Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens

7 de abril de 2020

Animal farm / O triunfo dos porcos / A quinta dos animais


Autor: George Orwell
Género: Romance
Idioma: Inglês
Páginas: 154
Editora: Penguin (e-book)
Ano: 2003
  ---
Numa quinta imaginária na Inglaterra, os animais decidem revoltar-se e reclamar a quinta dos humanos «cruéis e exploradores» para si.  Uma ideia inocente e aparentemente tão simples leva a uma reflexão extraordinária sobre a sociedade humana. 

Após se tornarem os donos da quinta, é redigido um conjunto de mandamentos, para unir os animais:
1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais.

Porém, rapidamente acontecem situações que desafiam um cenário de igualdade, com alguns animais a trabalharem mais, outros a descansarem mais, poucos a assumirem mais protagonismo; vai-se firmando o despotismo, a propaganda, a ausência de julgamentos justos e as execuções.

 «Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais do que outros.»

O tom do romance é objetivo, relatando factos e quase nunca enveredando por considerações filosóficas. Esse tom e o desenrolar (ultrajante!) da acção, numa ironia gradual, confirmam a triste realidade que pouco mudou - a maioria dos animais continua a ser explorada. 

Existem vários conflitos na história: os animais contra Jones (o dono da quinta), o Bola de Neve contra o Napoleão (os dois porcos líderes), os animais comuns contra os porcos, os animais da quinta contra os humanos vizinhos das outras quintas; todos eles retratam a tensão subjacente entre classes, entre explorados e exploradores, entre os ideais utópicos e a (dura) realidade do socialismo.


Orwell escreve de uma forma simples e directa, sem floreados. A acção é muito bem dirigida, com a tensão a escalar de uma forma credível; tudo parece desenrolar-se de uma forma tão natural que é assustador tendo em conta o ponto de partida.

George Orwell escreveu esta fábula para satirizar a Revolução Russa (1917-1945), nomeadamente a corrupção dos ideais socialistas, o perigo de uma classe trabalhadora ingénua e o uso da propaganda como instrumento do abuso de poder.

Escolhi reler o texto na língua original mas o título usado para as primeiras edições em Portugal é muito boa, embora contenha spoilers. O final chega sem surpresas, infelizmente. Animal farm / O triunfo dos porcos / A quinta dos animais é um clássico incontornável.
«Não havia dúvidas agora sobre o que estava acontecendo às caras dos porcos. Os que se encontravam lá fora olhavam do porco para o homem, do homem para o porco e novamente do porco para o homem, mas era já impossível distinguir uns dos outros
******
(obra prima)

10 de outubro de 2013

Nobel da Literatura 2013: Alice Munro

A escritora canadiana Alice Munro, de 82 anos, é a laureada com o Nobel da Literatura de 2013, tornando-se a 13.ª mulher a ganhar o galardão, sucedendo à alemã Herta Müller (a última mulher distinguida, em 2009) e ao chinês Yo Man (vencedor de 2012).

A Academia de Ciências sueca apelida  a autora de «mestre do conto contemporâneo» e destaca «a fragilidade da condição humana» e «a clareza e o realismo psicológico» presente nas suas obras, acrescentando que a vencedora é vista como o «Tchekhov canadiano».
Fonte: porcupinesquill.ca

Em Portugal, Munro é editada pela Relógio d'Água, estando publicados seis livros, entre os quais Amada Vida, Demasiada Felicidade e O Amor de uma Boa Mulher. Esta é a primeira vez, em 112 anos, que a academia sueca premeia um autor que escreve apenas contos.

A escritora receberá ainda um prémio em dinheiro, no valor de oito milhões de coroas suecas (mais de 900 mil euros), numa cerimónia a realizar a 10 de Dezembro, em Estocolmo.

Saibam mais em SIC Notícias e no Jornal I.

25 de janeiro de 2012

Crónica do rei pasmado

Autor: Gonzalo Torrente Ballester
Género:
Fantástico

Idioma:
Português
Editora: Caminho
Páginas: 182
Preço: €11
ISBN:  978-9-722-210708-2

Avaliação:
**** (bom)

Gonzalo Torrente Ballester é uma referência na literatura latina, com milhares de cópias vendidas. Este é o primeiro livro que leio dele.

