7 de outubro de 2011

A Condessa



Autor: Rebecca Johns
Género:
Ficção

Idioma: Português
Editora: Edições Asa
Páginas: 336
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-231596-6
Título original: The Countess: a novel of Elizabeth Bathory


Avaliação: **** (bom)

Erzébet Báthory nasceu nobre, rica e bela, filha de aristocratas húngaros. Acabou prisioneira na torre do seu castelo, abandonada para morrer, sem família nem amigos. Sobre si pendiam acusações macabras: teria morto centenas de jovens, vítimas de espancamento, fome ou ambas, por lhe terem desagradado.

A história é contada na 1.ª pessoa, com a aristocrata a relatar a sua vida, desde a infância até às circunstâncias que levaram ao seu encarceramento, sempre num tom intimista. Apesar de algumas nuances góticas e da frase na capa (Bathory é considerada a primeira assassina em série da História), os relatos de violência são poucos e ligeiramente aflorados, além de que a autora escolheu não usar muito do folclore que envolve a lenda da Condessa Sangrenta.


Bastante ricas são as descrições da vida na Hungria nos séculos 16 e 17, que permite ao leitor perceber como viviam e se entretinham no ócio os nobres; quanto ao povo, já se sabe: trabalho, privações, sacrifício. O livro tem um bom ritmo, o retrato psicológico da condessa é muito subtil, evitando a diabolização fácil
mas deixando adivinhar alguns traços negativos, como a desconsideração das pessoas pela sua classe social e um extremo egoísmo.

Para aqueles que possam ser atraídos por promessas de "vampiragem" e banhos de sangue, não vão levar nada. A Condessa é a história de uma mulher forte e autónoma, prometida em casamento aos 11 anos, que conseguiu aumentar a sua riqueza e acolheu dezenas de jovens na sua casa, com a promessa de trabalho honesto, dote e casamento. Ajudou algumas, mas algures pelo caminho perdeu-se, assustada com o avançar da idade e desconfiada das intenções dos que a rodeavam.

Esperava mais do livro, assim como o aprofundar de algumas passagens (o casamento com Ferenc e a relação com Anna Darvulia, a sua criada mais fiel e querida), mas a autora mantém um tom de romance histórico até ao fim, numa escrita fluida e pouco negra, justamente esperada tendo em conta o tema.

3 de outubro de 2011

Rainhas trágicas

Autor: Juliette Benzoni
Género:
Biografia

Idioma: Português
Editora: Edições 70
Páginas: 325
Preço: € 19
ISBN:  978-9-72-441222-1
Título original: Reines tragiques

Avaliação: **** (bom)

Julliete Benzoni é uma autora bastante publicada em Portugal, com várias sagas e trilogias disponíveis no mercado, das quais tenho uma, a trilogia Segredo de Estado.

Longe de ser uma má autora, os seus livros têm um tom previsível e cor-de-rosa, o que é bom se for apenas uma obra ficcional e não tão bom se tivermos em conta que são romances referenciados como históricos.

Isso não me impediu de comprar Rainhas Trágicas, que alterna breves biografias de figuras conhecidas com a de figuras mais obscuras, contadas em tom novelesco. Em comum, estas mulheres têm o facto de terem sido rainhas (de título oficial ou de alcova), terem sido detentoras de grande beleza e o seu final ter sido trágico (e até prematuro).

Nomes famosos como Catarina Howard (a 5ª mulher de Henrique VIII), Maria Tudor (a Católica), Agripina (mãe do odiado Nero) e Leonor de Aquitânia (mãe do mítico Ricardo Coração de Leão) são apenas quatro das muitas mulheres cuja vida nos é relatada, sendo o leitor transportado para cortes, leitos e multidões em fúria ou em aclamação, desde o Antigo Egipto ao início do século 20.

Apesar da autora pautar por uma escrita leve, o livro beneficiou disso, aligeirando um volume com tendência a ser maçudo, tornando-o apetecível, cujas trezentas e poucas páginas se lêem ligeiras. Recomendo.

Segue o índice, com as 18 soberanas, que vêm a sua vida relatada numa série de feitos heróicos «que conjuga amor, ambição e ódio, a par do crime, da loucura e da razão de Estado.»

I – Nitócris, a Cinderela do Nilo.
II – Lu, a camponesa de Kiang-Su.
III – Agripina, uma cliente de Locusta.
IV – Teofania, a Imperatriz das tabernas.
V – Fredegunda contra Brunilde, as rainhas rivais.
VI – Leonor de Aquitânia, duas vezes rainha.
VII – Isabel de Angolema, a rainha vassala.
VIII – Margarida, Branca e Joana de Borgonha, as rainhas malditas.
IX – Isabel, a loba de França.
X – Branca de Bourbon, a rainha assassinada.
XI – Catarina Cornaro, rainha de Chipre.
XII – Joana, a Louca.
XIII – Catarina Howard, a quinta vítima de Henrique VIII.
XIV – Maria Tudor, a «Saguinária».
XV – Cristina da Suécia, a assassina de Fontainbleau.
XVI – Carolina Matilde da Dinamarca, a prisioneira de Kroenberg.
XVII – Maria Josefina de Sabóia, uma rainha francesa desconhecida.
XVIII – Draga, rainha da Sérvia: a vítima da Mão Negra.

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