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28 de março de 2014

A frágil doçura do bolo de limão

Autor: Aimee Bender
Género:
Romance
Idioma: Português
Editora:
Marcador

Colecção: Marcador Literatura
ISBN: 978-989-847070768
Título original: The particular sadness of lemon cake
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A frágil doçura do bolo de limão ilustra a vida de uma família de classe média na soalheira Califórnia, pela voz da filha mais nova.

Rose Edelstein, uma criança alegre e sensível, descobre, na véspera do seu nono aniversário, que tem um dom extraordinário: consegue saborear no bolo de limão e chocolate, que a mãe fez, todos os sentimentos e emoções que a envolvem, saboreando na mistura o amor maternal mas também o sentimento de vazio e desespero.

Curiosa e astuta, rapidamente descobre que a sua habilidade envolve toda a comida que saboreia: através dela, percebe o que move e sente a pessoa que cozinhou. Para uma cabeça tão jovem, a revelação é assustadora e Rose altera a sua forma de ser, escudando-se do que a rodeia recorrendo a fast food e alimentos processados, ao mesmo tempo que a idade da inocência acaba e Rose é confrontada com a forma como o mundo dos adultos funciona.

Um Dorito não te exige nada, o que é uma dádiva maravilhosa. Apenas te pede que não estejas ali...

No entanto, já não consegue evitar uma maior percepção do que a rodeia, sendo o maior golpe a dinâmica da sua própria família, que descobre estar deprimida e a tentar lidar (cada um à sua maneira) com os problemas: o isolamento do irmão, Joseph, a apatia do pai, a tristeza da mãe. Rose cria então mecanismos para sobreviver ao turbilhão emocional que a rodeia, paralelamente à vida que não deixa de acontecer à sua volta.

Um dos pontos fortes do livro são as personagens. A família Edelstein é uma família-tipo que se afoga enquanto tenta manter a aparência de normalidade; cada membro da família lida com as aflições da melhor forma que pode sem nunca se envolver com os outros membros da família. Rose percebe isto tudo e mais, não evitando um sentimento de perda à medida que a ideia luminosa que tinha dos pais se desvanece.

O livro tem passagens admiráveis e extremamente lúcidas mas não é perfeito e a execução de algumas ideias ficou aquém do esperado. A apatia das personagens é, por vezes, exasperante e o final não enche olho nem barriga.

Porém, A frágil doçura do bolo de limão é uma narrativa pouco tradicional, com uma pitada de realismo mágico e vários apontamentos líricos, um livro diferente do que tenho lido e que me permitiu uma leitura alternativa que muito apreciei e que recomendo (ler excerto).

****
(bom)

10 de março de 2014

A praia do destino



Autor: Anita Shreve
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 416
Editora:
Edições Asa
ISBN:  978-972-413946-3
Título original: Fortune's Rocks
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Orgulho-me de ser eclética, o que se estende às artes, especialmente na música e na literatura. Leio livros de todos os géneros e não discrimino temas, embora tenha preferências.

A praia do destino foi uma oferta do meu amigo J., um livro que está na estante há anos e no qual decidi pegar depois da minha última leitura, As virgens suicidas, um livro sombrio e pesado que pedia uma leitura seguinte mais leve e positiva.

A acção passa-se no despertar de uma nova era, em 1900. Olympia Biddeford é uma jovem de 15 anos com uma educação apurada, convicta das suas opiniões. Filha única, tem no pai o seu maior impulsionador intelectual, que a instiga a ler autores inteligentes e desafiantes. Na casa dos Biddeford, os jantares e convívios são frequentes, e a família divide o tempo entre Boston e Fortune's Rock, onde passa os Verões.

No Verão em que completa 16 anos, Olympia apaixona-se perdidamente, um amor que vai desafiar as convenções da época: o seu eleito é John Haskell, um médico e pai de família, casado e vinte e cinco anos mais velho. A história de amor entre ambos é tão intensa que nenhum mede realmente as consequências até ao dia em que são descobertos e ambas as famílias veêm o seu mundo virado ao contrário, com Olympia a ter de lutar contra preconceitos e a ruína familiar.

A história é simples o suficiente para não criar grande expectativa, mas o que se destaca e me fez continuar a ler foi o estilo da autora, elegante e directo, sem nunca cair no exagero. As personagens estão longe de serem perfeitas (Olympia é menor quando se envolve voluntariamente com Haskell) e são credíveis ao ponto de ter pensado em dar um par de estalos à protagonista, uma narradora sincera e frontal com algumas escolhas questionáveis e o egoísmo próprio da idade.

A autora consegue manter o interesse do leitor com arte e introduz reviravoltas interessantes, abordando problemas sociais e culturais da época, mas mantendo o enfoque da acção na protagonista, uma jovem privilegiada que nunca chega a passar necessidades dignas desse nome mas cuja força interior é um exemplo.
 
