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8 de novembro de 2012

Cycle of the Werewolf

Autor: Stephen King
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: New English Library
Páginas: 128
ISBN: 978-04500058783



Avaliação:
*** (mediano)

Cycle of the Werewolf foi editado nos anos 80, em pleno boom do cinema temático sobre lobisomens (The Company of Wolves, The Howling, An American werewolf in London). O mestre da literatura de terror não ficou indiferente e lançou este livro, uma colaboração com o ilustrador Berni Wrightson.

O livro tem cento e poucas páginas e devora-se numa jornada diária nos transportes para o trabalho (em menos de 2 horas). Tem 12 capítulos, um por cada mês do ano. Li no site do autor que o projecto inicial era para ser um calendário, mas cresceu, manteve as ilustrações e converteu-se num mistério: quem será o habitante de Tarker's Mill que se transforma num lobisomem nas noites de lua cheia e devora os seus habitantes?

O que podemos contar num livro escrito por King? A habitual caracterização cuidada das personagens e uma reviravolta que pretende ser surpreendente... não o sendo; na realidade, a identidade da besta é algo previsível. Porém, a história lê-se com interesse e gostei das ilustrações, que retratam os ataques mensais do lobisomem; requisitei o livro da biblioteca municipal,
por isso o saldo é positivo.

Cycle of the Werewolf foi adaptado ao cinema pouco tempo depois da sua edição; em Portugal, o livro tem o título d'O segredo da bala de prata
.

29 de setembro de 2012

Friday night in Beast House

Autor: Richard Laymon
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: Headline
Páginas: 154
Preço: 10€ / £7
ISBN:  978-0755337651



Avaliação:
* (a evitar)

Friday night in Beast House é o primeiro livro que leio de Richard Laymon, um dos expoentes do terror splatterpunk, caracterizado pelas descrições gráficas de violência e gore, em oposição ao terror psicológico.

Este título é o quarto (e último) da colecção Beast House, em que cada livro se lê autonomamente. Trouxe-o porque era o menos volumoso dos 4, o que numa introdução a um autor novo creio ser o mais sensato.

Assim, nem sequer prestei especial atenção ao resumo: Mark está obcecado pela colega Alison e sonha acordado com ideias de romance entre os dois. Quando arranja coragem para a convidar a sair, a jovem tem uma condição: tem de ser na mítica Beast House, uma casa-museu onde aconteceram crimes macabros e se faz a reconstituição dos mesmos. A ideia é o encontro ser depois da casa fechar... com eles lá dentro.

Eu devia ter desconfiado dum argumento tão juvenil, mas um autor elogiado por Stephen King e 154 páginas não representava um grande esforço e quiçá que reviravoltas teria a história. Não teve muitas.

Assim que comecei a ler as primeiras páginas, tive de voltar atrás para me certificar o ano do livro: 2001. Como é possível que um livro de terror de 2001 pareça tão datado e superficial nas descrições? Os livros juvenis têm maior profundidade, apesar de ser claro que Laymon, com este livro, está a fazer pontaria a rapazes ou jovens adultos.

O nosso narrador, Mark, afinal tem 16 anos e as hormonas aos saltos. Parte do livro é passado a descrever as sensações que cada mulher atraente que se cruza com ele lhe provoca e a queixar-se disto ou daquilo (típico adolescente). A acção é pouco desenvolvida e o final é... mau.


A
minha idade de ler estes livros já passou há mais de uma década mas como adepta da literatura de terror e fantástico, quis experimentar um autor tão famoso dentro do género. Não fiquei impressionada, pelo contrário, apesar de não esperar grande coisa à partida. A voltar a ler algo de Laymon, terá de ser uma história mais elaborada, pois esta não encheu qualquer medida (salva-se o facto de ter lido o livro em poucos dias, não se perdeu grande coisa).

Um autor a evitar para quem prefere um terror mais adulto e elaborado, com temáticas mais complexas (leia-se Stephen King, TED Klein, Peter Straub).

