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21 de abril de 2012

Visto do céu

Autor: Alice Sebold
Género: Romance
Idioma: Português
Editora: Casa das Letras
Páginas: 264
Preço: € 15
ISBN:  978-9-72-461947-7
Título original: The lovely bones

Avaliação: ***** (muito bom)

O meu apelido era Salmon e o nome próprio Susie. Tinha 14 anos quando fui assassinada, no dia 6 de Dezembro de 1973. (...) Quando as pessoas ainda pensavam que coisas dessas não aconteciam.
Visto do céu foi o romance de estreia de Alice Sebold e resultou num sucesso literário; ganhou os prémios maiores do meio literário e uma adaptação ao cinema pela mão de Peter Jackson (mais conhecido pela trilogia cinematográfica d'O Senhor dos Anéis).

Logo nas primeiras páginas, a nossa narradora, Susie, revela-nos que foi violentamente assassinada, quem a matou e quais os efeitos da sua morte na comunidade e seio familiar, numa década de 70 imersa em flower power e pouco habituada a homicídios infanto-juvenis. Revoltada com o seu destino, Susie continua a seguir os acontecimentos da família e amigos, a partir do seu céu.
Pelos seus olhos e voz, vemos os pais a tentar lidar com a morte da primogénita, o crescimento dos seus 2 irmãos mais novos e até os movimentos do seu assassino.

Poderosíssimo na forma como aborda os temas de perda, amor e morte e uma escrita hipnotizante, é um livro de leitura, muitas vezes, melancólica e até incómoda, deixando-nos desconfortáveis na descrição da execução homicida e perante as diferentes manifestações da fragilidade humana.

O curioso é que a história me envolveu completamente apesar de eu não acreditar na vida além da morte nem em aparições fantasmagóricas; o livro é tão bom como isso, com a sua prosa simultaneamente crua e delicada, personagens complexas e descrições realistas. Susie é uma narradora deliciosa e, acima de tudo, genuína na sua inocência e frescura adolescentes
, o que torna o relato mais doloroso de ler, pois desde o início que sabemos que a sua morte é definitiva e por mais acontecimentos paranormais que aconteçam, isso nunca se irá alterar. Susie Salmon está morta, não vai casar, ter filhos nem viver a história de amor que deixou em suspenso na terra. E isso é triste. Mesmo assim, Alice Sebold conseguiu imprimir esperança numa narrativa muitas vezes sombria, o que é um feito assinalável. 

Podem ler o primeiro capitulo do livro aqui. Peter Jackson adaptou-o ao cinema em 2009 (escrevi a minha opinião do filme no blog bué de fitas)
.

11 de janeiro de 2012

O Hobbit

Autor: J.R.R. Tolkien


Género: Fantástico
Idioma: Português
Editora: Europa-América
Páginas: 264
Preço: € 20
ISBN:  978-9-72-104305-3
Título original: The hobbit

Avaliação: **** (bom)

O Hobbit é um clássico e duvido que haja alguém que ainda não tenha ouvido falar dele, principalmente com a adaptação ao cinema, com o filme a estrear este ano.

Da autoria do mestre da Fantasia J.R.R. Tolkien (o mesmo autor d'O Senhor dos Anéis), funciona também como capítulo zero/prólogo para aquela trilogia.

O Hobbit conta as aventuras de Bilbo Baggins, um pacato hobbit (os hobbits são criaturas de pouco mais de um metro e pés peludos, muito caseiras e dadas ao ócio, amantes acérrimos da gastronomia e do cachimbo) convencido pelo feiticeiro Gandalf a juntar-se a um grupo de anões numa demanda para matar um dragão.

O dragão aterroriza uma região distante, onde se chega cruzando florestas assombradas por criaturas maléficas e montanhas habitadas por gnomos
sanguinários. Página a página, deliciamo-nos com as peripécias do grupo, principalmente com o tom de narrativa de Bilbo, uma criatura que inspira ternura e simpatia, habituado a uma vida tranquila e que, ao ver-se confrontado com criaturas famosas por feitos aterrorizadores, teme não mais ver a luz do dia. Mas Bilbo foi escolhido por uma razão e torna-se um membro indispensável do grupo, à medida que os anões se apercebem da sua astúcia e da sua utilidade.

