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22 de fevereiro de 2015

Os crimes do monograma


Autor:
Sophie Hannah
Género:
Policial
Idioma: Português

Páginas: 320
Editora:
Edições Asa

Ano:
2014
ISBN: 978-989-2328225
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Quando soube, há ano e meio, que Poirot iria "ressuscitar" pela mão de Sophie Hannah, fiquei curiosa. Nunca li nada desta autora, mas adoro Agatha Christie (é uma das minhas autoras favoritas!) e Poirot é o meu detective de eleição. Na altura, não tinha grandes expectativas - até porque Os crimes do monograma só iria ser publicado um ano depois e havia que esperar todo esse tempo -, mas assim que saiu, sabia que tinha que o ler assim que surgisse a oportunidade.

Agatha Christie já vendeu mais de 2 biliões (!) de livros em todo o mundo e o regresso do detective belga foi entregue a uma autora bem sucedida internacionalmente (tem um livro traduzido em português, publicado este ano) e com o aval dado pelos herdeiros da escritora, Poirot, "morto" pela Dama do Crime há 39 anos, voltou para mais um caso.

Sentado no seu café preferido, o detective prepara-se para jantar quando é surpreendido por uma mulher, Jennie, que diz estar prestes a ser assassinada. Mais insólita do que esta afirmação é a sua súplica para que Poirot não investigue o crime, deixando-o perplexo e ansioso por mais informação. Perto dali, o elegante Hotel Bloxham é palco de três assassinatos: os corpos têm os braços junto ao corpo e as palmas das mãos viradas para baixo, e dentro das bocas, encontra-se um botão de punho com o monograma PIJ. Poirot junta-se a Catchpool, detective da Scotland Yard, na investigação do caso.

Os pontos fortes d'Os crimes do monograma são a curiosidade que desperta em avançar, pois queremos saber quem é o cérebro por detrás dos crimes; e a presença de Poirot, claro. Os pontos fracos são a repetição de informação e dos factos (o que acontece pela voz de Catchpool) e, apesar do esforço da autora, não ter conseguido capturar a essência de Poirot.
A história é razoável, mas a presença do nosso amigo belga soa a opcional; fiquei com a impressão de que há demasiadas reviravoltas e pormenores que enfraquecem a história em vez de a tornarem mais complexa (talvez uma tentativa de Sophie Hannah em agradar aos fãs mais puristas; comigo não resultou e não sou purista).

Acabado o livro, não senti que tivesse lido um caso de Poirot, mas um caso com Poirot. Faltaram os "pózinhos" que a autora original sabia recriar como ninguém e que não voltará a acontecer; apesar do entusiasmo inicial ao pegar no livro, percebo que não deveria ter sido feito. Poirot acabou e tentar recriá-lo nunca será a mesma coisa, por mais talentoso que seja o escritor.

Os crimes do monograma salda-se numa experiência agri-doce: traz Poirot de volta mas não é Poirot; sabemos que é uma cópia e sentimos que o é. Para quem leu todos os casos do "cabeça d´ovo", é uma alegria que se desvanece ao fim de alguns capítulos. Continuamos a ler porque como policial é interessante, o que já é positivo.

Se houver outro livro, estou bastante inclinada a não o ler.

***
(mediano/razoável)

23 de novembro de 2014

Encontro em Bagdad / A Ratoeira


Autor: Agatha Christie
Género:
Policial
Idioma: Português

Páginas: 338
Editora:
Livros do Brasil

Colecção: Vampiro Gigante
Ano:
1982
ISBN: 978-972-3803549
Título original: They came to Bagdad / The mousetrap
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Alguns anos da minha adolescência foram passados a ler Agatha Christie, na altura editada pela Livros do Brasil na colecção Vampiro Gigante.

Passadas tantas décadas, a Dama do Crime continua a reinar. Os seus livros têm reedições frequentes, adaptações televisivas e teatrais e até videojogos. As obras da inglesa são intemporais, valem por si só e são um prazer de (re)encontrar. É muito raro eu reler seja o que for, mas abro uma excepção para a galeria de personagens de Agatha Christie (Poirot é o meu detective favorito).

