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4 de abril de 2011

As raparigas que sonhavam ursos

Autor: Margo Lanagan
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Guerra & Paz
Páginas: 408
Preço: € 16,65
ISBN:  978-9-89-817485-7
Título original: Tender morsels

Avaliação:
*** (mediano)


As raparigas que sonhavam ursos tem uma capa e título enganadores, que poderão  remeter para  um imaginário infantil. Isso está longe da realidade, pois o livro ficciona temas bastante adultos (como o incesto e a zoofilia), nada condicentes com o felpudo urso que aparece  a abraçar duas meninas.

A adolescente Liga, abusada pelo pai e depois por um grupo de rapazes, sozinha com duas filhas pequenas (a delicada Branza e a aguerrida Urdda), está desesperada, pensa em morrer. Levada ao limite pelo isolamento e pela violência sofrida, cria um mundo paralelo - o seu céu - onde se refugia.

Nele, vive feliz com as suas meninas
, num mundo que não é real. Apenas Liga e as filhas o são, protegidas da maldade dos homens, vivendo as suas vidas longe da realidade.

A pontuação positiva atribuída deve-se a um terço do livro (as primeiras 120 páginas são o melhor do todo), mas a originalidade e frescura extinguem-se e dão lugar a páginas chatas e que vão perdendo gradualmente o interesse; a autora tem  o condão de misturar temas violentos com descrições cândidas e mimosas mas ao final de algum tempo, a história torna-se aborrecida demais.


Sinceramente, quando cheguei ao final do livro, fiquei desiludida; quando comecei  a leitura estava agradada com a narrativa e as últimas 100 páginas foram feitas mais para cumprir calendário que por gosto; esperei que melhorasse ou acabasse em beleza e isso não aconteceu.


O livro tem pormenores engraçados e as várias vozes narrativas ajudam ao ritmo  mas, no geral, fica abaixo do esperado.

20 de março de 2011

A herdeira

Autor: Marion Zimmer Bradley
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Difel
Páginas: 388
Preço: € 16
ISBN:  978-9-72-290939-6 
Título original: The inheritor

Avaliação:
** (fraco)


É decepcionante quando lemos algo menos bom de um autor que admiramos. A Herdeira fica muito aquém do que estamos habituados de Marion Zimmer Bradley, que escreveu as fantásticas Brumas de Avalon.

Quem conhece algumas das suas obras nunca espera um livro menor, um trabalho abaixo de bom. Pelo menos para mim foi assim, até ter lido este livro. Claramente focado no oculto, assemelha-se bastante ao 1º volume d'O Poder Supremo, sendo notório algumas semelhanças em termos de personagens.

A protagonista é Leslie Barnes, uma psicoterapeuta que vive com a irmã adolescente, Emily. Leslie tem visões e, ao conhecer alguns estudiosos do oculto, descobre que se mudou para uma casa situada num poderoso vórtice parapsíquico, onde a reputada parapsicóloga Alison Musgrave morreu.

Esta é a base de um livro que
tem uma história interessante, chegando a cativar de início, mas que rapidamente se começa a arrastar. Quando acabei a última página, tive a sensação que o livro acabou repetinamente, ficando alguns fios de acção soltos. Talvez o facto de ter sido escrito originalmente em 1984 justifique de algum modo as partes menos conseguidas, mas desta autora a fasquia é demasiado elevada e espera-se sempre muito mais. 

14 de março de 2011

Temor e tremor

Autor: Amélie Nothomb
Género:
Romance

Idioma: Português
Editora: Edições Asa
Páginas: 120
Preço: € 6
ISBN:  978-9-72-413752-0
Título original: Stupeur et tremblements

Avaliação:
**** (bom)

Temor e Tremor fez ganhar a Amélie Nothomb, nascida em Kobe (Japão), o Grand Prix da Academia francesa em modalidade romance, em 1999.

O título do romance vem de uma regra de etiqueta, no antigo protocolo nipónico, onde estava estipulado que as pessoas se deviam dirigir ao Imperador com «temor e tremor».