Uma boa leitura, claramente feminina.

****
(bom)

16 de fevereiro de 2014

As virgens suicidas



Autor: Jeffrey Eugenides
Género:
Literatura contemporânea
Idioma: Português

Páginas: 256
Editora:
Dom Quixote
ISBN:  978-972-202449-5
Título original: The virgin suicides
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O livro começa como acaba (o autor não o esconde): cinco adolescentes entre os 13 e os 17 anos, as irmãs Lisbon, suicidam-se no espaço de um ano. A razão? Temos as restantes 255 páginas para descobrir.

Cecilia, a mais nova, é a primeira a matar-se. A partir daí, a família Lisbon cai numa espiral descendente de escuridão e isolamento, afastando-se do resto da comunidade e deixando de ser vista no exterior. Ao mesmo tempo que a sua casa se deteriora por fora, o interior deixa adivinhar uma profunda depressão dos pais e das 4 irmãs sobreviventes.

A história é contada por um grupo de rapazes da idade das raparigas, seus vizinhos e colegas de escola, que seguem todos os passos daqueles «seres luminosos» com tão pouco em comum com os seus pais socialmente inaptos. Os rapazes estão fascinados pelas irmãs, desenvolvendo uma obsessão que se prolonga na idade adulta, razão pela qual o livro é narrado vários anos depois, por mentes já desenvolvidas e críticas, que conseguem analisar mais friamente o que os olhos inexperientes não viam nem percebiam na altura.

A razão do suicídio não é clara, mas algumas razões são lançadas para a mesa: a opressão de uma mãe religiosa e castradora que não consegue lidar com o vento da mudança dos anos 70, a impassividade de um pai que cede toda a autoridade à esposa, uma predisposição genética para uma tristeza crónica debilitante, uma mistura explosiva das anteriores.
 
O tema é sombrio e Jeffrey Eugenides cria uma atmosfera claustrofóbica que fica na memória muito depois de acabarmos o livro. O estilo é poético e floreado q.b., mas equilibra bem com o tom, dando luz a um conteúdo escuro.

Confesso que a história me afectou nos dias em que o li, ao que não ajudou ser Inverno, com muitos dias nublados e de chuva, como se a melancolia das irmãs Lisbon me acompanhasse mesmo nos momentos em que não estava a ler; é raro um livro ter este efeito sobre mim, mas reconheço que prefiro não o sentir, pois As virgens suicidas trata temas demasiado desconfortáveis para andarmos com eles na cabeça todo o dia.

Também por isso, este é um dos raros casos em que gostei mais do filme do que do livro; a realizadora Sofia Coppola soube captar o essencial da obra de Eugenides e dar a luminosidade ideal a uma história bastante sombria, que em livro se torna demasiado longo e pesado; a qualidade da história é evidente, não nego, mas continuava a ser provocador com menos umas cinquenta páginas, que só prolongam a agonia do leitor e não acrescentam nada de novo.

Uma boa leitura, extremamente melancólica, que aconselho a alternar com um livro mais "levezinho" (eu gostaria de ter tido esta dica).

****
(bom)

27 de outubro de 2013

A herança de Eszter



Autor: Sándor Márai
Género:
Romance
Idioma: Português
Editora: Dom Quixote
ISBN:  978-97-2202999-5
Título original: Eszter Hagyatéka
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Sándor Márai foi um jornalistaescritor húngaro, um dos mais importantes durante o período entre as guerras mundiais. Crítico fervoroso do comunismo, mudou-se para a América em 1968. Escreveu mais de 60 livros, o primeiro aos 24 anos; em Portugal estão publicadas 7 obras suas.

A herança de Eszter conta a história de uma mulher de 40 anos, solteira desde sempre, que leva uma vida modesta e muito pacata. Eszter já amou, um amor mal resolvido que lhe deixou marcas profundas com as quais se conformou. Até ao dia em Lajos anuncia que a vai visitar, 25 anos depois; a preocupação de amigos e familiares é fundada, não só porque Lajos é um sedutor sem escrúpulos mas porque foi aquele que destruiu a família de Eszter e roubou tudo o que possuíam.


«Quando Vilma morreu e se deu a ruptura entre nós, Lajos afastou-se do horizonte familiar. Então, regressei eu aqui, a esta pobre casa e meu último refúgio. Nada me esperava, excepto uma cama e um pão seco. Mas quem chega de uma tormenta é feliz, pois tem um tecto por cima da cabeça.»

A nossa narradora é uma mulher frágil e ingénua, iludível na forma como se relaciona com os outros, e Lajos é um mestre na manipulação alheia, capaz de dizer o que preciso for para sacar mais qualquer coisa a alguém que ainda acredite na bondade do seu carácter.