Neste livro, a autora mostra como é versátil. Nenhuma das histórias tem os seus detectives de serviço mas mantêm a qualidade habitual.

Encontro em Bagdad é uma história de intriga internacional, centrada na jovem Victoria Jones, com tanto de imaginativa como de ingénua. Farta de ser uma estenógrafa medíocre (que lhe garante empregos a condizer com a qualidade do seu trabalho), viaja para um país desconhecido para seguir um rapaz com quem trocou meia dúzia de palavras um dia, no parque. Chegada ao Iraque, vê-se envolvida numa situação de vida e morte para o qual não está preparada e que envolve espiões e uma trama política elaborada.

A Ratoeira é um clássico whodunit, onde um grupo de estranhos está fechado num hotel durante uma tempestade, quando uma das hóspedes é assassinada. Esta história, adaptada ao teatro, está há 62 anos em cena; no final de cada espectáculo, é pedido ao público que não revele a identidade do assassino, mas qualquer fã que se preze sabe ao que vai. Uma história cheia de suspense onde o talento da escritora brilha alto.

Agatha Christie foi um portento, com as suas obras recriadas por inúmeros escritores. Não há maior elogio a um autor.

****
(bom)

16 de setembro de 2014

O silêncio dos inocentes


Autor: Thomas Harris
Género:
Policial/Thriller
Idioma: Português

Páginas: 306
Editora:
Editorial Notícias

Colecção: Made in USA
Ano:
2000
ISBN: 978-972-4610801
Título original: The silence of the lambs
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Sou fã de Hannibal Lecter desde a excelente adaptação a cinema de Jonathan Demme, que arrecadou cinco Óscares e deu a Anthony Hopkins o papel da sua carreira (a sua interpretação é perfeita e arrepiante).

Ultimamente, o meu gosto pela personagem foi aguçado pela incrível série de televisão Hannibal, e tive curiosidade em saber mais sobre a história e as personagens criados por Thomas Harris há mais de 30 anos (xiii, o tempo passa ligeiro). Como nunca tinha lido os livros, e a terceira temporada da série só chega no próximo ano, lancei-me à colecção.

O silêncio dos inocentes centra-se em Clarice Starling, a acabar o curso de agente do FBI, a quem é dada a oportunidade de entrevistar o Dr. Hannibal "Canibal" Lecter, um psicopata (e psiquiatra reconhecido) preso por assassinar e devorar as suas vítimas. A ideia é obter um conhecimento mais aprofundado dos assassinos em série, mas a peculiar colaboração entre ambos faz avançar o caso mais mediático do momento, o de Buffalo Bill, um homem que rapta e esfola as sua vítimas e cujos intentos são ainda desconhecidos.

Com a sua inteligência e franqueza, Starling conquista Lecter, que vê nela uma hipótese de sobreviver à prisão onde o encerraram para sempre. As cenas entre os dois são magnéticas e Buffalo Bill é um serial killer tão sinistro e calculado que só uma grande mente o apanharia (e com ajuda, claro). Neste livro, os mauzões ganham em tudo: carisma, inteligência, complexidade. É entusiasmante ir fazendo o puzzle a cada nova pista e revelação. 

Apesar de já ter visto o filme várias vezes, gostei bastante do livro e algumas partes foram surpreendentes q.b., porque há sempre omissões e alterações na adaptação a cinema. Foi giro verificar que uma das frases mais famosas do filme não foi tirada ipso verbo do livro: quando o infame Lecter diz que comeu o fígado de um censor «with some fava beans and a nice Chianti», numa das cenas-ícone do filme, no livro, o vinho é outro, é um Amarone.

O livro é muito bom e ganha com a adaptação a cinema, porque é impossível não imaginar Sir Anthony Hopkins, e é superior. Thomas Harris estava muito à frente do seu tempo e o livro tem uma astúcia e originalidade actuais e rivaliza com os melhores policiais das últimas décadas; Hannibal Lecter é dos melhores vilões de todos os tempos. Estou ansiosa pelos restantes livros.

