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29 de junho de 2012

The Diaries of the family Dracul

Autor: Jeanne Kalogridis
Género: Terror
Idioma: Inglês
Editora: Dell
Páginas: 1136
Preço: € 30 (trilogia)
ISBN:  978-0440215431 / 978-0440222699 / 978-0440224426


Avaliação:
***** (muito bom)



Sempre gostei da temática vampírica: adorei o Drácula de Bram Stoker tanto em livro como no cinema. Há muitos clones e derivados, uns muito bons como o livro de Freda Warrington e outros menos conseguidos.

Esta é uma trilogia composta por 3 livros que se conta entre os casos de sucesso:


1 - Covenant with the Vampire
2 - Children of the Vampire
3 - Lord of the Vampires

A história começa com Covenant with the Vampire, e o regresso de Arkady Tsepesh à terra natal, na Transilvânia. Arkady vai assumir as funções do pai como assistente do tio, Vlad, um excêntrico que evita a luz do dia e o convívio com terceiros. À medida que sobrinho e tio vão interagindo, Arkady habitua-se às mudanças de humor do familiar, sem no entanto perceber porque razão Vlad vai parecendo mais jovem a cada dia que passa, à medida que a irmã, Zsuzsanna, vai definhando. A descoberta da verdade vai abalá-lo profundamente. A acção é frenética e é o melhor livro dos três.

No segundo livro, Children of the Vampire, conhecemos Van Helsing, que se alia a Arkady na perseguição de Vlad, que se revelou um homem cruel e cheio de artifícios. Este segundo volume é o mais fraco da colecção mas é essencial para estabelecer a relação entre os livros 1 e 3, superiores em qualidade e interesse.

O desfecho da trilogia, com
Lord of the Vampires, fecha a saga em beleza, onde nem falta Elizabeth Bathory (uma adição vampírica excelente), com Van Helsing a chegar à Inglaterra, determinado a exterminar Vlad. A autora consegue fazer habilmente a ponte com vários acontecimentos do clássico Drácula, com personagens familiares com o Dr. Seward, Quincey Morris e Lucy.

A trilogia é uma mistura emocionante de terror, suspense e temas góticos, muito bem imaginado e aliciante. As origens de Vlad e a existência dos vampiros, com as suas forças e pontos fracos, estão bem pensados e credíveis. A história é contada sob a forma de diário das personagens principais, limitada ao ponto de vista de quem conta mas interessante pela diferença de personalidades e ideias.

The Diaries of the family Dracul entretém bastante e como dark fantasy é muito bom. A autora não se limitou e há sangue, sexo e traição a potes, ou não houvessem vampiros ao barulho, vampiros sanguinários, sedentos de "viver" e experimentar, não betinhos.

Para quem gosta do tema, é uma trilogia obrigatória, uma jóiazinha por editar em Portugal, porém só acessível a quem saiba inglês acima do mediano.

11 de janeiro de 2012

O Hobbit

Autor: J.R.R. Tolkien


Género: Fantástico
Idioma: Português
Editora: Europa-América
Páginas: 264
Preço: € 20
ISBN:  978-9-72-104305-3
Título original: The hobbit

Avaliação: **** (bom)

O Hobbit é um clássico e duvido que haja alguém que ainda não tenha ouvido falar dele, principalmente com a adaptação ao cinema, com o filme a estrear este ano.

Da autoria do mestre da Fantasia J.R.R. Tolkien (o mesmo autor d'O Senhor dos Anéis), funciona também como capítulo zero/prólogo para aquela trilogia.

O Hobbit conta as aventuras de Bilbo Baggins, um pacato hobbit (os hobbits são criaturas de pouco mais de um metro e pés peludos, muito caseiras e dadas ao ócio, amantes acérrimos da gastronomia e do cachimbo) convencido pelo feiticeiro Gandalf a juntar-se a um grupo de anões numa demanda para matar um dragão.

O dragão aterroriza uma região distante, onde se chega cruzando florestas assombradas por criaturas maléficas e montanhas habitadas por gnomos
sanguinários. Página a página, deliciamo-nos com as peripécias do grupo, principalmente com o tom de narrativa de Bilbo, uma criatura que inspira ternura e simpatia, habituado a uma vida tranquila e que, ao ver-se confrontado com criaturas famosas por feitos aterrorizadores, teme não mais ver a luz do dia. Mas Bilbo foi escolhido por uma razão e torna-se um membro indispensável do grupo, à medida que os anões se apercebem da sua astúcia e da sua utilidade.

O Hobbit é uma história encantada, com todos os condimentos para prender um leitor de qualquer idade: tem as inevitáveis lições de moral, companheirismo e amizade, muito carisma e um protagonista com que é facílimo engraçar.