Assisitir à chegada da Lajos e à forma como lida com os antigos amigos é desconcertante mas Márai fá-lo habilmente e com subtileza. Aliás, todo o livro tem um tom leve mas o texto é forte. Sándor Márai possui uma elegância na escrita de que é um prazer desfrutar mas sentimos a força da sua prosa, o que me fez virar as páginas vorazmente.

«Pode-se deitar fora uma mulher, como uma caixa de fósforos, por paixão, por se ter um carácter assim, por não conseguir ligar-se a uma mulher, (...) mas deitar alguém fora por distracção... isso é mais do que infâmia.»

Com poucos mais de 150 páginas, é um livro breve, que chega ao fim rapidamente, mas isso não lhe tira lirismo. É uma leitura compensadora, de uma poesia subtil e várias frases encantadoras; o final não foi o meu preferido, mas cada escritor sabe das suas personagens and that's that.

Além deste livro, do autor li As velas ardem até ao fim, um livro muito bom, superior a este, que aproveito para recomendar; Sándor Márai é um autor a descobrir e eu vou ler mais dele, isso é certinho. 

avaliação: **** (bom)

2 de junho de 2013

Louca por compras



Autor: Sophie Kinsella
Género:
Ficção
Idioma: Português
Editora: Livros d'Hoje
Páginas: 336
ISBN:  978-9-72-203747-1
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Rebecca (Becky) Bloomwood é uma rapariga bem-disposta que trabalha como jornalista na revista financeira Successful Savings, direccionada para o público comum, onde escreve artigos sobre como maximizar o salário, investir as poupanças e as melhores opções em poupanças-reforma.

Becky não faz o seu trabalho com grande afinco, pois além de o achar extremamente enfadonho, o conteúdo não lhe faz grande sentido porque... não pratica o que escreve. Aliás, a sua prática pessoal é desastrosa, ao ponto de já dever centenas de libras nos vários cartões de crédito que possui, o que não admira, pois gasta muito mais do que aquilo que aufere.

Como não o fazer, se o pulso lhe acelera quando passa pelas montras luminosas de uma loja, se se sente cheia de vida ao pagar uma saia, um perfume, uma agenda em pele, se não há sensação melhor que estrear algo novo?

Cada capítulo começa com uma nova carta de um banco a avisar de que há (mais) um valor pago em falta, pagamentos que Becky tenta (criativamente) adiar. Apesar de endividada até à medula, continua a receber cartões de crédito com plafonds consideráveis, ou seja, juntando ao facto de Miss Bloomwood não ter qualquer auto-controlo sobre as suas finanças e ser louca por compras, os "maus" ainda lhe alimentam o vício.

Mas Becky quer mudar e a mudança passa por poupar nos gastos ou ganhar mais dinheiro. E assim, seguimos as várias tentativas de Becky na tentativa de poupar dinheiro (fracasso completo) ou arranjar um emprego que pague melhor (idem), o que não deixa de ser divertido tendo em conta o tom ligeiro e silly do livro.

A protagonista é bem intencionada mas a negação do seu problema («se não abrir as cartas dos credores, as dívidas não existem!») e a forma como racionaliza o vício gastador (gastar duzentas libras em ingredientes e num wok especial para fazer caril para levar o seu almoço para o trabalho... e não ter de o comprar a 5 libras a dose é de bradar aos céus!) torna-se irritante e surreal. Felizmente, a autora encarrila a história antes de se tornar cansativa e lá arranja forma de Becky ter a sua vida resolvida a algumas páginas do final.   


É literatura light e rosa que cumpre o esperado: sorrisos, escape momentâneo e muita previsibilidade... ah! e um final feliz. Literatura tipo algodão-doce, sem dúvida.
avaliação: *** (mediano)

22 de fevereiro de 2013

Um pai de filme



Autor:
Antonio Skármeta
Género:
Romance
Idioma: Português
Editora: Teorema
Páginas: 86
ISBN:  978-9-7269-5928-1
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Antonio Skármeta é o autor do livro que originou o filme O Carteiro de Pablo Neruda. Este é o primeiro livro que leio dele.

Um pai de filme não é um romance, assemelha-se mais a um conto (apenas 86 páginas). A acção divide-se entre Contulmo e Angol, pequenas localidades no sul chileno.

É em Contulmo que vive o professor Jacques com a mãe. A vida de ambos é passiva e está amargamente marcada pela ausência do pai de Jacques, que decidiu partir no dia em que o filho retornou da universidade. A mãe, deprimida desde que o marido abalou, não sonha com nada, trabalha incansavelmente como lavadeira e cuida do filho com canja e afagos.

Jacques é jovem, adora ler e sonha com o amor e com o sexo. Tem no padeiro da aldeia o seu único confidente e amigo. Como muitos homens de Contulmo, ambos planeiam e anseiam pela ida a Angol, onde à distância de uma viagem de comboio, ficam o cinema e o bordel, prazeres raros e dispendiosos.