O Hobbit é uma história encantada, com todos os condimentos para prender um leitor de qualquer idade: tem as inevitáveis lições de moral, companheirismo e amizade, muito carisma e um protagonista com que é facílimo engraçar.

Recomendo
.

4 de novembro de 2011

Cruz de ossos



Autor: Patricia Briggs
Género:
Fantasia Urbana
 

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Páginas: 288
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-637887-7
Título original: Bone crossed

Avaliação:
***** (muito bom)

Cruz de ossos é o volume 4 da série Mercedes Thompson, depois de O Apelo da lua, Vínculo de Sangue e Beijo do Ferro.

Mercy Thompson não é uma mulher comum, longe disso. Mecânica de profissão, é uma caminhante (walker), podendo assumir a forma de um coiote. Tem ainda um relacionamento com Adam, o alfa do bando local de lobisomens, divide a casa com outro lobisomem, Samuel, e tem amigos entre os vampiros e os seres feéricos da zona. A sua vida é cheia de sobressaltos e aventuras... tal qual ela gosta.
 
Neste livro, porém, Mercy vê-se a braços com algumas dificuldades que a sua desenvoltura habitual não consegue ultrapassar rapidamente. A atravessar um período pós-traumático, vê a sua garagem vandalizada ao mesmo tempo que descobre que a rainha dos vampiros, Marsilia, quer vê-la morta, depois da mecânica ter exterminado um dos seus favoritos.

A acção continua emocionante, o tom é bem-humorado. Mercy é uma heroína despachada e corajosa, e a história é contada em bom ritmo e com alguma profundidade, não deixando pontas soltas. Mas é, acima de tudo, bom entretenimento e a autora está a construir uma série forte e apetecível.

Em jeito de aparte, finalmente que temos uma capa catita, ao contrário das restantes, mais fracas (a do primeiro livro, então, é de fugir). Um pormenor menor
, sem dúvida, numa série que vou continuar a seguir.

Um excerto do livro está disponível no site da editora.

22 de outubro de 2011

Beijo do ferro



Autor: Patricia Briggs
Género:
Fantasia Urbana
 

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Páginas: 304
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-637334-4
Título original: Iron kissed

Avaliação:
**** (bom)

Beijo do ferro é o volume 3 da série Mercedes Thompson, depois de O Apelo da lua e Vínculo de Sangue.

Mercy é uma mulher independente e corajosa, que divide o tempo entre a sua oficina de mecânica e os amigos. De descendência nativo-americana e traços índios, é uma caminhante (walker), podendo assumir a forma de um coiote
.
 

Nas Tri-cidades, onde se desenrola a acção, vive uma amálgama de espécies: humanos, lobisomens, seres feéricos, vampiros. Os lobisomens deram a conhecer a sua existência ao mundo (os seres feéricos já tinham saído do armário anos antes) e os vampiros continuam na obscuridade.
 

O 1.º livro da série focou-se no universo dos lobisomens, o 2.º no dos vampiros, e este último desvenda mais sobre os seres feéricos, que vivem numa reserva. Mercy tem de ilibar o seu mentor, Zee, um ser feérico acusado de matar um humano que trabalhava na reserva, com todos os riscos que isso acarreta (e é bastante arriscado).
 

É o começo de mais uma aventura, com o assassino a ser revelado perto do fim, numa sucessão de parágrafos electrizante. A caminhante conta com a ajuda dos lobisomens, liderados por Adam, por quem se sente atraída. Porém, Mercy foi criada por lobisomens e está consciente que são uma espécie dominadora, habituada a sobreviver a todo o custo, e não quer abdicar da sua independência.

O livro explora temas mais maduros e a protagonista é bastante mais desenvolvida, passando por situações traumáticas, crescendo bastante como personagem (olhamos para Mercy de forma diferente quando o livro acaba).

A acção continua emocionante, o tom é bem-humorado. Mercy é despachada e decidida, e gere com habilidade as suas relações com as várias criaturas sobrenaturais
que existem na sua vida. É uma série que vou continuar a ler, a leitura é bastante divertida e os livros estão a ficar cada vez melhores, pelo que estou com expectativas elevadas em relação ao quarto volume.

Um excerto do livro está disponível no site da editora. Boa leitura.