Recomendo
.

27 de novembro de 2011

Dragon tears

Autor: Dean Koontz
Género:
Fantástico

Idioma:
Inglês
Editora: Berkley
Páginas: 416
Preço: €7
ISBN:  978-0425140031

Avaliação:
*** (mediano)

Dragon tears é o terceiro livro que leio do norte-americano Dean Koontz, um dos escritores de thriller/fantástico que mais vende nos EUA (onde ser bestseller é vender milhões de livros e receber também milhões em royalties).

Depois do óptimo Intensidade e do mediano The Door to December (ambos thrillers psicológicos), Dragon tears fala de um jovem com poderes sobre-humanos, poderes esses que usa para atormentar e destruir cidadãos indefesos, nomeadamente sem-abrigo e vagabundos, pessoas esquecidas e invisíveis na sociedade, com quem ninguém se preocupa e que o próprio considera descartáveis.

São estes excluídos as cobaias deste «deus» sem escrúpulos, que aumenta em poder de dia para dia, almejando dominar toda a raça humana. A salvação da humanidade reside, então, em dois despreocupados mas espirituosos e carismáticos detectives da polícia, que tropeçam no vilão de serviço por coincidência e acabam por salvar o mundo.

A primeira metade do livro é viciante, mas o desenrolar da história e o final são bastante trôpegos e previsíveis, o que desilude bastante. Dá a sensação de que o autor tinha demasiadas ideias mas a maior parte foram pouco afloradas, sem espaço para desenvolvimento, o que resulta em personagens superficiais e situações batidas.

Apesar de não um ser um grande livro, agradará aos fãs do suspense.


11 de outubro de 2011

Trevas satânicas

Autor: Marion Zimmer Bradley
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Difel
Páginas: 224
Preço: € 14
ISBN:  978-9-72-290632-6
Título original: Dark satanic

Avaliação:
** (fraco)


Trevas Satânicas foi uma das primeiras obras de Marion Zimmer Bradley, falecida em 1999. Esta autora editou livros de diversos géneros, mas as suas obras de referência encontram-se na fantasia (As Brumas de Avalon) e na ficção científica (a série Darkover).

Este título integra-se numa série de livros escritos pela autora com nuances góticas, abordando o tema das seitas secretas e do satanismo, sendo uma espécie de prequela para A Herdeira, já analisado aqui no blog.

Jamie Melford é editor-adjunto numa editora, a Blackock Books, e vive com a mãe e a mulher, Bárbara, em Nova Iorque, sem sobressaltos. Até ao dia em que um dos seus autores mais vendidos, Jock Cannon, lhe entra pelo gabinete adentro, seriamente perturbado.

Jock tem sido ameaçado para não publicar o seu mais recente livro, uma obra sobre bruxaria. Jamie desvaloriza a situação e leva avante a publicação. O autor aparece morto pouco tempo depois e o casal Melford começa a receber ameaças e a ver um quotidiano outrora pacato ser revirado.

Apesar de ter gostado minimamente do livro (a autora escreve bem), não posso negar que foi uma leitura decepcionante. A história é bastante previsível e tem um fim morno.
Além disso, as personagens são demasiado estereotipadas, o que surpreende, uma vez que Marion Zimmer Bradley foi uma defensora do feminismo e incluiu-o amiúde no seu trabalho.

Fraquinho.

NOTA: Como, infelizmente, a Difel fechou, poderão encontrar este livro em alfarrabistas ou para requisição nas bibliotecas municipais.

10 de agosto de 2011

O vampiro Lestat

Autor: Anne Rice
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Europa-América
Páginas: 520
Preço: € 34 (os 2)
ISBN:  978-9-72-104002-1/ 978-9-72-104032-8
Tradução: Sophie Vinga
Título original: Vampire Lestat

Avaliação:
****
(bom)


O vampiro Lestat, dividido em 2 volumes, é a continuação de Entrevista com o Vampiro, mas pode ser lido autonomamente, sem se perder nenhum fio à meada.

Com a qualidade habitual da escrita sensorial e sensual de Anne Rice, lemos a autobiografia escrita pelo punho do próprio Lestat, desde os seus tempos de mortal até ao dia em que lhe é concedida a imortalidade. Aqui, está bastante longe do retrato do monstro insensível e cruel que se alimentava gulosamente do sangue humano (como descrito por Louis em Entrevista...).

Lestat chega a confessar-se chocado com as palavras do seu amado companheiro, que o via como uma criatura sem coração. A sua história tem como objectivo repôr a verdade dos factos e dar a conhecer ao mundo a sua existência e a de outros vampiros (Marius, Armand e Gabrielle), com episódios que remontam ao Antigo Egipto e à França pré-revolucionária.

