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10 de janeiro de 2015

A semente do diabo (Rosemary´s baby)


Autor: Ira Levin
Género:
Terror
Idioma: Inglês

Páginas: 256
Editora:
Pegasus Books

Ano:
2011
ISBN: 978-145-3217542
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A semente do diabo (Rosemary´s baby) é considerado um dos clássicos definidores do género de terror. Adaptado ao cinema, por Roman Polanski, um ano após a edição, foi um best seller que vendeu milhões de exemplares e se tornou o livro de terror mais vendido da década de 60.

Passada em Nova Iorque, a história segue Rosemary e Guy Woodhouse, um casal de recém casados à procura de uma casa maior para constituírem família. Ao visitarem o edifício Bramford, ficam interessados num dos apartamentos; apesar de um amigo os avisar do historial negro do prédio, o casalinho não se deixa dissuadir e aluga a casa.

Guy, um actor que aguarda pelo papel que o lançará na ribalta, passa o dia em castings e filmagens, deixando a Rosemary a função de transformar a nova casa num lar. Os seus vizinhos do lado são um excêntrico casal de velhotes que não perde uma oportunidade de socializar; Rosemary acha-os inconvenientes, mas Guy afeiçoa-se a eles e tenta inclui-los em tudo.

Quando um actor importante cega subitamente, Guy é chamado para o substituir, despertando a atenção da indústria. À medida que os papéis se sucedem (e Hollywood deixa de ser uma miragem), Guy começa a falar em ter filhos, deixando Rosemary nas nuvens. Quando a jovem engravida, tem dores constantes e sente-se isolada, convivendo apenas com Guy e os vizinhos séniores, enclausurando-se no Bramford e alienando família e amigos.

A semente do diabo é um livro interessantíssimo, bem escrito e que prende do início ao fim. Polanski adaptou-o soberbamente. O terror é gradual, as peças vão-se juntando com mestria e os personagens estão bem estruturadas e são memoráveis; o final é bom.

Já está na altura de uma reedição deste livro em Portugal, ainda mais com a adaptação televisiva de 2014, com Zoe Saldana - que já está na lista para ver em breve.

****
(bom)

16 de agosto de 2014

20th century ghosts


Autor: Joe Hill
Género:
Contos/Terror
Idioma: Inglês

Páginas: 383
Editora: Gollancz (Kindle edition)
Ano: 2008
ISBN:  978-0-575-08308-0
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Gosto de terror: de o ler e de ver séries e filmes. Apanho grandes "barretes" e muita coisa mázinha, mas quando acontece o contrário, é uma alegria! Apetece dizer a toda a gente!
 
Joe Hill é dos mais recentes autores premiados no género e com todo o mérito. Filho do horror icon Stephen King, provou que tem qualidade e valor por si só; o meu livro favorito dele é o fantástico Cornos (o filme estreia este ano). Quando gostamos de um autor, é uma delícia descobrir, e ler, as obras mais antigas e é isso que tenho feito.

20th century ghosts é um livro de contos, nem todos de terror; os meus favoritos nem são os mais sombrios. Há contos bons e outros menos assinaláveis; no meio de 16 histórias, há muita variedade. Ficam na memória os que realmente gostei:

- Best New Horror: Eddie Carroll é um editor desanimado. Quando lê Buttonboy, não descansa enquanto não arranja uma forma de conhecer o autor e propor-lhe a edição de uma história tão perturbadora que não pode ser verdade...

- 20th Century Ghost

- Pop Art: uma premissa inicialmente tão ridícula não deixa adivinhar a melhor história de todo o livro; dois rapazes outsiders tornam-se os melhores amigos, apesar de um deles ser insuflável... dos melhores contos que já li, com uma mensagem muito bonita. 

 
- You Will Hear the Locust Sing

- Abraham's Boys


- Better Than Home


- The Black Phone: um rapaz é raptado e trancado numa cave; numa parede está um telefone antigo que começa a tocar, apesar de estar desligado...


- In the Rundown


- The Cape: Eric é um miúdo de 7 anos que consegue voar graças a uma capa que a mãe lhe costurou; já adulto, tenta perceber porque tem uma vida tão miserável sendo tão especial.


