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15 de março de 2020

The choice


Autor: Dr. Edith Eger
Género: True crime
Idioma: Inglês
Duração: 12h e 26m
Editora: Simon & Schuster (Audible)
Ano: 2017
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The choice é uma biografia escrita por uma sobrevivente do Holocausto.

No início dos anos 40, Edith era uma adolescente húngara que vivia para a dança e para a ginástica; fazia parte da equipa nacional de ginástica até ter sido expulsa devido ao clima crescente de anti-semitismo. É o golpe mais devastador da sua vida até eclodir a segunda grande guerra, quando a família Eger é intimada a embarcar em vagões…

No campo de Auschwitz Edith sofre várias atrocidades, testemunha muitas outras e dança para o infame Mengele. No final da guerra, órfã, com pouco mais de trinta quilos e muito debilitada, não sabe o que fazer com a liberdade recém-adquirida. O seu relato de sobrevivência é tocante e um milagre.

«No one can take away from you what you’ve put in your mind.»
 
Edith sobreviveu a Auschwitz, casou, teve filhos, mudou-se para a América e formou-se em psicóloga clínica - é mundialmente conhecida pelo seu trabalho no tratamento da perturbação de stress pós-traumático (PSPT). Com mais de 90 anos, ainda dá consultas, determinada a ajudar outros a encontrarem a paz que ela própria demorou décadas a encontrar.
 
Edith Eger não é a primeira sobrevivente de Auschwitz a relatar a sua experiência mas a sua perspectiva e o seu percurso são singulares; profissionalmente, a relação com os seus pacientes é feita com uma profunda empatia e humildade, e o seu entendimento da dor e do perdão é único.  
 
The Choice é triunfal.
*****
(muito bom)

8 de março de 2020

Viral


Autor: Helen Fitzgerald
Género: Romance
Idioma: Inglês
Páginas: 272
Editora: Faber & Faber
Ano: 2016
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Su é uma jovem responsável, boa aluna, prestes a entrar em Medicina; adoptada na Coreia do Sul por um casal anglófono quando tinha meses, sabe que escapou a uma existência triste num orfanato. A irmã, Leah, da mesma idade, não está preocupada em ter uma carreira ou um emprego; quer divertir-se o mais possível enquanto os pais lhe pagarem as despesas.


Leah, determinada que Su não passe o Verão enfiada em casa, lança a ideia de fazerem uma viagem de finalistas a Magaluf, em Maiorca, com duas amigas. Su aceita.

No último dia de férias, depois de uma noite com muito álcool, Su acorda com um link para um vídeo que se está a tornar viral: nele, aparece a fazer sexo oral a doze homens num bar, completamente embriagada. A irmã e as amigas aplaudem, rodeadas por estranhos.

«So far, twenty-three thousand and ninety-six people have seen me online. They include my mother, my father, my little sister, my grandmother, my other grandmother, my grandfather, my boss, my sixth year biology teacher and my boyfriend James.»

A cada minuto que passa, a cada partilha que é feita, mais pessoas no mundo descobrem o que Su fez nas férias. O efeito cascata rapidamente se faz sentir e ninguém ligado a Su escapa. Na Escócia, a mãe das jovens, juíza de primeira instância, vê-se impossibilitada de iniciar uma acção judicial contra o autor do vídeo, e pondera fazer justiça pelas próprias mãos. Uma após outra, sucedem-se catástrofes que vão alterar a vida de Su e da sua família para sempre.

A cada capítulo, vemos o impacto das redes sociais e o seu poder. Vemos como Su e a família tentam lidar com o sucedido, as reacções de amigos e conhecidos, a forma como tudo é noticiado.

Uma pesquisa rápida no Google mostou-me que situações similares são comuns e estão disponíveis online. O que para algumas pessoas será impensável é o esperado (e procurado) por milhares de jovens que todos os anos se deslocam à ilha para desfrutar das praias e da vida nocturna.

As personagens são credíveis, o livro simples e com uma mensagem muito poderosa. Viral aborda um assunto difícil de uma forma realista; no fim fica a sensação que ficou tudo "arrumadinho" muito depressa mas isso não prejudica o ritmo de leitura. O essencial ficou escrito. 

