11 de abril de 2011

Sempre vivemos no castelo

Autor: Shirley Jackson
Género: Romance / Gótico
Idioma: Português
Editora: Cavalo de Ferro
Páginas: 208
Preço: € 14,40
ISBN:  978-9-89-623119-4
Título original: We have always lived in the castle


Avaliação:
*****(muito bom)

Este foi o último romance de Shirley Jackson, considerado pela crítica «um dos 10 melhores romances da literatura norte-americana» (time magazine).

«Chamo-me Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e vivo com a minha irmã Constance (...). Não gosto de me lavar, nem de cães ou barulho. Gosto da minha irmã Constance, de Ricardo Coração de Leão e do Amanita phalloides, o cogumelo da morte. Todas as outras pessoas da minha família estão mortas.»


Passado nos anos 50, conta-nos a história de duas irmãs, Constance e Mary Catherine (Merricat), que vivem com o seu tio Julian - confinado a uma cadeira de rodas - numa enorme casa nos limites de uma pequena cidade.
Estas 3 pessoas são as  sobreviventes de uma abastada família, os Blackwood, tendo os restantes morrido envenenados após um jantar familiar, há 6 anos atrás. O velho Julian vive obcecado com o evento, e na sua senilidade, está sempre a referi-lo  e a compilar pormenores do mesmo em apontamentos que revê frequentemente. As irmãs, de 18 e 28 anos, vivem para a sua rotina, isoladas do resto do mundo. Constance, a mais velha, foi julgada e absolvida do homicídio dos restantes familiares, mas toda a cidade a julga culpada, aumentando a reclusão dos Blackwood.


É um livro muitíssimo envolvente, bem escrito e arrepiante. Merricat é uma narradora  desdenhosa, parcial e complexa, e passa metade do seu tempo a desejar a morte alheia e outras tantas horas a fazer feitiços e rituais para manter e assegurar o isolamento do núcleo
. A sua felicidade é poder seguir o seu calmo quotidiano junto da irmã mais velha, que adora. Há frases que nos levam a crer que Merricat tem um atraso mental, pois insiste em portar-se como uma criança e faz finca-pé quando contrariada. Porém, determinada e calculista, detentora de uma personalidade dominadora, leva sempre a sua avante.

Até que a chegada inesperada de um primo faz precipitar situações que vão mudar as vidas dos Blackwood. A tensão vai crescendo na 2.ª metade do livro, levando a algumas revelações surpreendentes, que deixam o leitor igualmente arrepiado e atordoado.

Gostava de o ter lido antes porque é um livro muito bom, mas nunca é tarde para o recomendar. Leiam assim que puderem, vale a pena.

4 de abril de 2011

As raparigas que sonhavam ursos

Autor: Margo Lanagan
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Guerra & Paz
Páginas: 408
Preço: € 16,65
ISBN:  978-9-89-817485-7
Título original: Tender morsels

Avaliação:
*** (mediano)


As raparigas que sonhavam ursos tem uma capa e título enganadores, que poderão  remeter para  um imaginário infantil. Isso está longe da realidade, pois o livro ficciona temas bastante adultos (como o incesto e a zoofilia), nada condicentes com o felpudo urso que aparece  a abraçar duas meninas.

A adolescente Liga, abusada pelo pai e depois por um grupo de rapazes, sozinha com duas filhas pequenas (a delicada Branza e a aguerrida Urdda), está desesperada, pensa em morrer. Levada ao limite pelo isolamento e pela violência sofrida, cria um mundo paralelo - o seu céu - onde se refugia.

Nele, vive feliz com as suas meninas
, num mundo que não é real. Apenas Liga e as filhas o são, protegidas da maldade dos homens, vivendo as suas vidas longe da realidade.

A pontuação positiva atribuída deve-se a um terço do livro (as primeiras 120 páginas são o melhor do todo), mas a originalidade e frescura extinguem-se e dão lugar a páginas chatas e que vão perdendo gradualmente o interesse; a autora tem  o condão de misturar temas violentos com descrições cândidas e mimosas mas ao final de algum tempo, a história torna-se aborrecida demais.


Sinceramente, quando cheguei ao final do livro, fiquei desiludida; quando comecei  a leitura estava agradada com a narrativa e as últimas 100 páginas foram feitas mais para cumprir calendário que por gosto; esperei que melhorasse ou acabasse em beleza e isso não aconteceu.


O livro tem pormenores engraçados e as várias vozes narrativas ajudam ao ritmo  mas, no geral, fica abaixo do esperado.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...