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28 de abril de 2020

Alien


Autor: Alan Dean Foster
Género: Terror, Ficção Científica
Idioma: Inglês
Páginas: 288
Editora: Titan Books (e-book)
Ano: 2014
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Alien - o 8.º passageiro é um filme de culto.

É também um dos meus filmes favoritos dentro do género de terror, tendo envelhecido muito bem (é de 1979).
 
Escrito por Alan Dean Foster, o livro aprofunda a descrição das personagens e inclui cenas que não entraram no final cut do filme, o que oferece a oportunidade de apreciar o filme de uma forma diferente após a leitura, tornando a narrativa mais envolvente e aumentando o suspense.
«I’m not afraid of the dark I know. It’s the dark I don’t that terrifies me.»
Uma das partes mais desenvolvidas é a interação da tripulação. Assim, percebemos melhor os conflitos que surgem e o que motiva as suas decisões no filme. O autor não só faz justiça ao guião como ainda o melhora - gostei especialmente do capítulo que desenvolve a expedição dos três membros da tripulação ao planeta árido onde Kane é infectado.

Por outro lado, a heroína de serviço, Ellen Ripley, não é favorecida no livro, sendo descrita como uma pessoa beligerante e arrogante, com dificuldade em comunicar com os colegas. O seu diálogo com Ash, o andróide, também é diferente do do filme, assim como algumas mortes.

Não sou de ler novelizações mas como fã da saga Alien só haveria ganhos na leitura; acabei por apreciar ainda mais (!) o filme.

*****
(muito bom)

10 de julho de 2018

The girl before



 Autor: J.P. Delaney
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 354
Editora: Random House LLC (Kindle)
Ano: 2017
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The girl before é um thriller envolvente passado numa casa muito especial e contado numa narrativa paralela de passado e presente. A deslumbrante e insegura Emma, ​​a inquilina passada, está tentar recuperar de um assalto recente que a forçou a uma mudança urgente de casa; a racional e metódica Jane, a inquilina actual, luta por ultrapassar o trauma de um nado-morto trabalhando como voluntária numa organização que apoia mulheres na mesma situação. Tanto Emma como Jane, bastante diferentes entre si, anseiam por um novo começo em One Folgate Street, uma casa ultra-minimalista com um sistema domótico topo de gama.

A casa está disponível por um preço acessível se o inquilino concordar com um conjunto de regras restrito - não são permitidas crianças, animais de estimação, livros, tapetes, cortinas, etc. - e em ser monitorizado pelo computador que regula a habitação - e se "adapta" ao inquilino. Edward Monkford, o arquiteto, selecciona criteriosamente os candidatos, e o contrato de arrendamento é rígido e claro na exclusão daqueles que não cumprem as cláusulas
(mais de 200). Curiosamente, o arquitecto envolve-se sexualmente com Emma e Jane, revelando-se um narcisista que as relembra frequentemente que a relação durará enquanto for perfeita... Fragilizadas pelos acontecimentos recentes e a anos-luz do equilíbrio emocional, ambas cedem facilmente à figura, numa relação cuja entrega começa e acaba no acto sexual.

 
"Everything that's yours was once hers."


Atmosférico e perverso q.b., The girl before é uma leitura viciante. Uma das coisas que mais me agradou foi a forma como a acção avança rapidamente. As histórias paralelas de Emma e Jane convergem rapidamente à medida que Jane vai descobrindo mais sobre Emma e o que poderá ter levado ao seu homicídio (ou suicídio), ao mesmo tempo que tenta ultrapassar a sua perda. As reviravoltas são interessantes e o final está bem conseguido.

Um bom thriller cujos direitos já foram comprados por Hollywood.

J.P. Delaney é o pseudónimo do autor Tony Strong, cujo trabalho desconheço; leria outro livro dele.
  


****
(bom)

17 de outubro de 2017

Little Children


Autor: Tom Perrotta
Género:
Romance
Idioma: Inglês

Páginas: 336
Editora:
St. Martin's Paperbacks

Ano:
2004

ISBN: 0-312-99032-4
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Bem-vindos ao típico subúrbio americano: populado pela classe alta, belas vivendas de 2 andares com relvados verdejantes e carros recentes, parques infantis sempre lotados onde os utentes debitam filosofias de vida e conselhos de como educar os filhos - como ser pai é deixar de ser egoísta e aprender a viver para uma outra pessoa, atingindo uma consciência superior.

