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4 de abril de 2015

O leitor


Autor:
Bernhard Schlink
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 144
Editora:
Edições Asa

Ano:
2009
ISBN: 978-972-4120096
Tradução: Fátima Freire de Andrade
Título original: Der Vorleser 
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O Leitor, escrito em 1995, é, desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido mundialmente. Traduzido em 45 línguas, recebeu vários prémios literários e foi adaptado ao cinema, onde ganhou um Óscar para Melhor Actriz.
O autor é um juiz reformado e escritor alemão, que dá aulas de Direito e Filosofia. Vi o filme há alguns anos mas o livro tem estado em espera até há pouco.

Michael Berg tem 15 anos e adoece com hepatite. Um dia, na rua, sente-se mal e é ajudado por uma mulher, Hanna, vinte anos mais velha. Entre os dois nasce uma relação pontuada por um ritual inalterável: o banho, o sexo e a leitura, onde o rapaz lê alto para a amante. Michael vive o seu  primeiro amor intensamente e fica destroçado quando Hanna parte sem aviso.

Reencontra-a anos mais tarde, ele um estudante de Direito num seminário sobre os crimes nazis, ela no banco dos réus com outros ex-guardas de um campo de concentração. Durante o processo, Michael é confrontado com um segredo de Hanna, uma revelação que explica alguns acontecimentos passados e que pode ser a chave para a libertar de uma vida na prisão.

O livro está dividido em três partes, que marcam as principais etapas da vida de Michael, o nosso narrador. Inicialmente focado numa narração levemente erótica do primeiro amor, evolui para uma reflexão dolorosa sobre a geração cúmplice dos nazis, a braços com a vergonha das suas acções, julgada pelos seus descendentes, em busca de respostas e uma explicação racional, que poderá não existir nem ser descoberta.

O Leitor é um bom livro, apesar de desconfortável. É breve mas complexo e fica na memória pelas questões que levanta e para as quais é difícil encontrar uma resposta satisfatória. Um livro poderoso, com algumas passagens poéticas e uma homenagem profunda e irreverente ao poder da literatura e a muitas coisas mais. A ler. 

****
(bom)

11 de julho de 2014

Novela de xadrez


Autor: Stefan Zweig
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 96
Editora:
Assírio & Alvim

Ano:
2013
ISBN:  978-972-371703-7
Título original: Schachnovelle
Tradução: Álvaro Gonçalves
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Stefan Zweig escreveu esta história pouco antes de se suicidar, corria o ano de 1942. A razão alegada foi a de que este austríaco, exilado no Brasil, estava deprimido com o avanço nazi na Europa.

Novela de xadrez foi, assim, publicada, postumamente. Apesar de ser um dos autores mais famosos e vendidos nas décadas de 20 e 30, eu nunca tinha ouvido falar de Zweig e este livro foi a minha estreia.

É uma história intensa, que contrapõe duas personagens memoráveis: o aclamado campeão mundial de xadrez, apático e anti-social, que joga sem paixão e sem ardor, e o advogado humilde e amável que sobreviveu a uma das mais requintadas formas de tortura graças a uma mente superior mas pagando um preço elevado, refletindo uma instabilidade preocupante, jogando xadrez com o coração e não apenas com a mente.
 
Os dois cruzam-se num cruzeiro e o resto é história... que terão de ler.

Apesar de curta, é uma história intensa, escrita de uma forma simples e cativante. Adorei a abordagem subtil ao desequilíbrio e à loucura, e a demonstração inspiradora da força da mente.

Não é preciso ser um amante do xadrez para perceber ou desfrutar da história. Stefan Zweig doseou habilmente as emoções das personagens e as expectativas do leitor. O resultado é um livro que se devora rapidamente.

*****
(muito bom)

3 de janeiro de 2014

O violino de Auschwitz





Autor: Maria Àngels Anglada
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 144
Editora:
Dom Quixote
ISBN:  978-97-2204487-5
Título original: El violí d'Auschwitz
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Não costumo ler livros sobre o Holocausto. Já vi vários filmes e documentários, mas livros só me lembro do Diário de Anne Frank, lido há muitos anos atrás.

Deparei-me com O violino de Auschwitz há uns dias e não reconheci o nome da autora. Maria Àngels Anglada (1930-1999) foi uma romancista e poeta catalã, galardoada com vários prémios, e este é um dos seus romances mais famosos.

O livro segue a provação de Daniel, um jovem construtor de violinos (ou luthier) preso num campo de concentração, e o seu dia-a-dia rodeado de violência e ódio. Originalmente, Daniel faz todo o tipo de trabalhos que os guardas do campo (imprevisíveis na sua crueldade) lhe mandam fazer, mas uma noite, o comandante do campo - «uma besta sádica» que aprecia música -, encomenda-lhe a construção de um violino que rivalize com um Stradivarius.

Daniel vê uma oportunidade de escape mental, dedicando-se de corpo (faminto) e alma (exausta) à tarefa, vindo a descobrir mais tarde que a sua morte prematura depende de uma aposta feita acerca da sua habilidade: se conseguir construir um violino extraordinário, vive; senão, será entregue ao "médico" do campo para experiências, à semelhança de muitos outros prisioneiros, a grande maioria falecidos em grande agonia.

O livro peca por ser demasiado breve e, assim, não permitir ir mais além no conhecimento e apego às personagens, mas tem frases sublimes (aqui reconhece-se a poetisa na autora) e a alternância, em analepse, dos capítulos da vida no campo com a actualidade, está muito bem conseguida.

Os capítulos iniciam-se com passagens reais de relatórios ou documentos administrativos dos campos de concentração, deixando claro a forma como os judeus eram encarados: números.

Daniel é marcante na sua fome, no seu cansaço vigilante e na sua dedicação ao mister que ama. O seu terror é palpável e é doloroso perceber que a sua vida vale muito pouco e que a morte é iminente e pode chegar a qualquer momento. Em redor, a sobrevivência é feroz e os carcereiros absolutamente impiedosos.

O violino de Auschwitz é um livro sobre um horror que supera a ficção. 


**** (bom)
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