29 de junho de 2012

The Diaries of the family Dracul

Autor: Jeanne Kalogridis
Género: Terror
Idioma: Inglês
Editora: Dell
Páginas: 1136
Preço: € 30 (trilogia)
ISBN:  978-0440215431 / 978-0440222699 / 978-0440224426


Avaliação:
***** (muito bom)



Sempre gostei da temática vampírica: adorei o Drácula de Bram Stoker tanto em livro como no cinema. Há muitos clones e derivados, uns muito bons como o livro de Freda Warrington e outros menos conseguidos.

Esta é uma trilogia composta por 3 livros que se conta entre os casos de sucesso:


1 - Covenant with the Vampire
2 - Children of the Vampire
3 - Lord of the Vampires

A história começa com Covenant with the Vampire, e o regresso de Arkady Tsepesh à terra natal, na Transilvânia. Arkady vai assumir as funções do pai como assistente do tio, Vlad, um excêntrico que evita a luz do dia e o convívio com terceiros. À medida que sobrinho e tio vão interagindo, Arkady habitua-se às mudanças de humor do familiar, sem no entanto perceber porque razão Vlad vai parecendo mais jovem a cada dia que passa, à medida que a irmã, Zsuzsanna, vai definhando. A descoberta da verdade vai abalá-lo profundamente. A acção é frenética e é o melhor livro dos três.

No segundo livro, Children of the Vampire, conhecemos Van Helsing, que se alia a Arkady na perseguição de Vlad, que se revelou um homem cruel e cheio de artifícios. Este segundo volume é o mais fraco da colecção mas é essencial para estabelecer a relação entre os livros 1 e 3, superiores em qualidade e interesse.

O desfecho da trilogia, com
Lord of the Vampires, fecha a saga em beleza, onde nem falta Elizabeth Bathory (uma adição vampírica excelente), com Van Helsing a chegar à Inglaterra, determinado a exterminar Vlad. A autora consegue fazer habilmente a ponte com vários acontecimentos do clássico Drácula, com personagens familiares com o Dr. Seward, Quincey Morris e Lucy.

A trilogia é uma mistura emocionante de terror, suspense e temas góticos, muito bem imaginado e aliciante. As origens de Vlad e a existência dos vampiros, com as suas forças e pontos fracos, estão bem pensados e credíveis. A história é contada sob a forma de diário das personagens principais, limitada ao ponto de vista de quem conta mas interessante pela diferença de personalidades e ideias.

The Diaries of the family Dracul entretém bastante e como dark fantasy é muito bom. A autora não se limitou e há sangue, sexo e traição a potes, ou não houvessem vampiros ao barulho, vampiros sanguinários, sedentos de "viver" e experimentar, não betinhos.

Para quem gosta do tema, é uma trilogia obrigatória, uma jóiazinha por editar em Portugal, porém só acessível a quem saiba inglês acima do mediano.

26 de março de 2012

The Ignored

Autor: Bentley Little
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: Signet
Páginas: 429
Preço: € 7
ISBN:  978-0451192585

Avaliação:
***** (bom)

The Ignored foi o romance de estreia de Bentley Little; recebeu inúmeros elogios dos seus pares, nomeadamente Stephen King e Ramsey  Campbell, dois dos mestres da literatura fantástica.

Este é o segundo livro que leio deste autor, depois de The Store. Não gostei tanto deste mas Little é um escritor que tenciono continuar a ler porque gosto dos temas abordados (com enfoque principal na desumanização do indíviduo e na perda de identidade individual).

Neste livro, o nosso narrador é Bob Jones, um tipo mediano em tudo, desde o trabalho às relações humanas. Bob gosta da música do momento, dos filmes mais comerciais, veste-se normalmente e tem uma vida afectiva sem sobressaltos. Bob não se destaca em nada, é tão mediano e comum que ninguém repara nele
, ao ponto de começar a faltar ao trabalho e ninguém dar pela sua falta.

Apercebendo-se disso, Bob começa a retrair-se e a fechar-se, ao ponto de ficar sozinho e isolado do resto do mundo; apercebe-se então que é um "ignorado", alguém que passa completamente despercebido de tão mediano que é.
Mas há outros como ele e, ao juntarem-se, tomam como missão mostrar aos que não são "ignorados" que a sua condição os torna especiais e os liberta das normas sociais e do cumprimento da lei.