*****
(muito bom)

11 de junho de 2014

Objectos Cortantes


Autor: Gillian Flynn
Género:
Policial
Idioma: Português

Páginas: 256
Editora:
Gótica
Colecção: Nocturnos
Ano:
2002
ISBN:  978-972-792204-8
Título original: Sharp Objects
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Gillian Flynn é uma das minhas autoras favoritas. Li todos os seus livros (escreveu três, até agora), gostei muito de todos eles e reli recentemente o seu romance de estreia, vencedor de vários prémios, este Objectos Cortantes.

Gillian Flynn tem o condão de escrever sobre mulheres fortes e inteligentes, com tanto de perturbantes como de perturbadas. Coloca-as no centro da acção, a falar connosco e a fazer-nos sentir tudo o que estão a experienciar. Há sempre violência, manipulação e mentira.

Camille Preaker é uma jornalista num jornal diário de pouca visibilidade. Não sonha em ganhar o Pulitzer e sabe que faz o mínimo necessário. Quando o editor a manda investigar e fazer uma peça sobre o assassinato de duas raparigas em Wind Gap, a cidade onde Camille cresceu, ela tenta resistir, mas acaba por aceitar enfrentar os fantasmas que a assombram há anos: a morte prematura da irmã, a relação distante com a mãe, o passado de excessos e auto-abuso.

Em Wind Gap, revê ex-amigos, conhecidos e ex-colegas, mulheres com quem já nada tem em comum e homens que lhe piscam o olho evocando libertinagens passadas. Revê uma mãe fria, um padrasto inacessível e conhece uma meia irmã que vive uma vida dupla. No meio disto, acaba por se involver mais do que devia no caso das raparigas assassinadas e por ter algumas revelações traumáticas.

Gillian Flynn escreve de forma atenta e perspicaz e Camille é uma narradora sem papas na língua, cruel consigo mesma e com os outros. Não nos esconde nada nem é perfeita (nem o tenta parecer). As personagens são credíveis, algumas abomináveis, mas não conseguimos não querer saber. Há distúrbios psicológicos para todos os gostos e a história não se esquece com facilidade, tanto que já a li há anos mas ainda me lembrava dos traços de algumas personalidades.


Objectos Cortantes tem tudo o que um thriller deve ter (e mais uns pózinhos) e é impossível de largar.

Um livro muito bom, como todos os da autora, que também escreveu Em Parte Incerta e Lugares Escuros, ambos em vias de adaptação ao cinema.

*****
(muito bom)

11 de maio de 2014

A viragem decisiva


Autor: Andrea Camilleri
Género:
Policial
Idioma: Português

Páginas: 211
Editora:
Difel
ISBN:  972-29-0738-7
Título original: Il giro di boa
Tradução: António Maia da Rocha
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Gosto de policiais e estou sempre pronta a conhecer um novo autor.

Desta vez, decidi ler as aventuras de Salvo Montalbano, comissário de polícia na fictícia Vigàta e personagem recorrente nos premiados romances policiais do italiano Andrea Camilleri.

Montalbano é um bófia cinquentão cheio de calo que vive para apanhar criminosos, comer e beber bem. Neste livro, está desiludido com as notícias de corrupção na polícia, algumas das quais verdadeiras e bem próximas. Farto da podridão em redor, pondera demitir-se, apesar dos colegas o tentarem dissuadir.

Uma manhã, Montalbano está a dar umas braçadas na praia quando um cadáver com indícios de tortura esbarra literalmente com ele; este acontecimento leva o comissário à investigação de um caso que envolve o tráfico de pessoas e que o toca profundamente.
 
O que torna este policial diferente é o protagonista, como todos os policiais de referência (Poirot, Sherlock, Maigret, Nero Wolfe).


Montalbano é castiço e tem um humor corrosivo. A linguagem do livro é bastante realista e bem disposta, com calão q.b. A galeria de personagens é muito boa e a interacção entre elas arranca vários sorrisos e algumas gargalhadas, uma fórmula infalível. Acção, mistério e humor em doses certeiras, Camilleri descobriu um filão, sem dúvida.

