22 de abril de 2011

O bom inverno

Autor: João Tordo
Género: Romance
Idioma: Português
Editora: Dom Quixote
Páginas: 292
Preço: € 14,95
ISBN:  978-9-72-204137-9


Avaliação: **** (bom)

Vou começar de uma forma politicamente incorrecta. Pensei que João Tordo fosse mais um caso de "pai famoso" no nosso cantinho à beira-mar plantado.

Mesmo assim, decidi investir neste livro porque achei a sinopse interessante.

O nosso narrador é um homem que parece ter perdido o gosto pela vida, hipocondríaco e escritor desinspirado. Quando a editora o convida a viajar até à Hungria para participar num encontro de escritores, é o dinheiro que o move, porque
, ultimamente, parece não encontrar interesse em nada.

Esta decisão marca uma viragem. Em Budapeste encontra e convive com um grupo de pessoas que vai mudar tudo. Levado até Itália para conhecer o óscarizado produtor de filmes Don Metzger, vê-se envolvido no assassinato deste, confinado a uma casa com desconhecidos também eles suspeitos do mesmo crime.

Rodeados por um denso arvoredo, são avisados por Bosco (amigo de longa data de Don)  que o assassino deverá avançar e confessar o crime. Depois do choque inicial, percebem que Bosco não está a brincar e que tem intenção de cumprir as ameaças. Começam as dinâmicas de um grupo de pessoas encurraladas por um sociopata que vagueia pela floresta com uma espingarda, pronto a abater aquele que desobedeça. Porém, ninguém é inocente e cedo se descobrem razões e se praticam actos que tornam a sobrevivência mais difícil.

A história é-nos narrada na primeira pessoa, do ponto de vista daquele que menos conhece o espaço envolvente e os companheiros de infortúnio. O livro começa lento mas quando "engata", torna-se viciante e a vontade de ler o desfecho é a confirmação de que estamos perante uma história interessante e bem concebida.

«(...) lá dentro são todos imortais. Uma sala cheia de super-homens e de super-mulheres, perfeitos na sua imperfeição, completamente esquecidos de que são, como todos nós, repasto para cemitérios. Comida para os vermes.»

Gostei d'O bom inverno e recomendo-o. Sem me esquecer que, das várias críticas que tenho lido nos blogs, parece que tive sorte e comecei pelo melhor romance de João Tordo.

16 de abril de 2011

A tenda vermelha

Autor: Anita Diamant
Género: Romance
Idioma: Português
Editora: Difel
Páginas: 368
Preço: € 15
ISBN:  978-9-72-290622-7
Título original: The red tent



Avaliação: **** (bom)

A Tenda Vermelha foi uma surpresa. Com um ritmo fluído e uma história comovente, Anita Diamant construiu um livro aconselhável a todas as mulheres.

É uma epopeia histórico-bíblica, narrada por mulheres e tendo-as como protagonistas. Começamos por ser apresentados ao clã do ganacioso Labão, cujas 4 filhas - a possante Lea, a deslumbrante Raquel, a supersticiosa Zilpah e a tímida Billah - são dadas em casamento a Jacob (mais tarde conhecido como Isra'El).

A partir daqui, partilhamos o quotidiano destas quatro forças da natureza, que incorporam a alma da comunidade nas suas diferenças. Pouco depois de iniciarmos a leitura conhecemos Dina, a nossa narradora principal - nascida biologicamente de Lea e Jacob -, mas tratada como uma filha pelas 4 mulheres, que a acarinham e partilham tudo o que sabem, especialmente quando estão na tenda vermelha, o espaço onde as mulheres recolhem nos dias do mês em que estão menstruadas.

Esta tenda é um local vedado aos homens, onde as mulheres são donas e senhoras, e cedo se percebe que toda a família depende delas, da sua força, da sua astúcia e da sua desenvoltura. Através de Dina, descobrimos a aventura de nascer e crescer mulher, a origem de alguns mistérios antigos, o dom de ser parteira, os triunfos e tragédias relacionados com o seu clã, como relatado no Livro do Génesis (com algumas romanceações), numa leitura que nunca se torna aborrecida ou demasiado religiosa.

«E só aparentemente 'A Tenda Vermelha' é um livro antigo. Na realidade trata-se de um hino à condição da mulher, no que ela tem de mais intimo e mais profundo. E também à sua capacidade, não só através da maternidade, de criar novos mundos e de desafiar velhas tradições.»

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