29 de junho de 2011

O apelo da lua



Autor: Patricia Briggs
Género:
Fantasia Urbana

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Páginas: 288
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-637257-6
Título original: Moon called

Avaliação:
**** (bom)

O apelo da lua é o volume 1 da série Mercedes Thompson. Mercy é uma mulher determinada, com uma profissão incomum: é mecânica de automóveis. Invulgar é também a sua espécie pois Mercy é uma metamorfa, podendo alternar entre a forma humana e a de um coiote.
 

Apesar de não conhecer ninguém igual a si, Mercy vive num mundo onde a raça humana não está sozinha: há ainda lobisomens, bruxas, fadas, gremlins, vampiros. Todos eles existem na sociedade e vivem de acordo com os seus códigos; deste grupo, apenas as fadas deram a conhecer a sua existência ao mundo, os restantes integram o imaginário colectivo e escondem a sua verdadeira natureza.

Mercy vê o seu quotidiano revirado quando um adolescente, Mac, aparece na sua garagem à procura de trabalho e comida.
A mecânica age com cautela pois pressente (e fareja) que Mac é um lobisomem solitário, sem clã, a espécie mais problemática.

E os problemas não tardam a aparecer assim que Mercy acede a ajudar o jovem. Perseguições feitas por homens e lobisomens, um ataque brutal ao alfa (lobisomem) local, um rapto, mortes, numa sucessão de acções onde Mercy se vê envolvida. De instintos aguçados e mente analítica, a nossa heroína começa a adivinhar uma conspiração que envolve humanos e não humanos.



O ponto forte do livro é a forma como a autora nos introduz e dá a conhecer o mundo onde a acção se desenrola, onde todos estes seres convivem e têm um papel, descrevendo mais ao pormenor o código de honra e conduta dos lobisomens, com as suas hierarquias, modo de agir e características, isto porque Mercy cresceu no meio de um clã de lobisomens, é ela a narradora e a história é contada do seu ponto de vista.

Gostei do facto da autora não ter dedicado muito tempo a romances. Não faltam atracções e emoções, mas não são a tónica, fugindo ao tom meloso do romance paranormal (este é um livro de fantasia urbana). A acção é constante, principalmente depois dos primeiros capítulos, quando a história arranca e desenvolve.


Quando comecei a ler O apelo da lua, confesso que esperava um livro menos interessante, mas o saldo geral é bom. Fiquei com curiosidade em ler os restantes livros da série. Mercy Thompson é uma personagem que me agrada, dinâmica e apelativa o suficiente para eu seguir para o segundo volume da série, Vínculo de Sangue.

Não sou fã das capas destes livros (iguais aos originais norte-americanos), mas o conteúdo é bom e ganhei em não ter julgado o livro pela capa.

21 de junho de 2011

Cornos

Autor: Joe Hill
Género:
Fantástico

Idioma: Português
Editora: Edições Gailivro
Colecção: 1001 mundos

Páginas: 432
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-557761-3
Título original: Horns

Avaliação:
***** (muito bom)

Cornos foi o segundo livro que li de Joe Hill. Já tendo lido A caixa em forma de coração, o entusiasmo não era grande, mas achei a sinopse curiosa e decidi arriscar. O saldo é positivo, com o filho de Stephen King a elevar, em muito, a fasquia.

Ig Perrish acorda uma manhã com uma ressaca descomunal. Desorientado e moído no corpo e no espírito, vê que lhe cresceram cornos nas têmporas.

Ao início Ig pensa ser uma alucinação; faz um ano que a sua namorada, Merrin, foi brutalmente violada e assassinada e o culpado não foi descoberto, deixando Ig devastado, pelo que um colapso mental seria expectável. Mas, longe de imaginários, os cornos são reais.

Ig tenta perceber o que lhe aconteceu e descobre que os seus novos apêndices trazem consigo algumas habilidades, nomeadamente a capacidade de fazer com que as pessoas com quem se cruza lhe revelarem tudo o que lhes vai na cabeça, sem espinhas. Do estranho mais casual ao familiar mais íntimo, Ig descobre o que realmente pensam aqueles que o rodeiam... este é o ponto mais forte do livro, que proporciona cenas deliciosas.

Juntamos a isto um sentido de humor negro, personagens complexas e muito bem desenvolvidas, um bom ritmo e temos uma leitura que se torna compulsiva, sendo muito difícil pousar este livro, que ganha aos pontos
a obra anterior de Hill.

Esperava um final um pouco mais teatral mas não fiquei desiludida. Joe Hill tem uma voz diferente de Stephen King mas é um bom autor e uma imaginação fértil que faz adivinhar obras futuras aliciantes.


Cornos vai ser adaptado ao cinema e estou curiosa em ver o resultado. A história é muito boa e certamente que vai resultar num filme interessante.
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