As relações entre personagens são descritas ao pormenor, com muita drama à mistura. Lestat é magnético e a sua narrativa é muito envolvente. Damos por nós rendidos à sua personalidade e franqueza, acreditando piamente em tudo o que relata.

Aconselho a leitura, Lestat é um dos personagens mais apaixonantes da literatura fantástica.

4 de agosto de 2011

Aventuras de João sem medo

Autor: José Gomes Ferreira
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Leya

Colecção:
Bis

Páginas: 176
Preço: € 4,95
ISBN:  978-9-89-653006-8

Avaliação:
****
(bom)


Ler as Aventuras de João sem medo é ler uma história passada num mundo encantado e mágico.

João sem medo mora com a mãe em Chora-Que-Logo-Bebes, uma pequena aldeia onde os habitantes, os choraquelogobebenses, passam os dias a chorar de tão infelizes.
Um dia, farto de tudo aquilo e contra a vontade da mãe, João salta o Muro em volta da Floresta Branca e aventura-se na área desconhecida.

«É PROIBIDA A ENTRADA
A QUEM NÃO ANDAR
ESPANTADO DE EXISTIR»


Envolve-se então em várias peripécias ao defrontar-se com as criaturas mágicas que se atravessam no seu caminho (o homem sem cabeça, o joão medroso, o gramofone com asas). Afinal, é um choraquelogobebense diferente, que não anda sempre a chorar pelos cantos.

Apesar do tom ligeiro,
Aventuras de João sem medo tem uma forte crítica social, com analogias e metáforas notáveis (o livro é de 1963). A escrita é ambígua e dirigida a um público adulto, numa sátira à situação nacional sob a ditadura que se vivia em Portugal.

«Era uma vez um rapaz chamado João que vivia em Chora-Que-Logo-Bebes, exígua aldeia aninhada perto do Muro construído em redor da Floresta Branca onde os homens, perdidos dos enigmas da infância, haviam instalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos.»

O autor, José Gomes Ferreira, foi cônsul, crítico de cinema e tradutor. Formado em Direito, lutador antifascista, qualificou-se como um «poeta militante», um «misto de cavaleiro andante, profeta, jogral, vate, bardo, jornalista, comentador à guitarra de grandes e horríveis crimes». Este seu título é bom e recomenda-se.

26 de julho de 2011

A fúria dos reis

Autor: George R. R. Martin
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 480
Preço: € 19
ISBN:  978-9-89-637026-8 
Tradução: Jorge Candeias
Título original: A clash of kings

Avaliação:
*****
(muito bom)


Este título é o 3.º livro d'As Crónicas de Gelo e Fogo, a saga apaixonante do americano George R. R. Martin que está a ser adaptada ao pequeno ecrã, com uma 1.ª temporada fantástica.

Na versão original, o título deste livro é A clash of kings, com 741 páginas num único volume; em Portugal, dividiram-no em dois: A fúria dos reis e O despertar da magia.

A história prossegue com um cometa vermelho a cruzar os céus; os Sete Reinos encontram-se em guerra, com um rei (Joffrey) no trono de ferro, em Porto Real, e 3 pretendentes ao trono (Renly, Stannis e Robb). Todos os sábios e fidalgos vêem no fenómeno um significado conveniente àqueles que servem. O povo começa a sentir a fome e a privação resultante de um reino em guerra.


Do outro lado do mundo, Daenerys alimenta e cuida dos seus dragões, abandonada por muitos dos seguidores de Khal Drogo mas decidida na sua ambição de reclamar o título que é seu de direito. A norte, a Patrulha da Noite averigua o que se passa nas terras para lá da Muralha, onde forças desconhecidas começam a manifestar-se.

Não faltam intrigas, conspirações e os habituais jogos de poder. O ódio entre as várias Casas está ao rubro e as facções dividem-se, numa luta pela desenfreada por riquezas e títulos nobiliárquicos.

A saga continua extremamente viciante; para ajudar, depois de um hiato de 6 anos, o autor lançou mais um aguardado título.

Está disponível para leitura um excerto bastante extenso (115 páginas) d'A fúria dos reis, no site da editora.

21 de junho de 2011

Cornos

Autor: Joe Hill
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Edições Gailivro
Colecção: 1001 mundos

Páginas: 432
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-557761-3
Título original: Horns

Avaliação:
***** (muito bom)

Cornos foi o segundo livro que li de Joe Hill. Já tendo lido A caixa em forma de coração, o entusiasmo não era grande, mas achei a sinopse curiosa e decidi arriscar. O saldo é positivo, com o filho de Stephen King a elevar, em muito, a fasquia.

Ig Perrish acorda uma manhã com uma ressaca descomunal. Desorientado e moído no corpo e no espírito, vê que lhe cresceram cornos nas têmporas.

