Mostrar mensagens com a etiqueta banda desenhada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta banda desenhada. Mostrar todas as mensagens

9 de junho de 2020

Diabolical summer


Autores: Thierry Smolderen, Alexandre Clérisse
Género: Banda Desenhada
Idioma: Inglês
Páginas: 168
Editora: IDW (Kindle)
 Ano: 2016
---

Esta banda desenhada francesa, Prémio BD Fnac em 2017, e minha estreia na obra deste dois artistas que colaboram frequentemente, foi uma agradável surpresa.

1967, Côte d’Azur. Antoine é um rapaz discreto de 15 anos que divide as férias grandes entre partidas de ténis e namoricos. Quando conhece o espevitado Erik, os dois rapazes iniciam uma amizade improvável, o que não agrada ao pai de Antoine.

Pouco tempo depois, o jovem vê-se envolvido num rodopio de situações dramáticas. Quando o pai desaparece, o Verão de 1967 torna-se o Verão de todas as descobertas e emoções. Acidentes, espiões e uma conspiração ao mais alto nível. Um Verão diabólico, sem dúvida…

A história de Diabolical summer é complexa e sofisticada, mas são as ilustrações de Clérisse que ficam na retina. O festival kitsch dos anos 60, as cores psicadélicas, o charme retro da década perfeitamente captado, fazendo gosto ao olho na dissecação de cada vinheta.

Quando acabamos o livro é isso que fica. Uma boa história magistralmente ilustrada. Very groovy, baby!

*****
(muito bom)

2 de abril de 2020

Persépolis


Autor: Marjane Satrapi
Género: Biografia
Idioma: Inglês
Páginas: 352 (integral)
Editora: Vintage Digital (e-book)
Ano: 2008
  ---


Marjane Satrapi (pseudónimo de Marjane Ebihamis) é de origem iraniana e nesta série de banda desenhada muito aclamada, conta a sua história.

É uma criança quando o regime de Reza Pahlavi cai; o xá fora posto no poder pelos norte-americanos, que queriam acesso livre ao petróleo iraniano. O povo iraniano, ao tentar libertar-se de cinquenta anos de tirania, abriu a porta ao regime islâmico, não lucrando com a troca.


A primeira parte de Persépolis é narrada por uma criança que tenta entender o mundo dos adultos e fazer sentido das coisas que lhe são contadas. Estamos no início da década de 80 e as universidades estão a ser encerradas; o uso do véu torna-se obrigatório para as mulheres. Os pais da precoce Marjane protestam contra o regime mas a repressão é violenta. Assustados, mandam a filha para a Áustria para prosseguir os estudos.

É assim que Marjane começa a frequentar o liceu francês em Viena, sem falar uma palavra de alemão. Os amigos são miúdos rebeldes que lhe dão a conhecer as drogas e a sexualidade livre. Dividida entre duas culturas completamente diferentes, luta por ter algum equilíbrio. 

Quando após quatro anos, Marjane regressa a Teerão, a guerra com o Iraque terminou mas a cidade está em ruínas e o governo continua repressivo. A jovem cai numa depressão grave mas com o apoio da família consegue ultrapassá-la e voltar a concentrar-se na sua educação.

O que eu mais gosto nos desenhos de Marjane Satrapi é a mistura do trágico com o burlesco, nunca se furtando à auto-crítica, aos eventos históricos e ao juízo à sociedade islâmica iraniana, onde a liberdade de expressão não existe, onde tudo é proibido (maquilhagem, música, festas, demonstrações de afecto). Os iranianos tentam criar, em casa, um espaço de liberdade e identidade, mas muitos são influenciados pelos valores tradicionais e são eles mesmos a repreender outros que não sigam a ideologia do regime. 

Persépolis narra gráfica e habilmente os sentimentos e emoções de uma mulher rebelde que recusa viver em submissão, ilustrando de uma forma poderosa o cenário histórico-político iraniano. É uma história arrebatadora, que merece ser lida.

O livro, banido de várias escolas norte-americanas - onde foi incluído como leitura obrigatória, gerando mil controvérsias -, ganhou vários prémios, foi adaptado ao cinema, premiado em Cannes e nomeado aos Óscares. A autora abandonou o Irão em 1994 para não mais voltar. Obteve a nacionalidade francesa e reside em Paris, vivendo da realização, da escrita e da ilustração.

*****
(muito bom)

23 de fevereiro de 2020

Miss Pas Touche


Autor: Kerascoët
Género: Banda desenhada
Idioma: Francês
Páginas: 216
Editora: Dargaud
Ano: 2015

  ---
Paris nos anos 30. Depois da euforia com o fim da primeira guerra mundial, a capital francesa está novamente em crise com um cenário de desemprego, inflação e racionamento - cada lar limitado a 300g de pão por dia, por exemplo. 

Blanche e Agathe são duas irmãs que sobrevivem sendo criadas internas numa casa de uma velha aristocrata. O salário é baixo mas é melhor que nada, e não dormem na rua. Blanche, fiel ao seu nome, é tímida e ajuizada, e prefere ficar em casa a sair. Já Agathe é um espírito mais livre e gosta de  sonhar acordada; é adepta dos arrais parisienses, conhecidos por guinguettes, onde vai com uma amiga. Os dias repetem-se sem sobressaltos. 

