17 de abril de 2020

Kin


Autor: Kealan Patrick Burke
Género: Terror
Idioma: Inglês
Duração: 11h e 2m
Editora: Crossroad Press (Audible)
Ano: 2013
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Depois de Sour Candy, voltei a ler Kealan Patrick Burke.

Em Kin mergulhamos no universo que referecia filmes como Texas chainsaw massacre e Wrong turn, onde um grupo de jovens se vê alvo de um grupo primitivo e saguinário. Não é da preferência de todos mas eu gosto de livros e filmes de terror e quando são bem feitos (e louvados por isso), não deixo passar.

Num dia quente de Verão, nos arredores de um lugar no Alabama, Claire Lambert cambaleia nua e meio cega. É a única sobrevivente de um pesadelo que vitimou o seu grupo de amigos e receia que os assassinos (o clã Merrill) voltem para a matar.

É regastada e semanas depois, quando ainda dorme mal e vive em sobressalto, percebe que o desejo de se vingar é mais forte. Com alguns aliados, volta a uma América rural e com uma ética própria, onde não é claro quem é amigo e quem é inimigo.

Habitualmente, assistimos ao desenrolar dos actos violentos; aqui, um dos focos é na sobrevivente e na família das vítimas. O outro é na família de assassinos, a maioria crianças ensinadas a matar por pais que são predadores com uma moral distorcida (Mama-in-bed e Papa-in-gray são arrepiantes).

Kin é gráfico e muito bem escrito. Não são muitos os autores que conseguem conciliar os dois - Kealan Patrick Burke é talentoso. As críticas positivas são justificadas e resulta muito bem em audiolivro.
****
(bom)

12 de abril de 2020

Maid - hard work, low pay and a mother's will to survive

 
Autor: Stephanie Land
Género: Biografia
Idioma: Inglês
Páginas: 288
Editora: Hachette (ebook)
Ano: 2019

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Aos 28 anos, os planos de Stephanie Land passavam por ter um curso superior e tornar-se escritora. Quando um romance de Verão resultou numa gravidez não planeada, viu-se mãe solteira sem suporte familiar.

Para sobreviver, tornou-se empregada de limpeza; a dificuldade de proporcionar à filha a melhor vida possível, enquanto estudava on-line e passava 4 a 6 horas dárias a limpar casas, foi uma provação; à parte, mantinha um blog para manter o “bichinho” da escrita.

Em Maid, a autora fala da sua experiência de assalariada mal paga que depende de ajuda governamental para pagar a renda, as contas mensais e a alimentação. Fala do estigma de viver no limiar da pobreza, de pagar as compras de supermercado com cupões de alimentos e de se sentir encurralada.

Fala da classe média alta americana e de como é limpar as suas casas. Stephanie não conhece nem de vista a maioria dos clientes, não sabe o seu nome mas observa tudo com curiosidade; tenta imaginar a vida dos habitantes das casas através das suas roupas e objectos diversos, e várias vezes dá por si a pensar em como os bens materiais que tanto lhes inveja não são, afinal, garante de felicidade.

Há vários pormenores de como as limpezas às casas são feitas, como tudo é organizado, e a autora relata-nos o seu quotidiano de esfregar chãos e casas de banho até ficarem num brinquinho, e como o trabalho duro e sem benefícios resulta em espasmos musculares, noites mal dormidas e dores de costas suportadas com ibuprofeno.

Apesar de reconhecer a luta constante de Stephanie Land, e de ser inegável a sua tenacidade, tenho de admitir que não sou fã da sua forma de pensar, que levou a decisões pouco felizes – acredito que a sua fraca auto-estima e desamparo familiar não ajudaram.
 
Há um final feliz para a autora e para a filha, cujas circunstâncias eram extremamente difíceis - é bom ler uma história de superação.

****
(bom)

7 de abril de 2020

Animal farm / O triunfo dos porcos / A quinta dos animais


Autor: George Orwell
Género: Romance
Idioma: Inglês
Páginas: 154
Editora: Penguin (e-book)
Ano: 2003
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Numa quinta imaginária na Inglaterra, os animais decidem revoltar-se e reclamar a quinta dos humanos «cruéis e exploradores» para si.  Uma ideia inocente e aparentemente tão simples leva a uma reflexão extraordinária sobre a sociedade humana. 