«
Teresa tem 17 anos e Elena 19. Eu, vinte e um. Aqui somos todos muito decentes. (...) Mas, de cada vez que vão a Santiago, compram vestidos com decotes profundos e jeans que a elas lhes comprimem as ancas e a mim o ar.
»

O livro tem frases muito lúcidas e uma linha de pensamento fácil de acompanhar. Pelos cinco sentidos de Jacques, seguimos a descoberta do amor e do sexo, mas também a angústia existencial de um jovem que não compreende porque foi abandonado.

Um pai de filme está dividido em 25 curtos capítulos, de uma discreta ternura e beleza poética, onde se fala de afectos, do amor, da inocência e do peso da responsabilidade.
 
É tão bom quanto é breve.


avaliação: **** (bom)

8 de janeiro de 2013

Mentiras e condomínios



Autor:
 Filipa Múrias
Género:
 Romance
Editora: Oficina do Livro
ISBN:  978-9-72-857964-7
Páginas: 180
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Faço questão de ler todos os géneros literários. Privilegio alguns porque tenho preferências mas não descrimino. Compro a maioria dos meus livros mas também recorro à biblioteca municipal, onde se encontram títulos mais antigos. Foi lá que encontrei o colorido Mentiras e Condomínios. A sinopse não era aliciante mas adoro enredos femininos e começar 2013 com um autor português foi excelente... mas não sinónimo de uma leitura memorável.

Caetana volta a Portugal depois de um divórcio tempestuoso e sete anos a viver o american lifestyle. De volta à casa dos pais em Cascais, pretende recuperar a serenidade e a estabilidade emocionais perdidas com as escolhas passadas. O reencontro com as duas melhores amigas e um emprego como assistente de realização parecem um começo auspicioso, mas Caetana é apanhada num mundo de aparências e muita ambição.

O livro divide-se em capítulos curtos, de 5 a 10 páginas, com muito diálogo e descrições breves. O tom é leve. A protagonista, Caetana, está a meio de uma crise existencial onde questiona tudo o que fez até então, nomeadamente a nível de amor e carreira. Não chega a cair na choraminguice mas a forma superficial como é descrita não desperta grande simpatia no leitor, o que se estende à restante galeria de personagens. Acho que essa é a razão principal porque não gostei do livro: parece ter sido escrito à pressa, não desenvolvendo verdadeiramente as personagens e as situações.


Para quem gosta de literatura light, Mentiras e Condomínios é um título a experimentar; eu achei que poderia ter sido melhor explorado e uma leitura mais proveitosa.

avaliação: ** fraco

13 de setembro de 2012

Sputnik meu amor


Autor: Haruki Murakami
Género:
Romance

Idioma: Português
Editora: Casa das Letras
Páginas: 238
Preço: € 13
ISBN:  978-9-72-461582-0
Título original: Sputnik sweetheart

Avaliação: *** (mediano)


Há que tempos que andava para ler o mui famoso Murakami. Como o autor tem livros volumosos e porque não sabia se gostaria do estilo, decidi apostar pelo seguro e comprar Sputnik meu Amor, um título com menos de 300 páginas e a preço de saldo num alfarrabista.

O estilo de Murakami é diferente, admito. A história, apesar de não ser genial, é escrita de uma forma muito elegante e os personagens são envolventes; gostamos deles e queremos seguir o seu percurso, como que para compensar a sua sinceridade para connosco (estranho...)
.

O início do romance não é o mais emocionante: o nosso narrador, um professor, está apaixonado pela rebelde Sumire, que está apaixonada pela misteriosa Miu, que é casada mas não está apaixonada por ninguém. As duas mulheres tornam-se amigas e decidem trabalhar juntas; quando passam férias numa ilha grega, a sua relação muda e a leitura torna-se inquietante, com várias reflexões sobre o amor, as relações amorosas e a perda.

«"Na Primavera dos seus vinte e dois anos, Sumire apaixonou-se pela primeira vez na vida. Foi um amor intenso como um tornado abatendo-se sobre uma planície - capaz de tudo arrasar à sua passagem, atirando com todas as coisas ao ar no seu turbilhão, fazendo-as em pequenos pedaços, esmagando-as por completo. (...) A pessoa por quem Sumire se apaixonou, além de ser casada, tinha mais dezassete anos do que ela. E, devo acrescentar, era uma mulher (...) Foi a partir daqui que tudo começou, e foi a partir daqui que (quase) tudo acabou."»

Murakami escreve de uma forma simples mas bonita. Talvez este livro não seja o melhor exemplo da afamada beleza da sua escrita, mas é um bom exemplo de como uma narrativa simples evoca leveza. Sente-se isso nas páginas. Pessoalmente, prefiro uma acção mais dinâmica e intrincada, mas é bom variar.