O primeiro terço do livro é o mais perturbante, na minha opinião. Acompanhar o processo de desumanização de Bob é assustador e triste e sente-se o desespero da sua situação; é complicado passar desta parte depressiva. A segunda parte compensa, é mais animada e tem situações mais empolgantes; a última parte foi a que gostei menos, não apreciei o rumo que a história tomou.

A narrativa desenrola-se a bom ritmo e gostei da ideia geral e da mensagem latente. a finalização ficou aquém das expectativas, mas em geral é um bom livro.

Um autor a seguir, definitivamente.

16 de outubro de 2011

The Store

Autor: Bentley Little
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: Signet
Páginas: 432
Preço: € 8
ISBN:  978-0451192196

Avaliação:
***** (muito bom)

The Store é o primeiro livro que leio de Bentley Little e fiquei com duas certezas: vou ler os restantes dele e é um autor a recomendar. Vencedor do Bram Stoker Award, Bentley Little tem um ritmo narrativo hipnótico.

A história é sobre uma cadeia de lojas, intitulada The Store, que vai abrir um dos seus estabelecimentos em Juniper, uma pequena cidade no Arizona. Esta loja é gigantesca e vende tudo, desde electrodomésticos a mercearias, objectos de lazer, artigos de jardinagem, tudo o que se lembrem. Tudo o que as pessoas precisam ou querem está disponível n'A Loja.

Bill Davis vive em Juniper e trabalha em casa; desde o início que acompanha a chegada da mega-empresa, a construção da loja, a forma como vai esmagando o comércio tradicional e violando as leis de concorrência.
O poder autárquico é facilmente corrompido e comprado, rendendo-se ao poderio económico
da companhia. A partir daí vamos conhecendo as verdadeiras intenções da abertura da loja em Juniper, as estranhas condições de trabalho a que os trabalhadores d'A Loja estão sujeitos e o clima de medo e repressão que se vai apoderando da cidade.

Há resistentes à forma como as coisas de desenrolam, mas uma a uma, as vozes contra A Loja vão sendo silenciadas, instalando-se um cenário demoníaco (com várias pitadas de terror), onde o capitalismo e o totalitarismo dominam a comunidade e ninguém confia em ninguém.

As personagens de The Store são bastante reais e têm uma voz própria. A narrativa tem um bom ritmo e a história é inteligente com várias surpresas, fazendo a leitura das mais de 400 páginas viciante.

Recomendadíssimo.

21 de setembro de 2011

Writers workshop of horror



Autor: Vários
Género:
Escrita criativa

Idioma: Inglês
Editora: Woodland Press
Páginas: 262
Preço: € 14
ISBN:  978-0982493915

Avaliação:
***** (muito bom)

Writers workshop of horror é uma compilação de textos dos melhores (e mais premiados) autores do terror e do fantástico, direccionado a quem quer começar a escrever dentro do género ou para quem já escreve e procura dicas extra.

Dividido por temas (personagens, diálogos, ritmo, erros a evitar, experiências pessoais), inclui textos de Clive Barker, Ramsey Campbell, Tom Piccirilli, Jeff Strand, Mort Castle, entre muitos outros, com inúmeras referências a H.P. Lovecraft, Stephen King e outros autores basilares da dark fiction.


Os textos alternam entre o tom humorístico e bem disposto (a maioria) e o professoral aprendam-com-os-meus-erros (a minoria), o que torna a leitura extremamente agradável e não descura nada a utilidade das dicas fornecidas.


Para quem não tem tempo, paciência, perfil ou euros para investir num curso de escrita criativa, mas tem o bichinho da escrita, é um excelente livro da especialidade, ideal como motivação. Quando acabamos, sentimos a ânsia de escrever e dar voz ao que nos passa pela mentezinha perturbada.


Seguem títulos de alguns capítulos e respectivos autores, para despertar a gula:

Tom Piccirilli - Exploring personal themes
Ramsey Campbell - The height of fear
Brian Yount - 10 submission flaws that drive editors nuts
Michael A. Arnzen - Scene and structure in horror


Boas leituras (e boa escrita).