Estou curiosa em ler mais livros com Montalbano.

****
(bom)

13 de abril de 2014

Anúncio de um crime

Autor: Agatha Christie
Género:
Policial
Idioma: Português
Editora:
Edições Asa

Colecção: Obras de Agatha Christie
ISBN: 978-972-4129242
Título original: A murder is announced
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Na gazeta da pacata localidade rural de Chipping Cleghorn, é publicado um curioso anúncio, entre as diversas vendas de cães, bijuteria e roupa usada.
 
Anuncia-se um assassinato, a ter lugar em Little Paddocks, sexta-feira 29 de Outubro, pelas 18.30. Amigos, aceitem este convite, será o único.
 
Algumas pessoas não resistem à curiosidade e aparecem em Little Paddocks à hora marcada, tornando-se simultaneamente testemunhas e suspeitas da tentativa de homício de Leticia Blacklock e da morte de um desconhecido abatido a tiro.
 
Gosto dos mistérios onde Miss Marple entra, pois é uma personagem castiça e aparentemente inofensiva, que no final, deixa toda a gente de queixo caído com a sua argúcia.  
 
Anúncio de um crime tem uma boa história, cheia de reviravoltas e revelações, mas peca por empastelar e repetir alguns factos, o que acaba por se tornar aborrecido; afinal, quantas vezes temos de ler quem estava de pé, sentado ou encostado à lareira e quem viu o quê, ao ponto de o sabermos de cor ainda o livro não chegou a meio?
 
Apesar disso, é um bom policial, com um final surpreendente e um criminoso extremamente inteligente, apenas descoberto graças à infalível velhota de St Mary Mead.

Como sempre, (re)ler Christie é um prazer.

****
(bom)

6 de abril de 2014

A casa torta

Autor: Agatha Christie
Género:
Policial
Idioma: Português
Editora:
Edições Asa

Colecção: Obras de Agatha Christie
ISBN: 978-972-4127811
Título original: Crooked house
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O octogenário Aristide Leonides é um imigrante grego que enriqueceu à custa de muito trabalho e alguns negócios duvidosos. Dono de uma grande fortuna, é envenenado na sua mansão, onde vivia com toda a família (a segunda esposa cinquenta anos mais jovem, dois filhos, duas noras, três netos e a cunhada). Qualquer um poderia tê-lo morto e um deles fê-lo. O motivo evidente? Dinheiro, sob a forma de herança. 

O nosso narrador é Charles Hayward, cujo pai é o comissário da Scotland Yard responsável pelo caso, mas que se vê envolvido por causa de Sophia, uma das netas de Aristide Leonides, com quem quer casar. As razões do coração levam Charles a tentar solucionar o mistério quanto antes e usa a sua proximidade à família para tentar descobrir qual dos impiedosos Leonides assassinou o patriarca da família e porquê.

Devorei os livros d'A Dama do Crime na minha adolescência e é bom relê-los. Adoro policiais e os livros de Agatha são intemporais, já para não mencionar que Poirot é o meu detective favorito, embora esteja ausente deste livro.

A história é boa, a identidade do assassino não é a mais surpreendente mas o final é forte.

Tido como um dos favoritos de Agatha Christie, A casa torta não é, porém, um dos meus preferidos, apesar de ter a qualidade habitual a que a Dama do Crime nos habituou.

****
(bom)

19 de janeiro de 2014

Sopro do mal



Autor: Donato Carrisi
Género:
Policial
Idioma: Português

Páginas: 448
Editora:
Porto Editora
ISBN:  978-972-004278-1
Título original: Il suggeritore
Tradução: Joana Fabião
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Gosto bastante de policiais e já li muitos, de qualidade variável entre si. Não discrimino autores: ingleses, americanos, portugueses, suecos, espanhóis, leio o que me pareça interessante.