26 de julho de 2011

A fúria dos reis

Autor: George R. R. Martin
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 480
Preço: € 19
ISBN:  978-9-89-637026-8 
Tradução: Jorge Candeias
Título original: A clash of kings

Avaliação:
*****
(muito bom)


Este título é o 3.º livro d'As Crónicas de Gelo e Fogo, a saga apaixonante do americano George R. R. Martin que está a ser adaptada ao pequeno ecrã, com uma 1.ª temporada fantástica.

Na versão original, o título deste livro é A clash of kings, com 741 páginas num único volume; em Portugal, dividiram-no em dois: A fúria dos reis e O despertar da magia.

A história prossegue com um cometa vermelho a cruzar os céus; os Sete Reinos encontram-se em guerra, com um rei (Joffrey) no trono de ferro, em Porto Real, e 3 pretendentes ao trono (Renly, Stannis e Robb). Todos os sábios e fidalgos vêem no fenómeno um significado conveniente àqueles que servem. O povo começa a sentir a fome e a privação resultante de um reino em guerra.


Do outro lado do mundo, Daenerys alimenta e cuida dos seus dragões, abandonada por muitos dos seguidores de Khal Drogo mas decidida na sua ambição de reclamar o título que é seu de direito. A norte, a Patrulha da Noite averigua o que se passa nas terras para lá da Muralha, onde forças desconhecidas começam a manifestar-se.

Não faltam intrigas, conspirações e os habituais jogos de poder. O ódio entre as várias Casas está ao rubro e as facções dividem-se, numa luta pela desenfreada por riquezas e títulos nobiliárquicos.

A saga continua extremamente viciante; para ajudar, depois de um hiato de 6 anos, o autor lançou mais um aguardado título.

Está disponível para leitura um excerto bastante extenso (115 páginas) d'A fúria dos reis, no site da editora.

12 de julho de 2011

Vínculo de sangue



Autor: Patricia Briggs
Género:
Fantasia Urbana
 

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Páginas: 304
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-637300-9
Título original: Blood bound

Avaliação:
**** (bom)

Vínculo de sangue é o volume 2 da série Mercedes Thompson, depois de O Apelo da lua.

Mercy Thompson é uma mulher determinada e aventureira, que divide o tempo entre a sua oficina automóvel (é mecânica) e convivendo com os seus amigos humanos e não humanos. Mercy é uma caminhante (walker), podendo alternar entre a forma humana e a de um coiote
.
 

Não passou muito tempo desde a acção do primeiro livro e há um seguimento lógico: os lobisomens deram a conhecer a sua existência ao mundo (as fadas já se tinham revelado há anos atrás) e a narradora, Mercy, referencia alguns acontecimentos passados para situar o leitor. Entretanto, os vampiros continuam reticentes em revelar a sua existência, pois é difícil os humanos sentirem empatia por seres que sobrevivem bebendo o seu sangue.
 

O 1.º livro da série focou-se no universo dos lobisomens e este 2.º volta-se para o mundo dos vampiros. Stefan procura Mercy para lhe pedir ajuda a encontrar e confrontar um feiticeiro que se mudou para as Tri-cidades. Como são amigos e Mercy lhe deve um favor, ela aceita ajudar o vampiro.  
 

É o começo de mais uma aventura, com o feiticeiro a revelar-se um poderoso demónio, capaz de dominar vampiros e lobisomens. Começa uma verdadeira perseguição, que força a alianças entre os seres para deter o adversário comum.

Gostei mais deste livro, apesar d'O Apelo da lua também ser bom. A história é mais complexa e intrigante, e a introdução de novos personagens torna-a mais dinâmica. A acção continua emocionante, com Mercy a confirmar-se uma protagonista espevitada e com piada, que gere com habilidade as suas relações com as várias criaturas sobrenaturais com que convive (o colega de quarto lobisomem, o ex-patrão fada que ajuda na oficina quando é preciso, o alfa da matilha local que se anda a fazer ao piso, etc.). Os diálogos e a interacção entre personagens são bastante engraçados, com a heroína a fazer jogos de cintura e palavras para conseguir lidar com todos da melhor maneira.

Vou continuar a seguir a série; gosto dos personagens e os livros são divertidos.