- Last Breath
: o Dr. Allinger mantém há décadas o Museu do Silêncio, composto por dezenas de frascos que contêm o último fôlego dos moribundos, entre anónimos e famosos. O museu atrai cépticos e crentes, mas a todos o ex-médico recebe com simpatia e mostra orgulhosamente a engenhoca que lhe permite reunir a sua colecção peculiar.

- Dead-Wood


- The Widow's Breakfast


- Bobby Conroy Comes Back from the Dead


- My Father's Mask
: um adolescente é forçado a ir de fim-de-semana com os pais, que contam as histórias mais mirabolantes e inventam os jogos mais absurdos apesar do filho já ser crescido; desta vez, dizem que as "pessoas do baralho de cartas" vêm buscá-los e têm de fugir... uma história estranha e memorável.  

- Voluntary Committal
: Nolan é um rapaz normal com um irmão esquizofrénico, com quem não consegue comunicar. Morris passa os dias de volta dos seus fortes feitos de cartão, autênticos labirintos de que apenas ele consegue escapar.

- Scheherazade’s Typewriter 


Algumas histórias são bastante boas, imaginativas ao ponto de pensarmos «onde é que ele foi desencantar esta ideia?» e outras nem por isso, o habitual num livro de contos.

Joe Hill é (ainda e infelizmente) um autor algo desconhecido em Portugal. É pena. Fica a divulgação.

****
(bom)

5 de julho de 2014

A canção de Kali


Autor: Dan Simmons
Género:
Terror
Idioma: Português

Páginas: 296
Editora:
Clássica Editora

Ano:
1993
ISBN:  978-972-561215-6
Título original: Song of Kali
Tradução: João Barreiros
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Este livro foi o primeiro que li de Dan Simmons, na primeira vez que fui de férias com a minha cara-metade, na primeira (e única) vez que acampei. Ufa. Na altura, já lá vão uns anitos, gostei menos do livro; ao relê-lo recentemente, descobri outras cores e novos arrepios.
 
Robert Luczak, poeta, jornalista e editor, é enviado a Calcutá para recuperar um manuscrito inédito do poeta indiano M. Das, desaparecido há dez anos. Leva consigo a esposa indiana, Amrita, e Victoria, a filha bebé. Desde o início Calcutá revela-se hostil, ameaçadora e sombria. Amrita não reconhece ali a Índia onde nasceu e Luczak não compreende a falta de humanidade e a imundície que envolve tudo. As descrições que ele faz tornam Calcutá repugnante, como se fosse o último lugar onde se quer estar.

Este é o ponto forte do livro, com Calcutá a tornar-se uma personagem central, uma antagonista implacável para aqueles que a habitam e visitam, nomeadamente para Luczak, que percebe rapidamente a dificuldade da tarefa que lhe coube, navegando numa cidade deprimente e escura.

Um dos pontos menos conseguidos é a tradução e algumas gralhas, quiçá devido ao ano da edição. A história não sofre com isso, mas distrai-nos da leitura momentaneamente. A capa é folclórica na sua recriação da figura de Kali. Perdeu-se uma boa oportunidade de inspirar no leitor o temor que o narrador menciona quando na presença da deusa. Para compensar isso, utilizei as várias memórias que tenho do filme Indiana Jones e o Templo Perdido, um dos meus filmes favoritos de miúda. É apenas um extra, uma vez que Simmons é um mestre a descrever vividamente tudo o que o protagonista vê e percepciona. A acção é uma espiral descendente, com algumas surpresas e algum mistério, presidida pela deusa hindu da morte e da destruição.

A canção de Kali é uma leitura atmosférica e envolvente, com um desfecho que pedia mais impacto; gostei de algumas partes terem ficado em aberto.

Sigo para outros autores, mas em breve voltarei a Dan Simmons.

****
(bom)

17 de maio de 2013

The Academy




Autor: Bentley Little
Género:
Terror
Idioma: Inglês
Editora: Signet
Páginas: 391
ISBN:  978-0-45-1224675
9789896372361
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Este é o terceiro título que leio de Bentley Little, depois de The Ignored e The Store.

O autor caracteriza-se pelo uso de temas mundanos com reviravoltas fantásticas, onde o horror acontece nos locais mais inesperados.

