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22 de maio de 2020

The Sun Down Motel


Autor: Simone St. James
Género: Policial, Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 336
Editora: Berkley (e-book)
Ano: 2020
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1982. Vivian (Viv) Delaney sonha em tornar-se actriz e viaja à boleia para Nova Iorque, mas acaba a umas dezenas de quilómetros da “Big Apple”, em Fell, onde nada acontece. Arranja emprego como recepcionista do turno da noite no Sun Down Motel. Alguns meses depois, desaparece, deixando a polícia sem pistas sobre o que lhe poderá ter acontecido.

Trinta e cinco anos depois, Carly Kirk está de luto pela morte da mãe. Decide fazer uma pausa nos estudos e viajar até Fell, onde a sua tia Vivian desapareceu há mais de três décadas, algo que sempre a intrigou e de que a mãe se recusava a falar. Consegue um emprego no mesmo motel e arrenda um quarto no apartamento onde a tia viveu. O plano é recriar os passos de Viv, passar pelos locais onde ela passou e falar com os habitantes.

O livro alterna entre duas vozes: a de Viv em 1982 e a de Carly em 2017.

Ao mesmo tempo que Carly descobre que Fell não é assim tão pacata e que três mulheres foram assassinadas num curto período de tempo antes do desaparecimento da tia, em 1982 Viv acreditava que as mortes das três mulheres estavam ligadas e relacionadas com o Sun Down Motel… depois desapareceu.

O motel que dá título ao livro, e onde Viv e Carly trabalham, é uma personagem por si só. Desatualizado e suspenso no tempo, conserva o mobiliário da altura em que foi inaugurado, quarenta anos antes. O wi-fi não funciona, os telemóveis não apanham rede. Ah, e é assombrado.

The Sun Down Motel não é assustador, apesar dos elementos paranormais e da atmosfera gótica. Está bem escrito e tem um ritmo que o torna difícil de pousar. Gostei da abundância de personagens femininas fortes e da dinâmica entre elas.

Geralmente, narrativas paralelas não são a minha cena, e aqui as personagens são algo similares, o que confunde por vezes o seguimento da história, onde me perdi um pouco sem saber se o que Viv (no passado) sabia ou não já tinha, entretanto, sido descoberto/deduzido por Carly (no presente). Não apreciei o enredo romântico e o final demasiado “arranjadinho”.

Mesmo assim, é um dos melhores thrillers que li este ano.


****
(bom)

3 de fevereiro de 2020

O adeus a Mary Higgins Clark aos 92 anos







No passado dia 31 de Janeiro, morreu a escritora americana Mary Higgins Clark, apelidada de "Rainha do Suspense".

Foto: bestimage

Todos os 51 títulos que escreveu foram best-sellers e venderam mais de 100 milhões de cópias só nos Estados Unidos; o seu livro de estreia, publicado na década de 70, vai presentemente na sua 75.ª edição. Apesar disso, e à semelhança de vários autores famosos, viu o seu trabalho rejeitado várias vezes (quarenta, de acordo com a Wikipédia) antes de alguém aceitar - finalmente! - publicá-la.


Quase todos os livros que li de Mary Higgins Clark requisitei-os da biblioteca municipal da cidade onde cresci, nos anos 90. Dos títulos publicados a partir do ano 2000, li dois apenas. A autora era conhecida por publicar um livro por ano.

Vários livros foram adaptados a telefilme nos anos 80 e 90 (não envelheceram bem), e à medida que o género ganhou outro fôlego e contornos com nomes como Stieg Larsson, Nicci French, Patricia Cornwell, Jo Nesbo e Gillian Flynn, tornou-se mais sofisticado. Mas, a título pessoal, Higgins Clark continua uma referência como uma das primeiras autoras policiais que li, a par com a incomparável Agatha Christie.

 Fonte:
Wikipedia e New York Times.

21 de julho de 2019

Lock every door


Autor: Riley Sager
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 384
Editora: Dutton (Kindle)
Ano: 2019
ASIN: B07J4719TX
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Sou uma fã de Riley Sager desde a sua estreia com Final girls, cujos direitos para adaptação ao cinema foram adquiridos pela Universal Pictures no mesmo ano em que foi publicado. Assim que saiu o seu segundo livro, The last time I lied, li-o também de uma assentada.

Previsivelmente, assim que este livro ficou disponível no início de Julho, "devorei-o", confirmando Sager como um dos meus autores favoritos de thrillers. Três livros e vibrei com todos.

