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17 de maio de 2020

North Korea Confidential


Autores: Daniel Tudor; James Pearson
Género: Política, Actualidade
Idioma: Inglês
Duração: 4h e 45min
Editora: Brilliance Audio
Ano: 2018
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Escrito por dois jornalistas ocidentais, North Korea Confidential revela parte do quotidiano dos habitantes da República Popular Democrática da Coreia, vulgo Coreia do Norte.

Geograficamente, o país é limitado a norte pela China e pela Rússia; a sul pela Coreia do Sul, através da Zona Desmilitarizada Coreana (ZDC). O Norte afirma ser o governo legítimo de toda a península coreana; o Sul reivindica o mesmo.

O livro está dividido em sete capítulos, com diversos relatos, a maioria da informação fornecida por diplomatas estrangeiros e desertores norte-coreanos: o funcionamento dos mercados e o recurso ao contrabando, o preço das coisas (um cigarro custa menos de 5 cêntimos; uns ténis de marca cerca de 10 dólares), como os coreanos se vestem e como isso reflecte a sua posição na sociedade, como passam os tempos livres, a relação com a tecnologia, o sistema judiciário (a pena capital e os trabalhos forçados são amplamente utilizados), quem realmente detém as rédeas do poder (não a família Kim mas o departamento de "Organization and Guidance" do Comité).

Sem surpresa, o governo norte-coreano exerce controlo sobre muitos aspectos da cultura do país e esse controle é usado para perpetuar um culto de personalidade em torno do governante da família Kim que encabece o governo.
 
A lei prevê a liberdade de expressão e de imprensa, mas a prática do exercício desses direitos é proibida. Apenas as notícias que favoreçam o regime são permitidas, deixando de fora as que criticam o regime ou os problemas reais do país; não há jornais privados.

Nos parágrafos finais, os autores especulam sobre o colapso do regime. É verdade que a porta da mudança social da Coreia do Norte se abriu aquando da grande fome dos anos 90, na qual centenas de milhares de pessoas morreram - um dos raros relatos na primeira pessoa está publicado no livro A river in darkness: one man's escape from North Korea, que li em 2018 e sobre o qual fiz um apontamento aqui no blog - mas é um processo que demorará o seu tempo.
 
Durante esse período de grande fome, o Estado terá falido e foi incapaz de fornecer comida às massas, levando à criação de um extenso e elaborado mercado negro e do suborno generalizado. Os norte-coreanos descobriram outras formas de sobrevivência, através do qual as pessoas se sustentam vendendo mercadorias, muitas vezes contrabandeadas da China e da Coreia do Sul - unidades externas de armazenamento como USBs e telemóveis na grande maioria -, permitindo aos cidadãos acesso aos filmes, séries, livros e música do resto do mundo. Criou-se um impulso impossível de desfazer e de conter. Porém, com a conjuntura e politicas actuais globais, é de esperar uma evolução da sociedade, não uma mudança de regime.

North Korea Confidential lança alguma luz sobre um dos países mais isolados do mundo; o livro, apesar de breve, está repleto de informação prática
e é extremamente interessante.

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(bom)

18 de junho de 2018

A river in darkness: one man's escape from North Korea



Autor: Masaji Ishikawa
Género: Biografia
Idioma: Inglês
Páginas: 155
Editora: AmazonCrossing (Kindle)
Ano: 2018
ISBN: B06XKRKFZL

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A river in darkness: one man's escape from North Korea é uma história assombrosa contada na primeira pessoa. Alguns detalhes vão ficar na memória de quem a lê durante muito tempo.

Masaji Ishikawa nasceu no Japão nos anos 60. Filho de pai coreano e mãe japonesa, teve no pai um homem fechado e violento que se ressentia do tratamento descriminatório por parte dos japoneses, e na mãe uma mulher passiva e dócil, por vezes em demasia.

Quando surgiu a oportunidade da família se mudar para a Coreia do Norte - pintada como se fosse o "el dorado" -, o pai de Masaji como que rejuvenesceu, animado com a perspectiva de voltar à pátria como um retornado honrado e dar uma vida melhor à família...

Masaji começou a viver na Coreia do Norte ainda adolescente, com a família. Ao longo de várias décadas, e desde o início, ele e a sua família foram constantemente rebaixados, ofendidos e prejudicados por serem japoneses, por terem um pouco mais que os restantes (estamos a falar de relógios de pulso e pequenos utensílios domésticos).

O pouco que eu sei acerca da Coreia do Norte são as nada lisonjeiras notícias que passam de tempos a tempos, apesar da alegada recente "abertura" ao mundo ocidental, i.e. aos EUA. Não há muitos livros acerca da vida lá, por isso esta foi/é uma oportunidade única de ler como se vivia nas áreas rurais nas últimas décadas... e confesso que não estava preparada para a miséria profunda que pontuava a existência dos norte-coreanos.

Biografias são sempre livros difíceis de classificar; este livro está numa categoria ainda mais à parte por causa do tema e da forma como põe a nu a natureza humana em situações extremas de teste à capacidade humana de sobreviver. A coragem de Ishikawa, fortalecida pela clara noção que não tem mais a perder, é louvável e a sua história tem de ser ouvida e passada de boca em boca. Leitura obrigatória.

“There’s a saying, “Sadness and gladness follow each other.” As I see it, people who experience equal amounts of sadness and happiness in their lives must be incredibly blessed.”

“(...) that’s always the way with totalitarian regimes. Language gets turned on its head. Serfdom is freedom. Repression is liberation. A police state is a democratic republic. And we were “the masters of our destiny.” And if we begged to differ, we were dead.”

“I even heard a rumor of one man killing his wife and eating her.”
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(bom)
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