26 de março de 2012

The Ignored

Autor: Bentley Little
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: Signet
Páginas: 429
Preço: € 7
ISBN:  978-0451192585

Avaliação:
***** (bom)

The Ignored foi o romance de estreia de Bentley Little; recebeu inúmeros elogios dos seus pares, nomeadamente Stephen King e Ramsey  Campbell, dois dos mestres da literatura fantástica.

Este é o segundo livro que leio deste autor, depois de The Store. Não gostei tanto deste mas Little é um escritor que tenciono continuar a ler porque gosto dos temas abordados (com enfoque principal na desumanização do indíviduo e na perda de identidade individual).

Neste livro, o nosso narrador é Bob Jones, um tipo mediano em tudo, desde o trabalho às relações humanas. Bob gosta da música do momento, dos filmes mais comerciais, veste-se normalmente e tem uma vida afectiva sem sobressaltos. Bob não se destaca em nada, é tão mediano e comum que ninguém repara nele
, ao ponto de começar a faltar ao trabalho e ninguém dar pela sua falta.

Apercebendo-se disso, Bob começa a retrair-se e a fechar-se, ao ponto de ficar sozinho e isolado do resto do mundo; apercebe-se então que é um "ignorado", alguém que passa completamente despercebido de tão mediano que é.
Mas há outros como ele e, ao juntarem-se, tomam como missão mostrar aos que não são "ignorados" que a sua condição os torna especiais e os liberta das normas sociais e do cumprimento da lei.

O primeiro terço do livro é o mais perturbante, na minha opinião. Acompanhar o processo de desumanização de Bob é assustador e triste e sente-se o desespero da sua situação; é complicado passar desta parte depressiva. A segunda parte compensa, é mais animada e tem situações mais empolgantes; a última parte foi a que gostei menos, não apreciei o rumo que a história tomou.

A narrativa desenrola-se a bom ritmo e gostei da ideia geral e da mensagem latente. a finalização ficou aquém das expectativas, mas em geral é um bom livro.

Um autor a seguir, definitivamente.

16 de março de 2012

Blasfémia


Autor: Asia Bibi (Anne-Isabelle Tollet)
Género:
Biografia

Idioma: Português
Editora: Alêtheia Editores
Páginas: 142
Preço: € 10
ISBN:  978-9-89-622417-2
Título original: Blasphème

Avaliação: **** (bom)


Blasfémia chegou até mim no seguimento da iniciativa de leitura conjunta da Paula T, no blog viajar pela leitura.

O objectivo é fazer circular o livro e, assim, dar a conhecer a história de Asia Noreen Bibi, uma cristã num Paquistão populado por milhões de muçulmanos. Asia esforça-se por sobreviver diariamente, fazendo limpezas e trabalhando nos campos, tudo o que possa render dinheiro para comprar alimentos para os filhos. O marido trabalha numa fábrica de tijolos e, juntos, vivem o dia a dia como podem, tentando não enfurecer os vizinhos, que não lhes perdoam por não serem devotos a Alá.

Asia encontra-se presa vai fazer 3 anos, acusada de blasfémia e condenada à morte por enforcamento. O crime? Ter bebido água. Num dia de trabalho no campo com outras muçulmanas, Asia teve sede, tirou água de um poço e bebeu-a. Quando encheu de novo o copo e o ofereceu à mulher a seu lado, assinou a sua sentença de morte.

Asia é cristã e o copo pertencia às companheiras muçulmanas. Ao mergulhar de novo o copo na água depo
is de ter bebido, "sujou" a água; o gesto foi um insulto religioso. A notícia espalhou-se e Asia foi espancada e escoltada pela polícia local. Ficou um ano na cadeia a aguardar julgamento e foi sentenciada à morte, onde aguarda, até hoje, a execução.

«Asia Noreen Bibi, em virtude do artigo 295.º-C do código paquistanês, o tribunal condena-vos à pena capital por enforcamento e a uma multa de 300.000 rupias.» (o valor representa cerca de 2500 euros, uma quantia milionária no Paquistão.)

O
Papa Bento XVI manifestou falou publicamente o seu apoio a Asia e dois políticos do seu país defenderam a sua causa, sendo que um deles, ministro das minorias, chegou a encontrar-se com Hillary Clinton para apelar à libertação da mãe de família. Ambos os políticos foram, entretanto, assassinados por mártires islâmicos, por defenderem os impuros que não professam o Islão.

Hoje, somente o marido e o advogado conseguem vê-la, em condições muito difíceis e apenas através de uma câmara, instalada na cela de Asia. Esta vive em condições sub-humanas, sendo que vários anónimos (com receio de represálias) a ajudam a passar palavra cá para fora. Sempre que as condições de segurança o permitiram, cada capítulo do manuscrito foi-lhe apresentado. O texto deste livro contém o seu total acordo e apoio à sua publicação. Asia Bibi quer ser ouvida e deseja que conheçam a sua história; este é um relato extraordinário na primeira pessoa, que choca quem vive num país minimamente civilizado
.

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