Se o primeiro livro de Sager apelava à figura da "final girl" dos filmes de terror - dos quais sou uma fã confessa -, este Lock every door vai um pouco mais ao pormenor desse imaginário de horror, com nuances da história d'A semente do diabo, o filme-ícone de Roman Polanski, e um ambiente hitchcockiano; com uma fórmula desta, o que pode falhar?!

Jules Larsen, recém-desempregada e sem namorado, vê cair-lhe no colo uma oportunidade dourada: é contratada para tomar conta de um apartamento numa das zonas mais exclusivas de Manhattan, com uma vista desafogada para o Central Park. O salário é bom e a tarefa é ideal para alguém que precisa de se reorganizar e procurar um emprego na metrópole que nunca dorme. O contrato é para três meses, enquanto os herdeiros do apartamento organizam a mudança. Entretanto, as regras do condomínio têm de ser respeitadas, e é aí que surge a necessidade dos apartamentos não estarem desocupados. No Bartholomew, tudo é opulento: a arquitectura, os moradores, as rendas; e as regras reflectem a exclusividade do edifício.

E são várias as regras. As visitas por pessoas externas são interditas. O empregado deverá pernoitar sempre no apartamento. Não se devem incomodar os outros moradores (a maioria celebridades). Jules diz que sim a tudo, movida pela necessidade e falta de opções - o que é uma mão cheia de regras comparadas com o cenário de continuar a dormir no sofá da sala da melhor amiga e contar tostões para sobreviver?

Nos seus primeiros dias, Jules conhece outra apartment-sitter, Ingrid, que lhe confidencia que o Bartholomew não é o que parece e que a fachada gótica imponente esconde uma história arrepiante de homicídios e suicídios. Jules não dá grande crédito a estas superstições... até ao dia seguinte, quando Ingrid desaparece.

E é ao tentar descobrir o paradeiro de Ingrid que mergulha no passado sombrio do edifício, numa sucessão de capítulos férteis em revelações e alguns sustos. Jules vai descobrir que o que parece bom demais para ser verdade, é-o efectivamente, e que ela própria poderá estar em risco.

Pelo caminho, a história desenrola-se num misto de sobressaltos e alguns arrepios. Algumas personagens, e as suas intenções, são algo óbvias desde o início mas isso não diminui em nada o ritmo da estória.


Já perto do fim, estando embalados e dispostos a apostar no final, surge uma reviravolta inesperada; Riley Sager não desilude.



*****
(muito bom)

12 de julho de 2019

In strangers' houses (Lena Szarka #1)


Autor: Elizabeth Mundy
Género: Policial
Idioma: Inglês
Páginas: 272
Editora: Constable
Ano: 2018
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Livro de estreia da autora Elizabeth Mundy, In strangers' houses apresenta ao público a detective amadora Lena Szarka, imigrante húngara no Reino Unido que trabalha como mulher de limpeza.

Quando a amiga e companheira de casa de Lena, Timea, é encontrada morta a flutuar no Tamisa, Lena revolta-se contra a hipótese de suicídio ou acidente e promete encontrar o culpado.

O seu desejo em encontrar o assassino da amiga levam-na a iniciar uma investigação por conta própria, começando pelas casas de alguns clientes de Timea que poderiam estar envolvidos em situações mais duvidosas. Com um acesso privilegiado às suas casas (e vidas), os resultados não tardam a aparecer, revelando possíveis pistas que Lena partilha com a polícia.

É nessa altura que um polícia novato é "cedido" para ouvir Lena e as suas teorias, e juntos vão continuar a investigar e fazer o possível para que a justiça seja feita.

O livro é um policial leve que se revelou a escolha certa para uma leitura de Verão. Lena é perspicaz e determinada e acerta na mouche várias vezes. É teimosa e trabalhadora, movida pelo amor a Timea e decidida a desvendar o porquê da morte prematura de amiga.

Um par de personagens são pouco mais do que estereótipos mas In strangers' houses foi uma boa descoberta e espero ler mais aventuras de Lena Szarka no futuro - o que não há-de demorar muito visto que o segundo livro já está disponível.


***
(mediano/razoável)

21 de outubro de 2018

O tigre branco



Autores: Aravind Adiga
Género: Policial
Idioma: Inglês
Páginas: 276
Editora: Free Press
Ano: 2008
ISBN: 1416562605
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O Tigre Branco arrebatou por unanimidade o Man Booker Prize em 2008.