****
(bom)

6 de setembro de 2019

Becoming




Autor: Michelle Obama
Género: Biografia
Idioma: Inglês
Duração: 19h e 3m
Editora: Random House Audio (Audible)
Ano: 2018


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Habitualmente não leio biografias, não por aversão ou por não gostar, mas porque há sempre outros livros que me prendem mais a atenção.

Mas das poucas que li até hoje, a maioria foi de mulheres (Mata-Hari, Isabel I, Elizabeth Báthory, Anne Frank), figuras que se destacaram pela sua força de carácter e por romperem barreiras sociais/políticas/de género.
Michelle Obama é obviamente uma figura mais pequena - não necessariamente menor - ao lado das figuras históricas acima mencionadas mas a sua postura como Primeira-Dama dos Estados Unidos ganhou-lhe o respeito e reconhecimento de milhões de pessoas em todo o mundo, e cimentou-a como exemplo para todos.

Becoming é o seu testemunho, num discurso simples e articulado, um relato na 1.ª pessoa de uma menina que cresceu em Chicago, no seio de uma família humilde, cujos pais sempre incentivaram a estudar, a ser uma boa cidadã e a trabalhar para alcançar a estabilidade. O objectivo nunca foi a fama, foi a de ter uma vida melhor do que a deles - algo universal para todos os pais.

Pela voz Michelle Obama, vamos assistindo a vários episódios onde familiares e amigos se juntam para educarem os filhos (negros) para uma nova sociedade, mais aberta à diferença mas não necessariamente mais justa para as pessoas de cor. Mas Michelle chega a Princeton, a uma sociedade de advogados e vê-se na Casa Branca após décadas de dedicação dos seus pais em providenciar-lhe uma vida digna.

Segundo ela, nunca quis a ribalta nem a vida política mas quando casou com Barack Obama e percebeu que ele queria fazer a diferença através do poder executivo e legislativo, e acreditando nos valores e missão de um idealista, acabou por aceitar e juntar-se à luta para o alcançar, movida pelo amor. A sua única condição foi de que as filhas tivessem uma vida o mais normal possível. 

Ouvir o livro pela voz da autora foi um bónus, onde percebemos a entoação mais emocional de algumas cenas. Por outro lado, ocorreu-me de vez em quando quantas daquelas palavras não teriam sido escritas pelo ghost writer e quanto de Michelle Obama haveria efectivamente no livro. Também me ocorreu quanto foi omitido para manter a aura de  respeitabilidade do casal mas menos não se pode esperar de uma biografia oficial; o mundo da política não permite ver o mundo com lentes cor-de-rosa.

A forma como Barack é retratado é como se de um super-herói se tratasse, o que não admira visto que Michelle menciona várias vezes o amor que sente por ele e como o admira como pai e marido. A mãe de Michelle é um pilar de força e tem uma justa homenagem - este livro é sobretudo um tributo a ela e ao marido (que morreu há vários anos, depois de anos a lutar contra a esclerose múltipla).

No final, comprova-se a imagem que se tem de Michelle Obama: uma personalidade séria, uma pessoa digna e respeitável que procurou ser activa no seu papel como Primeira-Dama, não querendo ofuscar o marido mas não querendo ser apenas um bibelot, usando o seu carisma, beleza e inteligência como armas e canalizando-as para servir os cidadãos. 

A sua paixão por uma vida saudável e pela educação ajudaram milhares de americanos a melhorarem a sua situação a partir de programas criados na era da presidência Obama, e os Obama foram sem dúvida um casal que usou a sua posição para fazer o bem a muitos, algo que percebemos melhor agora com o ocupante actual da presidência dos EUA.

No final das 19 horas de escuta, fica a sensação de ter conhecido uma mulher forte, com um sólido sistema de valores, que alcançou o cume através do trabalho e que fez o melhor que pôde (e foi muito). Michelle Obama é uma inspiração e uma mulher muito equilibrada, rara na sua ponderação e bom senso. Infelizmente, diz que nunca se candidatará à Casa Branca, o que é pena; os EUA só teriam a lucrar se os Obama voltassem a ocupá-la. 
«I was humbled and excited to be First Lady, but not for one second did I think I'd be sliding into some glamorous, easy role. Nobody who has the words 'first' and 'black' attached to them ever would. I stood at the foot of the mountain, knowing I'd need to climb my way into favor.»
*****
(muito bom)

4 de agosto de 2019

I’ll Be Gone in the Dark - one woman’s obsessive search for the Golden State Killer




Autor: Michelle McNamara
Género: True crime
Idioma: Inglês
Duração: 10h e 13m
Editora: HarperAudio (Audible)
Ano: 2018
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Nunca tinha ouvido falar de Michelle McNamara.