The Academy segue a transição de uma escola secundária de pública para privada, no meio de promessas de melhoria nas notas, da qualidade de ensino e dos programas a leccionar. A maioria dos encarregados de educação e professores estão entusiasmados ao início, mas à medida que mais e mais regulamentos e regras peculiares vão sendo implementados, e a directora se torna cada vez mais déspota, torna-se claro que o caminho escolhido foi o errado.

«The only question is, is this a charter school because it's evil, or is it evil because it's a charter school?»

O mesmo dilema experienciam os alunos, que vivem aterrorizados com as situações surreais que começam a acontecer nas salas de aula e no recinto escolar. Estranhamente, apenas algumas pessoas não parecem afectadas pelo estranho ambiente que se vive na John Tyler High School, mas com o liceu a tornar-se cada vez mais sombrio e assustador, é tudo menos conveniente dar voz a essas dúvidas, sob pena de se desaparecer de um dia para o outro ou de surgir no dia seguinte como que lobotomizado.
  
The Academy tem várias personagens e diversas situações, o que é bom. Porém, as personagens estão longe de serem complexas e as situações credíveis, porque há alguns fios soltos no enredo e muitas ideias ao molho, entre crítica social e ocultismo (uma combinação especialmente infeliz aqui). O final não ajuda, porque parece demasiado repentino depois de um investimento de mais de 350 páginas.

Bentley Little escolheu enveredar por uma narrativa mais explícita desta vez e a qualidade global ressentiu-se, apesar de se ler com expectativa e ter algumas boas ideias que apenas foram mal exploradas. Não é o melhor que já li dele mas sei que melhores livros virão.

avaliação: *** (mediano)

20 de janeiro de 2013

Apartment 16


Autor:
 Adam Nevill
Género:
 Terror/Sobrenatural
Editora: Pan Publishing
ISBN:  978-0-33-051496-5
Páginas: 449
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Adam Nevill é uma das novas promessas do terror britânico. Dele já li The Ritual, que também recomendo. Em Nevill, aprecio sobretudo a capacidade em envolver o leitor recorrendo a cenários vívidos e uma prosa lírica e moderna.

Em Apartment 16, somos transportados até à Londres contemporânea, onde a americana Apryl chega para reclamar a sua herança: um apartamento na elegante mas baça Barrington House, em Knighstbridge. O andar foi-lhe deixado pela tia-avó, Lily, que morreu em circuntâncias peculiares.


Lily tinha fama de excêntrica e amalucada, e ao ler os seus diários, Apryl descobre que a tia-avó vivia aterrorizada, convencida de que não conseguia deslocar-se a mais uma milha de Barrington House devido ao estranho poder do apartamento 16, cujo ocupante era um pintor cujos quadros evocavam os cenários mais dantescos.


Seth é um artista sem inspiração nem dinheiro, que sobrevive trabalhando como porteiro nocturno na Barrington House. Nas suas rondas, sobressalta-se com os estalidos e murmúrios que vêm do apartamento 16 e que simultaneamente o assustam e seduzem.


Seth e Apryl são atraídos para o apartamento de formas diferentes: Seth sente a necessidade de investigar o espaço e espreitar as divisões ao passo que Apryl está mais interessada em perceber quem viveu ali e a forma como afectou a existência da sua tia-avó e restantes inquilinos.


A história avança lenta mas eficientemente, bastante atmosférica e sem acelerar. Há bastantes referências ao ocultismo e ao movimento do Vorticismo, que tornam a acção mais interessante mas mesmo tempo que a abrandam. O livro é bom mas tem uma dúzia de parágrafos que estão claramente a mais, o que me parece desnecessário num livro de 400 e muitas páginas.


O final não é aquele que o livro merece, esperava mais. Porém, a caminhada até lá é feita através de uma narrativa bem estruturada, nitidamente pesquisada e com personagens carismáticas. Apesar de ainda não ter sido avassalada por nenhum título de Adam Nevill, vou continuar a lê-lo, pois apesar dos desfechos não serem os meus favoritos, as suas histórias são interessantíssimas e muito bem (d)escritas.