Este livro narra a experiência de trabalho de Nothomb como a única ocidental numa empresa japonesa, a Yumimoto, em 1990. Retrata chefes e subordinados, regras e ditames organizacionais que espantam sobretudo pela rigidez e contornos inumanos.

É incrível ver a diferença entre um gesto feito neste lado do mundo, e no outro, a oriente. Os japoneses não apreciam a agressividade competitiva, não acreditam em promoções meteóricas (há que subir lentamente, com o passar dos anos), tratam os subordinados  como crianças, reclamam para si um estatuto divino em posições de chefia.

É interessante seguir os acontecimentos laborais da personagem principal: a entrada na empresa, a definição de hierarquia, as formas de integração no grupo de trabalho, a maneira como é acolhida. A nossa protagonista, Amélie, começa por ser colocada na secção de Importação/Exportação da Yumimoto e acaba a servir cafés e a virar folhas de calendário para os actualizar (depois de falhar no domínio da arte de bem fotocopiar) … e mesmo nisso não é bem sucedida.

To
da a acção do livro se passa no escritório, num ambiente claustrofóbico. Amélie deambula pelos andares, acima e abaixo, tentando entreter-se e passar despercebida, contando os dias até ao final do seu contrato de um ano, que mais parece ter a duração de uma vida.

Vai observando, relatando, entretendo o leitor com as descrições de um mundo automatizado, estéril em calor humano. Cada dia acarreta um castigo psicológico e um novo gesto de indiferença. A superior directa de Amélie, a bela e glacial Fubuki Mori, não facilita em nada a integração da subordinada e, entre as duas, nasce uma relação de amor/ódio que serve de enfoque às questões mais pertinentes levantadas pelo livro.

«Moldam-lhe o cérebro [à japonesa]. Se aos 25 anos não estiveres casada, terás boas razões para ter vergonha, (…) se um rapaz te beija a face em público és uma puta, se comeres com prazer és uma porca, se experimentares prazer em dormir és uma vaca.»

É um livro curioso, que vale pelo conhecimento de um mundo
com valores quase antagónicos aos ocidentais. Além disso, embora tenha requisitado o meu da biblioteca municipal, tem um preço extremamente acessível e é um tipo de livro que circula facilmente pela rede de familiares e amigos.

O romance foi adaptado ao cinema em 2003 pelo realizador Alain Corneau.
Opinei sobre ele no blog bué de fitas.

15 de fevereiro de 2011

O evangelho do enforcado

evangAutor: David Soares
Género:
Romance histórico / Fantástico

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 368
Preço: € 19
ISBN:  978-9-72-731159-0
Título original: O evangelho do enforcado

Avaliação:
**** (bom)


O Evangelho do Enforcado combina habilmente História e fantasia. Tendo como pano de fundo as circunstâncias em que foram criados os Painéis de S. Vicente de Fora, começa por acompanhar a vida do pintor que lhes deu vida, Nuno Gonçalves, e entrecruza-se com o período que marcou o início dos Descobrimentos portugueses.

Permitindo-se inúmeras liberdades criativas (ser-me-á impossível voltar a olhar a figura do Infante D. Henrique - votado como o 7.º dos Grandes Portugueses - e de toda a
ínclita geração da mesma forma depois desta leitura), David Soares retrata as gentes e a Lisboa do século XV com bastante crueza e não menos erudição.

O início da leitura não é fácil, sendo que a narrativa desperta alguma repulsa, mas quebrada essa barreira, o virar de páginas torna-se compulsivo, ao que ajuda a galeria de personagens verdadeiramente rica e electrizante, com vários nossos conhecidos dos livros do preparatório: Mestre d'Avis, Filipa de Lencastre, Infante D. Henrique, D. Afonso V, etc.

As anotações finais do autor são bastante úteis, permitindo perceber melhor algumas nuances introduzidas (o pão roxo, por exemplo) e confirmando o imenso trabalho de pesquisa por detrás do romance.

Uma leitura recomendadíssima, não só por ser de um autor português mas porque é um bom livro dentro do género e do melhor que se faz (escreve) em Portugal.

Não leva mais estrelas porque achei que a acção acabou algo abrupta, sem um real remate.