Nem todas as personagens de Little children – todos eles residentes na mesma área - são assim: temos pais aborrecidos para lá do imaginável, cansados da sua prole, altamente susceptíveis ao adultério; pais que se esquecem de embalar lanches e peluches preferidos; ou os que andam com os filhos no parque a horas pouco recomendáveis, mesmo quando um ex-recluso (condenado por se ter exibido a uma menor) se muda para a vizinhança… há aqui um real desejo de fuga.

Tom Perrotta não poupa as suas personagens, é satírico no seu retrato, mas há um cuidado em humanizar sem ceder ao sentimentalismo.

Uma das protagonistas é Sarah, que não se identifica com as outras mães que passam o tempo a falar dos filhos e se sente isolada e sem amigos. Em casa, ela e o marido tornaram-se estranhos. A única coisa que a ajuda a suportar a rotina é Todd, um pai dono de casa que também leva o filho ao parque todos os dias e bastante cobiçado pelas mulheres da vizinhança. A solidão e o tédio vão levar a que tenham um caso amoroso que se torna um dos dramas centrais do livro, mas há outros dramas em abundância.

Little children não é livro que nos faça sentir bem nem tem personagens simpáticas mas está muito bem escrito, não é previsível e é interessante.

Este foi o primeiro livro que li de Tom Perrotta e não será o último.

****
(bom)

1 de março de 2016

The birds & and other stories


Autor:
Daphne du Maurier
Género:
Contos
Idioma: Inglês

Páginas: 208
Editora:
Little, Brown and Company (Kindle)

Ano:
2013
 

ASIN: B00GR5N2Q6
 
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Quem não se lembra do apocalipse aviário de Hitchcock, baseado no clássico da autora, Os Pássaros? Eu lembro-me bastante bem e essa foi a razão principal de ter lido este livro. 

O que descobri foi surpreendente: o conto original, nada tendo a ver com o argumento cinematográfico, consegue superá-lo.

The birds & and other stories é uma colecção de seis contos, todos eles marcantes, detentores de uma voz própria e de uma beleza gótica inspiradora.

THE BIRDS foi a inspiração para o filme do mestre do suspense; causa a mesma inquietude que o filme, apesar do cenário e dos protagonistas serem diferentes: um agricultor da costa inglesa narra o cenário gradualmente aterrorizador do que acontece quando as aves ganham uma consciência colectiva e decidem atacar durante a noite, permanecendo vigilantes durante o dia. Pelos olhos de um homem simples, vamos percebendo o aproximar de um reino de terror com asas e bico, e as tentativas impotentes para o deter.

MONTE VERITÁ conta a história de um culto misterioso que atrai mulheres com a promessa da eterna juventude.
Foi o menos interessante.
 

APPLE TREE é sobre um homem que enviuvou recentemente e que começa a ver numa macieira do seu quintal várias semelhanças com a falecida esposa, desfiando o rosário de como esta era apática e pessimista e que ter morrido foi uma libertação de uma vida sem cor. Esta foi a minha história favorita, muito rica em nuances.

LITTLE PHOTOGRAPHER é sobre uma marquesa rica e sofisticada mas aborrecida até à última casa. Durante as férias de verão, inicia um caso com um fotógrafo local
mas rapidamente percebe que não pode controlar tudo o que a rodeia.

KISS ME AGAN STRANGER.
numa ida ao cinema, o narrador apaixona-se por uma funcionária e segue-a até casa, acabando num cemitério a meio da noite. Esta foi a história mais ambígua e inquietante pois dá azo a mais do que uma interpretação e é uma piscadela de olho ao mundo do sobrenatural.

OLD MAN fecha com chave d´ouro, um conto bonito que dá uma reviravolta inesperada nas últimas frases. 




No geral, gostei bastante e nunca pensei que du Maurier tivesse uma voz tão dark; claramente uma autora a explorar.  

****
(bom)

4 de abril de 2015

O leitor


Autor:
Bernhard Schlink
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 144
Editora:
Edições Asa

Ano:
2009
ISBN: 978-972-4120096
Tradução: Fátima Freire de Andrade
Título original: Der Vorleser 
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O Leitor, escrito em 1995, é, desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido mundialmente. Traduzido em 45 línguas, recebeu vários prémios literários e foi adaptado ao cinema, onde ganhou um Óscar para Melhor Actriz.
O autor é um juiz reformado e escritor alemão, que dá aulas de Direito e Filosofia. Vi o filme há alguns anos mas o livro tem estado em espera até há pouco.