Ao início Ig pensa ser uma alucinação; faz um ano que a sua namorada, Merrin, foi brutalmente violada e assassinada e o culpado não foi descoberto, deixando Ig devastado, pelo que um colapso mental seria expectável. Mas, longe de imaginários, os cornos são reais.

Ig tenta perceber o que lhe aconteceu e descobre que os seus novos apêndices trazem consigo algumas habilidades, nomeadamente a capacidade de fazer com que as pessoas com quem se cruza lhe revelarem tudo o que lhes vai na cabeça, sem espinhas. Do estranho mais casual ao familiar mais íntimo, Ig descobre o que realmente pensam aqueles que o rodeiam... este é o ponto mais forte do livro, que proporciona cenas deliciosas.

Juntamos a isto um sentido de humor negro, personagens complexas e muito bem desenvolvidas, um bom ritmo e temos uma leitura que se torna compulsiva, sendo muito difícil pousar este livro, que ganha aos pontos
a obra anterior de Hill.

Esperava um final um pouco mais teatral mas não fiquei desiludida. Joe Hill tem uma voz diferente de Stephen King mas é um bom autor e uma imaginação fértil que faz adivinhar obras futuras aliciantes.


Cornos vai ser adaptado ao cinema e estou curiosa em ver o resultado. A história é muito boa e certamente que vai resultar num filme interessante.

17 de junho de 2011

Frankenstein

Autor: Mary Shelley
Género:
Gótico

Idioma: Português
Editora: Leya
Páginas: 240
Preço: € 6
ISBN:  978-9-89-653019-8
Título original: Frankenstein; or the modern Prometheus

Avaliação: ***** (muito bom)

Mary Shelley escreveu Frankenstein em 1818, na sequência de um desafio lançado num serão, onde estavam Lorde Byron, Percy Shelley e John Polidori. 

A autora tinha 21 anos e o repto, lançado por Byron, foi que cada um dos presentes escrevesse uma história tão negra que fizesse tremer o mais imperturbável dos homens.

Curiosamente, não foram as figuras mais sonantes que se destacaram; o obscuro e discreto secretário de Byron, John Polidori, apresentou O Vampiro, e Mary, na altura companheira do poeta Shelley, escreveu Frankenstein. Ambos os livros são hoje clássicos incontornáveis da literatura e servem de tema a ensaios e de inspiração ao género de terror/fantástico.

Publicado anonimamente, Frankenstein começou por ser apresentado sob a forma de conto e só mais tarde desenvolvido por Mary, incentivada por Percy Shelley.

A história é comummente conhecida: Victor Frankenstein é um médico-cientista brilhante e auto-didacta que, a partir de pedaços de cadáveres, dá vida ao Monstro, uma criatura hedionda, de força e resistência sobre-humanas, mas que possui uma alma.

Com o avançar da história, percebemos que Frankenstein e o Monstro formam partes diferentes de um mesmo todo: ambos procuram a felicidade, ambos necessitam de amigo e de uma companheira para amar. E nenhum deles é feliz.

Victor é rico, atraente, o Monstro é horrível, um eremita à força. Os dois têm uma inteligência brilhante e a sua felicidade torna-se inalcançável com a inexistência do outro: Victor
Frankenstein abandona e ostraciza a sua criação e recusa-se a fazer uma companheira para o Monstro, e este, como vingança, elimina os entes queridos do seu criador, transformando-lhe a vida num inferno, revoltado pelo cientista não o compreender e acarinhar, amaldiçoando-lhe a existência.

Mary Shelley guia-nos (subtilmente) ao longo da história e damos por nós a desprezar Frankenstein pelo seu egoísmo irresponsável e a apiedarmo-nos do Monstro, que aprende a ler e a instruir-se sozinho, repudiado pela sua aparência de ogre. 

Há uma forte crítica social a uma sociedade pronta a julgar o carácter de alguém baseado somente na aparência, num livro que questiona o que é válido e correcto. Numa era como a nossa, onde a clonagem é um assunto de ontem e os avanços científicos sucedem-se em catadupa, Frankenstein surpreende pela pertinência e actualidade; Mary Shelley criou personagens ímpares e magnéticos, que tornam a leitura muito envolvente.

Esta edição de bolso está a um preço anti-crise, um pretexto extra para ler este clássico intemporal.

2 de junho de 2011

A muralha de gelo

Autor: George R. R. Martin
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 416
Preço: € 19
ISBN:  978-9-89-637020-6
Título original: A game of thrones

Avaliação:
*****
(muito bom)

Este título é o 2.º livro d'As Crónicas de Gelo e Fogo, uma saga imperdível pela mão do norte-americano George R. R. Martin.