Jornalista e escritora do género true crime (relatos verídicos de crimes investigados pelas autoridades), falecida em 2016 durante o sono, foi casada com o actor/comediante Patton Oswalt.

Nas próprias palavras da autora, desde a adolescência que era obcecada por histórias de crime; há alguns anos que mantinha um blog acerca de casos arquivados, com uma vasta comunidade de detectives amadores (armchair sleuths) e uma extensa troca de comentários. Foi aí que nasceu a ideia de pegar na compilação exaustiva de informação que acumulara e escrever este livro sobre os crimes do East Area Rapist/Original Night Stalker (EAR/ONS), um violador e assassino em série activo nas décadas de 70 e 80 - McNamara “rebaptizou-o” como Golden State Killer (GSK).

Ao longo dos vários capítulos, vai sendo descrito o modus operandi do criminoso, e como passou do furto ao roubo com violação, até ao homicídio premeditado de casais, com vários sinais de violência, numa escalada sombria de violência e crueldade que sempre confundiu as autoridades policiais – o indivíduo atacou em estados diferentes dos EUA durante períodos distintos.

I’ll Be Gone in the Dark é o trabalho de uma vida: um livro pesado, repleto de pormenores macabros e cronologias desafiantes. McNamara fez um trabalho de pesquisa exaustivo (o subtítulo é mais do que apropriado) e o livro foi terminado postumamente recorrendo aos arquivos minuciosos da autora e a capítulos parcialmente iniciados; foi publicado no início de 2018. 

Não sendo o meu género de eleição, foi uma excelente incursão pelo true crime. O formato audiolivro (Audible) foi uma boa aposta e ajudou a expandir o vocabulário forense em inglês.

Uma nota para o capítulo final: soberbo. 

O epílogo, narrado pelo viúvo, Oswalt, confirma o carácter de Michelle e a sua devoção pelo tema, movida pela paixão de que se fizesse luz sobre este mistério. 

Em 2018, dois meses após a publicação do livro, foi detido um suspeito, o qual foi posteriormente acusado de alguns crimes de homicídio (os de violação já prescreveram) atribuídos ao EAR/ONS ou GSK. É arrepiante ver como o perfil traçado pelas equipas de investigação envolvidas – e compilado pela autora - encaixa que nem uma luva: ex-militar, ex-polícia, conhecimentos de procedimentos e investigação criminal, residente nas áreas afectadas. Curiosamente, as autoridade anunciaram que a captura do suspeito não teve qualquer relação com a saída do livro - uma afirmação infeliz e em que pouca gente deve acreditar.

Esperemos que a justiça (possível) seja feita.

*****
(muito bom)

21 de julho de 2019

Lock every door


Autor: Riley Sager
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 384
Editora: Dutton (Kindle)
Ano: 2019
ASIN: B07J4719TX
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Sou uma fã de Riley Sager desde a sua estreia com Final girls, cujos direitos para adaptação ao cinema foram adquiridos pela Universal Pictures no mesmo ano em que foi publicado. Assim que saiu o seu segundo livro, The last time I lied, li-o também de uma assentada.

Previsivelmente, assim que este livro ficou disponível no início de Julho, "devorei-o", confirmando Sager como um dos meus autores favoritos de thrillers. Três livros e vibrei com todos.

Se o primeiro livro de Sager apelava à figura da "final girl" dos filmes de terror - dos quais sou uma fã confessa -, este Lock every door vai um pouco mais ao pormenor desse imaginário de horror, com nuances da história d'A semente do diabo, o filme-ícone de Roman Polanski, e um ambiente hitchcockiano; com uma fórmula desta, o que pode falhar?!