Desta vez, li o primeiro livro daquele que é considerado «um escritor tão bom como os grandes mestres do thriller americano», Sopro do mal, do italiano Donato Carrisi, que arrebatou vários prémios em Itália.

Deus é silencioso, o Diabo sussurra...

A protagonista é Mila Vasquez, uma investigadora especialista em descobrir crianças desaparecidas, que é chamada a colaborar com uma experiente equipa, que investiga um complexo caso de cinco raparigas desaparecidas. Os corpos não foram descobertos, apenas os braços esquerdos de cada uma delas, enterrados num local isolado. Mas há um sexto braço, de uma jovem por identificar, uma vítima que ainda poderá estar viva e que urge salvar o mais depressa possível. 
 
E assim começa um carrossel criminal de mais de quatrocentas páginas, com muitas voltas e (algumas) revelações de pasmar. A liderar a equipa está o carismático criminologista Goran Gavila, que dispõe de um grupo de investigação soberbo que luta contra o tempo e contra um adversário com uma mente com tanto de brilhante como de diabólica.

O início do livro é arrebatador e rapidamente nos envolve. Dá gosto perceber uma história imprevisível e original q.b., com personagens complexas e muito interessantes. Mesmo quando, por vezes, Mila Vasquez se torna pouco empática, de tão invulgar que é, há outras personagens que dão sal à narrativa.

Sopro do mal (excerto aqui) é uma estreia promissora (o escritor já escreveu mais dois livros entretanto, embora só um deles esteja editado em português, O Tribunal das Almas), um livro de tirar o fôlego e viciante mas que não é perfeito.

Em primeiro lugar, o livro não tem uma localização precisa (nem é revelada), mas presumo que seja Itália, embora algumas descrições não apontem sempre para isso, como as referências a pubs (tipicamente inglesa) e a hierarquia dos detectives (não é a usada na Itália). Em segundo lugar, a mistura de nomes germânicos, americanos e espanhóis também não ajuda a imaginar as personagens com muito detalhe. Talvez o autor procurasse dar um aspecto de universalidade ao livro, mas as técnicas de investigação diferem de país para país e se Donato Carrisi é especialista em Criminologia e Ciências do Comportamento, era de esperar que se focasse na italian kind of way.

A compensar isso, temos cenas grotescas, muito mistério e intriga, em cenários tão diferentes como um antigo orfanato, uma urbanização luxuosa e a mansão de um multimilionário às portas da morte. As revelações são inteligentes e aparecem na altura certa, abrindo o apetite para o que se segue. A atmosfera do livro é hipnotizante.

Sopro do mal é muito bom e Donato Carrisi é um autor a reter.

*****
(muito bom)

8 de janeiro de 2014

As investigações de Poirot


Autor: Agatha Christie
Género:
Contos/Policial
Idioma: Português

Páginas: 176
Editora:
Edições ASA

Colecção: Obras de Agatha Christie
ISBN:  978-97-2414356-9
Título original: Poirot investigates
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Sou uma fã de Agatha Christie desde a adolescência. O belga Hercule Poirot, com as suas fantásticas «célulazinhas cinzentas», é o meu detective favorito e crescer a ler os seus casos (e os insultos velados q.b. ao Hastings) sempre foi um deleite.

Este ano, a minha segunda leitura foi um retorno à Dama do Crime, com est'As investigações de Poirot, 11 contos com Poirot e Hastings como protagonistas. Escrito em 1924, foi um dos primeiros livros de Christie.

Há variedade no tipo de crimes, não há apenas homicídios: raptos, roubos, espionagem; em todos eles, a inteligência do hercúleo detective é procurada por alguém, os factos são apurados, ele senta-se a analisar e, et bien, tira a solução da cartola em menos de nada. 

Esta dinâmica resulta melhor em alguns contos do que em outros, sendo que alguns são demasiado breves para atingir a qualidade potencial e outros parecem demasiado complexos para uma solução tão rápida.

No global, é um livro razoável mas longe da genialidade costumeira, que pode ser comprovada em livros mais longos. Além disso, prefiro os contos de Christie sem Poirot, ele brilha é nos romances, onde a sua genialidade pode ser atestada em pleno.

