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25 de maio de 2015

Quando tudo se desmorona


Autor:
Chinua Achebe
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 184
Editora:
Mercado de Letras

Ano:
2008

ISBN:
978-972-883421
Tradução: Eugénia Antunes; Paulo Rêgo
Título original: Things fall apart 
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Cheguei a este autor através de uma referênca de Chimamanda Ngozi Adichie no final de um romance, onde aponta Chinua Achebe como uma das suas principais influências.

Quando comecei a pesquisar o autor, percebi que desconhecia um nome que há muito fazia parte do panteão literário de grandes nomes, muito por culpa de Quando tudo se desmorona.

A história é centrada em Okonkwo, um orgulhoso membro da tribo Ibo, cujo maior medo é parecer fraco ou pouco masculino. Um grande guerreiro desde cedo, Okonkwo tenta fugir à herança paterna - um pai devoto à música e ao ócio -, dedicando-se com grande afinco ao trabalho e a subir na hierarquia da comunidade.

A chegada dos colonos britânicos vai abalar a vida da tribo e forçar uma transformação que alguns já almejavam, pois o cristianismo é uma religião mais tolerante que os deuses que regem a vida dos Ibo até então (como não obrigar ao extermínio de crianças e inválidos). Além disso, os missionários insistem na literacia dos nativos, o que coloca privilegiados e desafortunados no mesmo ponto de partida.

As duas facções acabam por entrar em conflito e Okonkwo luta afincadamente pelo seu modo de vida e tradições, tentando preservar o que conhece, o que é desafiante visto que alguns dos seus próximos desejam a mudança que vem com o homem branco e também estão dispostos a sacrificar o que for preciso para o fazer.

Quando tudo se desmorona é um livro aparentemente simples. Não é. Tem uma força discreta que se insinua de mansinho e que é apaixonante. Os pormenores do quotidiano tribal, as cores, os cheiros, os diálogos, as superstições nigerianas trazem uma frescura bem-vinda, quebrando o estereótipo tantos anos perpetrado de que a raça africana não tem eloquência.  

O livro acaba algo abruptamente mas desculpo porque descobri que Chinua Achebe escreveu originalmente uma história maior, que foi depois dividida em 3 volumes, sendo este o primeiro. 

*****
(muito bom)

3 de maio de 2015

A coisa à volta do teu pescoço


Autor:
Chimamanda Ngozi Adichie
Género:
Contos
Idioma: Português

Páginas: 224
Editora:
Dom Quixote

Ano:
2009
ISBN:
978-972-2049672
Tradução: Ana Saldanha
Título original: The thing around your neck 
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Sou fã de Chimamanda Ngozi Adichie desde o primeiro livro, o romance A cor do hibisco, que li há seis meses.

A coisa à volta do teu pescoço é um livro de contos, onde a autora divide as suas histórias entre os subúrbios da Nigéria e os bairros norte-americanos onde os imigrantes nigerianos tentam viver a versão (possível) do "american dream", arrancadas à tradição africana e lançadas numa modernidade que as mesmas teimam em não aceitar inicialmente.

A escrita de Chimamanda é quente e emotiva. Cada conto (são 12) é um pedaço de vida de (e com) pessoas que cresceram numa realidade completamente diferente da nossa, o que torna a leitura emocionante.

«Pensava que toda a gente na América tinha um carro e uma arma; os teus tios e as tuas tias e os teus primos e as tuas primas também pensavam o mesmo. Logo depois de ganhares a lotaria dos vistos americanos, disseram-te: - Dentro de um mês, vais ter um grande carro. Em breve, uma grande casa. Mas não compres uma arma como todos aqueles americanos.»

O meus favoritos são: Uma Experiência Privada, em que duas mulheres, uma cristã abastada e a outra uma muçulmana pobre, são obrigadas a refugiarem-se durante uns tumultos violentos na rua e a descobrirem uma intimidade e ligação que nunca poderia ser possível de outra forma; Fantasmas, onde um professor de Matemática reformado se vê crente em superstições de que antes zombava, sendo (re)visitado por entes queridos que já morreram; A Embaixada Americana, em que uma mulher se recusa a usar a morte do filho para conseguir um visto. O livro fecha ainda com chave d´ouro em que os últimos 3 contos, que retratam (mais) mulheres fortes, que não abdicam da sua identidade africana nem da sua força interior, custe o que custar, enfrentam o que são sem rodeios.

Pelo caminho deste homens e mulheres, feito de luta e sacrifício, vemos o melhor e o menos bom do ser humano. Pessoalmente, gosto do facto de cada voz ser única, das personagens se destacarem bem umas das outras e da autora não recorrer à vulgaridade ou ao comentário racista (mesmo que velado) a cada três linhas de texto.

Chimamanda Ngozi Adichie tem vindo a acumular prémios e menções honrosas, entre os quais se destacam o Commonwealth Writer’s Prize for Best First Book (2005) por A Cor do Hibisco, o PEN Beyond Margins Award (2007) por Meio Sol Amarelo, e a inclusão, em 2010, na lista The New Yorker’s «20 under 40», uma lista dos 20 autores de ficção mais influentes com menos de 40 anos.

Chimamanda é uma escritora entusiasmante, os seus livros estão cheios de cor e de sentimento, e eu continuarei a lê-la. 

****
(bom)

30 de dezembro de 2014

A cor do hibisco



Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 270
Editora:
Edições Asa

Ano:
2010
ISBN: 978-989-2308531
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No Natal passado, entre outros, foi-me dado este livro, que tem estado na estante à espera que lhe pegue. Quando vi na livraria o romance Americanah, da mesma autora, hesitei na compra, porque nunca tinha lido nada de Chimamanda. Decidi ler este primeiro antes de fazer o investimento.
 
A cor do hibisco passa-se na Nigéria, de onde a autora é originária. A história é narrada do ponto de vista de Kambili, de 14 anos, cujo pai é um respeitado membro da comunidade e um católico praticante fervoroso. Fora de portas, tudo aparenta ser idílico, mas no seio familiar, Kambili, o irmão Jaja e a mãe Beatrice sofrem na pele o controlo e fanatismo do chefe de família. Eugene, o pai, é um homem de negócios inteligente, cuja riqueza providencia um conforto raro na Nigéria, e pratica o bem com generosos donativos e abrindo as portas a quem precise; em casa, é um pai exigente e um marido intransigente, com domínio total sobre a mulher e os filhos.
 
Mas a Nigéria passa por tempos políticos agitados e o jornal que Eugene patrocina é uma das vozes discordantes do regime, levando a pressões constantes e até ameaças. Numa dessas ocasiões, Kambili e Jaja vão passar uns dias com a tia e descobrem um convívio mais salutar, que não têm em casa. É a partir daí que tudo muda, tornando a violência paterna intolerável, e abrindo as portas a uma diferente forma de ver e de estar no mundo para Kambili e para Jaja.
 
A autora escreve com uma leveza e musicalidade invulgares (li no original, em inglês) e gostei da inclusão de algumas expressões em igbo (dialecto sul nigeriano). Há cenas violentas escritas com uma elegância que equilibra o tom e o conteúdo. Chimamanda sabe o que faz! Fiquei muito impressionada e pretendo ler outros livros dela, incluindo o Americanah que cobiço há meses.

Uma autora a descobrir (tem quase toda a obra traduzida cá) e A cor do hibisco um bom livro para começar.

****
(bom)
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