12 de janeiro de 2011

A guerra dos tronos

Autor: George R. R. Martin
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 400
Preço: € 19
ISBN:  978-9-89-637010-7
Título original: A game of thrones

Avaliação:
**** (bom)


Este título é o 1.º livro d'As Crónicas de Gelo e Fogo, uma saga absolutamente fantástica da autoria do norte-americano George R. R. Martin.

Já li os livros editados até à data há uns anos, na língua inglesa, e a sua releitura em português não lhe retirou emoção nem deleite. É que Martin é um mestre na criação de personagens e de conflitos.

Cedo se nota a diferença (positiva), não só pela ausência de clichés mas pela forma como a estória é contada de pontos de vista diferentes, alternando entre o honrado senhor de Winterfell, Ned Stark, o espirituoso anão Tyrion ou a ingénua princesa Daenerys, entre outros, sem nunca perder interesse nem autenticidade; cada personagem é independente, está viva, tem uma voz própria.


O contexto é medieval e o mundo é frio, cruel, e a sede de poder é muita. A descrição cerrada de Martin das roupas, das fisionomias, das condições atmosféricas nunca se tornam monótonas, apenas contribuindo para que o leitor fique ainda mais envolvido na narrativa.

Um dos trunfos desta saga é a sua imprevisibilidade, na medida em que nenhuma personagem está a salvo, por mais cândida ou jovem que seja, porque há maldade real e muito calculismo e estratégia.

O único ponto menos bom e que poderá afastar alguns leitores (ou fazer com que não acabem o livro) é o ritmo; com tantos personagens e conflitos, há a tendência para haver algum arrastar, logo retomado num capítulo mais emocionante. Porém, o mundo criado por Martin é tão extenso que rapidamente isso passa para segundo plano; é que as personagens que o autor apresenta n'A Guerra dos Tronos são apenas uma amostra, com muitos mais por virem e interagirem, e serem manipulados pela mentezinha perversa de Martin.

Este início de saga com A Guerra dos Tronos começa bem, e os livros que se lhe seguem são ainda melhores, tanto que se tornam verdadeiramente viciantes. Recomendo que leiam este 1.º livro, o acabem e passem ao seguinte. Vale a pena.


DICA: comprem este primeiro livro no site da editora; fica em pouco mais de 11 euros e os portes são gratuitos. Os 19 euros referidos acima é o preço praticado nas livrarias e retalhistas.

8 de janeiro de 2011

O diário secreto de Ana Bolena

Autor: Robin Maxwell
Género:
Romance Histórico

Idioma: Português
Editora: Planeta Editora
Páginas: 320
Preço: € 12
ISBN:  978-9-72-731131-6 
Título original: The secret diary of Anne Boleyn

Avaliação: **** (bom)

A leitura d’O Diário Secreto de Ana Bolena foi motivado pelo meu interesse pelo reinado dos Tudor, juntamente com a minha antipatia pela figura de Henrique VIII, um monarca influenciável, que criou cisões com papas e monarcas, mandou executar ex-mulheres e ex-amantes, esbanjou dinheiro em diversões infantis, empanturrou-se enquanto o povo passava fome. O que esperar de um absolutista?

A acção do livro centra-se em duas figuras: a de Ana Bolena e a da sua filha, Elizabeth, posteriormente conhecida como a Rainha Virgem. Num ambiente de muita intriga e imensa superstição, seguimos os acontecimentos que despertaram a atenção de Henry VIII para com Ana Bolena e o desenrolar trágico do seu caso de amor.

Paralelamente, assistimos ao definir da personalidade de Elizabeth que, ao ler o diário da mãe, percebe melhor as suas motivações e escolhas, sendo que esta leitura revela-se determinante na forma como Elizabeth encarará os homens, os seus deveres de monarca e a sua postura como mulher.

O livro de Robin Maxwell é uma versão bastante lisonjeira de Ana Bolena, que foge à demonização desta, presente em tantos outros livros sobre o tema, o que o torna uma leitura refrescante.