29 de junho de 2011

O apelo da lua



Autor: Patricia Briggs
Género:
Fantasia Urbana

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Páginas: 288
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-637257-6
Título original: Moon called

Avaliação:
**** (bom)

O apelo da lua é o volume 1 da série Mercedes Thompson. Mercy é uma mulher determinada, com uma profissão incomum: é mecânica de automóveis. Invulgar é também a sua espécie pois Mercy é uma metamorfa, podendo alternar entre a forma humana e a de um coiote.
 

Apesar de não conhecer ninguém igual a si, Mercy vive num mundo onde a raça humana não está sozinha: há ainda lobisomens, bruxas, fadas, gremlins, vampiros. Todos eles existem na sociedade e vivem de acordo com os seus códigos; deste grupo, apenas as fadas deram a conhecer a sua existência ao mundo, os restantes integram o imaginário colectivo e escondem a sua verdadeira natureza.

Mercy vê o seu quotidiano revirado quando um adolescente, Mac, aparece na sua garagem à procura de trabalho e comida.
A mecânica age com cautela pois pressente (e fareja) que Mac é um lobisomem solitário, sem clã, a espécie mais problemática.

E os problemas não tardam a aparecer assim que Mercy acede a ajudar o jovem. Perseguições feitas por homens e lobisomens, um ataque brutal ao alfa (lobisomem) local, um rapto, mortes, numa sucessão de acções onde Mercy se vê envolvida. De instintos aguçados e mente analítica, a nossa heroína começa a adivinhar uma conspiração que envolve humanos e não humanos.



O ponto forte do livro é a forma como a autora nos introduz e dá a conhecer o mundo onde a acção se desenrola, onde todos estes seres convivem e têm um papel, descrevendo mais ao pormenor o código de honra e conduta dos lobisomens, com as suas hierarquias, modo de agir e características, isto porque Mercy cresceu no meio de um clã de lobisomens, é ela a narradora e a história é contada do seu ponto de vista.

Gostei do facto da autora não ter dedicado muito tempo a romances. Não faltam atracções e emoções, mas não são a tónica, fugindo ao tom meloso do romance paranormal (este é um livro de fantasia urbana). A acção é constante, principalmente depois dos primeiros capítulos, quando a história arranca e desenvolve.


Quando comecei a ler O apelo da lua, confesso que esperava um livro menos interessante, mas o saldo geral é bom. Fiquei com curiosidade em ler os restantes livros da série. Mercy Thompson é uma personagem que me agrada, dinâmica e apelativa o suficiente para eu seguir para o segundo volume da série, Vínculo de Sangue.

Não sou fã das capas destes livros (iguais aos originais norte-americanos), mas o conteúdo é bom e ganhei em não ter julgado o livro pela capa.

2 de junho de 2011

A muralha de gelo

Autor: George R. R. Martin
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 416
Preço: € 19
ISBN:  978-9-89-637020-6
Título original: A game of thrones

Avaliação:
*****
(muito bom)

Este título é o 2.º livro d'As Crónicas de Gelo e Fogo, uma saga imperdível pela mão do norte-americano George R. R. Martin.

Na versão original, o primeiro título é A game of thrones, com 800 páginas num único volume; em Portugal, dividiram-no em dois: A guerra dos tronos (sobre o qual já botei faladura) e este título.

Se o primeiro livro demora a aquecer (não esquecer que é a introdução ao vasto mundo e às inúmeras personagens da saga), neste segundo torna-se claro a motivação dos vários protagonistas. A estória continua a ser narrada de pontos de vista diferentes, alternando entre o sarcástico anão Tyrion Lannister, a kaleesi Daenerys ou a jovem e ingénua (e irritante) Sansa, entre outros; cada personagem é independente, tem uma voz própria e age de acordo com os seus interesses.


«Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre-se.»

O contexto continua medieval e o mundo é cruel e a sede de poder é muita. São tempos atribulados para Robert Baratheon, rei dos Sete Reinos. O rumor é que, do outro lado do mar, uma imensa horda de selvagens ameaça formar-se, com o objectivo de invadir o seu reino.
 
Mas não é tudo: na Corte, as conspirações continuam. O ódio entre as várias Casas aumenta e a guerra civil é mais do que uma possibilidade, com a guerra pelo domínio a despoletar alianças e confrontos armados.
 
