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12 de dezembro de 2010

Jóia perdida

Autor: Anne Bishop
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 320
Preço: € 19,13
ISBN:  978-9-89-637058-9
Título original:
Tangled webs

Avaliação:  ** (fraco)

Anne Bishop proporcionou-me boas horas de entretenimento com a sua trilogia d'As Jóias Negras, onde se mostrou uma autora envolvente, capaz de criar um mundo credível e sedutor, onde os Sangue dominam através da magia.
 

Comprei este livro convencida de que seria uma boa leitura onde me reencontraria com personagens como Daemon, Saetan e Surreal, numa qualquer aventura onde o bem venceria o mal. Esta última parte efectivamente aconteceu, mas a aventura não foi divertida nem emocionante mas antes sem brilho, monótona.

Na Jóia Perdida, Jaenelle Angeline, rainha dos Sangue, decide criar uma casa assombrada para que as crianças humanas (e sem poderes mágicos) possam perceber como vivem os Sangue, desmistificando algumas ideias falsas de crueldade e promiscuidade.

Paralelamente, um escritor de sucesso que escreve sobre os Sangue descobre ser, ele próprio, meio-Sangue. Radiante com a descoberta, rapidamente se revolta quando não é aceite da melhor forma por alguns daqueles, que ridicularizam os seus livros e o consideram um transviado.


Furioso, arquitecta um plano: constrói uma casa assombrada, ludibria alguns Sangue a ajudá-lo na concepção de armadilhas letais e, fazendo-se passar por Jaenelle, convida alguns ilustres (Surreal, Daemon, Lucivar) para a inauguração.

 O que se passa a partir daqui e nas 200 e muitas páginas seguintes é agonizante. A história avança muito devagar, com muitas repetições e às personagens que aprendemos a gostar falta-lhes complexidade e credibilidade, não parecem as mesmas dos restantes livros. Ora, isto é o pior: com uma história fraquinha e lenta no desenrolar, a autora podia ter apoiado o livro nos carismáticos e familiares protagonistas habituais, mas ao reduzi-los a uma forma tão superficial arruina a experiência ao leitor.

Não posso aconselhar a leitura deste livro nem a sua compra; leiam a trilogia das Jóias Negras, essa sim uma leitura de qualidade superior que faz jus à imaginação desta escritora.

3 de novembro de 2010

Drácula, o regresso

Autor: Freda Warrington
Género: Fantástico, Terror
Idioma: Português
Editora: Edições Século XXI
Páginas: 243
Preço: € 14,37
ISBN: 978-97-2829319-2
Avaliação: ***** (muito bom) 

Drácula – O Regresso, no original Dracula the Undead, foi editado exactamente 100 anos após a publicação do clássico mundialmente conhecido de Bram Stoker; Drácula foi o livro que revolucionou a forma como vemos os vampiros e o pioneiro de um género que moveria milhões de autores e leitores a nível mundial.
É inegável e bastante óbvio o fascínio que estas criaturas da noite inspiram no homem médio; prova disso é a consagração de escritores como Anne Rice e actores como Bela Lugosi e Christopher Lee, que deram ao mundo personagens ricas e algo estereotipadas do vampiro, um ser sedutor, bem falante e imortal, que eterniza a beleza e o hedonismo.
«Nunca saberá o que é amar a vida como eu amo – amá-la tão apaixonadamente que estamos preparados até para ludibriar a morte. Amá-la é tão intenso, na verdade, que não podemos morrer – ou permanecermos mortos!» (Conde Drácula)
Depois da obra de Bram Stoker, muitos (milhares) foram os livros que exploram (e continuam a fazê-lo) o filão de ouro que é o vampirismo (ocorre-me o fenómeno mais recente, Crepúsculo). Li muitos deles e exceptuando um punhado de autores, o saldo não é nada bom. Tornou-se um lugar comum retratar os vampiros como criaturas sensuais e sequiosas, sem qualquer resquício de humanidade (passe a ilusória contradição) ou valores, movidos apenas pelo desejo de beber sangue.

E é exactamente nesse ponto que Freda Warrington, a autora de Drácula – O Regresso, evita cair – nem poderia, visto que escrever um livro e apelidá-lo da «sequela da obra de Bram Stoker» é uma responsabilidade titânica que só poderia redundar num sucesso absoluto ou num desolador e mencionadíssimo fiasco.

A própria escritora referiu que foi um desafio que aceitou com entusiasmo mas algum receio. No worries, pois Freda ganhou a batalha. Além de ter alcançado o objectivo (escreveu uma história fiel ao espírito da obra de Stoker), produziu um livro soberbo e ainda foi reconhecida: ganhou o prémio 'Children of the Night 1997' para melhor romance gótico, atribuído pela prestigiada Dracula Society. Mais, ganhou em mim uma fã fidelíssima (embora isso já não a deva entusiasmar tanto). Mas deixemo-nos de entretantos e passemos ao livro em si.

Passaram-se 7 anos desde que uma estaca perfurou o coração do infame e odiado Conde Drácula, 7 anos que não apagaram da memória dos sobreviventes a imagem do vampiro e a magnitude do seu terrífico poder.

