

«If you can, serve other people, other sentient beings. If not, at least refrain from harming them. I think that is the whole basis of my philosophy.»

Os capítulos não seguem uma ordem cronológica e citam as conversas entre os dois autores (o Dalai Lama é co-autor) no decorrer de vários encontros durante uma semana, e quando se cruzaram nas palestras dadas pelo Dalai Lama a que o psiquiatra assistiu. Quando interpelado, o líder tibetano dá a sua perspectiva das coisas enquanto líder espiritual e o psiquiatra analisa do ponto de vista da sua formação e experiência, dando também exemplos de pacientes que tratou que escolheram uma abordagem parecida ou completamente diferente da que o livro sugere, consoante o estado de espírito. 
 
O psiquiatra marca o ritmo e direcção do livro, o que resulta mais ou menos, com capítulos bons e outros menos harmoniosos. Muitas vezes Howard Cutler pergunta por dicas ou um sistema de passos (na onda de «diga-me 5 passos infalíveis para atingir a felicidade»), o que balança a estrutura, com o Dalai Lama a furtar-se a providenciar "a resposta" ou a desvendar "a solução" que alegadamente daria ao leitor a chave para a felicidade - prefere focar-se na forma como devemos disciplinar a nossa mente e adaptar a nossa atitude perante a vida e os outros à medida que a vida nos vai acontecendo.    

«The more honest you are, the more open, the less fear you will have, because there's no anxiety about being exposed or revealed to others.»
Ao descrever o Dalai Lama, a sua personalidade e o modo como se relaciona com as pessoas, Howard Cutler fá-lo para mostrar que o líder pratica o que prega e faz tudo com compaixão, e que há nele uma energia que faz aqueles que com ele se cruzam abrirem-se e sentirem-se bem.
«Compassion can be roughly defined in terms of a state of mind that is nonviolent, nonharming, and nonaggressive. It is a mental attitude based on the wish for others to be free of their suffering and is associated with a sense of commitment, responsibility, and respect towards the other.»
Claro que quem compra um livro desta temática, encontrar-se-á já (algo) predisposto a este tipo de ideias mas isso não significa que esteja disposto a lê-lo sem qualquer tipo de criticismo ou sem tirar as suas conclusões condicionado pela própria experiência, o que vai fazer da leitura uma experiência única para cada um. Há passagens em que nos vemos reflectidos no que é contado e outras em que não, mas isso seria sempre verdade pois os temas são universais - o sofrimento, a superação de obstáculos, como nos mostramos ao mundo, a forma como amamos -, mudando apenas o momento.

Para ler de mente aberta - a postura que o livro aconselha a ter perante tudo. 
«Imagine what it would be like if we went through life never encountering an enemy, or any other obstacles for that matter, if from the cradle to the grave everyone we met pampered us, held us, hand fed us (soft bland food, easy to digest), amused us with funny faces and the occasional ‘goo-goo’ noise. If from infancy we were carried around in a basket (later on, perhaps on a litter), never encountering any challenge, never tested – in short, if everyone continued to treat us like a baby. That might sound good at first. For the first few months of life it might be appropriate. But if it persisted it could only result in one becoming a sort of gelatinous mass, a monstrosity really – with the mental and emotional development of a veal. It’s the very struggle of life that makes us who we are. And it is our enemies that test us, provide us with the resistance necessary for growth.»


****
(bom)

6 de setembro de 2015

A gata do Dalai Lama


Autor:
David Michie
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 224
Editora:
Nascente

Ano:
2014

ISBN:
978-989-6682910
Título original: The Dalai Lama's cat
 
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Uma gatinha é resgatada da morte nas ruas impiedosas de Nova Deli por Sua Santidade, o Dalai Lama, e torna-se a sua companheira favorita. Enlevada pela sua sorte e tocada pela insustentável leveza do dono, a pequena bodhigatava decide contar a sua história.

«- Oh! Que amorosa! Não sabia que tinha uma gata! - exclamou.
Fico sempre surpreendida com a quantidade de pessoas que fazem esta observação. Porque é que Sua Santidade não haveria de ter uma gata?
- Se ao menos ela soubesse falar -continuou - De certeza que teria grande sabedoria para partilhar.
E daqui nasceu a ideia.... Comecei a pensar que talvez tivesse chegado a hora de escrever o meu próprio livro, que transmitisse a sabedoria que adquiri sentada, não aos pés do Dalai Lama, mas ao seu colo.»

Num mosteiro com vista deslumbrante sobre os picos nevados dos Himalaias, num lugar privilegiado nos aposentos do Dalai Lama, a gata testemunha encontros com estrelas de Hollywood, mestres budistas, rainhas, gurus, filantropos e muitas outras pessoas que procuram os conselhos do Dalai Lama. Paralelamente, aprende a olhar em volta e para dentro de si. A sua apreensão do mundo é relatado num tom irreverente e sábio, proporcionando ensinamentos sobre como encontrar a felicidade e o significado da vida num mundo tão intenso e materialista, onde a doutrina budista brilha de um modo simples e despretensioso.

Este é um livro delicioso, com pequenos episódios inspiradores. Apercebi-me assim que o comecei a ler. Tive de me conter para não o ler de uma assentada; não sei se por focar temas universais se por ter vindo na altura oportuna (ou se ambos), mas o conteúdo tem mensagens que urgem ser degustadas com vagar. O tom leve em que tudo é dito é enganador e como nunca tinha lido focado na filosofia budista, embora tivesse um conhecimento superficial, quase tudo foi um ensinamento.
 
O livro pode ser lido sem qualquer apego religioso e mesmo assim ser apreciado, pois defende o auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal, útil a todos. Como livro de auto-ajuda, indica um caminho para outra perspectiva. Pode ainda ser lido como um romance inspiracional sobre um gato cheio de charme. Seja qual for o ângulo, é uma leitura compensadora.

A gata do Dalai Lama foi inspirado na gata do autor, que o acompanhava na meditação e nas aulas sobre budismo tibetano; morreu antes de o autor terminar o livro, mas David Michie diz que continua a ser a sua musa inspiradora.

Podem ler um excerto do livro aqui

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(muito bom)
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