11 de julho de 2014

Novela de xadrez


Autor: Stefan Zweig
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 96
Editora:
Assírio & Alvim

Ano:
2013
ISBN:  978-972-371703-7
Título original: Schachnovelle
Tradução: Álvaro Gonçalves
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Stefan Zweig escreveu esta história pouco antes de se suicidar, corria o ano de 1942. A razão alegada foi a de que este austríaco, exilado no Brasil, estava deprimido com o avanço nazi na Europa.

Novela de xadrez foi, assim, publicada, postumamente. Apesar de ser um dos autores mais famosos e vendidos nas décadas de 20 e 30, eu nunca tinha ouvido falar de Zweig e este livro foi a minha estreia.

É uma história intensa, que contrapõe duas personagens memoráveis: o aclamado campeão mundial de xadrez, apático e anti-social, que joga sem paixão e sem ardor, e o advogado humilde e amável que sobreviveu a uma das mais requintadas formas de tortura graças a uma mente superior mas pagando um preço elevado, refletindo uma instabilidade preocupante, jogando xadrez com o coração e não apenas com a mente.
 
Os dois cruzam-se num cruzeiro e o resto é história... que terão de ler.

Apesar de curta, é uma história intensa, escrita de uma forma simples e cativante. Adorei a abordagem subtil ao desequilíbrio e à loucura, e a demonstração inspiradora da força da mente.

Não é preciso ser um amante do xadrez para perceber ou desfrutar da história. Stefan Zweig doseou habilmente as emoções das personagens e as expectativas do leitor. O resultado é um livro que se devora rapidamente.

*****
(muito bom)

5 de julho de 2014

A canção de Kali


Autor: Dan Simmons
Género:
Terror
Idioma: Português

Páginas: 296
Editora:
Clássica Editora

Ano:
1993
ISBN:  978-972-561215-6
Título original: Song of Kali
Tradução: João Barreiros
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Este livro foi o primeiro que li de Dan Simmons, na primeira vez que fui de férias com a minha cara-metade, na primeira (e única) vez que acampei. Ufa. Na altura, já lá vão uns anitos, gostei menos do livro; ao relê-lo recentemente, descobri outras cores e novos arrepios.
 
Robert Luczak, poeta, jornalista e editor, é enviado a Calcutá para recuperar um manuscrito inédito do poeta indiano M. Das, desaparecido há dez anos. Leva consigo a esposa indiana, Amrita, e Victoria, a filha bebé. Desde o início Calcutá revela-se hostil, ameaçadora e sombria. Amrita não reconhece ali a Índia onde nasceu e Luczak não compreende a falta de humanidade e a imundície que envolve tudo. As descrições que ele faz tornam Calcutá repugnante, como se fosse o último lugar onde se quer estar.

Este é o ponto forte do livro, com Calcutá a tornar-se uma personagem central, uma antagonista implacável para aqueles que a habitam e visitam, nomeadamente para Luczak, que percebe rapidamente a dificuldade da tarefa que lhe coube, navegando numa cidade deprimente e escura.

Um dos pontos menos conseguidos é a tradução e algumas gralhas, quiçá devido ao ano da edição. A história não sofre com isso, mas distrai-nos da leitura momentaneamente. A capa é folclórica na sua recriação da figura de Kali. Perdeu-se uma boa oportunidade de inspirar no leitor o temor que o narrador menciona quando na presença da deusa. Para compensar isso, utilizei as várias memórias que tenho do filme Indiana Jones e o Templo Perdido, um dos meus filmes favoritos de miúda. É apenas um extra, uma vez que Simmons é um mestre a descrever vividamente tudo o que o protagonista vê e percepciona. A acção é uma espiral descendente, com algumas surpresas e algum mistério, presidida pela deusa hindu da morte e da destruição.

A canção de Kali é uma leitura atmosférica e envolvente, com um desfecho que pedia mais impacto; gostei de algumas partes terem ficado em aberto.

Sigo para outros autores, mas em breve voltarei a Dan Simmons.

****
(bom)
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