Michael Berg tem 15 anos e adoece com hepatite. Um dia, na rua, sente-se mal e é ajudado por uma mulher, Hanna, vinte anos mais velha. Entre os dois nasce uma relação pontuada por um ritual inalterável: o banho, o sexo e a leitura, onde o rapaz lê alto para a amante. Michael vive o seu  primeiro amor intensamente e fica destroçado quando Hanna parte sem aviso.

Reencontra-a anos mais tarde, ele um estudante de Direito num seminário sobre os crimes nazis, ela no banco dos réus com outros ex-guardas de um campo de concentração. Durante o processo, Michael é confrontado com um segredo de Hanna, uma revelação que explica alguns acontecimentos passados e que pode ser a chave para a libertar de uma vida na prisão.

O livro está dividido em três partes, que marcam as principais etapas da vida de Michael, o nosso narrador. Inicialmente focado numa narração levemente erótica do primeiro amor, evolui para uma reflexão dolorosa sobre a geração cúmplice dos nazis, a braços com a vergonha das suas acções, julgada pelos seus descendentes, em busca de respostas e uma explicação racional, que poderá não existir nem ser descoberta.

O Leitor é um bom livro, apesar de desconfortável. É breve mas complexo e fica na memória pelas questões que levanta e para as quais é difícil encontrar uma resposta satisfatória. Um livro poderoso, com algumas passagens poéticas e uma homenagem profunda e irreverente ao poder da literatura e a muitas coisas mais. A ler. 

****
(bom)

8 de março de 2015

Adaptação ao cinema: 'Lugares Escuros'

Depois do sucesso da adaptação do bestseller Gone Girl/Em Parte Incerta por David Fincher (realização) e Gillian Flynn (argumento), que valeu a Rosamund Pike uma nomeação ao Óscar para Melhor Actriz, aguardam-se notícias das adaptações em curso dos outros dois livros da autora, Lugares Escuros e Objectos Cortantes, ao cinema e à televisão, respectivamente.


Há novidades em relação à adaptação de Lugares Escuros: o lançamento do trailer (e do primeiro poster) oficial. 

Libby Day é a única sobrevivente de um massacre que vitimou a sua família e cujo autor terá sido o seu próprio irmão, contra quem ela testemunhou. 25 anos depois, é contactada pelo "Kill Club", um grupo obcecado por crimes mediáticos, que a confrontam e dizem ter novas pistas sobre o massacre.


Lugares Escuros foi o segundo livro a ser publicado por Flynn e será a segunda adaptação a ser lançada, mas desta vez a autora não esteve envolvida na escrita do argumento, numa produção que conta ainda com Christina Hendricks, Chloe Grace Moretz e Nicholas Hoult.

Pessoalmente, gostei bastante do livro (é um excelente thriller) e estou entusiasmada em ver o resultado final. A escolha dos actores parece-me boa (admito que Charlize não é a Libby que eu imaginei) e a história é excelente, por isso espero um bom filme.

O lançamento de Lugares Escuros será a 8 de Abril em França, sendo que ainda não há data prevista do mesmo nos Estados Unidos (nem em Portugal).

Informação obtida daqui e daqui.

28 de janeiro de 2015

Nove semanas e meia


Autor: Elizabeth McNeill
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 152
Editora:
Quinta Essência

Ano:
2014
ISBN: 978-989-7261145
---

Vi o filme Nove semanas e meia há muitos anos e houve algumas cenas que ficaram na memória, muito por culpa da química entre os protagonistas. O que eu desconhecia era que se baseava num livro e que o filme é uma versão muito mais romântica e a anos-luz  da violência da obra original.

Escrito pela austríaca Ingeborg Day, que emigrou para a América ainda jovem, sabe-se hoje que é uma semi-biografia de um relacionamento que a autora viveu em terras americanas. Independentemente disso, é uma leitura explosiva, e deve ter sido uma "bomba" quando foi publicado, em 1978.

Elizabeth tem um quotidiano igual a tantos outros: trabalha para pagar as contas, sai com os amigos para desanuviar e dar umas gargalhadas e procura uma relação que a satisfaça em pleno. Quando conhece um homem (cujo nome nunca é referido), o sexo passa de excitante a arrebatador, mas sempre com um traço de domínio sobre ela, ao ponto de Elizabeth não perceber se consegue parar de ver um homem que a controla totalmente e como será se ele a deixar, numa dependência para lá de doentia.