2 de agosto de 2011

Carrie



Autor: Stephen King
Género:
Terror

Idioma: Português
Editora: Bertrand Editora
Preço: € 15
ISBN:  978-9-72-251763-8
Tradução: Maria Filomena Duarte
Título original: Carrie

Avaliação:
****
(bom)


Carrie foi, em 1974, o romance de estreia de Stephen King, o mestre da literatura de terror.

O seu trabalho mais cru (parafraseando o autor) e considerado um clássico do terror, é alvo de constantes reedições.

A história centra-se em Carrie White, uma adolescente de 16 anos cuja
existência é atormentada pelo fanatismo religioso da mãe, uma mulher instável que transformou uma rapariga com tudo para ser normal numa jovem mulher medrosa e acanhada, sem um pingo de auto-estima. Na escola, Carrie é o bombo da festa e a sua timidez está no centro de todas as partidas.

«Eles irão sempre rir-se de ti!»

Mas Carie tem um dom... o seu poder telecinético. Tem o poder de interagir com o mundo material com a mera força do pensamento, um poder manisfestado esporadicamente em episódios de infância mas que cresce na proporção em que Carrie passa do estádio infantil para o pré-adulto.

E é esta capacidade extraordinária vai permitir à protagonista vingar-se de todas as vezes em que foi enxovalhada, num acumular de situações que a transformam numa bomba prestes a explodir. E a cidade de Chamberlain não mais voltará a ser a mesma...


O livro tem uma forte temática de sangue: sangue como pecado, sangue como sexo, sangue como purificante. É um elemento presente em todas as cenas, que dá ao livro um ambiente peculiar. Há uma aura subtil de terror subjacente a todo o livro, numa previsão da qualidade literária de King.

Como vi o filme (leiam a minha apreciação aqui) antes de ler o livro, não pude deixar de evocar algumas cenas em que Carrie (interpretada por Sissy Spacek) aparecia coberta de sangue e olhar alucinado, qual anjo vingador.

Tanto o livro como o filme são boas experiências, abordando as relações humanas, a adolescência e o bullying de uma forma assombrosa.


Este livro não teria sido publicado se a esposa de King não o tivesse ido buscar ao caixote de lixo, onde o autor o meteu, por achar que não tinha qualidade suficiente. Ela adorou Carrie e convenceu-o a enviar o manuscrito às editoras; o resto é história.

6 de maio de 2011

Escrever - memórias de um ofício

Autor: Stephen King
Género: Autobiografia / Escrita criativa
Idioma: Português
Editora: Temas e Debates
Páginas: 256
Preço: € 18
ISBN:  978-9-72-759459-7
Título original: On writing: a memoir of the craft


Avaliação: ***** (muito bom)

«Se não tem tempo para ler, não tem tempo nem ferramentas para escrever.»

Neste livro, dividido em duas partes, King desvenda-nos os segredos e ferramentas da sua arte. A primeira parte é uma autobiografia, com enfoque no seu percurso literário, a segunda parte um guia do escritor.

Começamos com um passeio pelas memórias do mestre do terror: infância, adolescência, primeiros passos no mundo editorial, sucesso mundial, experiência de vida. Longe de ser uma leitura monótona, ajuda-nos a perceber como as situações passadas ajudaram o fazer de King o escritor que ele é, não sendo necessário ter uma vida fora do comum para escrever sobre o sobrenatural e o bizarro.

A segunda metade é um guia para o aspirante a escritor. Stephen King começa por dizer, sem peias, que não vê com bons olhos os workshops de escrita criativa e cursos derivados.

Para ele, se alguém não tiver o que é necessário para escrever - «the package» -, dificilmente o adquirirá em cursos. A chave é amar a leitura, ler muito (mesmo muito muito muito) e saber o que se quer fazer com as ideias que se tem a fervilhar no cocuruto. Os conhecimentos de gramática, léxico e sintaxe ajudam, mas tudo se resume a duas máximas:

1) ler muito
2) escrever muito

King descreve pormenorizadamente o seu processo de criação e incentiva os aspirantes a seguirem-no ou a adaptarem-no a si. Dá dicas e recomenda alguns livros que o influenciaram ou a que ele tira o chapeau pela qualidade e/ou técnica.