Romance de estreia do autor, Aravinda Adiga, mostra uma Índia pouco explorada pela ficção: violenta e crivada de desigualdades socioculturais - bem diferente da imagem de nação exótica, dos saris de mil cores, da ioga e da elevação espiritual a que estamos habituados.

Toda a obra é uma longa carta dirigida ao Primeiro-Ministro chinês, Wen Jiabao, que visitará o país em breve, escrita ao longo de sete noites. O autor da carta, Balram, nascido na “Escuridão” – a Índia rural, paupérrima e subserviente -, apresenta-se como o tigre branco do título, um «empreendedor social» que narra a sua ascensão de aldeão miserável até à luz do seu sucesso empresarial; na “Luz” vivem os políticos, actores, homens de negócios, numa almejada vida de prosperidade financeira pertencente a uma minoria e desconhecida por milhões de indianos.

Nas suas cartas, Balram não procura a absolvição pelos crimes que cometeu, mostra-se apenas como o exemplo de um dos milhões de pobres na Índia, agrilhoados pelo sistema de castas; mostra-nos ainda como o suborno e a corrupção incrustadas são a base do milagre económico do país - as observações do narrador são agudas e inquietantes, o tom sempre sarcástico.

O título é a metáfora do livro. Por ser um animal raro na selva, Balram foi assim apelidado por um inspector escolar por ser capaz de ler e escrever quando poucos eram capazes de o fazer. Apesar de lhe ter sido prometida uma bolsa para que pudesse explorar o seu potencial, Balram teve de suspender os estudos quando a família o empregou para ajudar a saldar uma dívida.

O Tigre Branco é gráfico mas aqueles que já visitaram a Índia facilmente reconhecerão várias referências e recordarão cenas quotidianas nos mercados, nas estradas, nas ruas. Este é o retrato de uma sociedade brutal e impiedosa, em que as injustiças se perpetuam geração após geração. Balram consegue escapar da escuridão de um destino de servidão e fá-lo sem remorsos, alcançando a desejada luz da independência financeira.

Um livro excelente.


*****
(muito bom)

13 de setembro de 2018

O casal do lado



Autores: Shari Lapena
Género: Thriller
Idioma: Português
Páginas: 296
Editora: Editorial Presença
Ano: 2017
ISBN: 9722360485
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Anne e Marco tiveram a pequena Cora há alguns meses. Apesar da mudança de dinâmica na vida do casal e da depressão pós-parto de Anne, há que fazer um esforço e parte disso passa por manter uma vida social, ou tentar, pelo menos. Quando combinam um jantar com os vizinhos do lado, e a babysitter desmarca à última da hora, Marco sugere manter o jantar e que um deles venha, a vez e a cada meia hora, ver da bebé; é literalmente atravessar o jardim e subir ao quarto. Vivem numa boa vizinhança (classe alta), têm o intercomunicador - o que pode correr mal?

Quando Cora é raptada, o casal vê-se envolvido na cobertura mediática do caso, a braços com a investigação policial e o sentimento de culpa e acusações de negligência. Mas nada bate a angústia de não saber se terão a filha de volta e este thriller (sei agora que foi o livro de estreia da autora) leva-nos literalmente numa montanha russa de mentiras, acusações e traições, onde de um capítulo para o outro caem máscaras, há revelações mais ou menos inesperadas e o ser humano se revela capaz do pior possível. 

Gosto de thrillers e este é um bom livro dentro do género. É emocionante o suficiente para minimizarmos algumas falhas da história. As personagens são credíveis (gostei particularmente do detective encarregue do caso) e as surpresas sucedem-se a um bom ritmo. Já a cena final pareceu-me desnecessária. 

Não é o melhor thriller que li este ano mas tem todos os ingredientes na medida certa para entreter.



****
(bom)

29 de julho de 2018

The last time I lied


Autor: Riley Sager
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 384
Editora: Dutton (Kindle)
Ano: 2018
ISBN: B076GNTWQM
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Depois de ter lido o meu primeiro livro de Riley Sager, Final girls, fui pesquisar se havia outros. Foi assim que descobri que Final girls tinha sido o seu livro de estreia (apesar de já ter publicado outros livros sob outro nome) e que o segundo seria publicado em Julho de 2018. Eu sabia que o ia ler assim que saísse.

E li-o… em três dias, o que é raro; e estamos a falar de quase 400 páginas!