24 de outubro de 2010

Comer Orar Amar

Autor: Elizabeth Gilbert
Género: Romance
Idioma: Português
Editora: 11 x 17
Páginas: 512
Preço: € 10
ISBN: 978-97-2251893-2
Avaliação: *** (mediano) 

Aos 30 e poucos anos anos, Liz Gilbert (a autora do livro) tem uma vida cheia: casada e a tentar ter um filho, viaja pelo mundo, escreve os seus artigos de viagem, tem amigos leais, o dinheiro não é problema... Porém, dá por si, uma madrugada, prostrada no chão da casa de banho, a soluçar e a suplicar por ajuda divina. A razão? Esta não é a vida que quer. Não quer ter um filho, não quer estar casada, não quer continuar no lar que ela e o marido construíram.

Segue-se um penoso divórcio, um romance pós-divórcio pouco saudável e uma quase-depressão que a leva por caminhos menos coloridos. Aos 34, sentindo-se velha e derrotada e sem gosto pela vida (ela, Liz, que sempre teve tanto gosto pela vida!), chega à conclusão que a sua única hipótese (e forma de renascer) é tirar 1 ano para si, longe do que conhece; decide dividir o seu itinerário centrado no I (eu em inglês): 4 meses em Itália para aprender a língua e entregar-se aos prazeres da mesa, 4 meses na Índia num ashram para se entregar de corpo e alma à devoção iogue, 4 meses na Indonésia onde pretende praticar o equilíbrio que as duas viagens anteriores (espera) lhe trouxerem. Um aparte: esta viagem tinha-lhe sido vaticinada por um curandeiro balinês há um ou dois anos atrás. Siga.


Uma coisa positiva sobre o livro: é bastante sensorial. A forma como a autora descreve tudo o que a rodeia e o entrelaça com humor e ditos espirituosos - e até algumas informações de algibeira -, tornam o livro fresco e fácil de ler, mas... não mais credível.


Claro está que a personalidade de Gilbert poderá não ser para todos (toda a gente parece adorá-la assim que a conhece, não há grande profundidade no seu relato, algumas questões ficam no ar, como a razão do seu casamento ser horrível), e algumas vezes dei por mim a pensar se algumas situações aconteceram mesmo como a autora conta (como os problemas de sono do sobrinho - a muitos milhões de kms - desaparecerem por ela lhe dedicar uma oração todas as manhãs quando esteve na Índia), mas prossegui a leitura sem julgamentos.

Porém, não posso deixar de notar que apesar da autora focar e discorrer amiúde sobre os seus relacionamentos falhados, a sua forma de ser dependente e obcecada, não se poupando sobre a sua culpa em diversas situações, o relato da sua relação espiritual com Deus - que despoleta a ruptura do seu casamento no início do livro - e sobretudo a evolução da mesma é bastante parca, arrematada em meia dúzia de parágrafos. Fiquei com a sensação que a ideia era chegar a Bali (Indonésia) o mais rápido possível, onde novas aventuras (e um novo amor) a esperavam. 

O livro lê-se bem e é leve, sem dúvida. Aliás, parece-me cor-de-rosa demais para alguém que esteve à beira do abismo, completamente perdida, e confia decisões importantes a profecias e ditos de curandeiros, deixando uma vida (ainda que divorciada e sem filhos) estruturada para trás. 

O que me incomoda é que acredito que a autora omitiu várias coisas desta sua jornada espiritual de uma mulher «em busca de tudo»; falta-lhe realismo e autenticidade, porque a vida não é só coisas lindas e maravilhosas. Mais, que mulher se pode dar ao luxo de, em plena crise existencial, pegar numa mala e ir percorrer o mundo? Aqui com uma nuance: não sem antes convencer o editor que o livro que vai resultar dessa viagem vai ser um best-seller e compensar a avantajado adiantamento que ele lhe deu, financiando essa mesma viagem.

É fantástico, a acreditar em vários artigos e entrevistas que li, que tantas pessoas apregoem aos sete ventos que este livro é a última coca-cola no deserto, que lhes abriu os olhos, que tiveram a epifania enquanto e quando o leram. Bom para elas, parabéns. Para mim foi apenas mais uma leitura, razoável q.b., sendo que a nível literário, já li muito melhor e... por aqui me fico.
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