3 de dezembro de 2010

A caixa em forma de coração

Autor: Joe Hill
Género:
Terror

Idioma: Português
Editora: Civilização
Páginas: 324
Preço: € 16,66
ISBN:  978-9-72-262555-5
Título original:
Heart-shaped box

Avaliação:  **** (bom)

A caixa em forma de coração é o primeiro livro que leio de Joe Hill.

Agradou-me a sinopse da história, que é interessante, e o facto do autor ser filho de Stephen King ajudou na decisão de compra. Criaram-se, assim, algumas expectativas.


Foi com satisfação que comecei a ler a história da ex-estrela de rock Judas "Jude" Coyne, um coleccionador do macabro, que compra num leilão da internet o fato assombrado de um homem morto.

Joe Hill não demora a entrar na acção e os primeiros capítulos do livro são muito bons, mas os dois terços que se lhes seguem têm muito menos fôlego e inspiração.

O livro tem um ponto forte inegável: o seu protagonista. Cinquentão e excêntrico, Jude vive isolado com os seus dois amados cães e uma namorada gótica 30 anos mais nova; a sua ligação com o mundo exterior é feita através do seu assistente pessoal, um aspecto que privilegia; Jude não faz grande fé na natureza humana. Pelas suas características, torna-se mais interessante assistir à sua mudança à medida que o fantasma que assombra o fato do homem morto começa a fazer as suas aparições e a manifestar as suas intenções.

Estas primeiras cenas são as melhor conseguidas do livro, verdadeiramente atmosféricas e assustadoras, e
A caixa em forma de coração vale muito por isso. Daí para a frente há uma quebra no ritmo e na atmosfera, sendo que o autor não consegue compensar-nos até ao final, que acaba por não exceder as expectativas nem primar pela originalidade, o que acaba por ser surpreendente, pois esperava um final tão bom como a introdução da narrativa, o que não aconteceu e influenciou a minha ideia global do livro.

Apesar disso, prefiro a forma com Joe Hill escreve em comparação com Stephen King; Hill cria uma dinâmica mais fluída e agradável de ler, mas em ideias e imaginação King ganha-lhe aos pontos.


Lê-se, mas está longe de ser extraordinário.

26 de novembro de 2010

Outros mundos

Autor:  Barbara Michaels
Género: Fantástico
Idioma: Português
Editora: Planeta Editora
Páginas: 270
Preço: € 12,60 (requisitado da biblioteca municipal)
ISBN:  978-9-73-11064

Avaliação: * (a evitar)

 
Numa escura, húmida, noite de nevoeiro, um pequeno grupo de intelectuais reúne-se num clube masculino exclusivo. Chegam envoltos nos seus abafos dispendiosos, com o pretensiosismo de quem sabe mais que a maioria.

Deste grupo,
que se junta periodicamente para discutir acontecimentos paranormais, fazem parte o famoso ilusionista Houdini e o afamado Sir Arthur Conan Doyle (criador do celebérrimo Sherlock Holmes). 

Outros Mundos relata uma dessas reuniões. Num serão frente à lareira, com uma bebida aconchegante no colo, os intelectuais analisam dois episódios distintos: ‘A Bruxa de Bell’ e ‘O Caso Phelps’. O primeiro é a história de um poltergeist que assombra uma família do sudeste americano; o segundo envolve uma família católica a braços com um espírito violento. Depois dos relatos, os membros do clube (todos eles interessados e/ou estudiosos do sobrenatural) discutem e determinam se as assombrações são verdadeiras ou falsas.

Quando li a sinopse, achei que o livro tinha os predicados ideais para uma leitura nocturna inquietante, mas cedo a prometida história de fantasmas se transformou num desencantado virar de páginas.

A forma como se desenrola a acção é extremamente desinspirada. Enquanto lia as análises dos fenómenos feitas pelos membros do "selecto" clube, mais anedótica a história se tornava. Sei que Conan Doyle foi adepto do espiritismo e frequentador assíduo de sessões espíritas - chegou a ser Presidente da Aliança Espírita de Londres -, por isso quando li as passagens em que intervém, espantou-me a falta de lógica. O livro é uma má piada do princípio ao fim, com diálogos secos, chatos, pouco credíveis. Admirou-me ainda que
Barbara Michaels escrevesse algo assim; é uma autora consagrada e muito experiente, que assina outro género de livros como Barbara Metz e Elizabeth Peters (não ficção e históricos, respectivamente), todos com imenso sucesso.

O saldo total é um enorme bocejo. Obriguei-me a ler o livro até ao final, talvez à espera de uma reviravolta que não chegou a acontecer. Este livro, bom? Talvez noutro mundo.
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