Pessoalmente, acho difícil que Nove semanas e meia passe por literatura erótica; é claramente o contrário: uma mulher que quando vai ter com o amante, é banhada, penteada e alimentada pela mão dele, enquanto se encontra algemada (a maioria das vezes) aos pés dele e castigada física e psicologicamente quando se recusa a alinhar nos jogos e encenações que ele prepara, é a antítese do que considero erótico. Achei o livro nauseante neste aspecto. O homem misterioso nunca se dá e isso acaba por ser fatal ao relacionamento, mas a protagonista aguenta - e aceita - mais do que seria normal numa pessoa equilibrada.

Apesar disso, a autora consegue ter uma escrita elegante e manter-se factual, compondo uma Elizabeth credível e profundamente normal (vista de fora), apanhada numa situação que vai permitindo até... não permitir mais.

Curiosamente, a adaptação ao cinema é melhor digerida, mantendo os aspectos mais importantes e evitando os mais controversos, mas dando a ideia certa: a dos efeitos que uma relação de dependência tem no submisso, que vai abdicando gradualmente do seu eu em prol do dominante, até isso ser a normalidade entre os dois e ter consequências irreversíveis, porque só se evolui daí para algo pior. 

Podem ler um excerto do livro aqui. Gosto de leituras ecléticas, embora nem todas sejam livros a reter, como este.

***
(mediano/razoável)

10 de janeiro de 2015

A semente do diabo (Rosemary´s baby)


Autor: Ira Levin
Género:
Terror
Idioma: Inglês

Páginas: 256
Editora:
Pegasus Books

Ano:
2011
ISBN: 978-145-3217542
---

A semente do diabo (Rosemary´s baby) é considerado um dos clássicos definidores do género de terror. Adaptado ao cinema, por Roman Polanski, um ano após a edição, foi um best seller que vendeu milhões de exemplares e se tornou o livro de terror mais vendido da década de 60.

Passada em Nova Iorque, a história segue Rosemary e Guy Woodhouse, um casal de recém casados à procura de uma casa maior para constituírem família. Ao visitarem o edifício Bramford, ficam interessados num dos apartamentos; apesar de um amigo os avisar do historial negro do prédio, o casalinho não se deixa dissuadir e aluga a casa.

Guy, um actor que aguarda pelo papel que o lançará na ribalta, passa o dia em castings e filmagens, deixando a Rosemary a função de transformar a nova casa num lar. Os seus vizinhos do lado são um excêntrico casal de velhotes que não perde uma oportunidade de socializar; Rosemary acha-os inconvenientes, mas Guy afeiçoa-se a eles e tenta inclui-los em tudo.

Quando um actor importante cega subitamente, Guy é chamado para o substituir, despertando a atenção da indústria. À medida que os papéis se sucedem (e Hollywood deixa de ser uma miragem), Guy começa a falar em ter filhos, deixando Rosemary nas nuvens. Quando a jovem engravida, tem dores constantes e sente-se isolada, convivendo apenas com Guy e os vizinhos séniores, enclausurando-se no Bramford e alienando família e amigos.

A semente do diabo é um livro interessantíssimo, bem escrito e que prende do início ao fim. Polanski adaptou-o soberbamente. O terror é gradual, as peças vão-se juntando com mestria e os personagens estão bem estruturadas e são memoráveis; o final é bom.

Já está na altura de uma reedição deste livro em Portugal, ainda mais com a adaptação televisiva de 2014, com Zoe Saldana - que já está na lista para ver em breve.

****
(bom)

28 de setembro de 2014

O diabo veste Prada


Autor: Lauren Weisberger
Género:
Literatura Light
Idioma: Português

Páginas: 366
Editora:
Editorial Presença

Ano:
2003
ISBN: 978-972-2331944
Título original: The devil wears Prada
Tradução: Maria do Carmo Figueira
---

O diabo veste Prada é a história de Andrea Sachs, 23 anos, rapariga certinha, cheia de sonhos e aspirações, cujo maior desejo é trabalhar numa das publicações que admira, escrevendo peças jornalísticas.
 