Vamos então à história: duas verdades e uma mentira. O grupo de raparigas com quem Emma Davis calhou partilhar a cabana, no campo de férias Nightingale, jogavam-no de vez em quando e ela também participava. Vivian, Natalie e Allison, de 16 anos, eram todas mais velhas que Emma, de 13, mas ficaram amigas.

Mesmo assim, a diferença de idades e interesses significava que nem sempre faziam coisas juntas. Como na noite em que as três raparigas mais velhas saíram, já tarde, e desapareceram. Uma Emma sonolenta viu-as saírem e viu Vivian a fazer-lhe o gesto que não dissesse nada nem as seguisse mas foi só. As três nunca mais foram vistas e Emma ficou para sempre assombrada pelo que aconteceu.

15 anos mais tarde, a proprietária decide reabrir o campo e convidar Emma – uma pintora em ascensão – para dar aulas de arte. Dividida entre as memórias do que se passou e um anseio em fechar esse capítulo traumático (o salário ser bom também ajuda), Emma aceita, apenas para rever vários rostos do passado e reviver alguns episódios angustiantes.

Os capítulos do livro alternam entre a Emma adulta e a adolescente de há quinze anos atrás, à medida que vamos descobrindo mais sobre as personagens. As revelações e a acção avançam lentamente, assim como o suspense; embora eu tenha achado que acabar quase todos os capítulos em jeito de cliffhanger, sempre com uma interrogação, é um bocado irritante, a gradação e a adição de pormenores foi feita de uma forma sólida, e essa conjugação resultou. O final chegou glorioso, muito bem pensado.

The last time I lied é outro excelente thriller de Riley Sager, emocionante e inteligente.

Até agora, gostei bastante dos 2 livros que ele publicou… e não sou a única: Final girls vai ser adaptado ao cinema e The last time I lied a série de televisão.


*****
(muito bom)

15 de abril de 2018

Final girls



 Autor: Riley Sager
Género: Thriller
Idioma: Inglês
Páginas: 352
Editora: Dutton (Kindle)
Ano: 2017
ISBN: B01MCXUTIU
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Há uma década, Quincy e uns amigos foram para uma cabana no meio da floresta. Em Pine Cottage viveram um pesadelo, do qual apenas Quincy saiu com vida. 

Quincy juntou-se assim a um exclusivo clube com duas outras sobreviventes de situações semelhantes, ganhando uma alcunha orelhuda, em tributo aos filmes de terror onde apenas uma jovem rapariga sobrevive ao massacre: Quincy é uma final girl

Dez anos passados, Quincy seguiu, aparentemente, em frente. Tem um blog bem-sucedido, um namorado dedicado e um amigo precioso - o polícia que a salvou em Pine Cottage, e que se manteve ao seu lado todos estes anos; sofre ainda de amnésia selectiva sobre o que se passou na noite do massacre, e aprendeu a viver com isso. De um dia para o outro, a sua existência pacífica é revirada quando Lisa, uma das três final girls, é encontrada com os pulsos cortados; e Sam, a outra final girl, lhe aparece à porta. Não há xanax que a ajude a lidar com tudo isso.

O livro demora um pouco a arrancar e está longe de ser uma leitura exigente, mas as personagens são interessantes, a história é credível e o suspense é constante. Há muitos detalhes, algumas reviravoltas - mais ou menos previstas -, mas rapidamente nos vicia - eu li o último terço do livro em algumas horas, já passada a hora recomendada de deitar (não me acontecia há muito tempo); a curiosidade em saber quem era o assassino era muita. Valeu a pena.

Final girls é um excelente thriller, um dos melhores que tenho lido ultimamente.  


*****
(muito bom)

5 de junho de 2017

The woman in cabin 10


Autor:
Ruth Ware
Género:
 Policial
Idioma: Inglês

Páginas: 354
Editora:
Vintage Digital (Kindle)

Ano:
2016

ASIN: B019CGXYRS
 
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Na contracapa, a sinopse prometia um mistério claustrofóbico, passado a bordo de um cruzeiro de luxo. Os ocupantes são um grupo privilegiado naquela que é a viagem inaugural do Aurora, a caminho do mar do Norte e de paisagens inspiradoras.


A bordo, entre a elite, está Laura "Lo" Blacklock, jornalista de uma publicação de viagens que ganha o lugar a bordo quando a editora-chefe não pode comparecer. Esta é a oportunidade de fazer contactos e ficar próxima de uma promoção que lhe escapa há anos. 

