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11 de outubro de 2011

Trevas satânicas

Autor: Marion Zimmer Bradley
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Difel
Páginas: 224
Preço: € 14
ISBN:  978-9-72-290632-6
Título original: Dark satanic

Avaliação:
** (fraco)


Trevas Satânicas foi uma das primeiras obras de Marion Zimmer Bradley, falecida em 1999. Esta autora editou livros de diversos géneros, mas as suas obras de referência encontram-se na fantasia (As Brumas de Avalon) e na ficção científica (a série Darkover).

Este título integra-se numa série de livros escritos pela autora com nuances góticas, abordando o tema das seitas secretas e do satanismo, sendo uma espécie de prequela para A Herdeira, já analisado aqui no blog.

Jamie Melford é editor-adjunto numa editora, a Blackock Books, e vive com a mãe e a mulher, Bárbara, em Nova Iorque, sem sobressaltos. Até ao dia em que um dos seus autores mais vendidos, Jock Cannon, lhe entra pelo gabinete adentro, seriamente perturbado.

Jock tem sido ameaçado para não publicar o seu mais recente livro, uma obra sobre bruxaria. Jamie desvaloriza a situação e leva avante a publicação. O autor aparece morto pouco tempo depois e o casal Melford começa a receber ameaças e a ver um quotidiano outrora pacato ser revirado.

Apesar de ter gostado minimamente do livro (a autora escreve bem), não posso negar que foi uma leitura decepcionante. A história é bastante previsível e tem um fim morno.
Além disso, as personagens são demasiado estereotipadas, o que surpreende, uma vez que Marion Zimmer Bradley foi uma defensora do feminismo e incluiu-o amiúde no seu trabalho.

Fraquinho.

NOTA: Como, infelizmente, a Difel fechou, poderão encontrar este livro em alfarrabistas ou para requisição nas bibliotecas municipais.

20 de março de 2011

A herdeira

Autor: Marion Zimmer Bradley
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Difel
Páginas: 388
Preço: € 16
ISBN:  978-9-72-290939-6 
Título original: The inheritor

Avaliação:
** (fraco)


É decepcionante quando lemos algo menos bom de um autor que admiramos. A Herdeira fica muito aquém do que estamos habituados de Marion Zimmer Bradley, que escreveu as fantásticas Brumas de Avalon.

Quem conhece algumas das suas obras nunca espera um livro menor, um trabalho abaixo de bom. Pelo menos para mim foi assim, até ter lido este livro. Claramente focado no oculto, assemelha-se bastante ao 1º volume d'O Poder Supremo, sendo notório algumas semelhanças em termos de personagens.

A protagonista é Leslie Barnes, uma psicoterapeuta que vive com a irmã adolescente, Emily. Leslie tem visões e, ao conhecer alguns estudiosos do oculto, descobre que se mudou para uma casa situada num poderoso vórtice parapsíquico, onde a reputada parapsicóloga Alison Musgrave morreu.

Esta é a base de um livro que
tem uma história interessante, chegando a cativar de início, mas que rapidamente se começa a arrastar. Quando acabei a última página, tive a sensação que o livro acabou repetinamente, ficando alguns fios de acção soltos. Talvez o facto de ter sido escrito originalmente em 1984 justifique de algum modo as partes menos conseguidas, mas desta autora a fasquia é demasiado elevada e espera-se sempre muito mais. 

3 de dezembro de 2010

A caixa em forma de coração

Autor: Joe Hill
Género:
Terror

Idioma: Português
Editora: Civilização
Páginas: 324
Preço: € 16,66
ISBN:  978-9-72-262555-5
Título original:
Heart-shaped box

Avaliação:  **** (bom)

A caixa em forma de coração é o primeiro livro que leio de Joe Hill.

Agradou-me a sinopse da história, que é interessante, e o facto do autor ser filho de Stephen King ajudou na decisão de compra. Criaram-se, assim, algumas expectativas.


Foi com satisfação que comecei a ler a história da ex-estrela de rock Judas "Jude" Coyne, um coleccionador do macabro, que compra num leilão da internet o fato assombrado de um homem morto.

