2 de junho de 2011

A muralha de gelo

Autor: George R. R. Martin
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 416
Preço: € 19
ISBN:  978-9-89-637020-6
Título original: A game of thrones

Avaliação:
*****
(muito bom)

Este título é o 2.º livro d'As Crónicas de Gelo e Fogo, uma saga imperdível pela mão do norte-americano George R. R. Martin.

Na versão original, o primeiro título é A game of thrones, com 800 páginas num único volume; em Portugal, dividiram-no em dois: A guerra dos tronos (sobre o qual já botei faladura) e este título.

Se o primeiro livro demora a aquecer (não esquecer que é a introdução ao vasto mundo e às inúmeras personagens da saga), neste segundo torna-se claro a motivação dos vários protagonistas. A estória continua a ser narrada de pontos de vista diferentes, alternando entre o sarcástico anão Tyrion Lannister, a kaleesi Daenerys ou a jovem e ingénua (e irritante) Sansa, entre outros; cada personagem é independente, tem uma voz própria e age de acordo com os seus interesses.


«Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre-se.»

O contexto continua medieval e o mundo é cruel e a sede de poder é muita. São tempos atribulados para Robert Baratheon, rei dos Sete Reinos. O rumor é que, do outro lado do mar, uma imensa horda de selvagens ameaça formar-se, com o objectivo de invadir o seu reino.
 
Mas não é tudo: na Corte, as conspirações continuam. O ódio entre as várias Casas aumenta e a guerra civil é mais do que uma possibilidade, com a guerra pelo domínio a despoletar alianças e confrontos armados.
 
A saga continua viciante e recomenda-se.
 
NOTA: Entretanto, já tive oportunidade de ver alguns episódios da série Game of Thrones (produzida pela HBO) e estão um mimo.

26 de maio de 2011

Flor do deserto

Autor: Waris Dirie
Género:
Biografia

Idioma: Português
Editora: Edições ASA
Páginas: 200
Preço: € 14
ISBN:  978-9-89-230952-1 
Título original: Desert flower




Avaliação: **** (bom)

Flor do Deserto levanta muitas questões e toca em pontos sensíveis: a liberdade de escolha individual e a liberdade de pôr e dispor do próprio corpo.

A nossa narradora é a autora do livro, Waris Dirie, que nos conta como passou dos desertos da Somália para o mundo da moda internacional, depois de uma infância dura na vastidão do deserto e de uma adolescência a trabalhar em casa de parentes, sem qualquer remuneração em troca.


Com uma linguagem directa, Flor do Deserto tem a sua mais-valia na descrição crua, ao pôr a nu uma cultura e religião muito diferentes da nossa realidade.

Waris (que significa flor do deserto) é uma mulher admirável, de espírito hercúleo, que passou privações e torturas aterrorizadoras, tendo sido a mais marcante a excisão (mutilação genital feminina - MGF) a que foi sujeita aos cinco anos, um ritual há muito estabelecido na Somália e outros países africanos de ideologia muçulmana. Consiste em cortar o clítoris ou em remover totalmente o mesmo e os lábios vaginais, cosendo-se em seguida os tecidos que sobram; fica apenas um minúsculo orifício pelo qual a mulher urina e menstrua.


Neste caso, a mulher "costurada" só é "aberta" para o marido (as estimativas da UNICEF  indicam que existem no mundo entre 70 a 140 milhões de mulheres às quais foi removido o clitóris, a maior parte sem qualquer esterilização e recorrendo a lâminas, pedaços de vidro e até à dentada; tudo vale para “preparar” uma menina para ser uma mulher). O pretexto? Assegurar a castidade e a preservação da virgindade até ao casamento, melhorar a fertilidade da mulher. Consequência? Elimina o prazer sexual feminino.

Quanto a mim, só posso dizer que li tudo isto completamente horrorizada; ainda hoje me custa a acreditar que tantas crianças sejam sujeitas a esta mutilação (muitas morrem em consequência de infecções e hemorragias). Há alguns anos, Waris abandonou as passarelles para se dedicar exclusivamente ao combate contra a MGF.

«É difícil saber o que me teria acontecido se não tivesse sido mutilada. Faz parte de mim, não conheço outra realidade(…) Não sabia o que ia acontecer [a total remoção dos órgãos genitais], mas estava contente porque me ia tornar mulher.»


É esta mentalidade que quer combater, razão pela qual aceitou ser embaixadora da ONU, para tentar erradicar este costume bárbaro. Verdadeiramente deliciosas são as lembranças de Waris, de quando pastoreava cabras no deserto e ajudava a mãe na lida da “tenda”, em pleno deserto. Desde cedo uma personalidade forte, Waris conseguiu sobreviver à conta da astúcia e do desembaraço natos.

Só pelas primeiras 100 páginas, o livro vale a pena. Esta flor é um cacto, de tão resistente.
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