Até à noite em que Agathe é assassinada em frente à irmã, que não consegue distinguir as feições dos assassinos. Despedida e sem onde morar, de luto pela irmã, Blanche decide fazer a sua própria investigação assim que arranjar outro trabalho. Acaba a trabalhar no bordel mais conceituado da cidade, frequentado pela nata da sociedade e onde a discrição é chave.

Rebaptizada Miss Pas Touche (Menina não-me-toques), e firme nas suas resoluções - proteger a sua virgindade e descobrir os assassinos de Agathe - Blanche inicia a sua actividade como "dominatrix", insultando e zurzindo os clientes com um gosto e ferocidade que lhe aumentam a reputação e a utilidade para o negócio.
 
O meu livro é a edição integral, que reúne os 4 volumes que saíram entre 2006 e 2009:

Volume 1 : La Vierge du bordel (a virgem do bordel);
Volume 2 : Du sang sur les mains (sangue nas mãos);
Volume 3 : Le prince charmant (o príncipe encantado);
Volume 4 : Jusqu'à ce que la mort nous sépare (até que a morte nos separe);

Os temas são adultos mas a violência não é explícita no traço nem no texto. As personagens são "coloridas", muito expressivas, e as principais são bem dimensionadas. Há alguma previsibilidade nos últimos dois volumes, sendo que os dois primeiros são os mais consistentes. O tema da amizade e dos laços afectivos tem destaque e há vários temas (homossexualidade, classes sociais, igualdade de género) que são explorados à luz da época de uma forma muito bem sucedida.

Para mim, foi  uma excelente iniciação ao trabalho de Kerascoët, uma dupla de ilustradores franceses, e gotaria de ler mais deles no futuro.

****
(bom)

28 de abril de 2013

Trilogia: Réminiscences / Farces Macabres / Révélations



Autores: Callède, Denys, Hubert
Género:
Banda Desenhada
Idioma: Francês
Editora: Delcourt
Páginas: 140
ISBN:  978-2-840-554622 / 978-2-840-556442 / 978-2-840-558088
---
Estamos em Creeper Creek, uma pequena cidade rural onde todos se conhecem. O dia-a-dia é pacato e sem sobressaltos mas... tudo se altera com a chegada de Betsy Mahorn, uma popular actriz de filmes B.

Com Betsy chegam os assassinatos, mortes macabras relacionadas com o desaparecimento de um rapaz da terra 25 anos atrás, um episódio que os habitantes de Creeper Creek tentam esquecer e do qual evitam falar. Betsy acaba por se ver envolvida na trama macabra e tem de lutar pela sua sobrevivência e provar que é inocente do mal que envolve a cidade.  

O argumento é pouco original e contagia as personagens, desde o trauma que atormenta a protagonista ao padre que vê demónios e pecados em todos os paroquianos, sem esquecer o manda-chuva da cidade, homem sem escrúpulos (what else?), que compra tudo com o seu dinheiro. A acção da trilogia é tal qual o argumento de um filme de terror desinspirado, plasmado num storyboard. O suspense é mantido até ao fim mas a revelação é longe de surpreendente.
 
A história é comum e sem surpresas, mas o ambiente está bem conseguido ao ponto de torcermos que o livro seguinte dê uma reviravolta que salve a trilogia, o que, infelizmente, não chega a acontece
r.
Os desenhos, apesar de muito bons, a paleta de cores usada, uma escolha feliz, não chegam para salvar esta trilogia.



avaliação: ** (fraco)

18 de agosto de 2011

Adam - Pai há só um!

Autor: Brian Basset
Género:
Banda desenhada / Humor

Idioma: Português
Editora: Gradiva

Páginas:
128
Preço: € 13
ISBN:  978-9-72-662603-9
Título original: Adam - life in the fast-food lane

Avaliação:
****
(bom)


Adam esforça-se por ser um super-pai. É o protagonista das aventuras de uma família moderna, onde os papéis dito tradicionais estão invertidos: Laura, a mãe, é uma atarefada e bem sucedida executiva, e Adam, o pai, é o dono-de-casa, com a lida doméstica e os 3 filhos a seu cargo.

Adam não é nenhum trapalhão e até se orienta bem, tirando a culinária, onde os seus dotes de chef não são reconhecidos pelo restante núcleo (muitas tiras satirizam esse facto e o célebre rolo de carne do pai é um dos traumas que os filhos de Adam vão ter da infância). Não é raro vermos Adam completamente de rastos depois do lufa-lufa habitual, com o bebé a fazer das dele e a sujar à medida que o pai limpa, enquanto o primogénito se arma em chico-esperto e encomenda pizza às escondidas. Quando Laura chega a casa, depois de mais um dia nas trincheiras, muitas vezes minimiza o esforço de Adam e há desaguisados.

O autor, Brian Gasset, também é “doméstico”: trabalha em casa e cuidou dos dois filhos enquanto desenhava cartoons. Não é difícil deduzir que muitas das situações vividas por Adam nos quadradinhos são inspiradas em factos reais: a saída dos pais para irem ao cinema depois de meses sem saírem de casa e depois voltarem a correr ao primeiro telefonema da baby-sitter, a integração de Adam no grupinho das donas de casa que se reúne à tarde na casa da vizinha para comerem guloseimas, e o mundo fascinante das salas de espera dos pediatras, onde se passam dias e dias entre choros, fraldas sujas e humores agastados.

Textos curtos, desenhos expressivos e piadas simples é o que vão encontrar neste volume.
Diversão garantida.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...