Jonathan e Mina Harker têm agora uma criança, Quincey, e vivem em paz, tanto quanto possível. Como catarse, encetam, juntamente com os companheiros de luta (Van Helsing, entre outros), uma viagem à Transilvânia. Não encontram qualquer vestígio da presença de Drácula, embora o seu nome ainda resida no consciente colectivo e seja figura de proa no folclore da região, pelo que a jornada se revela um sucesso. Tudo parece bem. Porém, algures nos confins da terra, a força do espírito do Conde aguarda uma oportunidade de voltar a ser carne e sangue. E esse ensejo acaba por chegar pela delicada mão de um alguém insuspeito.

Drácula volta a erguer-se e a andar entre os incautos vivos. E a sua obsessão amorosa por Mina Harker prossegue como se nada tivesse mudado, assim como permanece intocável o seu ódio por aqueles que o destruíram e que tudo farão para o devolver ao Inferno. Drácula – O Regresso é uma obra extremamente bem escrita, que respeita escrupulosamente toda a atmosfera presente no livro de Stoker e que retoma as personagens sem lhes descurar a essência.

Os diálogos são ricos e todo o fio da acção é credível e inteligente. Há a introdução de novas personagens que surgem perfeitamente enquadradas e adequadas ao enredo. Continua a sentir-se a aura de sensualidade tão característica da literatura vampiresca e a carnalidade é sempre de bom gosto e nunca gratuita.

«Não posso iludir-me! Eu caí porque o horror docemente doloroso não era nada comparado com a suprema agonia do prazer.» (Mina Harker)

É um livro belíssimo que não posso deixar de recomendar. Claro que sou suspeita: um dos meus filmes favoritos é a adaptação do clássico por Francis Ford Coppola e o romance de Bram Stoker é uma obra-prima a que não sou indiferente, mas creio que mesmo para o leitor comum, este será um livro a registar e a ter em atenção. Pessoalmente, senti-me arrebatada. Quem nunca se questionou sobre a imortalidade, seja do amor, da alma ou da vida?

«Toda a minha vontade de viver estava contida em ti, no teu sangue, carne e alma. E tu rejeitaste-me. És uma amante mais cruel do que eu alguma vez fui! Dado que um de nós deve morrer, que a sobrevivente sejas tu. Por muito que eu tenha amado a minha existência, amo ainda mais a tua.» (Conde Drácula)

17 de setembro de 2010

Trilogia: Filha do sangue / Herdeira das sombras / Rainha das trevas

Autor: Anne Bishop
Género: Fantasia
Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 1276
Preço: € 44,42 (pack)
ISBN: 978-9-78-883977-2 / 978-9-72-883989-5 / 978-9-89637172-2

Avaliação: ***** (muito bom) 

As Jóias Negras é uma trilogia fantástica que tem como cenário um mundo governado por mulheres e pela magia, onde os homens têm um papel secundário e servem como súbditos, sendo criados, consortes, criados e até escravos sexuais.

Os detentores da magia - os Sangue - convivem com os plebeus - pessoas ditas normais, sem poderes mágicos - numa sociedade extremamente hierarquizada e de base matriarcal, assente no poder e no sistema de castas que rege os Sangue. É nestes que reside todo o enfoque da estória, e são os Sangue que, apesar de uma minoria em comparação com os plebeus, governam e protegem - na pessoa da Rainha - o território e seus habitantes. Cada Rainha tem uma corte para as auxiliar e sobre elas recai o dever de protecção, de administrar justiça e de governar o território. Esta divisão gera ódio, abuso de poder e tirania, com algumas Rainhas a exercerem as suas funções de modo menos próprio.

A acção começa com um prólogo, datado de 700 anos atrás no tempo, onde uma poderosa feiticeira prevê a vinda da rainha mais poderosa da história dos Sangue, «o sonho tornado realidade», capaz de unir todos os territórios e acabar com a a corrupção e decadência dos Sangue.

A estória prossegue então com a chegada de Jaenelle Angelline, profetizada como a Rainha prometida. Mas Jaenelle é uma criança, jovem e inocente, sem consciência do que a espera. Quem a controlar e obtiver o seu favor, controlará o mundo, por isso várias facções unem-se e defrontam-se para serem as favorecidas.

Porém, quando a educação de Jaenelle é entregue ao Senhor do Inferno, Saetan, é encetado um enorme jogo de diplomacia e esquemas atrozes para garantir o poder.   

Toda a trilogia é muito interessante e lê-se de uma assentada; há personagens que não mencionei e que são cruciais na acção, como o magnético Daemon Sadi (uma personagem que qualquer elemento do sexo feminino adorará, é mais que garantido), o impetuoso Lucivar Yaslana, a maquiavélica Dorothea ou a letal Surreal. Ao longo dos 3 livros, vamos assistindo ao crescimento e desenvolvimento de Jaenelle Angelline, à forma como é moldada e escapa às manietações dos seus adversários, sempre auxiliada pelos 3 pilares da sua vida: Saetan, Daemon e Lucivar.

Há outras estórias que são contadas e que permite ao leitor perceber todo o universo onde a acção se desenrola. Há vários pormenores deliciosos no que concerne a raças, características e modos de vida dos Sangue, com a magia sempre em destaque. As personagens estão muito bem delineadas e tornam-se familiares à medida que nos vamos embrenhando: fazem-nos vibrar, torcer por eles, preocuparmo-nos com o que virá.

Os livros são impossíveis de largar e é uma pena quando chegamos ao fim. Acho que essa é uma qualidade rara e é dos melhores elogios que um autor pode receber sobre a sua obra.

NOTA: Existe a edição de bolso desta trilogia, com capas idênticas à edição em formato normal, a um preço mais catita (cerca de 11€ cada).
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