8 de janeiro de 2014

As investigações de Poirot


Autor: Agatha Christie
Género:
Contos/Policial
Idioma: Português

Páginas: 176
Editora:
Edições ASA

Colecção: Obras de Agatha Christie
ISBN:  978-97-2414356-9
Título original: Poirot investigates
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Sou uma fã de Agatha Christie desde a adolescência. O belga Hercule Poirot, com as suas fantásticas «célulazinhas cinzentas», é o meu detective favorito e crescer a ler os seus casos (e os insultos velados q.b. ao Hastings) sempre foi um deleite.

Este ano, a minha segunda leitura foi um retorno à Dama do Crime, com est'As investigações de Poirot, 11 contos com Poirot e Hastings como protagonistas. Escrito em 1924, foi um dos primeiros livros de Christie.

Há variedade no tipo de crimes, não há apenas homicídios: raptos, roubos, espionagem; em todos eles, a inteligência do hercúleo detective é procurada por alguém, os factos são apurados, ele senta-se a analisar e, et bien, tira a solução da cartola em menos de nada. 

Esta dinâmica resulta melhor em alguns contos do que em outros, sendo que alguns são demasiado breves para atingir a qualidade potencial e outros parecem demasiado complexos para uma solução tão rápida.

No global, é um livro razoável mas longe da genialidade costumeira, que pode ser comprovada em livros mais longos. Além disso, prefiro os contos de Christie sem Poirot, ele brilha é nos romances, onde a sua genialidade pode ser atestada em pleno.

Segue a lista dos contos. Destaquei os meus favoritos, a saber:

1- A aventura de «A Estrela Ocidental»
2- A tragédia de Marsdon Manor
3- A aventura do apartamento barato
4- O mistério do pavilhão de caça
5- O roubo das obrigações de um milhão de dólares
6- A aventura do túmulo egípcio
7- O roubo de jóias no Grand Metropolitan
8- O rapto do primeiro-ministro
9- O desaparecimento de Mr. Davenheim
10- A aventura do aristocrata italiano
11- O caso do testamento desaparecido


*** 
(razoável/mediano)

3 de janeiro de 2014

O violino de Auschwitz





Autor: Maria Àngels Anglada
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 144
Editora:
Dom Quixote
ISBN:  978-97-2204487-5
Título original: El violí d'Auschwitz
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Não costumo ler livros sobre o Holocausto. Já vi vários filmes e documentários, mas livros só me lembro do Diário de Anne Frank, lido há muitos anos atrás.

Deparei-me com O violino de Auschwitz há uns dias e não reconheci o nome da autora. Maria Àngels Anglada (1930-1999) foi uma romancista e poeta catalã, galardoada com vários prémios, e este é um dos seus romances mais famosos.

O livro segue a provação de Daniel, um jovem construtor de violinos (ou luthier) preso num campo de concentração, e o seu dia-a-dia rodeado de violência e ódio. Originalmente, Daniel faz todo o tipo de trabalhos que os guardas do campo (imprevisíveis na sua crueldade) lhe mandam fazer, mas uma noite, o comandante do campo - «uma besta sádica» que aprecia música -, encomenda-lhe a construção de um violino que rivalize com um Stradivarius.

Daniel vê uma oportunidade de escape mental, dedicando-se de corpo (faminto) e alma (exausta) à tarefa, vindo a descobrir mais tarde que a sua morte prematura depende de uma aposta feita acerca da sua habilidade: se conseguir construir um violino extraordinário, vive; senão, será entregue ao "médico" do campo para experiências, à semelhança de muitos outros prisioneiros, a grande maioria falecidos em grande agonia.

O livro peca por ser demasiado breve e, assim, não permitir ir mais além no conhecimento e apego às personagens, mas tem frases sublimes (aqui reconhece-se a poetisa na autora) e a alternância, em analepse, dos capítulos da vida no campo com a actualidade, está muito bem conseguida.

Os capítulos iniciam-se com passagens reais de relatórios ou documentos administrativos dos campos de concentração, deixando claro a forma como os judeus eram encarados: números.

Daniel é marcante na sua fome, no seu cansaço vigilante e na sua dedicação ao mister que ama. O seu terror é palpável e é doloroso perceber que a sua vida vale muito pouco e que a morte é iminente e pode chegar a qualquer momento. Em redor, a sobrevivência é feroz e os carcereiros absolutamente impiedosos.

O violino de Auschwitz é um livro sobre um horror que supera a ficção. 


**** (bom)
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