A saga continua viciante e recomenda-se.
 
NOTA: Entretanto, já tive oportunidade de ver alguns episódios da série Game of Thrones (produzida pela HBO) e estão um mimo.

27 de fevereiro de 2011

Trilogia: Crepúsculo dos elfos / Noite dos elfos / Hora dos elfos

Autor: Jean-Louis Fetjaine
Género: Fantasia
Idioma: Português
Editora: Europa-América
Páginas: 704
Preço: € 58 (trilogia)
ISBN:  978-9-72-104959-8 / 978-9-72-104994-9 / 978-9-72-104926-0

Avaliação:  **** (bom)

Esta é uma trilogia composta por três títulos:

1 - O Crepúsculo dos Elfos
2 - A Noite dos Elfos
3 - A Hora dos Elfos


Os livros de Jean-Louis Fetjaine constituem uma oportunidade de escape à realidade para um mundo mítico, povoado por criaturas mágicas. Algumas delas são movidas pela honra e pela amizade, e outras pela ganância e pela ânsia de poder, mas todas lutam pela vida, num local onde a lei da sobrevivência e do mais forte ganha novos contornos, pondo em causa o desaparecimento de algumas raças.

Há muitas centenas de anos, o mundo fervilhava de criaturas como elfos (seres graciosos de pele azulada, que dominavam e estavam em sintonia com as forças da Natureza) e anões (pequenos seres aguerridos de aparência humana e temperamento explosivo, apreciadores dos prazeres da vida), que coexistiam com os humanos.

A trilogia começa com o encontro do cavaleiro Uter e da fascinante Lliane, a rainha  élfica, e de como os dois se apaixonam, unindo-se numa relação impossível. Quando os homens matam o último dos soberanos anões, e só os elfos lhes podem fazer frente, Uter e Lliane veêm-se em facções opostas: ele como Pendragon (Rei Supremo) e ela  refugiada em Avalon e decidida a fazer preservar a sua raça.

Sucedem-se muitos confrontos, esquemas, traições, e o mundo perde o seu equilíbrio, com a história em crescendo até à derradeira batalha, numa acção com diversas referências às lendas arturianas.


Comparada às Brumas de Avalon e a'O Senhor dos Anéis, não creio que esta seja uma trilogia tão cimeira como aquelas, pois Fetjaine peca em dois pontos: a acção é previsível e algumas partes da história são pouco adensadas, o que prejudica a complexidade das personagens.

Apesar disso, é uma trilogia interessante e que entretém bastante.

12 de janeiro de 2011

A guerra dos tronos

Autor: George R. R. Martin
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 400
Preço: € 19
ISBN:  978-9-89-637010-7
Título original: A game of thrones

Avaliação:
**** (bom)


Este título é o 1.º livro d'As Crónicas de Gelo e Fogo, uma saga absolutamente fantástica da autoria do norte-americano George R. R. Martin.

Já li os livros editados até à data há uns anos, na língua inglesa, e a sua releitura em português não lhe retirou emoção nem deleite. É que Martin é um mestre na criação de personagens e de conflitos.

Cedo se nota a diferença (positiva), não só pela ausência de clichés mas pela forma como a estória é contada de pontos de vista diferentes, alternando entre o honrado senhor de Winterfell, Ned Stark, o espirituoso anão Tyrion ou a ingénua princesa Daenerys, entre outros, sem nunca perder interesse nem autenticidade; cada personagem é independente, está viva, tem uma voz própria.


O contexto é medieval e o mundo é frio, cruel, e a sede de poder é muita. A descrição cerrada de Martin das roupas, das fisionomias, das condições atmosféricas nunca se tornam monótonas, apenas contribuindo para que o leitor fique ainda mais envolvido na narrativa.

Um dos trunfos desta saga é a sua imprevisibilidade, na medida em que nenhuma personagem está a salvo, por mais cândida ou jovem que seja, porque há maldade real e muito calculismo e estratégia.

