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22 de junho de 2015

Laços de Família

Autor: Marilynne Robinson
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 232
Editora:
Difel

Ano:
2007

ISBN:
978-972-2908511
Tradução: Isabel Veríssimo
Título original: Housekeeping 
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Lançado em 1981, Laços de Família foi considerado uma pérola rara. Nomeado para o Pullitzer (nesse ano, ganhou Coelho Enriquece, de John Updike), ficou-se pelo PEN/Hemingway Award e deixou a autora, Marilynne Robinson, debaixo de olho (curiosamente,  Robinson apenas publicaria o segundo romance, Gilead, 24 anos depois, em 2004).

Anos 50. Ruthie (a narradora) e a irmã, Lucille, são levadas pela mãe (uma mulher solitária e calada) a uma pequena cidade do Idaho, Fingerbone, onde vive a avó materna. Entregues as meninas, a mãe afasta-se de prego a fundo em direcção ao lago da cidade, suicidando-se na mesma massa de água onde o seu pai se afogara anos antes.

As duas crianças ficam entregues a uma avó inexpressiva, passando para duas tias "taralhocas" com a morte daquela e finalmente para outra tia (excêntrica até ao tutano) quando as duas solteironas decidem que criar duas crianças dá demasiado trabalho.

Rapidamente nos apercebemos que a família é atormentada pela doença mental, o suicídio e a inquietude. A autora é mestra em envolver-nos na vida doméstica e no crescimento das crianças, mas há toda uma atmosfera estranha que não torna a história credível (os actos das personagens não fazem grande sentido e a indiferença dos habitantes de Fingerbone é absurda). Há muitas respostas que ficam por dar, as personagens masculinas são irrelevantes e as mulheres da história pautam-se por uma passividade aflitiva.

Há três palavras que, para mim, resumem a história e o ambiente de Laços de Família: sublime, entediante e melancólico.
A história tem momentos evocativos e de grande beleza poética, escritos com uma elegância que se reconhece rara, mas a repetição de alguns cenários torna-se maçadora ao ponto de querermos que desate. Quanto à melancolia, é ambivalente, pois dá uma riqueza ao texto que acaba por aborrecer quando a história não avança. Ainda agora, depois de ter repensado os capítulos/as cenas mais relevantes, não consigo ver a apregoada genialidade deste livro; não foi nada gratificante seguir a infância e adolescência de Ruthie e Lucille.
 
Perdeu-se ainda algo na tradução do título: Housekeeping converteu-se em Laços de Família, quebrando o elo com a história e a forma como cada personagem é afectada pela atenção (excessiva ou falta dela) aos cuidados domésticos e à lida da casa.
 
Acredito que o livro seja superior à percepção que tive dele, mas só posso comentar aquilo que me fez sentir, num deambular demasiado longo que uma edição mais apurada teria resolvido.
 
Não vou desistir do que me trouxe ao nome da autora: a leitura de Gilead, considerada a sua melhor obra. Comecei por este romance porque foi o primeiro e queria lê-los por ordem cronológica, mas não tão cedo; cada vez que penso em Laços de Família, apetece-me bocejar.

***
(mediano/razoável)

8 de fevereiro de 2015

Hotel du Lac


Autor: Anita Brookner
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 200
Editora:
Bertrand Editora

Ano:
2011
ISBN: 978-972-2522694
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Edith Hope é uma escritora que se instala num selectivo hotel suiço depois de um acontecimento marcante. Forçada ao exílio pelos amigos mais próximos, que esperam que ela volte depois de "recuperar o juízo", Edith passa os dias em calmo isolamento, trabalhando num livro.

O hotel está na sua época baixa, antes de encerrar durante os meses de Inverno, e os hóspedes são poucos. Quando não está a escrever, Edith dá passeios solitários entre o hotel e a vila mais próxima, contempla o lago e observa a rotina dos restantes hóspedes.

Vamos então percebendo que o hotel é o cenário das mais variadas dinâmicas, onde cada um interpreta o seu papel, desde as snobs Pusey à reservada Madame de Bonneuil, passando pela extravagante Monica (e a sua cadela Kiki) e pelo mundano senhor Neville.

Pouco a pouco, vamos percebendo o que aconteceu a Edith e por que é que ela é como é: uma mulher apagada, tímida, que tem sempre em conta a opinião dos outros. E ressalvo o pouco a pouco porque Hotel du Lac tem um ritmo indolente e bucólico.

Apesar de bem escrito, a história é relativamente banal, embora demoremos a perceber isso. Este livro ganhou o Booker Prize em 1984 e eu esperava um livro melhor. Achei-o demasiado vagaroso e as personagens pouco nítidas, como se toda a acção fosse como um sonho. Vago, vago, vago.

De vez em quando, a narradora surpreende-nos com um comentário mais perspicaz, antes de se diluir na mediocridade por que pauta os seus dias no hotel. Acredito que o intento seria esse e tem a sua mestria na forma como está feito (por Anita Brookner), mas quando penso neste livro, apetece-me bocejar. Nem o facto de as personagens secundárias se irem revelando torna a história mais interessante, pois é tudo muito insonso.

Hotel du Lac é subtil, tão subtil que o seu efeito passa rapidamente e acredito que o esquecerei rapidamente. Edith Hope não é uma personagem marcante, e a sua viagem de auto-descoberta não o chega a ser, na minha opinião e não querendo desvendar nada, pois tudo o que ela fazia (antes do exílio no hotel) é o que a define como pessoa e o final é apenas a confirmação de que sempre foi, o que mostra que uma viagem de auto-descoberta pode não levar a lado algum senão ao ponto de partida.

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(mediano/razoável)
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