Na versão original, o primeiro título é A game of thrones, com 800 páginas num único volume; em Portugal, dividiram-no em dois: A guerra dos tronos (sobre o qual já botei faladura) e este título.

Se o primeiro livro demora a aquecer (não esquecer que é a introdução ao vasto mundo e às inúmeras personagens da saga), neste segundo torna-se claro a motivação dos vários protagonistas. A estória continua a ser narrada de pontos de vista diferentes, alternando entre o sarcástico anão Tyrion Lannister, a kaleesi Daenerys ou a jovem e ingénua (e irritante) Sansa, entre outros; cada personagem é independente, tem uma voz própria e age de acordo com os seus interesses.


«Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre-se.»

O contexto continua medieval e o mundo é cruel e a sede de poder é muita. São tempos atribulados para Robert Baratheon, rei dos Sete Reinos. O rumor é que, do outro lado do mar, uma imensa horda de selvagens ameaça formar-se, com o objectivo de invadir o seu reino.
 
Mas não é tudo: na Corte, as conspirações continuam. O ódio entre as várias Casas aumenta e a guerra civil é mais do que uma possibilidade, com a guerra pelo domínio a despoletar alianças e confrontos armados.
 
A saga continua viciante e recomenda-se.
 
NOTA: Entretanto, já tive oportunidade de ver alguns episódios da série Game of Thrones (produzida pela HBO) e estão um mimo.

6 de maio de 2011

Escrever - memórias de um ofício

Autor: Stephen King
Género: Autobiografia / Escrita criativa
Idioma: Português
Editora: Temas e Debates
Páginas: 256
Preço: € 18
ISBN:  978-9-72-759459-7
Título original: On writing: a memoir of the craft


Avaliação: ***** (muito bom)

«Se não tem tempo para ler, não tem tempo nem ferramentas para escrever.»

Neste livro, dividido em duas partes, King desvenda-nos os segredos e ferramentas da sua arte. A primeira parte é uma autobiografia, com enfoque no seu percurso literário, a segunda parte um guia do escritor.

Começamos com um passeio pelas memórias do mestre do terror: infância, adolescência, primeiros passos no mundo editorial, sucesso mundial, experiência de vida. Longe de ser uma leitura monótona, ajuda-nos a perceber como as situações passadas ajudaram o fazer de King o escritor que ele é, não sendo necessário ter uma vida fora do comum para escrever sobre o sobrenatural e o bizarro.

A segunda metade é um guia para o aspirante a escritor. Stephen King começa por dizer, sem peias, que não vê com bons olhos os workshops de escrita criativa e cursos derivados.

Para ele, se alguém não tiver o que é necessário para escrever - «the package» -, dificilmente o adquirirá em cursos. A chave é amar a leitura, ler muito (mesmo muito muito muito) e saber o que se quer fazer com as ideias que se tem a fervilhar no cocuruto. Os conhecimentos de gramática, léxico e sintaxe ajudam, mas tudo se resume a duas máximas:

1) ler muito
2) escrever muito

King descreve pormenorizadamente o seu processo de criação e incentiva os aspirantes a seguirem-no ou a adaptarem-no a si. Dá dicas e recomenda alguns livros que o influenciaram ou a que ele tira o chapeau pela qualidade e/ou técnica.

Stephen King, goste-se ou não da sua obra, é uma referência para todos os que gostariam de escrever dentro do género; em Escrever - memórias de um ofício chega até ao leitor facilmente, numa narrativa simples, directa e, acima de tudo,  útil.

4 de abril de 2011

As raparigas que sonhavam ursos

Autor: Margo Lanagan
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Guerra & Paz
Páginas: 408
Preço: € 16,65
ISBN:  978-9-89-817485-7
Título original: Tender morsels

Avaliação:
*** (mediano)


As raparigas que sonhavam ursos tem uma capa e título enganadores, que poderão  remeter para  um imaginário infantil. Isso está longe da realidade, pois o livro ficciona temas bastante adultos (como o incesto e a zoofilia), nada condicentes com o felpudo urso que aparece  a abraçar duas meninas.

A adolescente Liga, abusada pelo pai e depois por um grupo de rapazes, sozinha com duas filhas pequenas (a delicada Branza e a aguerrida Urdda), está desesperada, pensa em morrer. Levada ao limite pelo isolamento e pela violência sofrida, cria um mundo paralelo - o seu céu - onde se refugia.

Nele, vive feliz com as suas meninas
, num mundo que não é real. Apenas Liga e as filhas o são, protegidas da maldade dos homens, vivendo as suas vidas longe da realidade.