O único ponto menos bom e que poderá afastar alguns leitores (ou fazer com que não acabem o livro) é o ritmo; com tantos personagens e conflitos, há a tendência para haver algum arrastar, logo retomado num capítulo mais emocionante. Porém, o mundo criado por Martin é tão extenso que rapidamente isso passa para segundo plano; é que as personagens que o autor apresenta n'A Guerra dos Tronos são apenas uma amostra, com muitos mais por virem e interagirem, e serem manipulados pela mentezinha perversa de Martin.

Este início de saga com A Guerra dos Tronos começa bem, e os livros que se lhe seguem são ainda melhores, tanto que se tornam verdadeiramente viciantes. Recomendo que leiam este 1.º livro, o acabem e passem ao seguinte. Vale a pena.


DICA: comprem este primeiro livro no site da editora; fica em pouco mais de 11 euros e os portes são gratuitos. Os 19 euros referidos acima é o preço praticado nas livrarias e retalhistas.

12 de dezembro de 2010

Jóia perdida

Autor: Anne Bishop
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 320
Preço: € 19,13
ISBN:  978-9-89-637058-9
Título original:
Tangled webs

Avaliação:  ** (fraco)

Anne Bishop proporcionou-me boas horas de entretenimento com a sua trilogia d'As Jóias Negras, onde se mostrou uma autora envolvente, capaz de criar um mundo credível e sedutor, onde os Sangue dominam através da magia.
 

Comprei este livro convencida de que seria uma boa leitura onde me reencontraria com personagens como Daemon, Saetan e Surreal, numa qualquer aventura onde o bem venceria o mal. Esta última parte efectivamente aconteceu, mas a aventura não foi divertida nem emocionante mas antes sem brilho, monótona.

Na Jóia Perdida, Jaenelle Angeline, rainha dos Sangue, decide criar uma casa assombrada para que as crianças humanas (e sem poderes mágicos) possam perceber como vivem os Sangue, desmistificando algumas ideias falsas de crueldade e promiscuidade.

Paralelamente, um escritor de sucesso que escreve sobre os Sangue descobre ser, ele próprio, meio-Sangue. Radiante com a descoberta, rapidamente se revolta quando não é aceite da melhor forma por alguns daqueles, que ridicularizam os seus livros e o consideram um transviado.


Furioso, arquitecta um plano: constrói uma casa assombrada, ludibria alguns Sangue a ajudá-lo na concepção de armadilhas letais e, fazendo-se passar por Jaenelle, convida alguns ilustres (Surreal, Daemon, Lucivar) para a inauguração.

 O que se passa a partir daqui e nas 200 e muitas páginas seguintes é agonizante. A história avança muito devagar, com muitas repetições e às personagens que aprendemos a gostar falta-lhes complexidade e credibilidade, não parecem as mesmas dos restantes livros. Ora, isto é o pior: com uma história fraquinha e lenta no desenrolar, a autora podia ter apoiado o livro nos carismáticos e familiares protagonistas habituais, mas ao reduzi-los a uma forma tão superficial arruina a experiência ao leitor.

Não posso aconselhar a leitura deste livro nem a sua compra; leiam a trilogia das Jóias Negras, essa sim uma leitura de qualidade superior que faz jus à imaginação desta escritora.

14 de outubro de 2010

As mulheres da casa do tigre

Autor: Marion Zimmer Bradley, Andre Norton, Mercedes Lackley
Género: Fantasia
Idioma: Português
Editora: DIFEL
Páginas: 546
Preço: € 18
ISBN: 972-29-0343-8
Avaliação: *** (mediano) 

Sou uma fã de Marion Zimmer Bradley (MZB) desde que li As Brumas de Avalon, já lá vão muitos anos. As Brumas são o auge da carreira da autora e fez-me ler todos os outros livros dela, uns melhores e outros menos bons.

Neste livro, o cenário é Merina, uma cidade próspera onde reinam as mulheres da Casa do Tigre, mulheres de linhagem antiga que mantêm o equilíbrio na cidade, conciliando os interesses económicos e mantendo vivo o culto da Deusa. Porém, tudo muda quando o imperador Balthasar e o mago negro Apolon se aproximam com o seu poderoso exército e a cidade não tem qualquer hipótese  de lhes resisitir. 