Segue a lista dos contos. Destaquei os meus favoritos, a saber:

1- A aventura de «A Estrela Ocidental»
2- A tragédia de Marsdon Manor
3- A aventura do apartamento barato
4- O mistério do pavilhão de caça
5- O roubo das obrigações de um milhão de dólares
6- A aventura do túmulo egípcio
7- O roubo de jóias no Grand Metropolitan
8- O rapto do primeiro-ministro
9- O desaparecimento de Mr. Davenheim
10- A aventura do aristocrata italiano
11- O caso do testamento desaparecido


*** 
(razoável/mediano)

16 de dezembro de 2013

As novas bacantes



Autor: Catherine Clément
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 96
Editora:
Edições ASA

Colecção: ASA de bolso
ISBN:  972-41-2099-6
Título original: Les Dames de l'Agave
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Catherine Clément é uma escritora francesa, nascida na Paris de 1939, que se notabilizou na escrita de romances, embora tenha editado várias obras de filosofia, psicanálise e antropologia; entre os seus livros mais conhecidos estão A Senhora, A viagem de Théo e A rameira do Diabo. As novas bacantes é a minha estreia com esta autora.

Descrito na contracapa como «um pequeno divertimento policial», a história do livro passa-se numa aldeia nas margens do rio Loire, cujo nome não é mencionado. Os habitantes vêem a paz abalada por uma seita emergente de mulheres que, à noite, se junta em volta de uma fogueira em honra de Baco.

Ressuscitando o culto, estas mulheres, de todas as idades (algumas, pasme-se!, da própria aldeia), celebram o deus do vinho e dos excessos dançando nuas ao som de tambores, noite dentro, embriagando-se com uvas da vinha morangueira que abunda na região. Os habitantes locais não sabem o que fazer, pois nem o diálogo nem a coacção resultam contra as bacantes.

Nessa altura, chega à cidade o reputado Professor Jean Le Bihouic, que pretende terminar o seu mais recente livro no sossego bucólico. Abandonado pela esposa de décadas por um homem mais novo, o professor não se encontra na melhor forma e espera que um descanso campestre ajude à recuperação. A ilusão não dura muito, pois toda a aldeia se vira para ele, um letrado citadino, para que resolva a situação das bacantes.

Sendo um homem afável e incapaz de dizer não, o professor tenta encontrar uma solução e alia-se ao padre da aldeia e ao presidente da Câmara para descobrir o que se passa, ao mesmo tempo que tenta acabar o livro que o levou ali. O que se segue é uma sucessão de acontecimentos descritos de uma forma bastante castiça e um pouco anedótica, com algumas alusões mitológicas e o final feliz possível.

Sendo um livro de tom ligeiro e com menos de cem páginas, lê-se bem. A história é engraçada e, como policial, é modesto (não há cá Poirot nem detectives privados).

No final, percebemos como a autora quis fazer uma história sobre as eventuais bacantes modernas e não resistiu a dar o seu toque ao mito do rei Penteu, com algumas considerações finais pela voz do protagonista professor.

Um livro engraçado e uma autora a explorar. 


avaliação: *** (mediano/razoável)

19 de agosto de 2013

Em Parte Incerta




Autor: Gillian Flynn
Género:
Thriller
Idioma: Português
Editora: Bertrand Editora
Páginas: 520
ISBN:  978-9-72-252557-2
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Acha mesmo que conhece a pessoa que dorme ao seu lado?

É esta frase provocadora que ilustra a capa de Em Parte Incerta, o novo livro de Gillian Flynn, uma escritora americana cujo romance de estreia, Objectos Cortantes, foi bastante bem recebido pela crítica (este é o terceiro romance da autora).

Eu li Objectos Cortantes pouco depois de ter saído e gostei (tem uma protagonista forte e fala sobre auto-mutilação), e este Em Parte Incerta também é um mimo. É desafiante, é envolvente e surpreende, ah pois! Os protagonistas e narradores, Nick e Amy, não se permitem ter qualquer segredo para com o leitor e há algumas passagens que chegam a ser constrangedoras, o que valoriza bastante a narrativa.
 