A pontuação positiva atribuída deve-se a um terço do livro (as primeiras 120 páginas são o melhor do todo), mas a originalidade e frescura extinguem-se e dão lugar a páginas chatas e que vão perdendo gradualmente o interesse; a autora tem  o condão de misturar temas violentos com descrições cândidas e mimosas mas ao final de algum tempo, a história torna-se aborrecida demais.


Sinceramente, quando cheguei ao final do livro, fiquei desiludida; quando comecei  a leitura estava agradada com a narrativa e as últimas 100 páginas foram feitas mais para cumprir calendário que por gosto; esperei que melhorasse ou acabasse em beleza e isso não aconteceu.


O livro tem pormenores engraçados e as várias vozes narrativas ajudam ao ritmo  mas, no geral, fica abaixo do esperado.

20 de março de 2011

A herdeira

Autor: Marion Zimmer Bradley
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Difel
Páginas: 388
Preço: € 16
ISBN:  978-9-72-290939-6 
Título original: The inheritor

Avaliação:
** (fraco)


É decepcionante quando lemos algo menos bom de um autor que admiramos. A Herdeira fica muito aquém do que estamos habituados de Marion Zimmer Bradley, que escreveu as fantásticas Brumas de Avalon.

Quem conhece algumas das suas obras nunca espera um livro menor, um trabalho abaixo de bom. Pelo menos para mim foi assim, até ter lido este livro. Claramente focado no oculto, assemelha-se bastante ao 1º volume d'O Poder Supremo, sendo notório algumas semelhanças em termos de personagens.

A protagonista é Leslie Barnes, uma psicoterapeuta que vive com a irmã adolescente, Emily. Leslie tem visões e, ao conhecer alguns estudiosos do oculto, descobre que se mudou para uma casa situada num poderoso vórtice parapsíquico, onde a reputada parapsicóloga Alison Musgrave morreu.

Esta é a base de um livro que
tem uma história interessante, chegando a cativar de início, mas que rapidamente se começa a arrastar. Quando acabei a última página, tive a sensação que o livro acabou repetinamente, ficando alguns fios de acção soltos. Talvez o facto de ter sido escrito originalmente em 1984 justifique de algum modo as partes menos conseguidas, mas desta autora a fasquia é demasiado elevada e espera-se sempre muito mais. 

15 de fevereiro de 2011

O evangelho do enforcado

evangAutor: David Soares
Género:
Romance histórico / Fantástico

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 368
Preço: € 19
ISBN:  978-9-72-731159-0
Título original: O evangelho do enforcado

Avaliação:
**** (bom)


O Evangelho do Enforcado combina habilmente História e fantasia. Tendo como pano de fundo as circunstâncias em que foram criados os Painéis de S. Vicente de Fora, começa por acompanhar a vida do pintor que lhes deu vida, Nuno Gonçalves, e entrecruza-se com o período que marcou o início dos Descobrimentos portugueses.

Permitindo-se inúmeras liberdades criativas (ser-me-á impossível voltar a olhar a figura do Infante D. Henrique - votado como o 7.º dos Grandes Portugueses - e de toda a
ínclita geração da mesma forma depois desta leitura), David Soares retrata as gentes e a Lisboa do século XV com bastante crueza e não menos erudição.

O início da leitura não é fácil, sendo que a narrativa desperta alguma repulsa, mas quebrada essa barreira, o virar de páginas torna-se compulsivo, ao que ajuda a galeria de personagens verdadeiramente rica e electrizante, com vários nossos conhecidos dos livros do preparatório: Mestre d'Avis, Filipa de Lencastre, Infante D. Henrique, D. Afonso V, etc.

As anotações finais do autor são bastante úteis, permitindo perceber melhor algumas nuances introduzidas (o pão roxo, por exemplo) e confirmando o imenso trabalho de pesquisa por detrás do romance.

Uma leitura recomendadíssima, não só por ser de um autor português mas porque é um bom livro dentro do género e do melhor que se faz (escreve) em Portugal.

Não leva mais estrelas porque achei que a acção acabou algo abrupta, sem um real remate.

12 de janeiro de 2011

A guerra dos tronos

Autor: George R. R. Martin
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 400
Preço: € 19
ISBN:  978-9-89-637010-7
Título original: A game of thrones

Avaliação:
**** (bom)


Este título é o 1.º livro d'As Crónicas de Gelo e Fogo, uma saga absolutamente fantástica da autoria do norte-americano George R. R. Martin.

Já li os livros editados até à data há uns anos, na língua inglesa, e a sua releitura em português não lhe retirou emoção nem deleite. É que Martin é um mestre na criação de personagens e de conflitos.