Crónica do rei pasmado tem lugar na corte espanhola, durante o reinado de Filipe IV. Certa noite, depois de uma visita “às meninas”, o jovem soberano não consegue tirar da cabeça o corpo da cortesã Marfisa.

Deslumbrado com a perfeição das curvas femininas, mete na cabeça que há-de ver a rainha nua. É como se caísse o Carmo e a Trindade! A Igreja imediatamente salta em defesa do pudor, da reserva e dos bons costumes, numa época em que um casal se amava vestido e a esposa não deixava que a camisa de noite subisse acima dos joelhos.

Numa tentativa de reforçar a posição clerical, um padre ambicioso começa a espalhar que, ao deixar-se o rei levar a sua avante, será o povo a sofrer as consequências, com o despoletar de guerras e invasões. Mesmo assim, há quem ache a vontade filipina compreensível, até porque são muitos os cônjuges que assumem que desejariam estar mais à vontade com as suas queridas.

Perante tal escandaleira, logo o Inquisidor-Mor convoca um conclave de religiosos a fim de se discutir a legitimidade da exigência do rei. Entretanto, e como a rainha acede a receber o marido e a concretizar-lhe o desejo, são despoletadas medidas a fim de evitar que os dois se encontrem a sós. Por fim, é um jesuíta português (interpretado no cinema por Joaquim De Almeida) e um conde galego - galante, aprumado e bem falante (que aqui personifica o Diabo) - a servirem de alcoviteiros, levando a cabo um plano que permita a Dom Filipe fazer o gosto ao olho.

Em pouco menos de 200 páginas, G.T. Ballester constrói com uma narrativa bem humorada e repleta de críticas à pretensa moral e bons costumes da Igreja, com
uma premissa imaginativa. Crónica do rei pasmado diverte sobretudo pela sua mordacidade. Gostei.

9 de dezembro de 2011

Pride and prejudice / Orgulho e Preconceito

Autor: Jane Austen
Género:
Clássicos da literatura

Idioma:
Inglês
Editora: Public Domain Books
Páginas: 333
Preço: gratuito
ISBN:  0978787110

Avaliação:
****** (obra prima)


Orgulho e Preconceito é um dos livros mais lidos em todo o mundo, um clássico de referência e o expoente do "romance elegante", que arrebatou milhões de leitores ao longo dos anos.

A obra mais famosa de Jane Austen é uma mistura deliciosa de romance, comédia de costumes e drama, onde não falta dinâmica e profundidade, a par de uma galeria de personagens soberbas.

Passada na Inglaterra do século 19, a história centra-se na família Bennet, cuja matriarca casou acima do seu status (numa época onde as mulheres casavam maioritariamente por dinheiro e património) e faz questão que pelo menos uma das suas cinco filhas case com um homem rico, ajudando o clã a sobreviver. As irmãs Bennet irão perder a casa que habitam quando morrer o pai (por este não ter tido um varão) e casar bem será determinante para o futuro de todas.

It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife.


O livro começa com a mudança do abastado Mr. Bingley para a vizinhança, que fica em polvorosa. Os Bennet não perdem tempo e os seus esforços dão frutos, com o jovem acabando enamorado pela irmã mais velha (e bonita) do clã, a doce e ingénua Jane. Tudo correria sobre rodas não fosse o altivo amigo de Bingley, Mr. Darcy, que desdenha tudo e todos, especialmente Elizabeth, a segunda filha mais velha da família - e também a jovem mais opinativa, perspicaz e determinada. É no núcleo destas quatro personagens e suas relações que a história se desenrola, acelerada, magnética e cheia de reviravoltas, onde o orgulho e o preconceito apimentam os contactos e extremam as atitudes.


Orgulho e Preconceito
é uma leitura divertida e apaixonante, com personagens memoráveis (o orgulhoso Mr. Darcy, o pedante Mr. Collins ou a despassarada Mrs. Bennet) e situações tão credíveis (o que há de mais real e actual que o amor e as relações humanas e familiares?) que o tornam um romance intemporal. Eu adorei-o simplesmente e fiquei fã de Austen. Corri a ver a série da BBC (1995), que é uma delícia, e já tenho a banda desenhada deste romance viciante. 

Li-o no kindle, na língua original, recheado de notas de rodapé e sinónimos, e não custou absolutamente nada; a amazon.com disponibliza alguns clássicos da literatura a custo zero
para esta plataforma.