Um autor a descobrir para quem gosta da literatura de terror e com elementos fantásticos.


avaliação: **** bom

17 de novembro de 2012

The Ritual

Autor: Adam Nevill
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: Pan Books
Páginas: 418
ISBN:  978-0330514972

Avaliação: **** (bom)

The Ritual é o primeiro livro que leio de Adam Nevill, um dos novos autores europeus de terror sobrenatural. Natural de Birmingham, Nevill estreou-se em 2008 com Banquet for the Damned e, 4 livros depois, conta com duas nomeações ao British Fantasy Society Award.

Sinceramente, não ligo a prémios nem a nomeações, mas perante um livro de mais de 400 páginas de um autor que nunca tinha ouvido falar, a nomeação ao prémio (que já distinguiu autores que gosto) foi o critério decisivo para trazer este livro.

The Ritual segue a história de quatro amigos que, sendo inseparáveis na universidade, decidem juntar-se após vários anos sem se verem. O destino é a Suécia e o plano é acamparem, percorrerem os trilhos locais e usufruírem da natureza e da companhia uns dos outros, redescobrindo os laços que os uniram antes.

Sem perder tempo, o livro começa com os amigos perdidos na floresta ao segundo dia de caminhada. A tensão começa a fazer-se sentir e os capítulos seguintes fazem uma retrospectiva do que os levou àquela situação. O leitor começa a perceber a ingenuidade e ambição do combinado; o nosso narrador, Luke, não se coíbe de partilhar o que lhe vai na alma.

Segundo ele, o problema começou com a escolha do programa. Dos quatro, apenas ele e Hutch (o mentor da viagem e o mais atlético dos quatro) estão minimamente preparados para a demanda física. Os outros dois amigos são trintões sedentários com peso a mais que se arrastam desde o primeiro dia. Apesar do reencontro ter sido preparado com meses de avanço e todos terem feito o compromisso de se prepararem fisicamente, apenas dois deles conseguem aguentar a estafa ao ar livre. Quando se perdem, as discussões passam a acusações e quando se deparam com um animal de grande porte pendurado numa árvore com as tripas de fora, começam a sentir-se ameaçados num sítio cada vez mais hostil (o frio, a chuva, o racionamento de água e comida).

A racionalidade e a calma dão lugar ao pânico e à medida que a acção avança, são revelados outros pormenores inquietantes. O livro é atmosférico, assustador em algumas partes, o que é bom. É interessante assistir como os quatro amigos se redescobrem como estranhos mas têm de se unir para sobreviver. Mas esta não é uma história onde os personagens se viram uns contra os outros. Aqui há uma mistura de Blair Witch e mitologia nórdica, onde não faltam florestas escuras, igrejas e cabanas abandonadas e muitas ossadas e runas; diversidade não falta e perigo também não, por isso a união é a chave, o que não se revelará nada fácil.

The Ritual é uma leitura viciante mas muito cansativa. Nevill arrasta demasiado a primeira parte da história e há muita repetição; revisitamos vezes sem conta noites chuvosas e privação de mantimentos, discussões e recriminações, choro e pânico. A tensão, apesar de bem explorada, é esticada até ao enjoo. 

A segunda parte do livro, com uma reviravolta interessante, é mais dinâmica mas não menos desgastante. São páginas e páginas de cenários carregados de descrições atmosféricas que pedem intervalo para descansar de tanta informação. Nevill criou um terror adulto e bem elaborado, algo raro nos livros de hoje, mas o livro peca por ser demasiado longo e chegamos a um ponto onde só queremos chegar ao fim porque simplesmente precisamos de um desfecho.

Certamente que lerei mais livros deste autor, que ainda não se encontra editado em Portugal. Porém, sei que não relerei The Ritual, a bem da minha sanidade.

8 de novembro de 2012

Cycle of the Werewolf

Autor: Stephen King
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: New English Library
Páginas: 128
ISBN: 978-04500058783



Avaliação:
*** (mediano)

Cycle of the Werewolf foi editado nos anos 80, em pleno boom do cinema temático sobre lobisomens (The Company of Wolves, The Howling, An American werewolf in London). O mestre da literatura de terror não ficou indiferente e lançou este livro, uma colaboração com o ilustrador Berni Wrightson.