Stephen King, goste-se ou não da sua obra, é uma referência para todos os que gostariam de escrever dentro do género; em Escrever - memórias de um ofício chega até ao leitor facilmente, numa narrativa simples, directa e, acima de tudo,  útil.

3 de dezembro de 2010

A caixa em forma de coração

Autor: Joe Hill
Género:
Terror

Idioma: Português
Editora: Civilização
Páginas: 324
Preço: € 16,66
ISBN:  978-9-72-262555-5
Título original:
Heart-shaped box

Avaliação:  **** (bom)

A caixa em forma de coração é o primeiro livro que leio de Joe Hill.

Agradou-me a sinopse da história, que é interessante, e o facto do autor ser filho de Stephen King ajudou na decisão de compra. Criaram-se, assim, algumas expectativas.


Foi com satisfação que comecei a ler a história da ex-estrela de rock Judas "Jude" Coyne, um coleccionador do macabro, que compra num leilão da internet o fato assombrado de um homem morto.

Joe Hill não demora a entrar na acção e os primeiros capítulos do livro são muito bons, mas os dois terços que se lhes seguem têm muito menos fôlego e inspiração.

O livro tem um ponto forte inegável: o seu protagonista. Cinquentão e excêntrico, Jude vive isolado com os seus dois amados cães e uma namorada gótica 30 anos mais nova; a sua ligação com o mundo exterior é feita através do seu assistente pessoal, um aspecto que privilegia; Jude não faz grande fé na natureza humana. Pelas suas características, torna-se mais interessante assistir à sua mudança à medida que o fantasma que assombra o fato do homem morto começa a fazer as suas aparições e a manifestar as suas intenções.

Estas primeiras cenas são as melhor conseguidas do livro, verdadeiramente atmosféricas e assustadoras, e
A caixa em forma de coração vale muito por isso. Daí para a frente há uma quebra no ritmo e na atmosfera, sendo que o autor não consegue compensar-nos até ao final, que acaba por não exceder as expectativas nem primar pela originalidade, o que acaba por ser surpreendente, pois esperava um final tão bom como a introdução da narrativa, o que não aconteceu e influenciou a minha ideia global do livro.

Apesar disso, prefiro a forma com Joe Hill escreve em comparação com Stephen King; Hill cria uma dinâmica mais fluída e agradável de ler, mas em ideias e imaginação King ganha-lhe aos pontos.


Lê-se, mas está longe de ser extraordinário.

3 de novembro de 2010

Drácula, o regresso

Autor: Freda Warrington
Género: Fantástico, Terror
Idioma: Português
Editora: Edições Século XXI
Páginas: 243
Preço: € 14,37
ISBN: 978-97-2829319-2
Avaliação: ***** (muito bom) 

Drácula – O Regresso, no original Dracula the Undead, foi editado exactamente 100 anos após a publicação do clássico mundialmente conhecido de Bram Stoker; Drácula foi o livro que revolucionou a forma como vemos os vampiros e o pioneiro de um género que moveria milhões de autores e leitores a nível mundial.
É inegável e bastante óbvio o fascínio que estas criaturas da noite inspiram no homem médio; prova disso é a consagração de escritores como Anne Rice e actores como Bela Lugosi e Christopher Lee, que deram ao mundo personagens ricas e algo estereotipadas do vampiro, um ser sedutor, bem falante e imortal, que eterniza a beleza e o hedonismo.
«Nunca saberá o que é amar a vida como eu amo – amá-la tão apaixonadamente que estamos preparados até para ludibriar a morte. Amá-la é tão intenso, na verdade, que não podemos morrer – ou permanecermos mortos!» (Conde Drácula)
Depois da obra de Bram Stoker, muitos (milhares) foram os livros que exploram (e continuam a fazê-lo) o filão de ouro que é o vampirismo (ocorre-me o fenómeno mais recente, Crepúsculo). Li muitos deles e exceptuando um punhado de autores, o saldo não é nada bom. Tornou-se um lugar comum retratar os vampiros como criaturas sensuais e sequiosas, sem qualquer resquício de humanidade (passe a ilusória contradição) ou valores, movidos apenas pelo desejo de beber sangue.