Jules Larsen, recém-desempregada e sem namorado, vê cair-lhe no colo uma oportunidade dourada: é contratada para tomar conta de um apartamento numa das zonas mais exclusivas de Manhattan, com uma vista desafogada para o Central Park. O salário é bom e a tarefa é ideal para alguém que precisa de se reorganizar e procurar um emprego na metrópole que nunca dorme. O contrato é para três meses, enquanto os herdeiros do apartamento organizam a mudança. Entretanto, as regras do condomínio têm de ser respeitadas, e é aí que surge a necessidade dos apartamentos não estarem desocupados. No Bartholomew, tudo é opulento: a arquitectura, os moradores, as rendas; e as regras reflectem a exclusividade do edifício.

E são várias as regras. As visitas por pessoas externas são interditas. O empregado deverá pernoitar sempre no apartamento. Não se devem incomodar os outros moradores (a maioria celebridades). Jules diz que sim a tudo, movida pela necessidade e falta de opções - o que é uma mão cheia de regras comparadas com o cenário de continuar a dormir no sofá da sala da melhor amiga e contar tostões para sobreviver?

Nos seus primeiros dias, Jules conhece outra apartment-sitter, Ingrid, que lhe confidencia que o Bartholomew não é o que parece e que a fachada gótica imponente esconde uma história arrepiante de homicídios e suicídios. Jules não dá grande crédito a estas superstições... até ao dia seguinte, quando Ingrid desaparece.

E é ao tentar descobrir o paradeiro de Ingrid que mergulha no passado sombrio do edifício, numa sucessão de capítulos férteis em revelações e alguns sustos. Jules vai descobrir que o que parece bom demais para ser verdade, é-o efectivamente, e que ela própria poderá estar em risco.

Pelo caminho, a história desenrola-se num misto de sobressaltos e alguns arrepios. Algumas personagens, e as suas intenções, são algo óbvias desde o início mas isso não diminui em nada o ritmo da estória.


Já perto do fim, estando embalados e dispostos a apostar no final, surge uma reviravolta inesperada; Riley Sager não desilude.



*****
(muito bom)

21 de outubro de 2018

O tigre branco



Autores: Aravind Adiga
Género: Policial
Idioma: Inglês
Páginas: 276
Editora: Free Press
Ano: 2008
ISBN: 1416562605
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O Tigre Branco arrebatou por unanimidade o Man Booker Prize em 2008.

Romance de estreia do autor, Aravinda Adiga, mostra uma Índia pouco explorada pela ficção: violenta e crivada de desigualdades socioculturais - bem diferente da imagem de nação exótica, dos saris de mil cores, da ioga e da elevação espiritual a que estamos habituados.

Toda a obra é uma longa carta dirigida ao Primeiro-Ministro chinês, Wen Jiabao, que visitará o país em breve, escrita ao longo de sete noites. O autor da carta, Balram, nascido na “Escuridão” – a Índia rural, paupérrima e subserviente -, apresenta-se como o tigre branco do título, um «empreendedor social» que narra a sua ascensão de aldeão miserável até à luz do seu sucesso empresarial; na “Luz” vivem os políticos, actores, homens de negócios, numa almejada vida de prosperidade financeira pertencente a uma minoria e desconhecida por milhões de indianos.

Nas suas cartas, Balram não procura a absolvição pelos crimes que cometeu, mostra-se apenas como o exemplo de um dos milhões de pobres na Índia, agrilhoados pelo sistema de castas; mostra-nos ainda como o suborno e a corrupção incrustadas são a base do milagre económico do país - as observações do narrador são agudas e inquietantes, o tom sempre sarcástico.

O título é a metáfora do livro. Por ser um animal raro na selva, Balram foi assim apelidado por um inspector escolar por ser capaz de ler e escrever quando poucos eram capazes de o fazer. Apesar de lhe ter sido prometida uma bolsa para que pudesse explorar o seu potencial, Balram teve de suspender os estudos quando a família o empregou para ajudar a saldar uma dívida.

O Tigre Branco é gráfico mas aqueles que já visitaram a Índia facilmente reconhecerão várias referências e recordarão cenas quotidianas nos mercados, nas estradas, nas ruas. Este é o retrato de uma sociedade brutal e impiedosa, em que as injustiças se perpetuam geração após geração. Balram consegue escapar da escuridão de um destino de servidão e fá-lo sem remorsos, alcançando a desejada luz da independência financeira.

Um livro excelente.