As Mulheres da Casa do Tigre planeiam a defesa da cidade, cientes que apenas a sua coragem se interpõe no caminho do imperador e do seu triunfo: a rainha-mãe, Adele, fará uso dos poderes espirituais e mágicos de que dispõe; Lydana, a rainha reinante, organizará a resistência armada; e a princesa herdeira, Shelyra, será os «olhos e os ouvidos» da resistência fazendo valer uma antiga aliança com os ciganos.

Pessoalmente, tinha expectativas altas para este livro, ainda mais porque pensei que se MZB escreve tão bem a solo, o que resultaria na fusão com mais duas escritoras consagradas na literatura de fantasia, cada uma a contribuir com o seu talento? Nada de muito bom, infelizmente. Em grande parte, porque em muitas situações ao longo da acção, os três estilos de escrita não se harmonizam. Há alturas em que se nota perfeitamente um desfasamento da acção, como se estivéssemos perante personagens que não têm grande coisa a ver umas com as outras. As alternâncias de estilo também não resultaram muito bem, o que se torna frustrante porque a história tinha potencial (a sinopse promete mais do que cumpre).

Quanto às mulheres fortes a que estamos habituadas nos livros das autoras, aqui não vivem. As personagens não são mal delineadas nem exploradas, mas estão longe de ser apaixonantes e complexas como, por exemplo, uma Morgana (As Brumas de Avalon) ou uma Cassandra (O Presságio de Fogo).

Se fizerem questão de o ler, recomendo que o requisitem na biblioteca municipal ou peçam emprestado, acho que é a opção mais acertada. Leiam e formem a vossa opinião. Mas não posso aconselhar que se gaste quase 20 euros neste livro (nessa já caí eu!).

17 de setembro de 2010

Trilogia: Filha do sangue / Herdeira das sombras / Rainha das trevas

Autor: Anne Bishop
Género: Fantasia
Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 1276
Preço: € 44,42 (pack)
ISBN: 978-9-78-883977-2 / 978-9-72-883989-5 / 978-9-89637172-2

Avaliação: ***** (muito bom) 

As Jóias Negras é uma trilogia fantástica que tem como cenário um mundo governado por mulheres e pela magia, onde os homens têm um papel secundário e servem como súbditos, sendo criados, consortes, criados e até escravos sexuais.

Os detentores da magia - os Sangue - convivem com os plebeus - pessoas ditas normais, sem poderes mágicos - numa sociedade extremamente hierarquizada e de base matriarcal, assente no poder e no sistema de castas que rege os Sangue. É nestes que reside todo o enfoque da estória, e são os Sangue que, apesar de uma minoria em comparação com os plebeus, governam e protegem - na pessoa da Rainha - o território e seus habitantes. Cada Rainha tem uma corte para as auxiliar e sobre elas recai o dever de protecção, de administrar justiça e de governar o território. Esta divisão gera ódio, abuso de poder e tirania, com algumas Rainhas a exercerem as suas funções de modo menos próprio.

A acção começa com um prólogo, datado de 700 anos atrás no tempo, onde uma poderosa feiticeira prevê a vinda da rainha mais poderosa da história dos Sangue, «o sonho tornado realidade», capaz de unir todos os territórios e acabar com a a corrupção e decadência dos Sangue.

A estória prossegue então com a chegada de Jaenelle Angelline, profetizada como a Rainha prometida. Mas Jaenelle é uma criança, jovem e inocente, sem consciência do que a espera. Quem a controlar e obtiver o seu favor, controlará o mundo, por isso várias facções unem-se e defrontam-se para serem as favorecidas.

Porém, quando a educação de Jaenelle é entregue ao Senhor do Inferno, Saetan, é encetado um enorme jogo de diplomacia e esquemas atrozes para garantir o poder.   

Toda a trilogia é muito interessante e lê-se de uma assentada; há personagens que não mencionei e que são cruciais na acção, como o magnético Daemon Sadi (uma personagem que qualquer elemento do sexo feminino adorará, é mais que garantido), o impetuoso Lucivar Yaslana, a maquiavélica Dorothea ou a letal Surreal. Ao longo dos 3 livros, vamos assistindo ao crescimento e desenvolvimento de Jaenelle Angelline, à forma como é moldada e escapa às manietações dos seus adversários, sempre auxiliada pelos 3 pilares da sua vida: Saetan, Daemon e Lucivar.

