2 de junho de 2013

Louca por compras



Autor: Sophie Kinsella
Género:
Ficção
Idioma: Português
Editora: Livros d'Hoje
Páginas: 336
ISBN:  978-9-72-203747-1
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Rebecca (Becky) Bloomwood é uma rapariga bem-disposta que trabalha como jornalista na revista financeira Successful Savings, direccionada para o público comum, onde escreve artigos sobre como maximizar o salário, investir as poupanças e as melhores opções em poupanças-reforma.

Becky não faz o seu trabalho com grande afinco, pois além de o achar extremamente enfadonho, o conteúdo não lhe faz grande sentido porque... não pratica o que escreve. Aliás, a sua prática pessoal é desastrosa, ao ponto de já dever centenas de libras nos vários cartões de crédito que possui, o que não admira, pois gasta muito mais do que aquilo que aufere.

Como não o fazer, se o pulso lhe acelera quando passa pelas montras luminosas de uma loja, se se sente cheia de vida ao pagar uma saia, um perfume, uma agenda em pele, se não há sensação melhor que estrear algo novo?

Cada capítulo começa com uma nova carta de um banco a avisar de que há (mais) um valor pago em falta, pagamentos que Becky tenta (criativamente) adiar. Apesar de endividada até à medula, continua a receber cartões de crédito com plafonds consideráveis, ou seja, juntando ao facto de Miss Bloomwood não ter qualquer auto-controlo sobre as suas finanças e ser louca por compras, os "maus" ainda lhe alimentam o vício.

Mas Becky quer mudar e a mudança passa por poupar nos gastos ou ganhar mais dinheiro. E assim, seguimos as várias tentativas de Becky na tentativa de poupar dinheiro (fracasso completo) ou arranjar um emprego que pague melhor (idem), o que não deixa de ser divertido tendo em conta o tom ligeiro e silly do livro.

A protagonista é bem intencionada mas a negação do seu problema («se não abrir as cartas dos credores, as dívidas não existem!») e a forma como racionaliza o vício gastador (gastar duzentas libras em ingredientes e num wok especial para fazer caril para levar o seu almoço para o trabalho... e não ter de o comprar a 5 libras a dose é de bradar aos céus!) torna-se irritante e surreal. Felizmente, a autora encarrila a história antes de se tornar cansativa e lá arranja forma de Becky ter a sua vida resolvida a algumas páginas do final.   


É literatura light e rosa que cumpre o esperado: sorrisos, escape momentâneo e muita previsibilidade... ah! e um final feliz. Literatura tipo algodão-doce, sem dúvida.
avaliação: *** (mediano)

17 de maio de 2013

The Academy




Autor: Bentley Little
Género:
Terror
Idioma: Inglês
Editora: Signet
Páginas: 391
ISBN:  978-0-45-1224675
9789896372361
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Este é o terceiro título que leio de Bentley Little, depois de The Ignored e The Store.

O autor caracteriza-se pelo uso de temas mundanos com reviravoltas fantásticas, onde o horror acontece nos locais mais inesperados.

The Academy segue a transição de uma escola secundária de pública para privada, no meio de promessas de melhoria nas notas, da qualidade de ensino e dos programas a leccionar. A maioria dos encarregados de educação e professores estão entusiasmados ao início, mas à medida que mais e mais regulamentos e regras peculiares vão sendo implementados, e a directora se torna cada vez mais déspota, torna-se claro que o caminho escolhido foi o errado.

«The only question is, is this a charter school because it's evil, or is it evil because it's a charter school?»

O mesmo dilema experienciam os alunos, que vivem aterrorizados com as situações surreais que começam a acontecer nas salas de aula e no recinto escolar. Estranhamente, apenas algumas pessoas não parecem afectadas pelo estranho ambiente que se vive na John Tyler High School, mas com o liceu a tornar-se cada vez mais sombrio e assustador, é tudo menos conveniente dar voz a essas dúvidas, sob pena de se desaparecer de um dia para o outro ou de surgir no dia seguinte como que lobotomizado.
  
The Academy tem várias personagens e diversas situações, o que é bom. Porém, as personagens estão longe de serem complexas e as situações credíveis, porque há alguns fios soltos no enredo e muitas ideias ao molho, entre crítica social e ocultismo (uma combinação especialmente infeliz aqui). O final não ajuda, porque parece demasiado repentino depois de um investimento de mais de 350 páginas.

Bentley Little escolheu enveredar por uma narrativa mais explícita desta vez e a qualidade global ressentiu-se, apesar de se ler com expectativa e ter algumas boas ideias que apenas foram mal exploradas. Não é o melhor que já li dele mas sei que melhores livros virão.

avaliação: *** (mediano)
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