11 de maio de 2014

A viragem decisiva


Autor: Andrea Camilleri
Género:
Policial
Idioma: Português

Páginas: 211
Editora:
Difel
ISBN:  972-29-0738-7
Título original: Il giro di boa
Tradução: António Maia da Rocha
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Gosto de policiais e estou sempre pronta a conhecer um novo autor.

Desta vez, decidi ler as aventuras de Salvo Montalbano, comissário de polícia na fictícia Vigàta e personagem recorrente nos premiados romances policiais do italiano Andrea Camilleri.

Montalbano é um bófia cinquentão cheio de calo que vive para apanhar criminosos, comer e beber bem. Neste livro, está desiludido com as notícias de corrupção na polícia, algumas das quais verdadeiras e bem próximas. Farto da podridão em redor, pondera demitir-se, apesar dos colegas o tentarem dissuadir.

Uma manhã, Montalbano está a dar umas braçadas na praia quando um cadáver com indícios de tortura esbarra literalmente com ele; este acontecimento leva o comissário à investigação de um caso que envolve o tráfico de pessoas e que o toca profundamente.
 
O que torna este policial diferente é o protagonista, como todos os policiais de referência (Poirot, Sherlock, Maigret, Nero Wolfe).


Montalbano é castiço e tem um humor corrosivo. A linguagem do livro é bastante realista e bem disposta, com calão q.b. A galeria de personagens é muito boa e a interacção entre elas arranca vários sorrisos e algumas gargalhadas, uma fórmula infalível. Acção, mistério e humor em doses certeiras, Camilleri descobriu um filão, sem dúvida.

Estou curiosa em ler mais livros com Montalbano.

****
(bom)

4 de maio de 2014

A persistência da memória


Autor: Daniel Oliveira
Género:
Romance
Idioma: Português
Editora:
Oficina do Livro

ISBN: 978-989-7411076
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A persistência da memória marca a estreia de Daniel Oliveira nos romances.

Gosto do programa Alta Definição e tento ler autores portugueses sempre que possível, por isso quando uma colega de trabalho me emprestou o livro, não hesitei.

Camila Vaz é uma apresentadora de televisão com uma vida desafogada. O seu traço mais distinto é a memória, pois Camila tem o síndrome de memória superior, o que lhe confere a capacidade de se recordar ao pormenor de todos os acontecimentos da sua vida, tenham sido bons ou não.

Só o Rio de Janeiro me faria esquecer os pedaços de mim que não vieram. Deixei em Lisboa aquela Camila que não quero ser. Todas as outras que sou vieram comigo.

Pela voz da narradora, vamos passeando pela cosmopolita Nova Iorque e pelo escaldante Rio de Janeiro, assistimos a cenas de cama e de cumplicidade com amantes diversos e a episódios traumáticos envolvendo familiares e estranhos.

Os capítulos iniciais são promissores. Acho destemido o autor que tenta escrever pela voz do sexo oposto e estava receptiva. Não me identifiquei com a protagonista nem revi mulheres que conheço na mesma, mas entendi a mulher que Camila é.
 
Sempre me senti uma máquina de viver, cuja consequência foi criar tantas sensações quantas estivesse disposta a fruir.
 
Apesar de estar bem escrito e conter algumas reflexões bastante lúcidas e profundas, é um livro que acaba por se perder na mensagem. Gostei das notas sobre Fernando Pessoa e Salvador Dalí, embora a maioria estivesse presente na metade do livro que achei mais fraca. 

É bom ler em português, mesmo quando as expectativas saem goradas. A persistência da memória é uma estreia ambiciosa da qual esperava mais direcção e menos divagação.

***
(mediano/razoável)
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