Cedo se nota a diferença (positiva), não só pela ausência de clichés mas pela forma como a estória é contada de pontos de vista diferentes, alternando entre o honrado senhor de Winterfell, Ned Stark, o espirituoso anão Tyrion ou a ingénua princesa Daenerys, entre outros, sem nunca perder interesse nem autenticidade; cada personagem é independente, está viva, tem uma voz própria.


O contexto é medieval e o mundo é frio, cruel, e a sede de poder é muita. A descrição cerrada de Martin das roupas, das fisionomias, das condições atmosféricas nunca se tornam monótonas, apenas contribuindo para que o leitor fique ainda mais envolvido na narrativa.

Um dos trunfos desta saga é a sua imprevisibilidade, na medida em que nenhuma personagem está a salvo, por mais cândida ou jovem que seja, porque há maldade real e muito calculismo e estratégia.

O único ponto menos bom e que poderá afastar alguns leitores (ou fazer com que não acabem o livro) é o ritmo; com tantos personagens e conflitos, há a tendência para haver algum arrastar, logo retomado num capítulo mais emocionante. Porém, o mundo criado por Martin é tão extenso que rapidamente isso passa para segundo plano; é que as personagens que o autor apresenta n'A Guerra dos Tronos são apenas uma amostra, com muitos mais por virem e interagirem, e serem manipulados pela mentezinha perversa de Martin.

Este início de saga com A Guerra dos Tronos começa bem, e os livros que se lhe seguem são ainda melhores, tanto que se tornam verdadeiramente viciantes. Recomendo que leiam este 1.º livro, o acabem e passem ao seguinte. Vale a pena.


DICA: comprem este primeiro livro no site da editora; fica em pouco mais de 11 euros e os portes são gratuitos. Os 19 euros referidos acima é o preço praticado nas livrarias e retalhistas.

25 de dezembro de 2010

As piedosas

Autor: Federico Andahazi
Género:
Gótico

Idioma: Português
Editora: Editorial Presença
Páginas: 142
Preço: € 10
ISBN:  978-9-72-232470-0
Título original: Las piadosas

Avaliação: ***** (muito bom)

As Piedosas passa-se
numa villa nos Alpes suiços, onde o poeta Percy Bysshe Shelley, Mary Shelley, a irmã desta, Claire, Lord Byron e o seu obscuro secretário John Polidori se reúnem numa estranha tertúlia. Estamos em 1816 e o desafio é escrever a obra mais negra e perturbante de sempre.

À primeira mirada aos nomes envolvidos, o concurso afigura-se desigual, mas é o secretário que acaba por vencer, ao apresentar O Vampiro, a primeira obra sobre um ser imortal e sedutor que se alimenta do sangue dos vivos.

Como consegue este homem insonso e desinteressante, um mero lacaio de Byron, que acumula funções de médico e secretário do poeta, escrever uma obra tão rica e escura, conseguindo derrotar o texto apresentado por Mary Shelley, que mais tarde será desenvolvido e resultar na obra-prima que é Frankenstein?

A resposta é: um pacto faustiano. Polidori não vende a alma ao Diabo mas antes fornece algum do seu «elixir vital» a uma obscura forma de vida parente das famosas gémeas cortesãs Legrand, que sobrevive à custa da sua extrema inteligência e férrea determinação em existir.

«Sou, na verdade, e digo isso sem apelar para nenhuma metáfora, um monstro. Nem sequer posso reivindicar minha inclusão na classificação que reúne aqueles abortos da natureza abandonados pelos pais nas portas das igrejas ou dos vestíbulos dos orfanatos. Padeço de uma certa idiotice química, de um desconhecido capricho fisiológico que fez de mim um fenómeno vagamento amorfo. Sou uma espécie de formação residual de minhas irmãs. (...) Mas sou, apenas, a terça parte de um monstro que razão alguma - nem humana, nem divina - poderia ter concebido. Ignoro que obscura inteligência governa a natureza; jamais se deixe enganar pelos enganos bucólicos com que os poetas medíocres tentam imbaí-lo. A beleza não é mais do que a aparência do horror e, invariavelmente, necessita da morte: a mais linda flor mergulha suas raízes na fétida matéria decomposta.»

As Piedosas é uma obra inteligentíssima, que nos surpreende até à última página, possuidora de uma crueza que não nos deixa pousar o livro. O autor combina com mestria elementos vários, onde se destacam o horror, a sexualidade, o fantástico e o simbólico, num ambiente soturno e, não raras vezes, assustador, despertando no leitor simultâneos sentimentos de repulsa e fascínio.

O humor negro e a atmosfera vincadamente gótica tornam este pequeno livro uma delícia irresistível, onde Andahazi brilha pela forma como agarra a atenção do leitor, culminando numa história rica em imaginação e final inesquecível.

Obrigatório.