Joe Hill não demora a entrar na acção e os primeiros capítulos do livro são muito bons, mas os dois terços que se lhes seguem têm muito menos fôlego e inspiração.

O livro tem um ponto forte inegável: o seu protagonista. Cinquentão e excêntrico, Jude vive isolado com os seus dois amados cães e uma namorada gótica 30 anos mais nova; a sua ligação com o mundo exterior é feita através do seu assistente pessoal, um aspecto que privilegia; Jude não faz grande fé na natureza humana. Pelas suas características, torna-se mais interessante assistir à sua mudança à medida que o fantasma que assombra o fato do homem morto começa a fazer as suas aparições e a manifestar as suas intenções.

Estas primeiras cenas são as melhor conseguidas do livro, verdadeiramente atmosféricas e assustadoras, e
A caixa em forma de coração vale muito por isso. Daí para a frente há uma quebra no ritmo e na atmosfera, sendo que o autor não consegue compensar-nos até ao final, que acaba por não exceder as expectativas nem primar pela originalidade, o que acaba por ser surpreendente, pois esperava um final tão bom como a introdução da narrativa, o que não aconteceu e influenciou a minha ideia global do livro.

Apesar disso, prefiro a forma com Joe Hill escreve em comparação com Stephen King; Hill cria uma dinâmica mais fluída e agradável de ler, mas em ideias e imaginação King ganha-lhe aos pontos.


Lê-se, mas está longe de ser extraordinário.

26 de novembro de 2010

Outros mundos

Autor:  Barbara Michaels
Género: Fantástico
Idioma: Português
Editora: Planeta Editora
Páginas: 270
Preço: € 12,60 (requisitado da biblioteca municipal)
ISBN:  978-9-73-11064

Avaliação: * (a evitar)

 
Numa escura, húmida, noite de nevoeiro, um pequeno grupo de intelectuais reúne-se num clube masculino exclusivo. Chegam envoltos nos seus abafos dispendiosos, com o pretensiosismo de quem sabe mais que a maioria.

Deste grupo,
que se junta periodicamente para discutir acontecimentos paranormais, fazem parte o famoso ilusionista Houdini e o afamado Sir Arthur Conan Doyle (criador do celebérrimo Sherlock Holmes). 

Outros Mundos relata uma dessas reuniões. Num serão frente à lareira, com uma bebida aconchegante no colo, os intelectuais analisam dois episódios distintos: ‘A Bruxa de Bell’ e ‘O Caso Phelps’. O primeiro é a história de um poltergeist que assombra uma família do sudeste americano; o segundo envolve uma família católica a braços com um espírito violento. Depois dos relatos, os membros do clube (todos eles interessados e/ou estudiosos do sobrenatural) discutem e determinam se as assombrações são verdadeiras ou falsas.

Quando li a sinopse, achei que o livro tinha os predicados ideais para uma leitura nocturna inquietante, mas cedo a prometida história de fantasmas se transformou num desencantado virar de páginas.

A forma como se desenrola a acção é extremamente desinspirada. Enquanto lia as análises dos fenómenos feitas pelos membros do "selecto" clube, mais anedótica a história se tornava. Sei que Conan Doyle foi adepto do espiritismo e frequentador assíduo de sessões espíritas - chegou a ser Presidente da Aliança Espírita de Londres -, por isso quando li as passagens em que intervém, espantou-me a falta de lógica. O livro é uma má piada do princípio ao fim, com diálogos secos, chatos, pouco credíveis. Admirou-me ainda que
Barbara Michaels escrevesse algo assim; é uma autora consagrada e muito experiente, que assina outro género de livros como Barbara Metz e Elizabeth Peters (não ficção e históricos, respectivamente), todos com imenso sucesso.

O saldo total é um enorme bocejo. Obriguei-me a ler o livro até ao final, talvez à espera de uma reviravolta que não chegou a acontecer. Este livro, bom? Talvez noutro mundo.
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