*****
(muito bom)

29 de julho de 2018

The last time I lied


Autor: Riley Sager
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 384
Editora: Dutton (Kindle)
Ano: 2018
ISBN: B076GNTWQM
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Depois de ter lido o meu primeiro livro de Riley Sager, Final girls, fui pesquisar se havia outros. Foi assim que descobri que Final girls tinha sido o seu livro de estreia (apesar de já ter publicado outros livros sob outro nome) e que o segundo seria publicado em Julho de 2018. Eu sabia que o ia ler assim que saísse.

E li-o… em três dias, o que é raro; e estamos a falar de quase 400 páginas!

Vamos então à história: duas verdades e uma mentira. O grupo de raparigas com quem Emma Davis calhou partilhar a cabana, no campo de férias Nightingale, jogavam-no de vez em quando e ela também participava. Vivian, Natalie e Allison, de 16 anos, eram todas mais velhas que Emma, de 13, mas ficaram amigas.

Mesmo assim, a diferença de idades e interesses significava que nem sempre faziam coisas juntas. Como na noite em que as três raparigas mais velhas saíram, já tarde, e desapareceram. Uma Emma sonolenta viu-as saírem e viu Vivian a fazer-lhe o gesto que não dissesse nada nem as seguisse mas foi só. As três nunca mais foram vistas e Emma ficou para sempre assombrada pelo que aconteceu.

15 anos mais tarde, a proprietária decide reabrir o campo e convidar Emma – uma pintora em ascensão – para dar aulas de arte. Dividida entre as memórias do que se passou e um anseio em fechar esse capítulo traumático (o salário ser bom também ajuda), Emma aceita, apenas para rever vários rostos do passado e reviver alguns episódios angustiantes.

Os capítulos do livro alternam entre a Emma adulta e a adolescente de há quinze anos atrás, à medida que vamos descobrindo mais sobre as personagens. As revelações e a acção avançam lentamente, assim como o suspense; embora eu tenha achado que acabar quase todos os capítulos em jeito de cliffhanger, sempre com uma interrogação, é um bocado irritante, a gradação e a adição de pormenores foi feita de uma forma sólida, e essa conjugação resultou. O final chegou glorioso, muito bem pensado.

The last time I lied é outro excelente thriller de Riley Sager, emocionante e inteligente.

Até agora, gostei bastante dos 2 livros que ele publicou… e não sou a única: Final girls vai ser adaptado ao cinema e The last time I lied a série de televisão.


*****
(muito bom)

22 de maio de 2018

Weird things customers say in bookshops



 Autor: Jen Campbell
Género: Humor
Idioma: Inglês
Páginas: 128
Editora: Constable (Kindle)
Ano: 2012
ISBN: B005RZB8AO
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Qualquer amante de livros digno desse nome não vai conseguir deixar de ler Weird things customers say in bookshops com uma expressão franzida e um sorriso. 

Isto porque apesar de ser um livro leve e despretencioso, lê-se com um misto de incredulidade perante algumas tiradas incríveis como "I enjoyed the Diary of Ann Frank, why did she never write a sequel?" e "Someone should have taught that Shakespeare guy how to spell. I mean, am I right, or am I right?"

Um retrato bastante fiel daquilo que se ouve quando se trabalha em retalho - e é incrível o que as pessoas dizem/perguntam/comentam -, é também um espelho de uma sociedade que lê cada vez menos e onde se tem menos filtros. E as frases do livro são maioritariamente de livrarias inglesas, sendo o Reino Unido um dos países onde mais se consome livros e literatura. Nem quero imaginar o que se diria no nosso país.  

Weird things customers say in bookshops é um livrinho simpático, que se lê num instante. É um ensaio realista sobre os consumidores em geral, com as suas perguntas surreais q.b., alguma falta de educação e muita ignorância.


***
(mediano/razoável)

22 de novembro de 2015

The Grownup


Autor:
Gillian Flynn
Género:
Conto
Idioma: Inglês

Páginas: 66
Editora:
Weidenfeld & Nicolson (Kindle edition)
Ano:
2015

ISBN:
 
080-4188971
---

Enquanto a super-talentosa Gillian Flynn (Em Parte Incerta; Objectos Cortantes; Lugares Escuros) não publica outro romance, é deitar a mão ao que aparece.
 