E é exactamente nesse ponto que Freda Warrington, a autora de Drácula – O Regresso, evita cair – nem poderia, visto que escrever um livro e apelidá-lo da «sequela da obra de Bram Stoker» é uma responsabilidade titânica que só poderia redundar num sucesso absoluto ou num desolador e mencionadíssimo fiasco.

A própria escritora referiu que foi um desafio que aceitou com entusiasmo mas algum receio. No worries, pois Freda ganhou a batalha. Além de ter alcançado o objectivo (escreveu uma história fiel ao espírito da obra de Stoker), produziu um livro soberbo e ainda foi reconhecida: ganhou o prémio 'Children of the Night 1997' para melhor romance gótico, atribuído pela prestigiada Dracula Society. Mais, ganhou em mim uma fã fidelíssima (embora isso já não a deva entusiasmar tanto). Mas deixemo-nos de entretantos e passemos ao livro em si.

Passaram-se 7 anos desde que uma estaca perfurou o coração do infame e odiado Conde Drácula, 7 anos que não apagaram da memória dos sobreviventes a imagem do vampiro e a magnitude do seu terrífico poder.

Jonathan e Mina Harker têm agora uma criança, Quincey, e vivem em paz, tanto quanto possível. Como catarse, encetam, juntamente com os companheiros de luta (Van Helsing, entre outros), uma viagem à Transilvânia. Não encontram qualquer vestígio da presença de Drácula, embora o seu nome ainda resida no consciente colectivo e seja figura de proa no folclore da região, pelo que a jornada se revela um sucesso. Tudo parece bem. Porém, algures nos confins da terra, a força do espírito do Conde aguarda uma oportunidade de voltar a ser carne e sangue. E esse ensejo acaba por chegar pela delicada mão de um alguém insuspeito.

Drácula volta a erguer-se e a andar entre os incautos vivos. E a sua obsessão amorosa por Mina Harker prossegue como se nada tivesse mudado, assim como permanece intocável o seu ódio por aqueles que o destruíram e que tudo farão para o devolver ao Inferno. Drácula – O Regresso é uma obra extremamente bem escrita, que respeita escrupulosamente toda a atmosfera presente no livro de Stoker e que retoma as personagens sem lhes descurar a essência.

Os diálogos são ricos e todo o fio da acção é credível e inteligente. Há a introdução de novas personagens que surgem perfeitamente enquadradas e adequadas ao enredo. Continua a sentir-se a aura de sensualidade tão característica da literatura vampiresca e a carnalidade é sempre de bom gosto e nunca gratuita.

«Não posso iludir-me! Eu caí porque o horror docemente doloroso não era nada comparado com a suprema agonia do prazer.» (Mina Harker)

É um livro belíssimo que não posso deixar de recomendar. Claro que sou suspeita: um dos meus filmes favoritos é a adaptação do clássico por Francis Ford Coppola e o romance de Bram Stoker é uma obra-prima a que não sou indiferente, mas creio que mesmo para o leitor comum, este será um livro a registar e a ter em atenção. Pessoalmente, senti-me arrebatada. Quem nunca se questionou sobre a imortalidade, seja do amor, da alma ou da vida?

«Toda a minha vontade de viver estava contida em ti, no teu sangue, carne e alma. E tu rejeitaste-me. És uma amante mais cruel do que eu alguma vez fui! Dado que um de nós deve morrer, que a sobrevivente sejas tu. Por muito que eu tenha amado a minha existência, amo ainda mais a tua.» (Conde Drácula)

2 de setembro de 2010

O intruso

Autor: H.P. Lovecraft
Género: Terror, Fantástico
Idioma: Português
Editora: Fio da Navalha
Páginas: 160
Preço: € 12,98
ISBN: 972-8839-01-4

Avaliação: ***** (muito bom)

Howard Phillips Lovecraft disse: «A mais antiga e forte emoção da humanidade é o medo. E o mais antigo e forte medo é o medo do desconhecido.» Sabia do que falava e melhor o fez.