Num golpe de sorte, a recém-licenciada consegue rapidamente o seu primeiro trabalho: assistir Miranda Priestly ("A" editora de moda) na Runway ("A" revista de moda), «um emprego pelo qual um milhão de jovens mataria». Os RH avisam que Miranda tem fama de ser exigente, mas que Andrea não estranhe muito. Apesar de nunca ter lido a Runway nem nunca ter ouvido falar da sua chefe, a jovem está optimista e quando lhe dizem que quem desempenha a função com competência durante um ano, tem a oportunidade de trabalhar em praticamente qualquer revista ou jornal que queira, pois Miranda conhece toda a gente e todos a querem agradar, a moça dedica-se a 100%.
 
Andrea apercebe-se que o ano vai ser longo e complicado desde o primeiro dia, num ambiente hostil e fashion que não combina com ela e onde a maioria das pessoas respira moda e goza com os modelitos da protagonista. Miranda revela-se uma mulher inacessível, de rituais definidos e que não admite ser abordada. As suas assistentes têm de estar disponíveis 24 horas por dia e ser inventivas, desempenhando tudo o que é pedido sem questionar ou falhar, mesmo as coisas mais absurdas (e há umas quantas).
 
Andrea vai ser testada até ao limite num emprego que lhe exige uma dedicação total mas a que ela se entrega, convicta de que tudo valerá a pena; à sua volta, as relações humanas vão ficando em segundo plano, à medida que Andrea se rende às marcas, à moda e à arte do bem (a)parecer, acabando por aceitar como normal o que antes considerava estranho e colocando a chefe (e os seus muitos desejos e exigências) no centro do seu mundo. No final, vai ter de escolher o que quer, num livro que nunca deixa de ser ligeiro, mesmo quando aborda temas adultos.
 
Aquando do lançamento do livro, em 2003, toda a gente sabia (apesar da alteração de nomes) que a protagonista do livro era a própria autora, que a revista em causa era a Vogue americana e que a "cabra de serviço" era a icónica Anna Wintour. Isso não alterou a minha forma de ler o livro, mas garantiu publicidade à autora e seis meses na lista dos bestsellers.

Este é um dos raros casos em que o filme supera a história original. Isso deve-se em grande parte à excelente Meryl Streep como Miranda Priestly, que dá uma dimensão mais humana à vilã de serviço, afastando-a da caricatura do livro.

O diabo veste Prada é narrado por uma miúda num tom egocêntrico que acaba por se tornar aborrecido, tal a repetição de queixas e lamúrias a cada linha. Este livro nunca faria grande sentido para mim porque a minha entrada no mundo laboral não foi remotamente parecida, mas a forma de ser de Andrea acaba por se tornar irritantemente imatura e egoísta para qualquer um. No filme, Anne Hathaway é bem mais empática e a história é alterada de forma a ser mais plausível, já para não falar que permite ter uma maior percepção do peso da indústria da moda (e da competição feroz), passando a mensagem de uma forma mais inteligente que o livro.

Repito que é caso raro: prefiro o filme mil vezes.

***
(mediano/razoável)

16 de setembro de 2014

O silêncio dos inocentes


Autor: Thomas Harris
Género:
Policial/Thriller
Idioma: Português

Páginas: 306
Editora:
Editorial Notícias

Colecção: Made in USA
Ano:
2000
ISBN: 978-972-4610801
Título original: The silence of the lambs
---

Sou fã de Hannibal Lecter desde a excelente adaptação a cinema de Jonathan Demme, que arrecadou cinco Óscares e deu a Anthony Hopkins o papel da sua carreira (a sua interpretação é perfeita e arrepiante).

Ultimamente, o meu gosto pela personagem foi aguçado pela incrível série de televisão Hannibal, e tive curiosidade em saber mais sobre a história e as personagens criados por Thomas Harris há mais de 30 anos (xiii, o tempo passa ligeiro). Como nunca tinha lido os livros, e a terceira temporada da série só chega no próximo ano, lancei-me à colecção.

O silêncio dos inocentes centra-se em Clarice Starling, a acabar o curso de agente do FBI, a quem é dada a oportunidade de entrevistar o Dr. Hannibal "Canibal" Lecter, um psicopata (e psiquiatra reconhecido) preso por assassinar e devorar as suas vítimas. A ideia é obter um conhecimento mais aprofundado dos assassinos em série, mas a peculiar colaboração entre ambos faz avançar o caso mais mediático do momento, o de Buffalo Bill, um homem que rapta e esfola as sua vítimas e cujos intentos são ainda desconhecidos.