Irei ler outros títulos de Haruki Murakami, mas não fiquei impressionada
; o final do livro obriga a reflectir, mas preferia ter lido algo mais emocionante e que fizesse juz à fama do autor. Fica para a próxima.

24 de maio de 2012

As Serviçais


Autor: Kathryn Stockett
Género:
Romance

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 464
Preço: € 17
ISBN:  978-9-89-637254-5
Título original: The help

Avaliação: ***** (muito bom)


Finalmente li As Serviçais; já o tinha há mais de um ano na estante à espera, mas outros livros passavam-lhe à frente. Excelente leitura, valeu bem a pena a espera.

O cenário é Jackson, Mississippi, onde, na década de 60, ainda não chegou a modernidade. Quer dizer, o vestuário, os penteados e a maquilhagem em voga são seguidos e copiados, mas os direitos humanos ficaram pelo caminho. Em Jackson, ser negro é ser menos que ser branco, é não ter voz; caso alguém discorde do curso "natural" das coisas, não há quem hesite em recorrer à violência, saldando-se casas incendiadas, membros partidos e até homicídios.
Os activistas que ali vivem, independentemente da cor da pele, são compreensivelmente discretos e em número reduzido.

Ao longo das 400 e muitas páginas, temos 3 narradoras: as criadas Minny e Aibeleen e a aspirante a escritora Skeeter. Juntas decidem tentar mudar mentalidades, contando o outro lado da história: o lado dos oprimidos. Skeeter tem noção que o seu valor como ser humano se deve à educação que recebeu da criada da família, Constantine. Aibee e Minny pertencem a gerações distintas mas são as melhores amigas e amparam-se em tudo, servindo senhoras diferentes.

«A Minny é praticamente a melhor cozinheira de Hinds County, talvez de todo o Mississípi. A festa de beneficência da Liga Júnior é todos os outonos e pedem-lhe que faça dez bolos de caramelo para leiloar. Devia ser a criada mais procurada de todo o estado. O problema é que a Minny tem boca. É sempre respondona. Um dia é com o gerente branco do armazém Jitney Jungle, no dia seguinte é com o marido e todos os dias é com a senhora branca para quem trabalha. Se está com a senhora Walters há tanto tempo é por ela ser surda como uma porta.»

Aibee é uma mulher mais velha, sensata e sensível. É uma mulher maternal, que se dedica intensamente ao seu trabalho e às crianças brancas de que cuida. Já Minny é uma espalha-brasas, constantemente enrascada por ser respondona e inoportuna, o que traz problemas acrescidos quando se é negra. Skeeter é branca mas atinge o limite quando é ostracizada por não alinhar pela opinião comum. Este trio complementa-se e, pela sua voz, conhecemos uma realidade que hoje é impensável.

O livro tem momentos comoventes e alterna entre acontecimentos felizes e negros, inerentes à condição humana, numa
história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza, mas com muita força. A autora contou numa entrevista que o livro foi rejeitado 60 (!) vezes antes de ser editado; ainda bem que alguém lhe reconheceu potencial pois é uma história inspiradora e inspirada.

Há um excerto do livro disponível aqui. O realizador Tate Taylor adaptou-o ao cinema em 2011 e eu já botei faladura sobre ele no bué de fitas)
.

11 de outubro de 2011

Trevas satânicas

Autor: Marion Zimmer Bradley
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Difel
Páginas: 224
Preço: € 14
ISBN:  978-9-72-290632-6
Título original: Dark satanic

Avaliação:
** (fraco)


Trevas Satânicas foi uma das primeiras obras de Marion Zimmer Bradley, falecida em 1999. Esta autora editou livros de diversos géneros, mas as suas obras de referência encontram-se na fantasia (As Brumas de Avalon) e na ficção científica (a série Darkover).

Este título integra-se numa série de livros escritos pela autora com nuances góticas, abordando o tema das seitas secretas e do satanismo, sendo uma espécie de prequela para A Herdeira, já analisado aqui no blog.

Jamie Melford é editor-adjunto numa editora, a Blackock Books, e vive com a mãe e a mulher, Bárbara, em Nova Iorque, sem sobressaltos. Até ao dia em que um dos seus autores mais vendidos, Jock Cannon, lhe entra pelo gabinete adentro, seriamente perturbado.

Jock tem sido ameaçado para não publicar o seu mais recente livro, uma obra sobre bruxaria. Jamie desvaloriza a situação e leva avante a publicação. O autor aparece morto pouco tempo depois e o casal Melford começa a receber ameaças e a ver um quotidiano outrora pacato ser revirado.

Apesar de ter gostado minimamente do livro (a autora escreve bem), não posso negar que foi uma leitura decepcionante. A história é bastante previsível e tem um fim morno.
Além disso, as personagens são demasiado estereotipadas, o que surpreende, uma vez que Marion Zimmer Bradley foi uma defensora do feminismo e incluiu-o amiúde no seu trabalho.