Escritor altamente influente, foi o pioneiro do horror sobrenatural na literatura, inspirando autores como Stephen King, Alan Moore, Mike Mignola e Richard Matheson.

As suas histórias, fruto de um homem de saúde débil e vítima de constantes pesadelos, são ricas em simbolismo e seres malignos.

Neste livro, temos uma excelente selecção de algumas obras de Lovecraft:

- O modelo de Pickman
- Os ratos nas paredes
- Factos respeitantes ao defunto Arthur Jermyn e sua família
- A sombra sobre Innsmouth
- O intruso
- Dagon
- A cor que caiu do céu

que são exemplificativos do imenso talento de Lovecraft em criar uma atmosfera assustadora e assombrosa, onde as histórias, não raras vezes, são contadas na 1.ª pessoa, e falam de mitos, monstros e seres poderosos que habitam nos cantos mais recônditos do mundo.

Li O Intruso nestas férias de Verão, resguardada do calor abrasador, mas mesmo assim fui envolvida pelo bestiário lovecraftiano, habitado por criaturas que querem dominar, devorar, destruir o universo. Recomendo a leitura deste livro e de toda a obra do autor, que continua a inspirar artistas de todo o mundo, na música, na literatura, nos videojogos, no cinema e nas artes plásticas.

H.P. Lovecraft morreu aos 47 anos mas garantiu a imortalidade através dos seus escritos e reclamou, a título póstumo e merecidamente, o epíteto de 'Mestre do Horror'.

4 de julho de 2010

Dark visions

 Autores:  Stephen King, Dan Simmons, George R. R. Martin
Género: Terror, Fantástico
Idioma: Inglês
Editora: Orion
Páginas: 384
Preço: € 8,35
ISBN:  978-0-57-540290-4
Avaliação: *** (mediano)

Dark Visions é uma compilação de sete contos: três de Stephen King, outros três de Dan Simmons, e o último de George R.R. Martin.

De Stephen King temos 'Reploids' (que trata de realidades alternativas), 'Sneakers' (sobre um local incomum 
assombrado - uma cabina sanitária) e 'Dedication' (uma grávida que ingere o sémen de um escritor a fim de captar algum do seu talento para o nascisturo).

'Metastasis' (sobre um homem que consegue ver os parasitas que infectam as pessoas com cancro), 'Vanni Fucci is Alive and Well and Living in Hell' (uma transmissão televisiva evangélica recebe uma inesperada visita infernal)  e 'Iverson's Pits' (um veterano da guerra civil americana não esquece os horrores passados) são os contos de Dan Simmons.

O ultimo conto é também o mais longo; 'The Skin Trade' do George R. R. Martin, uma werewolf novella

Tenho livros dos três autores e aprecio-os a todos, mas comprei este livro por causa de G.R.R. Martin. Como fã declarada da saga The Song of Ice & Fire, editada em Portugal pela Saída de Emergência, estou a tentar ler tudo dele e ainda não me desiludi.

Ao lado de autores com créditos não menos firmados, Martin não deixa os seus por mãos alheias, conseguindo, na minha opinião, o melhor conto do livro (vencedor do World Fantasy Award em 1989 por Best Novella).

As estórias de Dan Simmons sucedem-se da melhor para a pior, sendo 'Iverson’s Pits' tão secante quanto 'Metastasis' é original (e é-o, realmente).

Stephen King é o que fica mais aquém do trio de autores, embora 'Dedication' seja uma leitura cativante pela premissa invulgar (e até repugnante); as suas contribuições neste volume podem ser encontradas noutras colectâneas.

Este é um livro que vale a pena comprar por 'The Skin Trade', que não foi publicada em mais nenhum lado, e por 'Metastasis'. Os outros contos lêem-se bem mas não são marcantes.

No geral, é 50-50. Metade bom e metade sofrível.

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