12 de dezembro de 2010

Jóia perdida

Autor: Anne Bishop
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 320
Preço: € 19,13
ISBN:  978-9-89-637058-9
Título original:
Tangled webs

Avaliação:  ** (fraco)

Anne Bishop proporcionou-me boas horas de entretenimento com a sua trilogia d'As Jóias Negras, onde se mostrou uma autora envolvente, capaz de criar um mundo credível e sedutor, onde os Sangue dominam através da magia.
 

Comprei este livro convencida de que seria uma boa leitura onde me reencontraria com personagens como Daemon, Saetan e Surreal, numa qualquer aventura onde o bem venceria o mal. Esta última parte efectivamente aconteceu, mas a aventura não foi divertida nem emocionante mas antes sem brilho, monótona.

Na Jóia Perdida, Jaenelle Angeline, rainha dos Sangue, decide criar uma casa assombrada para que as crianças humanas (e sem poderes mágicos) possam perceber como vivem os Sangue, desmistificando algumas ideias falsas de crueldade e promiscuidade.

Paralelamente, um escritor de sucesso que escreve sobre os Sangue descobre ser, ele próprio, meio-Sangue. Radiante com a descoberta, rapidamente se revolta quando não é aceite da melhor forma por alguns daqueles, que ridicularizam os seus livros e o consideram um transviado.


Furioso, arquitecta um plano: constrói uma casa assombrada, ludibria alguns Sangue a ajudá-lo na concepção de armadilhas letais e, fazendo-se passar por Jaenelle, convida alguns ilustres (Surreal, Daemon, Lucivar) para a inauguração.

 O que se passa a partir daqui e nas 200 e muitas páginas seguintes é agonizante. A história avança muito devagar, com muitas repetições e às personagens que aprendemos a gostar falta-lhes complexidade e credibilidade, não parecem as mesmas dos restantes livros. Ora, isto é o pior: com uma história fraquinha e lenta no desenrolar, a autora podia ter apoiado o livro nos carismáticos e familiares protagonistas habituais, mas ao reduzi-los a uma forma tão superficial arruina a experiência ao leitor.

Não posso aconselhar a leitura deste livro nem a sua compra; leiam a trilogia das Jóias Negras, essa sim uma leitura de qualidade superior que faz jus à imaginação desta escritora.

26 de novembro de 2010

Outros mundos

Autor:  Barbara Michaels
Género: Fantástico
Idioma: Português
Editora: Planeta Editora
Páginas: 270
Preço: € 12,60 (requisitado da biblioteca municipal)
ISBN:  978-9-73-11064

Avaliação: * (a evitar)

 
Numa escura, húmida, noite de nevoeiro, um pequeno grupo de intelectuais reúne-se num clube masculino exclusivo. Chegam envoltos nos seus abafos dispendiosos, com o pretensiosismo de quem sabe mais que a maioria.

Deste grupo,
que se junta periodicamente para discutir acontecimentos paranormais, fazem parte o famoso ilusionista Houdini e o afamado Sir Arthur Conan Doyle (criador do celebérrimo Sherlock Holmes). 

Outros Mundos relata uma dessas reuniões. Num serão frente à lareira, com uma bebida aconchegante no colo, os intelectuais analisam dois episódios distintos: ‘A Bruxa de Bell’ e ‘O Caso Phelps’. O primeiro é a história de um poltergeist que assombra uma família do sudeste americano; o segundo envolve uma família católica a braços com um espírito violento. Depois dos relatos, os membros do clube (todos eles interessados e/ou estudiosos do sobrenatural) discutem e determinam se as assombrações são verdadeiras ou falsas.

Quando li a sinopse, achei que o livro tinha os predicados ideais para uma leitura nocturna inquietante, mas cedo a prometida história de fantasmas se transformou num desencantado virar de páginas.

A forma como se desenrola a acção é extremamente desinspirada. Enquanto lia as análises dos fenómenos feitas pelos membros do "selecto" clube, mais anedótica a história se tornava. Sei que Conan Doyle foi adepto do espiritismo e frequentador assíduo de sessões espíritas - chegou a ser Presidente da Aliança Espírita de Londres -, por isso quando li as passagens em que intervém, espantou-me a falta de lógica. O livro é uma má piada do princípio ao fim, com diálogos secos, chatos, pouco credíveis. Admirou-me ainda que
Barbara Michaels escrevesse algo assim; é uma autora consagrada e muito experiente, que assina outro género de livros como Barbara Metz e Elizabeth Peters (não ficção e históricos, respectivamente), todos com imenso sucesso.

O saldo total é um enorme bocejo. Obriguei-me a ler o livro até ao final, talvez à espera de uma reviravolta que não chegou a acontecer. Este livro, bom? Talvez noutro mundo.
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