Fraquinho.

NOTA: Como, infelizmente, a Difel fechou, poderão encontrar este livro em alfarrabistas ou para requisição nas bibliotecas municipais.

13 de setembro de 2011

Equador

Autor: Miguel Sousa Tavares
Género: Romance Histórico
Idioma: Português
Editora: Oficina do Livro
Páginas: 528
Preço: € 25
ISBN:  978-9-89-555013-5

Avaliação:
*****
(muito bom)


Equador é um livro que não perde magia na releitura. Ao longo de mais de 500 páginas, Miguel Sousa Tavares (MST) delineia com mestria a história de Luís Bernardo Valença, um homem forte, de mente e ideais românticos.

A acção inicia-se em clima de decadência monárquica, em 1905, num Portugal muito rural.

Luís Bernardo é um bon vivant, amigo do seu conhaque e charuto habano, galante e provador de belas senhoras, fiel ao seu amigo e aborrecido de morte com a existência que leva. Como qualquer pessoa aventureira que sonha com algo mais do que a monotonia que a instabilidade financeira e moral providenciam, ambiciona mais da vida do que o que tem, apesar de não saber o que será a “tal coisa” que o fará sentir-se vivo.

Até que, fruto das suas declarações em público e artigos de opinião na imprensa – é um abolicionista convicto -, é convidado para o cargo de governador de S. Tomé e Príncipe pelo próprio El-Rei, a fim de se certificar que a mão-de-obra nas ilhas não é escrava e que as condições de trabalho nas roças são tomenses nada têm de esclavagista.

A sua missão primordial é provar aos Ingleses que os negros não são explorados e que o cacau que exportam é resultado de uma exploração digna e correcta dos recursos humanos. Mas tal feito não será fácil e Luís Bernardo vê-se a braços com uma tarefa hérculea, sem saber em quem confiar.

Não quero revelar muito mais da história. A descoberta de S. Tomé como um paraíso na terra orientado por demónios capitalistas e sem escrúpulos, com quem o nosso herói terá que se bater, é arrebatadora e a leitura torna-se viciante. É desgastante e emocionante seguir o percurso de Luís Bernardo, assistir aos seus duelos com os roceiros e testemunhar os salamaleques políticos.

Há mestria na forma como a autor traça o fio da acção e suspende o leitor no final de cada capítulo, ao longo de um volume considerável que vemos decrescer sem darmos pela passagem do tempo. Tornamo-nos reféns da beleza das paisagens e da intensidade com que o protagonista vive e respira o que o rodeia.

O final surpreendeu-me mas afigura-se-me o único possível de fechar o romance com chave d’ouro e sem hipótese de desiludir o leitor, depois de tantas dezenas de páginas passadas.
«O que não havia em Portugal era uma tradição de cidadania, um desejo de liberdade, um gosto de pensar e agir pela própria cabeça: o desgraçado do trabalhador do campo dizia e fazia o que o patrão lhe mandava, este repetia o que o cacique local lhe transmitia e este, por sua vez, prestava contas e vassalagem aos próceres do partido em Lisboa. Podia mexer-se no cume da pirâmide, que tudo o resto, até à base, permaneceria inamovível.»

4 de agosto de 2011

A beltraneja

Autor: Almudena de Arteaga
Género: Romance Histórico
Idioma: Português
Editora: Guimarães Editores
Páginas: 192
Preço: € 12
ISBN:  978-9-72-665460-5
Título original: La beltraneja

Avaliação:
***
(mediano)


A Beltraneja é um livro magrinho, que se lê num ápice.

A história é contada por uma aia da rainha Joana, D. Mécia, à princesa Joana (mais tarde conhecida entre os espanhóis como A Beltraneja e entre os cortesãos portugueses como a Excelente Senhora).

Este romance histórico relata as intrigas e alianças políticas firmadas com o objectivo de colocar Isabel, a Católica, no trono. A acção passa-se no reinado de Henrique IV, soberano de Castela.

Assistimos à viagem de D. Joana de Portugal e das aias para Castela, onde a primeira desposará D. Henrique, sempre nas bocas do povo pela sua alegada incapacidade em gerar filhos ou consumar um casamento. Infelizmente, os boatos são verdadeiros e D. Joana terá de se submeter a práticas humilhantes para tentar conceber o bendito varão.

Em jeito de crónica, A Beltraneja mostra-nos até onde os gananciosos e intriguistas estão dispostos a ir para fazer valer a sua causa, num jogo de bulas falsificadas, casamentos contraídos e anulados, venenos e boatos degradantes.

Devorei os primeiros capítulos, mas a meio do livro, notei uma quebra de qualidade e ritmo, à medida que a acção se torna muito resumida, como se houvesse pouco a contar (ou a imaginação tivesse expirado). No rescaldo, o livro fica aquém do início promissor.