O livro tem cento e poucas páginas e devora-se numa jornada diária nos transportes para o trabalho (em menos de 2 horas). Tem 12 capítulos, um por cada mês do ano. Li no site do autor que o projecto inicial era para ser um calendário, mas cresceu, manteve as ilustrações e converteu-se num mistério: quem será o habitante de Tarker's Mill que se transforma num lobisomem nas noites de lua cheia e devora os seus habitantes?

O que podemos contar num livro escrito por King? A habitual caracterização cuidada das personagens e uma reviravolta que pretende ser surpreendente... não o sendo; na realidade, a identidade da besta é algo previsível. Porém, a história lê-se com interesse e gostei das ilustrações, que retratam os ataques mensais do lobisomem; requisitei o livro da biblioteca municipal,
por isso o saldo é positivo.

Cycle of the Werewolf foi adaptado ao cinema pouco tempo depois da sua edição; em Portugal, o livro tem o título d'O segredo da bala de prata
.

29 de setembro de 2012

Friday night in Beast House

Autor: Richard Laymon
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: Headline
Páginas: 154
Preço: 10€ / £7
ISBN:  978-0755337651



Avaliação:
* (a evitar)

Friday night in Beast House é o primeiro livro que leio de Richard Laymon, um dos expoentes do terror splatterpunk, caracterizado pelas descrições gráficas de violência e gore, em oposição ao terror psicológico.

Este título é o quarto (e último) da colecção Beast House, em que cada livro se lê autonomamente. Trouxe-o porque era o menos volumoso dos 4, o que numa introdução a um autor novo creio ser o mais sensato.

Assim, nem sequer prestei especial atenção ao resumo: Mark está obcecado pela colega Alison e sonha acordado com ideias de romance entre os dois. Quando arranja coragem para a convidar a sair, a jovem tem uma condição: tem de ser na mítica Beast House, uma casa-museu onde aconteceram crimes macabros e se faz a reconstituição dos mesmos. A ideia é o encontro ser depois da casa fechar... com eles lá dentro.

Eu devia ter desconfiado dum argumento tão juvenil, mas um autor elogiado por Stephen King e 154 páginas não representava um grande esforço e quiçá que reviravoltas teria a história. Não teve muitas.

Assim que comecei a ler as primeiras páginas, tive de voltar atrás para me certificar o ano do livro: 2001. Como é possível que um livro de terror de 2001 pareça tão datado e superficial nas descrições? Os livros juvenis têm maior profundidade, apesar de ser claro que Laymon, com este livro, está a fazer pontaria a rapazes ou jovens adultos.

O nosso narrador, Mark, afinal tem 16 anos e as hormonas aos saltos. Parte do livro é passado a descrever as sensações que cada mulher atraente que se cruza com ele lhe provoca e a queixar-se disto ou daquilo (típico adolescente). A acção é pouco desenvolvida e o final é... mau.


A
minha idade de ler estes livros já passou há mais de uma década mas como adepta da literatura de terror e fantástico, quis experimentar um autor tão famoso dentro do género. Não fiquei impressionada, pelo contrário, apesar de não esperar grande coisa à partida. A voltar a ler algo de Laymon, terá de ser uma história mais elaborada, pois esta não encheu qualquer medida (salva-se o facto de ter lido o livro em poucos dias, não se perdeu grande coisa).

Um autor a evitar para quem prefere um terror mais adulto e elaborado, com temáticas mais complexas (leia-se Stephen King, TED Klein, Peter Straub).

29 de junho de 2012

The Diaries of the family Dracul

Autor: Jeanne Kalogridis
Género: Terror
Idioma: Inglês
Editora: Dell
Páginas: 1136
Preço: € 30 (trilogia)
ISBN:  978-0440215431 / 978-0440222699 / 978-0440224426


Avaliação:
***** (muito bom)



Sempre gostei da temática vampírica: adorei o Drácula de Bram Stoker tanto em livro como no cinema. Há muitos clones e derivados, uns muito bons como o livro de Freda Warrington e outros menos conseguidos.

