13 de setembro de 2012

Sputnik meu amor


Autor: Haruki Murakami
Género:
Romance

Idioma: Português
Editora: Casa das Letras
Páginas: 238
Preço: € 13
ISBN:  978-9-72-461582-0
Título original: Sputnik sweetheart

Avaliação: *** (mediano)


Há que tempos que andava para ler o mui famoso Murakami. Como o autor tem livros volumosos e porque não sabia se gostaria do estilo, decidi apostar pelo seguro e comprar Sputnik meu Amor, um título com menos de 300 páginas e a preço de saldo num alfarrabista.

O estilo de Murakami é diferente, admito. A história, apesar de não ser genial, é escrita de uma forma muito elegante e os personagens são envolventes; gostamos deles e queremos seguir o seu percurso, como que para compensar a sua sinceridade para connosco (estranho...)
.

O início do romance não é o mais emocionante: o nosso narrador, um professor, está apaixonado pela rebelde Sumire, que está apaixonada pela misteriosa Miu, que é casada mas não está apaixonada por ninguém. As duas mulheres tornam-se amigas e decidem trabalhar juntas; quando passam férias numa ilha grega, a sua relação muda e a leitura torna-se inquietante, com várias reflexões sobre o amor, as relações amorosas e a perda.

«"Na Primavera dos seus vinte e dois anos, Sumire apaixonou-se pela primeira vez na vida. Foi um amor intenso como um tornado abatendo-se sobre uma planície - capaz de tudo arrasar à sua passagem, atirando com todas as coisas ao ar no seu turbilhão, fazendo-as em pequenos pedaços, esmagando-as por completo. (...) A pessoa por quem Sumire se apaixonou, além de ser casada, tinha mais dezassete anos do que ela. E, devo acrescentar, era uma mulher (...) Foi a partir daqui que tudo começou, e foi a partir daqui que (quase) tudo acabou."»

Murakami escreve de uma forma simples mas bonita. Talvez este livro não seja o melhor exemplo da afamada beleza da sua escrita, mas é um bom exemplo de como uma narrativa simples evoca leveza. Sente-se isso nas páginas. Pessoalmente, prefiro uma acção mais dinâmica e intrincada, mas é bom variar.

Irei ler outros títulos de Haruki Murakami, mas não fiquei impressionada
; o final do livro obriga a reflectir, mas preferia ter lido algo mais emocionante e que fizesse juz à fama do autor. Fica para a próxima.

13 de agosto de 2012

A independência de uma mulher


Autor: Colleen McCullough
Género:
Romance

Idioma: Português
Editora: Bertrand Editora
Páginas: 384
Preço: € 17
ISBN:  978-9-72-252196-3
Título original: The independence of Miss Mary Bennet

Avaliação: ** (fraco)


Para quem gostou de ler Orgulho e Preconceito (OeP), torna-se natural procurar livros derivados do clássico de Jane Austen. E há muitos, embora os títulos traduzidos em Portugal sejam escassos.

A independência de uma mulher centra-se no patinho feio das irmãs Bennet, Mary, a mesma que no livro original, teve uma dúzia de falas azedas e foi retratada como uma tótó religiosa e anti-social, a quem horrorizavam trivialidades como roupa, bailes e flirts.
Este livro compensa isso, é todo sobre Mary. O facto de ser escrita pela autora de Pássaros Feridos e da saga Roma aguçou-me a curiosidade.

A acção passa-se 20 anos após o final de OeP, e encontramos as quatro irmãs emparelhadas, enquanto a solteirona Mary tem o encargo de tratar da mãe viúva. A matriarca foi mantida afastada da vida social numa casa longe de Londres (e Pemberley) por vontade e sentença de Darcy, que neste livro se revela um tirano calculista da pior espécie, cuja única ambição é a ascensão política.

Mary é a única companhia da mãe, tem 38 anos e ideias bastante diferentes do que lhe conhecemos em OeP. Diferente também está Lizzie, que vive um casamento de fachada com Darcy. Jane é uma máquina de fazer bebés incessante, Lydia tornou-se uma alcoólica libertina e Kitty é uma viúva milionária. Quando a mãe morre, Mary decide viajar pelo país e escrever um relato do drama dos pobres, mas as suas viagens de pesquisa irão colocar em risco a sua própria vida, o que leva a algumas peripécias.

O livro é infinitamente longo, o que seria de louvar se a história fosse deliciosa como Orgulho e Preconceito. Se fosse, porque não o é. Houve momentos
da leitura tortuosos, porque simplesmente não tinha interesse em saber o que aconteceria. Não me vou alongar a falar da deturpação das personagens e do tom melodramático adoptado porque foi um rumo criativo que Colleen decidiu seguir e que poderia ter resultado com outro tema, mas aqui não resultou. Simplesmente, há caminhos que a autora decidiu seguir que são patetas e que não destoariam num romance de cordel; aqui caem muito mal.

Sinceramente, comecei  a ler o livro com bastante entusiasmo, porque pensei que as críticas negativas fossem de puristas de Jane Austen arreliadas, mas as minhas expectativas foram goradas logo nos primeiros capítulos. Fiz ponto de honra concluir a leitura, com alguma esperança que melhorasse, mas conta-se poucas porções interessantes entre muitas chatas e pouco coerentes. Uma pena.

Há uma versão de bolso deste livro, por 9€. Para quem não acredita que possa ser um livro fraco e quiser ler para crer, é uma opção mais em conta
.
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