Com a sua inteligência e franqueza, Starling conquista Lecter, que vê nela uma hipótese de sobreviver à prisão onde o encerraram para sempre. As cenas entre os dois são magnéticas e Buffalo Bill é um serial killer tão sinistro e calculado que só uma grande mente o apanharia (e com ajuda, claro). Neste livro, os mauzões ganham em tudo: carisma, inteligência, complexidade. É entusiasmante ir fazendo o puzzle a cada nova pista e revelação. 

Apesar de já ter visto o filme várias vezes, gostei bastante do livro e algumas partes foram surpreendentes q.b., porque há sempre omissões e alterações na adaptação a cinema. Foi giro verificar que uma das frases mais famosas do filme não foi tirada ipso verbo do livro: quando o infame Lecter diz que comeu o fígado de um censor «with some fava beans and a nice Chianti», numa das cenas-ícone do filme, no livro, o vinho é outro, é um Amarone.

O livro é muito bom e ganha com a adaptação a cinema, porque é impossível não imaginar Sir Anthony Hopkins, e é superior. Thomas Harris estava muito à frente do seu tempo e o livro tem uma astúcia e originalidade actuais e rivaliza com os melhores policiais das últimas décadas; Hannibal Lecter é dos melhores vilões de todos os tempos. Estou ansiosa pelos restantes livros.

*****
(muito bom)

16 de fevereiro de 2014

As virgens suicidas



Autor: Jeffrey Eugenides
Género:
Literatura contemporânea
Idioma: Português

Páginas: 256
Editora:
Dom Quixote
ISBN:  978-972-202449-5
Título original: The virgin suicides
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O livro começa como acaba (o autor não o esconde): cinco adolescentes entre os 13 e os 17 anos, as irmãs Lisbon, suicidam-se no espaço de um ano. A razão? Temos as restantes 255 páginas para descobrir.

Cecilia, a mais nova, é a primeira a matar-se. A partir daí, a família Lisbon cai numa espiral descendente de escuridão e isolamento, afastando-se do resto da comunidade e deixando de ser vista no exterior. Ao mesmo tempo que a sua casa se deteriora por fora, o interior deixa adivinhar uma profunda depressão dos pais e das 4 irmãs sobreviventes.

A história é contada por um grupo de rapazes da idade das raparigas, seus vizinhos e colegas de escola, que seguem todos os passos daqueles «seres luminosos» com tão pouco em comum com os seus pais socialmente inaptos. Os rapazes estão fascinados pelas irmãs, desenvolvendo uma obsessão que se prolonga na idade adulta, razão pela qual o livro é narrado vários anos depois, por mentes já desenvolvidas e críticas, que conseguem analisar mais friamente o que os olhos inexperientes não viam nem percebiam na altura.

A razão do suicídio não é clara, mas algumas razões são lançadas para a mesa: a opressão de uma mãe religiosa e castradora que não consegue lidar com o vento da mudança dos anos 70, a impassividade de um pai que cede toda a autoridade à esposa, uma predisposição genética para uma tristeza crónica debilitante, uma mistura explosiva das anteriores.
 
O tema é sombrio e Jeffrey Eugenides cria uma atmosfera claustrofóbica que fica na memória muito depois de acabarmos o livro. O estilo é poético e floreado q.b., mas equilibra bem com o tom, dando luz a um conteúdo escuro.

Confesso que a história me afectou nos dias em que o li, ao que não ajudou ser Inverno, com muitos dias nublados e de chuva, como se a melancolia das irmãs Lisbon me acompanhasse mesmo nos momentos em que não estava a ler; é raro um livro ter este efeito sobre mim, mas reconheço que prefiro não o sentir, pois As virgens suicidas trata temas demasiado desconfortáveis para andarmos com eles na cabeça todo o dia.

Também por isso, este é um dos raros casos em que gostei mais do filme do que do livro; a realizadora Sofia Coppola soube captar o essencial da obra de Eugenides e dar a luminosidade ideal a uma história bastante sombria, que em livro se torna demasiado longo e pesado; a qualidade da história é evidente, não nego, mas continuava a ser provocador com menos umas cinquenta páginas, que só prolongam a agonia do leitor e não acrescentam nada de novo.

Uma boa leitura, extremamente melancólica, que aconselho a alternar com um livro mais "levezinho" (eu gostaria de ter tido esta dica).

****
(bom)
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