Esta é uma trilogia composta por 3 livros que se conta entre os casos de sucesso:


1 - Covenant with the Vampire
2 - Children of the Vampire
3 - Lord of the Vampires

A história começa com Covenant with the Vampire, e o regresso de Arkady Tsepesh à terra natal, na Transilvânia. Arkady vai assumir as funções do pai como assistente do tio, Vlad, um excêntrico que evita a luz do dia e o convívio com terceiros. À medida que sobrinho e tio vão interagindo, Arkady habitua-se às mudanças de humor do familiar, sem no entanto perceber porque razão Vlad vai parecendo mais jovem a cada dia que passa, à medida que a irmã, Zsuzsanna, vai definhando. A descoberta da verdade vai abalá-lo profundamente. A acção é frenética e é o melhor livro dos três.

No segundo livro, Children of the Vampire, conhecemos Van Helsing, que se alia a Arkady na perseguição de Vlad, que se revelou um homem cruel e cheio de artifícios. Este segundo volume é o mais fraco da colecção mas é essencial para estabelecer a relação entre os livros 1 e 3, superiores em qualidade e interesse.

O desfecho da trilogia, com
Lord of the Vampires, fecha a saga em beleza, onde nem falta Elizabeth Bathory (uma adição vampírica excelente), com Van Helsing a chegar à Inglaterra, determinado a exterminar Vlad. A autora consegue fazer habilmente a ponte com vários acontecimentos do clássico Drácula, com personagens familiares com o Dr. Seward, Quincey Morris e Lucy.

A trilogia é uma mistura emocionante de terror, suspense e temas góticos, muito bem imaginado e aliciante. As origens de Vlad e a existência dos vampiros, com as suas forças e pontos fracos, estão bem pensados e credíveis. A história é contada sob a forma de diário das personagens principais, limitada ao ponto de vista de quem conta mas interessante pela diferença de personalidades e ideias.

The Diaries of the family Dracul entretém bastante e como dark fantasy é muito bom. A autora não se limitou e há sangue, sexo e traição a potes, ou não houvessem vampiros ao barulho, vampiros sanguinários, sedentos de "viver" e experimentar, não betinhos.

Para quem gosta do tema, é uma trilogia obrigatória, uma jóiazinha por editar em Portugal, porém só acessível a quem saiba inglês acima do mediano.

26 de março de 2012

The Ignored

Autor: Bentley Little
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: Signet
Páginas: 429
Preço: € 7
ISBN:  978-0451192585

Avaliação:
***** (bom)

The Ignored foi o romance de estreia de Bentley Little; recebeu inúmeros elogios dos seus pares, nomeadamente Stephen King e Ramsey  Campbell, dois dos mestres da literatura fantástica.

Este é o segundo livro que leio deste autor, depois de The Store. Não gostei tanto deste mas Little é um escritor que tenciono continuar a ler porque gosto dos temas abordados (com enfoque principal na desumanização do indíviduo e na perda de identidade individual).

Neste livro, o nosso narrador é Bob Jones, um tipo mediano em tudo, desde o trabalho às relações humanas. Bob gosta da música do momento, dos filmes mais comerciais, veste-se normalmente e tem uma vida afectiva sem sobressaltos. Bob não se destaca em nada, é tão mediano e comum que ninguém repara nele
, ao ponto de começar a faltar ao trabalho e ninguém dar pela sua falta.

Apercebendo-se disso, Bob começa a retrair-se e a fechar-se, ao ponto de ficar sozinho e isolado do resto do mundo; apercebe-se então que é um "ignorado", alguém que passa completamente despercebido de tão mediano que é.
Mas há outros como ele e, ao juntarem-se, tomam como missão mostrar aos que não são "ignorados" que a sua condição os torna especiais e os liberta das normas sociais e do cumprimento da lei.

O primeiro terço do livro é o mais perturbante, na minha opinião. Acompanhar o processo de desumanização de Bob é assustador e triste e sente-se o desespero da sua situação; é complicado passar desta parte depressiva. A segunda parte compensa, é mais animada e tem situações mais empolgantes; a última parte foi a que gostei menos, não apreciei o rumo que a história tomou.

A narrativa desenrola-se a bom ritmo e gostei da ideia geral e da mensagem latente. a finalização ficou aquém das expectativas, mas em geral é um bom livro.

Um autor a seguir, definitivamente.
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