No navio, Lo fica encantada com a grandiosidade e requinte do espaço. Tudo parece perfeito e tão luxuoso! Apesar de o timing não ser o melhor - Lo está numa fase incerta da sua relação (teve uma discussão com o namorado na véspera do embarque) e uma tentativa de assalto recente deixaram-na insegura e em sobressalto, uma combinação longe da ideal quando a ideia é a auto-promoção -, está decidida a aproveitar a oportunidade de se relacionar com os ilustres.

Uma noite, já tarde, Lo é acordada por um ruído e ouve um corpo a ser lançado à àgua na cabina ao lado da sua. Quando dá o alarme, as coisas ficam cada vez mais estranhas pois ninguém no navio se lembra de ter visto a mulher que Lo fala; o encarregado da segurança a bordo do navio confirma que a pessoa que era suposto ficar lá cancelou e nunca chegou a subir a bordo... nesse caso, quem caiu à água?

The woman in cabin 10 tinha todos os condimentos para ser uma história melhor.
Os primeiros capítulos são interessantes e a premissa levou-me a ignorar as falhas de uma protagonista que está constantemente exausta, sem fome e/ou com ataques de ansiedade. Para Lo, tudo é um esforço sobre-humano, e o seu espírito está num constante estado de inquietude (ao que não ajuda o seu hábito de ingerir elevadas quantidades de álcool de estômago vazio).
 

O seu comportamento também não passa despercebido, por isso em grande parte do livro a palavra de Lo, e o que ela afirma ter visto, é posto em causa, ao ponto de nós, leitores, não sabermos bem o que esperar, o que torna o livro mais apetecível, tendo em conta a moda dos "unreliable narrators" e o suspense que acrescentam à narrativa. Eu achei um ponto positivo.

E como gosto de thrillers, achei que em
The woman in cabin 10 o cenário foi atmosférico q.b. para me manter a ler até ao fim. Algumas escolhas da autora não foram as melhores, na minha opinião, mas isso não torna o livro evitável. Simplesmente chagamos ao fim com algumas pontas soltas e várias personagens sem grande interesse (nem peso) na história, o que deixa uma sensação de inconcretizado.

***
(mediano/razoável)

14 de fevereiro de 2016

A princesa de gelo (Fjallbacka #1)


Autor:
Camilla Lackberg
Género:
Thriller
Idioma: Português

Páginas: 413
Editora:
Bis (Leya)

Ano:
2013

ISBN:
 
978-989-6602376
Título original: Isprinsessan (Fjallbacka #1)
 
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Não sou de ceder a golpes publicitários, mas como fã assumidérrima da Dama do Crime, ao passear-me na secção dos livros policiais e topar uma autora desconhecida a ser publicitada como «a nova Agatha Christie que vem do frio», é garante de pegar e ler as primeiras páginas. 

Foi assim que dei por mim a comprar o livro de estreia de Camila Lackberg, numa vaga recente de traduções de policiais nórdicos que estão a assolar as livrarias e segura de que por 10 euros não arruinava o orçamento familiar.

Este é o primeiro título da colecção Fjallbacka, uma pequena localidade costeira sueca, onde a autora nasceu, e cenário fétiche de Lackberg. A dupla de serviço são a escritora Erica Falck e o detective Patrik Hedstrom, que, aqui, se lançam na investigação do homicídio de Alexandra, uma amiga de infância de Erica.

O cenário branco e aconchegante da pequena cidade costeira torna-se claustrofóbico à medida que vamos percebendo a dinâmica dos habitantes. Isto para mim foi um ponto positivo porque gosto muito deste ambiente de cidade pequena aparentemente idílica onde há muita mente podre e muitos segredos. Menos positivo foi 1) o facto deter lido uma edição traduzida do inglês, com algumas expressões claramente infelizes de tão literais (é esse o preço a pagar por um livro de bolso?); e 2) algumas descrições e diálogos muito pouco naturais e estereotipados que mancham a narrativa ao aparecer do nada (novamente a tradução? aqui já não estou tão certa). 

Não é (de jeito nenhum) uma Agatha Christie (essa é/foi única!), mas o final convenceu-me o suficiente para querer ler outro livro da autora. Entretanto, comprei outros policiais nórdicos, e estou entusiasmada com a perspectiva de leitura, mas este, para já, entreteve mas está aquém de espectacular.  

***
(mediano/razoável)
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