Há outras estórias que são contadas e que permite ao leitor perceber todo o universo onde a acção se desenrola. Há vários pormenores deliciosos no que concerne a raças, características e modos de vida dos Sangue, com a magia sempre em destaque. As personagens estão muito bem delineadas e tornam-se familiares à medida que nos vamos embrenhando: fazem-nos vibrar, torcer por eles, preocuparmo-nos com o que virá.

Os livros são impossíveis de largar e é uma pena quando chegamos ao fim. Acho que essa é uma qualidade rara e é dos melhores elogios que um autor pode receber sobre a sua obra.

NOTA: Existe a edição de bolso desta trilogia, com capas idênticas à edição em formato normal, a um preço mais catita (cerca de 11€ cada).

9 de julho de 2010

A tapeçaria de fionavar

Autor: Guy Gavriel Kay
Género: Fantasia
Idioma: Português
Editora: Livros do Brasil
Páginas: 1076
Preço: € 53 (trilogia)
ISBN:  978-9-72-382602-9 / 978-9-72-382649-4 / 978-9-72-382664-7

Avaliação:  ***** (muito bom)

A Tapeçaria de Fionavar é uma trilogia fantástica (em género e qualidade) da autoria de Guy Gavriel Kay (G.G. Kay), composta por três títulos:

1 - A Árvore do Verão
2 - O Fogo Errante
3 - A Senda Sombria
 
Assumidamente high fantasy, na melhor tradição tolkieana, foi editada em Portugal pela Livros do Brasil, na colecção Argonauta Gigante, com os números 16, 17 e 18. A Tapeçaria de Fionavar tem a sua história localizada em dois mundos: o nosso mundo (anos 80, quando foram escritos os livros) e Fionavar, «o primeiro de todos os mundos».

A premissa é simples: cinco estudantes universitários são transportados para o primeiro dos mundos, Fionavar, por e a convite de um mago de lá oriundo, Loren Silvercloak, sob o pretexto de participarem na celebração do 50.º aniversário do reinado do Alto Rei.

Porém, quando Rakoth Maugrim, o Desafiador, consegue libertar-se da sua prisão encantada, apercebem-se que têm um papel crucial na luta do Bem contra o Mal. À sua maneira, e à medida da sua intervenção em Fionavar, cada um descobre um destino naquele mundo, em locais diferentes, seja cavalgando ao lado de uma tribo nómada de caçadores (os Dalrei), em busca de aventuras com o princípe Diarmuid, ou na corte do velho rei Ailell.

Prefiro não revelar muito do enredo, pois os livros são muito mais deliciosos de ler sem sabermos os imbróglios onde os protagonistas se vão meter; mas posso recomendar sem reservas e afirmar, com segurança, que o leitor não se irá arrepender.

Confesso que quando comecei a ler o livro, fiquei renitente com o início: ser transportado via magia para outro mundo pareceu-me um pouco forçado, ainda por cima logo na abertura do livro, sem uma introdução no mundo fantástico. Faltou a envolvência inicial, costumeira neste tipo de narrativa. Mas passando essas páginas iniciais, e à medida que a acção começou a evoluir e a história foi ficando consistente, esqueci isso.

São livros bem escritos em prosa fluida, muito bem "entrelaçados" uns nos outros (é visível que G. G. Kay dá atenção aos pormenores), onde os protagonistas - Paul, Kevin, Jennifer, Kim e Dave -, que têm igual valor e importância, contam a história a cinco vozes, mesmo quando algumas vozes intervêem mais do que outras.

Outra coisa que gostei nos livros foi o ritmo rápido; há muito sumo e poucos momentos mortos, não há capítulos "para encher". Achei isso muito positivo, não só porque facilitou a leitura mas também porque apurou o interesse.

A Tapeçaria de Fionavar é uma trilogia populada de muitos valores e emoções: amor, amizade, sacrifício, honra, altruísmo, crescimento pessoal e colectivo. Não há lugares-comuns, as personagens são ricas e empáticas e as suas acções são compreensíveis.

É um livro de fantasia para adultos, cheio de situações que inspiram, alegram, entristecem ou revoltam. G.G. Kay é um escritor muito talentoso, nunca perdendo o fio à meada.

A trilogia, que granjeou alguns prémios, tem um lugar exclusivo no site autorizado do autor.
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