Assim, quando os queridos da Amazon.com me avisaram que estava disponível uma short story a ser publicada em Novembro, pré-reservei e fui-me entretendo com outras coisas até chegar o dia. 

The Grownup, sendo recente, não é novo, tendo sido publicado inicialmente numa antologia de contos editada por George R. R. Martin (gente talentosa frequenta os mesmos círculos, está visto) intitulada Rogues. Ganhou o Edgar Award sob o título de What Do You Do? e foi reeditado há semanas com este novo título, nenhum deles genial, diga-se.

A história segue uma jovem mulher que desde cedo se habituou a manipular para sobreviver, incitada pela mãe como sustento de ambas. Já adulta, quando responde a um anúncio de recepcionista e percebe que é para ser prostituta num quarto dos fundos a estimular manualmente os clientes que aparecem, aceita. Mas é tão solicitada (ou o trabalho é tanto) que quando é diagnosticada com síndrome do canal cárpico, a patroa/madame lhe propõe um trabalho na actividade que serve de fachada ao negócio: a vidência.

“I didn’t stop giving hand jobs because I wasn’t good at it. I stopped giving hand jobs because I was the best at it.”

Assim, vai acumulando funções, continuando a receber homens no quarto dos fundos e a atender senhoras a quem "orienta espiritualmente", servindo-se da habilidade em ler expressões faciais e aproveitando-se do desespero (e ingenuidade) alheio.

Quando Susan vem pedir ajuda, é apenas mais uma cliente, mas as coisas evoluem ao ponto da protagonista começar a acreditar que algo se passa na casa dela (e começa a preocupar-se com o seu bem-estar), incluindo a hipótese de que o enteado está possuído por um espírito maléfico. Como em todos os livros da autora, é de esperar vilania e comportamentos desviantes, o ser humano no seu melhor.

Apesar das sessenta e poucas páginas, a autora faz um excelente trabalho no desenvolvimento das personagens, mas não há tempo para explorar devidamente a história (promissora).

Apesar de ser um conto acima da média,
The Grownup é curto e sabe a pouco, com um final abrupto pouco saciante. É um conto bem trabalhado e nota-se a mestria de Flynn, mas é o que é: limitado. 

***
(mediano/razoável)

31 de agosto de 2014

I remember nothing: and other reflections

Autor: Nora Ephron
Género:
Humor
Idioma: Inglês

Páginas: 137
Editora: Knopf (Kindle edition)
Ano: 2010
ISBN:  978-0-307-59560-7
---
Nora Ephron, falecida em 2012, tornou-se famosa por êxitos de bilheteira como Você tem uma Mensagem, When Harry Met Sally e Sintonia de Amor. No campo das letras, distinguiu-se pelos seus artigos femininos  na revista Esquire e pelos livros espirituosos sobre a condição feminina, de que Não gosto do meu pescoço - e outros humores, achaques e amores da vida das mulheres e este I remember nothing: and other reflections são um exemplo.

Gosto da frontalidade e do humor de Nora. Este livro alterna capítulos longos com outros de 3 páginas, onde a autora descreve a sua evolução como jornalista numa época em que as mulheres eram relegadas para tarefas menores, como é ter um rolo de carne com o seu nome (num restaurante de um amigo), como lidar com um fracasso de bilheteira ou como o fenómeno do e-mail passou de benção a maldição, sempre num tom divertido e passando de um assunto sério para um trivial com desprendimento.

O livro foi publicado 2 anos antes da morte da autora, e é engraçado como Nora aflora o assunto da morte constantemente sem o referir directamente, focando-se antes no avançar da idade, na dificuldade em reconhecermos que estamos velhos e perceber como a memória (e outras coisas) começa a falhar.

O livro que li dela antes deste falava mais directamente de morte e de doença, mas conseguia ser mais leve. Nora não se referia à família como aqui (o alcoolismo da mãe, que morreu ao 57, e o corte de relações com uma das irmãs, por motivos de herança) e é possível perceber que tem alguns assuntos pendentes mas dá para perceber que o livro não funciona como terapia, embora o tom seja confessional.
 
Continuo a não ser grande apreciador da filmografia de Nora Ephron, mas acho-a uma mulher interessante e adoro o seu sentido de humor; o seu legado é positivo em todos os aspectos e sei que leria todos os seus livros futuros.

***
(mediano/razoável)
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