18 de novembro de 2011

O monte dos vendavais

Autor: Emily Brontë
Género:
Clássicos da literatura

Idioma:
Português
Editora: Editorial Presença
Colecção: Obras literárias escolhidas

Páginas: 320
Preço: € 15

ISBN:  978-9-72-234247-6
Título original: Wuthering heights

Avaliação:
****** (obra prima)

O monte dos vendavais é um clássico de referência, o único romance de Emily Brontë, publicado no século XIX sob pseudónimo.

É um livro viciante, com páginas repletas de emoção e sentimento e personagens fortíssimas, de uma intensidade que há muito não tinha o prazer de encontrar. Os protagonistas são de uma crueza e beleza avassaladoras, apesar de serem claramente anti-heróis.

Cathy Earnshaw é uma jovem de boas famílias, uma das herdeiras de um senhor rural, dono do Monte dos Vendavais, uma propriedade de ventos glaciais, pântanos e densos arvoredos. Longe de encaixar nos padrões femininos da época, Cathy tem um temperamento violento e propenso a crises de histeria, oculto sob uma beleza magnética.

Uma noite, o pai de Cathy traz consigo um órfão, um ciganito ranhoso e de olhos incandescentes de nome Heathcliff, e apresenta-o à filha. O par, que partilha uma personalidade turbulenta, depressa
se torna inseparável. O amor nasce e fortalece-se à medida que passam de miúdos a jovens adultos, mas mantendo sempre contornos egoístas e caprichosos. Quando Cathy confessa que não poderá casar com o seu amigo e amor de infância pois isso seria uma despromoção em termos sociais, o jovem desaparece sem rasto.

Quando regressa quatro anos depois, próspero, arrogante e amargo, encontra a sua amada Cathy casada com um homem que incorpora tudo o que Heathcliff despreza: posição social, mesuras e abastança aristocrática. Rancoroso, quer castigar todos os que o desdenharam e fizeram sofrer pela sua origem humilde.

Esta vingança trará negras consequências, num romance pontuado de actos insanos e maldosos, tendo como mote o amor. O livro tem passagens verdadeiramente tocantes e belas, justificando o epíteto de uma das mais belas histórias de amor de todos os tempos.

«O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques: transformar-se-á com o tempo, sei-o bem, como as árvores se transformam com o Inverno. Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre, no meu pensamento. Não por prazer mas como parte de mim, como eu própria.
»

Um excerto do livro está disponível na internet.

31 de agosto de 2011

O jardim de cimento



Autor: Ian McEwan
Género:
Literatura

Idioma: Português
Editora: Gradiva

Páginas: 160
Preço: € 11
ISBN:  978-9-72-6620624-4
Título original: The cement garden

Avaliação:
****
(bom)


Tomei conhecimento deste livro através de uma lista de leituras recomendadas de Stephen King, no seu Escrever - memórias de um ofício. Já tinha ouvido falar deste autor (tem alguns livros adaptados ao cinema, como Expiação) mas ainda não tinha lido nada dele.

Este livro conta-nos a história de quatro menores deixados à sua mercê. Julie, Jack, Sue e Tom vivem num bairro degradado num subúrbio britânico, onde a única casa habitada é a sua, tendo as restantes sido demolidas ou abandonadas.

Num curto espaço de tempo perdem os pais. A mãe, antes de morrer, diz aos filhos mais velhos, Julie e Jack, que lhes deixará dinheiro suficiente para manter a casa e lhes assegurar o sustento. Receosos de serem separados e enviados para orfanatos, os adolescentes decidem esconder a morte da mãe e fecham o corpo num baú coberto de cimento, assumindo a gestão da família.

Com o passar do tempo, sem pais e sem supervisão adulta, as regras e a disciplina desaparecem. Cada um faz o que quer, muitas vezes indiferente ao conforto e bem-estar dos outros. Sue refugia-se nos livros, Tom age como um bebé caprichoso, Jack afunda-se num drama existencial e Julie tenta crescer demasiado depressa, encetando um namoro com um rapaz alguns anos mais velho. É neste redemoinho de emoções, de desejos calados e angústias abafadas em que o leitor se vê envolvido.

É um livro interessante que se lê em poucos dias. São 160 páginas que folheamos com facilidade, apesar de o conteúdo ser de lenta digestão.

Este livro foi também adaptado ao cinema em 1993, com críticas favoráveis. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...