4 de agosto de 2011

A beltraneja

Autor: Almudena de Arteaga
Género: Romance Histórico
Idioma: Português
Editora: Guimarães Editores
Páginas: 192
Preço: € 12
ISBN:  978-9-72-665460-5
Título original: La beltraneja

Avaliação:
***
(mediano)


A Beltraneja é um livro magrinho, que se lê num ápice.

A história é contada por uma aia da rainha Joana, D. Mécia, à princesa Joana (mais tarde conhecida entre os espanhóis como A Beltraneja e entre os cortesãos portugueses como a Excelente Senhora).

Este romance histórico relata as intrigas e alianças políticas firmadas com o objectivo de colocar Isabel, a Católica, no trono. A acção passa-se no reinado de Henrique IV, soberano de Castela.

Assistimos à viagem de D. Joana de Portugal e das aias para Castela, onde a primeira desposará D. Henrique, sempre nas bocas do povo pela sua alegada incapacidade em gerar filhos ou consumar um casamento. Infelizmente, os boatos são verdadeiros e D. Joana terá de se submeter a práticas humilhantes para tentar conceber o bendito varão.

Em jeito de crónica, A Beltraneja mostra-nos até onde os gananciosos e intriguistas estão dispostos a ir para fazer valer a sua causa, num jogo de bulas falsificadas, casamentos contraídos e anulados, venenos e boatos degradantes.

Devorei os primeiros capítulos, mas a meio do livro, notei uma quebra de qualidade e ritmo, à medida que a acção se torna muito resumida, como se houvesse pouco a contar (ou a imaginação tivesse expirado). No rescaldo, o livro fica aquém do início promissor.

2 de agosto de 2011

Carrie



Autor: Stephen King
Género:
Terror

Idioma: Português
Editora: Bertrand Editora
Preço: € 15
ISBN:  978-9-72-251763-8
Tradução: Maria Filomena Duarte
Título original: Carrie

Avaliação:
****
(bom)


Carrie foi, em 1974, o romance de estreia de Stephen King, o mestre da literatura de terror.

O seu trabalho mais cru (parafraseando o autor) e considerado um clássico do terror, é alvo de constantes reedições.

A história centra-se em Carrie White, uma adolescente de 16 anos cuja
existência é atormentada pelo fanatismo religioso da mãe, uma mulher instável que transformou uma rapariga com tudo para ser normal numa jovem mulher medrosa e acanhada, sem um pingo de auto-estima. Na escola, Carrie é o bombo da festa e a sua timidez está no centro de todas as partidas.

«Eles irão sempre rir-se de ti!»

Mas Carie tem um dom... o seu poder telecinético. Tem o poder de interagir com o mundo material com a mera força do pensamento, um poder manisfestado esporadicamente em episódios de infância mas que cresce na proporção em que Carrie passa do estádio infantil para o pré-adulto.

E é esta capacidade extraordinária vai permitir à protagonista vingar-se de todas as vezes em que foi enxovalhada, num acumular de situações que a transformam numa bomba prestes a explodir. E a cidade de Chamberlain não mais voltará a ser a mesma...


O livro tem uma forte temática de sangue: sangue como pecado, sangue como sexo, sangue como purificante. É um elemento presente em todas as cenas, que dá ao livro um ambiente peculiar. Há uma aura subtil de terror subjacente a todo o livro, numa previsão da qualidade literária de King.

Como vi o filme (leiam a minha apreciação aqui) antes de ler o livro, não pude deixar de evocar algumas cenas em que Carrie (interpretada por Sissy Spacek) aparecia coberta de sangue e olhar alucinado, qual anjo vingador.

Tanto o livro como o filme são boas experiências, abordando as relações humanas, a adolescência e o bullying de uma forma assombrosa.


Este livro não teria sido publicado se a esposa de King não o tivesse ido buscar ao caixote de lixo, onde o autor o meteu, por achar que não tinha qualidade suficiente. Ela adorou Carrie e convenceu-o a enviar o manuscrito às editoras; o resto é história.
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