29 de abril de 2011

A sombra de Foucault

Autor: Patricia Duncker
Género:
Romance

Idioma: Português
Editora: Gradiva
Páginas: 152
Preço: € 10
ISBN:  978-9-72-662599-5
Título original: Hallucinating Foucault

Avaliação: **** (bom)

De vez em quando aventuro-me pela literatura contemporânea, com resultados menos bons. Há excepções. A sombra de Foucault é um desses exemplos. Romance de estreia de Patricia Duncker, editado em 1996, ganhou o prémio Dillon’s First Fiction.

É um livro que se lê bem, pela linguagem acessível e parágrafos resumidos; tem
um tom poético (e até musical)  envolvente. A narrativa trata das relações pessoais, do "peso"  dos textos literários, da loucura e das questões existenciais.

O texto é, a cada linha, uma homenagem ao movimento estruturalista, cujo principal representante foi o filósofo francês Michel Foucault, que, nos seus escritos, apelava ao desenvolvimento de uma ética individual de resistência ao poder; a sua obra encontra-se dividida em 3 estudos distintos: a loucura no mundo ocidental, as articulações entre o saber e o poder, e o triângulo poder/prisões/sexualidade.

«Quem és tu, ponto de interrogação?, eu questiono-me muito. No teu hábito de gala pareces um magistrado. És o mais feliz dos sinais de pontuação porque pelo menos obténs respostas.»

Por esta altura já estarão a pensar que o livro é uma seca, que só interessará e será perceptível a quem conheça ou admire o trabalho de Foucault, mas isso não acontece.

Esta é uma obra de ficção e a figura do filósofo (e consequentemente os seus estudos) apenas servem de base à acção propriamente dita, na medida em que inspiram as personagens no seu quotidiano e na maneira como encaram a vida e o ser humano.

Em todo o livro, o verdadeiro enfoque é na relação que se desenvolve entre um autor famoso, Paul Michel, e um seu fã estudante (e nosso narrador), que tem por ele e pelas suas ideias uma admiração imensa.

A forma como a autora explora a ligação entre escritor e leitor é muito bem ilustrada e quando o nosso narrador, impelido a visitar o instável Paul Michel, internado num hospício, tem o primeiro contacto com o seu ídolo, assistimos a um desconcertante diálogo, onde se espelham cogitações e amarguras. E a narrativa flui, agradável e sem pretensões intelectuais, com o leitor rendido à inteligência e acutilância de Paul Michel.


«Escrevo com o brilho desempoeirado do soalho dum salão de baile. Escrevo para idiotas.»

É um livro difícil de encontrar nas livrarias, mas garantidamente que o encontram no alfarrabista ou nas bancas de livros usados.

22 de abril de 2011

O bom inverno

Autor: João Tordo
Género: Romance
Idioma: Português
Editora: Dom Quixote
Páginas: 292
Preço: € 14,95
ISBN:  978-9-72-204137-9


Avaliação: **** (bom)

Vou começar de uma forma politicamente incorrecta. Pensei que João Tordo fosse mais um caso de "pai famoso" no nosso cantinho à beira-mar plantado.

Mesmo assim, decidi investir neste livro porque achei a sinopse interessante.

O nosso narrador é um homem que parece ter perdido o gosto pela vida, hipocondríaco e escritor desinspirado. Quando a editora o convida a viajar até à Hungria para participar num encontro de escritores, é o dinheiro que o move, porque
, ultimamente, parece não encontrar interesse em nada.

Esta decisão marca uma viragem. Em Budapeste encontra e convive com um grupo de pessoas que vai mudar tudo. Levado até Itália para conhecer o óscarizado produtor de filmes Don Metzger, vê-se envolvido no assassinato deste, confinado a uma casa com desconhecidos também eles suspeitos do mesmo crime.

Rodeados por um denso arvoredo, são avisados por Bosco (amigo de longa data de Don)  que o assassino deverá avançar e confessar o crime. Depois do choque inicial, percebem que Bosco não está a brincar e que tem intenção de cumprir as ameaças. Começam as dinâmicas de um grupo de pessoas encurraladas por um sociopata que vagueia pela floresta com uma espingarda, pronto a abater aquele que desobedeça. Porém, ninguém é inocente e cedo se descobrem razões e se praticam actos que tornam a sobrevivência mais difícil.

A história é-nos narrada na primeira pessoa, do ponto de vista daquele que menos conhece o espaço envolvente e os companheiros de infortúnio. O livro começa lento mas quando "engata", torna-se viciante e a vontade de ler o desfecho é a confirmação de que estamos perante uma história interessante e bem concebida.

«(...) lá dentro são todos imortais. Uma sala cheia de super-homens e de super-mulheres, perfeitos na sua imperfeição, completamente esquecidos de que são, como todos nós, repasto para cemitérios. Comida para os vermes.»

