16 de abril de 2011

A tenda vermelha

Autor: Anita Diamant
Género: Romance
Idioma: Português
Editora: Difel
Páginas: 368
Preço: € 15
ISBN:  978-9-72-290622-7
Título original: The red tent



Avaliação: **** (bom)

A Tenda Vermelha foi uma surpresa. Com um ritmo fluído e uma história comovente, Anita Diamant construiu um livro aconselhável a todas as mulheres.

É uma epopeia histórico-bíblica, narrada por mulheres e tendo-as como protagonistas. Começamos por ser apresentados ao clã do ganacioso Labão, cujas 4 filhas - a possante Lea, a deslumbrante Raquel, a supersticiosa Zilpah e a tímida Billah - são dadas em casamento a Jacob (mais tarde conhecido como Isra'El).

A partir daqui, partilhamos o quotidiano destas quatro forças da natureza, que incorporam a alma da comunidade nas suas diferenças. Pouco depois de iniciarmos a leitura conhecemos Dina, a nossa narradora principal - nascida biologicamente de Lea e Jacob -, mas tratada como uma filha pelas 4 mulheres, que a acarinham e partilham tudo o que sabem, especialmente quando estão na tenda vermelha, o espaço onde as mulheres recolhem nos dias do mês em que estão menstruadas.

Esta tenda é um local vedado aos homens, onde as mulheres são donas e senhoras, e cedo se percebe que toda a família depende delas, da sua força, da sua astúcia e da sua desenvoltura. Através de Dina, descobrimos a aventura de nascer e crescer mulher, a origem de alguns mistérios antigos, o dom de ser parteira, os triunfos e tragédias relacionados com o seu clã, como relatado no Livro do Génesis (com algumas romanceações), numa leitura que nunca se torna aborrecida ou demasiado religiosa.

«E só aparentemente 'A Tenda Vermelha' é um livro antigo. Na realidade trata-se de um hino à condição da mulher, no que ela tem de mais intimo e mais profundo. E também à sua capacidade, não só através da maternidade, de criar novos mundos e de desafiar velhas tradições.»

11 de abril de 2011

Sempre vivemos no castelo

Autor: Shirley Jackson
Género: Romance / Gótico
Idioma: Português
Editora: Cavalo de Ferro
Páginas: 208
Preço: € 14,40
ISBN:  978-9-89-623119-4
Título original: We have always lived in the castle


Avaliação:
*****(muito bom)

Este foi o último romance de Shirley Jackson, considerado pela crítica «um dos 10 melhores romances da literatura norte-americana» (time magazine).

«Chamo-me Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e vivo com a minha irmã Constance (...). Não gosto de me lavar, nem de cães ou barulho. Gosto da minha irmã Constance, de Ricardo Coração de Leão e do Amanita phalloides, o cogumelo da morte. Todas as outras pessoas da minha família estão mortas.»


Passado nos anos 50, conta-nos a história de duas irmãs, Constance e Mary Catherine (Merricat), que vivem com o seu tio Julian - confinado a uma cadeira de rodas - numa enorme casa nos limites de uma pequena cidade.
Estas 3 pessoas são as  sobreviventes de uma abastada família, os Blackwood, tendo os restantes morrido envenenados após um jantar familiar, há 6 anos atrás. O velho Julian vive obcecado com o evento, e na sua senilidade, está sempre a referi-lo  e a compilar pormenores do mesmo em apontamentos que revê frequentemente. As irmãs, de 18 e 28 anos, vivem para a sua rotina, isoladas do resto do mundo. Constance, a mais velha, foi julgada e absolvida do homicídio dos restantes familiares, mas toda a cidade a julga culpada, aumentando a reclusão dos Blackwood.


É um livro muitíssimo envolvente, bem escrito e arrepiante. Merricat é uma narradora  desdenhosa, parcial e complexa, e passa metade do seu tempo a desejar a morte alheia e outras tantas horas a fazer feitiços e rituais para manter e assegurar o isolamento do núcleo
. A sua felicidade é poder seguir o seu calmo quotidiano junto da irmã mais velha, que adora. Há frases que nos levam a crer que Merricat tem um atraso mental, pois insiste em portar-se como uma criança e faz finca-pé quando contrariada. Porém, determinada e calculista, detentora de uma personalidade dominadora, leva sempre a sua avante.

Até que a chegada inesperada de um primo faz precipitar situações que vão mudar as vidas dos Blackwood. A tensão vai crescendo na 2.ª metade do livro, levando a algumas revelações surpreendentes, que deixam o leitor igualmente arrepiado e atordoado.

Gostava de o ter lido antes porque é um livro muito bom, mas nunca é tarde para o recomendar. Leiam assim que puderem, vale a pena.
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