13 de maio de 2020

A arte subtil de saber dizer que se f*da

 
Autor: Mark Manson
Género: Desenvolvimento Pessoal
Idioma: Inglês
Duração: 5h e 18min
Editora: Harper Audio
Ano: 2016
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Nunca tinha ouvido falar do autor antes de ver este livro à venda. Não sabia que mantinha um blog de sucesso nem que é um coach com um número significativo de adeptos.


A mensagem deste livro, empacotada de forma irreverente com um título colorido, foge à linguagem tradicional dos livros de auto-ajuda mas acaba inevitavelmente por abordar vários aspectos do desenvolvimento pessoal.

Os capítulos iniciais, não sendo extraordinários, são os melhores. O autor partilha a sua história, explica-nos como chegou até onde chegou, o que o levou à mudança; rapidamente desce em interesse e relevância. Resume-se a meia hora de substância em mais de cinco horas de escuta.

Não sou o público-alvo deste livro. Algumas tiradas são sexistas, muitas outras são superficiais. Muitas ideologias são abordadas superficialmente, mas há livros inteiramente dedicados ao estoicismo, ao budismo, ao existencialismo, para quem quiser aprofundar o conhecimento. Mas as que são evocadas são-no feitas a meio-gás e de forma poucachinha.

Em muitas alturas da nossa vida temos de dizer "que se foda”, assim como escolher as nossas lutas, criar prioridades, “crescer”, etc.; este livro não é/será o (melhor) mapa para isso. 
O poder do marketing e o apelo de um título "cool" podem fazer muito pelas vendas de um livro mas por estar no top tantas semanas como esteve não o torna, obviamente, um bom livro.
 
Sei que o vou esquecer rapidamente.

**
(fraco)

9 de maio de 2020

Brave

 
Autor: Rose McGowan
Género: Biografia
Idioma: Inglês
Duração: 6h e 53min
Editora: Harper Audio
Ano: 2018
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O nome de Rose McGowan evoca algumas interpretações do cinema indie, onde se estreou nos anos 90. Com o passar dos anos, fez a transição para o cinema comercial (Scream de Wes Craven; Planet Terror de Robert Rodriguez) e para a televisão (Charmed). Depois deixou de aparecer. Há uns anos, quando se assumiu como uma das vítimas de abuso sexual de Harvey Weinstein, tornou-se uma das figuras principais do movimento Me Too.

Brave começa pelo início: Rose nasceu em Itália em 1973, no culto “Children of God”, de onde o pai se escapou com os filhos tinha Rose 10 anos. A relação com os pais, mesmo fora do culto e já a viver nos EUA, sempre foi turbulenta. Anos mais tarde e já adulta, diz que caiu vítima de outro culto: o de Hollywood.

Apesar de gostar dos filmes em que participava, McGowan diz que sempre se sentiu desconfortável com a obsessão por um corpo e rosto perfeitos e pela constante sexualização da sua imagem. O ponto de viragem foi no final dos anos 90, quando se terá tornado mais uma vítima de Harvey Weinstein. Rose teria 23 anos, estava habituada a relações abusivas e a ver o seu valor ligado ao quão sexy era a sua imagem. Quando alegadamente contou o que acontecera, o conselho foi que ficasse calada (a autora critica o enorme grupo de pessoas em Hollywood que auxiliam os “inúmeros predadores sexuais a ficarem impunes”, a fim colherem benefícios pessoais do poder e do dinheiro dos agressores); nunca apresentou uma queixa na polícia.

Após este episódio, Rose McGowan decidiu afastar-se do mundo do cinema e investir na sua vida afectiva - a sua relação com o músico Marilyn Manson deu que falar. Quando protagonizou um filme com Robert Rodriguez mantendo uma relação com ele (que era casado), foi a gota d’água: era definitivamente uma actriz ambiciosa disposta a tudo e uma mulher promíscua. Tinha agora um rótulo e nada do que fizesse iria alterar isso...

Brave é um manifesto sem barreiras. Rose McGowan assume-se como uma activista destemida e determinada a expôr a verdade sobre a indústria do entretenimento, e ficar calada e não fazer ondas não é opção. Pelo caminho, desmonta o conceito de fama e lança uma luz fria sobre a máquina de Hollywood, da qual se recusa voltar a fazer parte. Urge aos leitores que se recusem a ser manipuladas pelos filmes e sejam corajosas, num apelo à acção de homens e mulheres para "serem gentis e decentes uns para com os outros".

A autora queixa-se que, durante anos, não foi ouvida, não sentiu que fosse respeitada ou levada a sério. Algumas mulheres poderão identificar-se com isto, principalmente quando é descrita a forma como se espera que uma mulher aja quando confrontada com o mundo real: agradável, educada, dócil, facilmente manipulada. 

Livros como Brave podem iniciar discussões sobre a necessidade das mulheres denunciarem situações de assédio e violência. Devem fazê-lo; essas histórias precisam de ser contadas. O facto de algumas vozes terem criticado a Rose McGowan por ser alegadamente doente mental em nada diminui a mensagem do livro nesse aspecto - já para não dizer que as pessoas com problemas mentais também têm voz. A autora admite que foi diagnosticada com transtorno depressivo e que durante anos sofreu de anorexia nervosa. 

Brave é um livro que nos deixa desconfortável, onde questionamos as escolhas da autora que repudia a indústria que lhe deu fama e sustento durante vários anos e que parece ter quase sempre escolhido parceiros abusivos. Nisso Rose McGowan está longe de ser uma mentora. O seu estilo é emocional e há muita raiva e linguagem colorida. É um facto e não deve ser um impedimento para não o ler. Os seus vídeos no YouTube mostram uma mulher zangada, transtornada e muito fragilizada; cada um é livre de interpretar e aceitar o seu discurso abrasivo e linguagem corporal

Ouvi este audiolivro duas vezes seguidas e o impacto da mensagem não perdeu impacto aquando da segunda escuta. A importância de muito do que é dito é tão relevante como isso.

*****
(muito bom)

28 de abril de 2020

Alien


Autor: Alan Dean Foster
Género: Terror, Ficção Científica
Idioma: Inglês
Páginas: 288
Editora: Titan Books (e-book)
Ano: 2014
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Alien - o 8.º passageiro é um filme de culto.

É também um dos meus filmes favoritos dentro do género de terror, tendo envelhecido muito bem (é de 1979).
 
Escrito por Alan Dean Foster, o livro aprofunda a descrição das personagens e inclui cenas que não entraram no final cut do filme, o que oferece a oportunidade de apreciar o filme de uma forma diferente após a leitura, tornando a narrativa mais envolvente e aumentando o suspense.
«I’m not afraid of the dark I know. It’s the dark I don’t that terrifies me.»
Uma das partes mais desenvolvidas é a interação da tripulação. Assim, percebemos melhor os conflitos que surgem e o que motiva as suas decisões no filme. O autor não só faz justiça ao guião como ainda o melhora - gostei especialmente do capítulo que desenvolve a expedição dos três membros da tripulação ao planeta árido onde Kane é infectado.

Por outro lado, a heroína de serviço, Ellen Ripley, não é favorecida no livro, sendo descrita como uma pessoa beligerante e arrogante, com dificuldade em comunicar com os colegas. O seu diálogo com Ash, o andróide, também é diferente do do filme, assim como algumas mortes.

Não sou de ler novelizações mas como fã da saga Alien só haveria ganhos na leitura; acabei por apreciar ainda mais (!) o filme.

*****
(muito bom)
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