Gostei d'O bom inverno e recomendo-o. Sem me esquecer que, das várias críticas que tenho lido nos blogs, parece que tive sorte e comecei pelo melhor romance de João Tordo.

16 de abril de 2011

A tenda vermelha

Autor: Anita Diamant
Género: Romance
Idioma: Português
Editora: Difel
Páginas: 368
Preço: € 15
ISBN:  978-9-72-290622-7
Título original: The red tent



Avaliação: **** (bom)

A Tenda Vermelha foi uma surpresa. Com um ritmo fluído e uma história comovente, Anita Diamant construiu um livro aconselhável a todas as mulheres.

É uma epopeia histórico-bíblica, narrada por mulheres e tendo-as como protagonistas. Começamos por ser apresentados ao clã do ganacioso Labão, cujas 4 filhas - a possante Lea, a deslumbrante Raquel, a supersticiosa Zilpah e a tímida Billah - são dadas em casamento a Jacob (mais tarde conhecido como Isra'El).

A partir daqui, partilhamos o quotidiano destas quatro forças da natureza, que incorporam a alma da comunidade nas suas diferenças. Pouco depois de iniciarmos a leitura conhecemos Dina, a nossa narradora principal - nascida biologicamente de Lea e Jacob -, mas tratada como uma filha pelas 4 mulheres, que a acarinham e partilham tudo o que sabem, especialmente quando estão na tenda vermelha, o espaço onde as mulheres recolhem nos dias do mês em que estão menstruadas.

Esta tenda é um local vedado aos homens, onde as mulheres são donas e senhoras, e cedo se percebe que toda a família depende delas, da sua força, da sua astúcia e da sua desenvoltura. Através de Dina, descobrimos a aventura de nascer e crescer mulher, a origem de alguns mistérios antigos, o dom de ser parteira, os triunfos e tragédias relacionados com o seu clã, como relatado no Livro do Génesis (com algumas romanceações), numa leitura que nunca se torna aborrecida ou demasiado religiosa.

«E só aparentemente 'A Tenda Vermelha' é um livro antigo. Na realidade trata-se de um hino à condição da mulher, no que ela tem de mais intimo e mais profundo. E também à sua capacidade, não só através da maternidade, de criar novos mundos e de desafiar velhas tradições.»

11 de abril de 2011

Sempre vivemos no castelo

Autor: Shirley Jackson
Género: Romance / Gótico
Idioma: Português
Editora: Cavalo de Ferro
Páginas: 208
Preço: € 14,40
ISBN:  978-9-89-623119-4
Título original: We have always lived in the castle


Avaliação:
*****(muito bom)

Este foi o último romance de Shirley Jackson, considerado pela crítica «um dos 10 melhores romances da literatura norte-americana» (time magazine).

«Chamo-me Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e vivo com a minha irmã Constance (...). Não gosto de me lavar, nem de cães ou barulho. Gosto da minha irmã Constance, de Ricardo Coração de Leão e do Amanita phalloides, o cogumelo da morte. Todas as outras pessoas da minha família estão mortas.»


Passado nos anos 50, conta-nos a história de duas irmãs, Constance e Mary Catherine (Merricat), que vivem com o seu tio Julian - confinado a uma cadeira de rodas - numa enorme casa nos limites de uma pequena cidade.
Estas 3 pessoas são as  sobreviventes de uma abastada família, os Blackwood, tendo os restantes morrido envenenados após um jantar familiar, há 6 anos atrás. O velho Julian vive obcecado com o evento, e na sua senilidade, está sempre a referi-lo  e a compilar pormenores do mesmo em apontamentos que revê frequentemente. As irmãs, de 18 e 28 anos, vivem para a sua rotina, isoladas do resto do mundo. Constance, a mais velha, foi julgada e absolvida do homicídio dos restantes familiares, mas toda a cidade a julga culpada, aumentando a reclusão dos Blackwood.


É um livro muitíssimo envolvente, bem escrito e arrepiante. Merricat é uma narradora  desdenhosa, parcial e complexa, e passa metade do seu tempo a desejar a morte alheia e outras tantas horas a fazer feitiços e rituais para manter e assegurar o isolamento do núcleo
. A sua felicidade é poder seguir o seu calmo quotidiano junto da irmã mais velha, que adora. Há frases que nos levam a crer que Merricat tem um atraso mental, pois insiste em portar-se como uma criança e faz finca-pé quando contrariada. Porém, determinada e calculista, detentora de uma personalidade dominadora, leva sempre a sua avante.

Até que a chegada inesperada de um primo faz precipitar situações que vão mudar as vidas dos Blackwood. A tensão vai crescendo na 2.ª metade do livro, levando a algumas revelações surpreendentes, que deixam o leitor igualmente arrepiado e atordoado.

Gostava de o ter lido antes porque é um livro muito bom, mas nunca é tarde para o recomendar. Leiam assim que puderem, vale a pena.
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