Mas vamos à história: na manhã que marca o 5.º aniversário do seu casamento, Amy Dunne desaparece, deixando vários indícios a apontar para o marido, Nick. O livro (mais de 500 páginas) divide-se em capítulos contados pelo casal, os dele após o desaparecimento dela e os dela antes de desaparecer. O marido foca-se nos interrogatórios, na organização popular para promover buscas e divulgação da gone girl e na forma como reage ao que acontece(u); Amy foca-se na sua vida, na sua carreira e na relação com Nick, pré e durante o casamento.

Os capítulos iniciais precisaram de persistência q.b. da minha parte, porque chegam a ser aborrecidos e repetitivos, mas são cruciais para a história, para percebermos as personagens e o que as motiva.

Assim, passados os capítulos mais maçudos, Em Parte Incerta ganha interesse e segue-se um festival de virar páginas, num thriller (não policial) viciante e enigmático.

O que menos gostei? Os capítulos finais e algumas pontas soltas, uma surpresa numa narrativa tão meticulosa desde o início. Li uma entrevista a Gillian Flynn em que a autora confessa que a 80 e pouco por cento do livro bloqueou e não sabia como terminar o livro; valeu-lhe algumas dicas da equipa editorial... não vou dizer que foi um flop total, mas a qualidade e coerência ressentiram-se.

Porém, o saldo final é para lá de positivo, o livro está muito bem escrito e a galeria literária dos mega psychos ganhou uma adição de peso.
  
   
avaliação: **** (bom)

28 de dezembro de 2012

Adeus princesa



Autor: Clara Pinto Correia
Género:
Ficção
Idioma: Português
Editora: Clube do Autor

Páginas:
332


Avaliação:
***
(mediano)

Estava bastante curiosa em ler Adeus princesa, de Clara Pinto Correia. Classificado como um livro policial e com inúmeras menções positivas na contra-capa, a história tem ainda o condão de se passar no Alentejo, região que me é muito querida.

Um dos romances de topo dos anos 80, conta a história da franzina e não muito bonita Mitó, principal suspeita da morte do namorado, Helmut, um mecânico alemão da Base Aérea de Beja. O jornalista Joaquim Peixoto e o fotógrafo Sebastião Curto viajam de Lisboa para recolher informações e testemunhos sobre o caso, apenas para descobrir que os habitantes estão mais esperançados que a publicidade ajude a resolver os problemas que afligem a região, do que interessados na resolução do crime.


«Auf Wiedersehen, prinzessin.»

A partir do assassinato do alemão Helmut, a autora desenvolve a história, cujo foco central é o Alentejo rural. As personagens são figuras típicas com conflitos políticos e sociais, como o pai de Mitó, dirigente do Centro de Trabalho de Baleizão e perfil soviético, e o chefe de Polícia, Mariano Larguinho, queem nos visitantes lisboetas a esperança de ver os problemas da província falados, e talvez solucionados, nas páginas da revista.



No rescaldo da Reforma Agrária, os proprietários foram expulsos e os camponeses ocuparam-lhes as terras e formaram cooperativas. Dez anos mais tarde, altura em que se passa a acção, este sonho já se desfez: as cooperativas agrícolas estão a desaparecer, a sociedade está a decair, as mercearias deixaram de vender fiado, os jovens só pensam em farra e drogas…

Apesar da caracterização social bem humorada e da acção dinâmica, Adeus princesa não me conseguiu envolver. Como policial, é fraquito, mas cedo descobrimos que a identidade do assassino é o que menos importa. Como poderia ser, diante da delinquência juvenil, das drogas, da ausência de perspectivas no futuro dos jovens, do desemprego e das consequências nefastas da reforma agrária no Alentejo retratado pela autora? A sua pertinência actual é desconcertante (a componente social é muito bem trabalhada) mas como leitura de entretenimento, simplesmente não me "agarrou".
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