Após se tornarem os donos da quinta, é redigido um conjunto de mandamentos, para unir os animais:
1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais.

Porém, rapidamente acontecem situações que desafiam um cenário de igualdade, com alguns animais a trabalharem mais, outros a descansarem mais, poucos a assumirem mais protagonismo; vai-se firmando o despotismo, a propaganda, a ausência de julgamentos justos e as execuções.

 «Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais do que outros.»

O tom do romance é objetivo, relatando factos e quase nunca enveredando por considerações filosóficas. Esse tom e o desenrolar (ultrajante!) da acção, numa ironia gradual, confirmam a triste realidade que pouco mudou - a maioria dos animais continua a ser explorada. 

Existem vários conflitos na história: os animais contra Jones (o dono da quinta), o Bola de Neve contra o Napoleão (os dois porcos líderes), os animais comuns contra os porcos, os animais da quinta contra os humanos vizinhos das outras quintas; todos eles retratam a tensão subjacente entre classes, entre explorados e exploradores, entre os ideais utópicos e a (dura) realidade do socialismo.


Orwell escreve de uma forma simples e directa, sem floreados. A acção é muito bem dirigida, com a tensão a escalar de uma forma credível; tudo parece desenrolar-se de uma forma tão natural que é assustador tendo em conta o ponto de partida.

George Orwell escreveu esta fábula para satirizar a Revolução Russa (1917-1945), nomeadamente a corrupção dos ideais socialistas, o perigo de uma classe trabalhadora ingénua e o uso da propaganda como instrumento do abuso de poder.

Escolhi reler o texto na língua original mas o título usado para as primeiras edições em Portugal é muito boa, embora contenha spoilers. O final chega sem surpresas, infelizmente. Animal farm / O triunfo dos porcos / A quinta dos animais é um clássico incontornável.
«Não havia dúvidas agora sobre o que estava acontecendo às caras dos porcos. Os que se encontravam lá fora olhavam do porco para o homem, do homem para o porco e novamente do porco para o homem, mas era já impossível distinguir uns dos outros
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(obra prima)

2 de abril de 2020

Persépolis


Autor: Marjane Satrapi
Género: Biografia
Idioma: Inglês
Páginas: 352 (integral)
Editora: Vintage Digital (e-book)
Ano: 2008
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Marjane Satrapi (pseudónimo de Marjane Ebihamis) é de origem iraniana e nesta série de banda desenhada muito aclamada, conta a sua história.

É uma criança quando o regime de Reza Pahlavi cai; o xá fora posto no poder pelos norte-americanos, que queriam acesso livre ao petróleo iraniano. O povo iraniano, ao tentar libertar-se de cinquenta anos de tirania, abriu a porta ao regime islâmico, não lucrando com a troca.


A primeira parte de Persépolis é narrada por uma criança que tenta entender o mundo dos adultos e fazer sentido das coisas que lhe são contadas. Estamos no início da década de 80 e as universidades estão a ser encerradas; o uso do véu torna-se obrigatório para as mulheres. Os pais da precoce Marjane protestam contra o regime mas a repressão é violenta. Assustados, mandam a filha para a Áustria para prosseguir os estudos.

É assim que Marjane começa a frequentar o liceu francês em Viena, sem falar uma palavra de alemão. Os amigos são miúdos rebeldes que lhe dão a conhecer as drogas e a sexualidade livre. Dividida entre duas culturas completamente diferentes, luta por ter algum equilíbrio. 

Quando após quatro anos, Marjane regressa a Teerão, a guerra com o Iraque terminou mas a cidade está em ruínas e o governo continua repressivo. A jovem cai numa depressão grave mas com o apoio da família consegue ultrapassá-la e voltar a concentrar-se na sua educação.

O que eu mais gosto nos desenhos de Marjane Satrapi é a mistura do trágico com o burlesco, nunca se furtando à auto-crítica, aos eventos históricos e ao juízo à sociedade islâmica iraniana, onde a liberdade de expressão não existe, onde tudo é proibido (maquilhagem, música, festas, demonstrações de afecto). Os iranianos tentam criar, em casa, um espaço de liberdade e identidade, mas muitos são influenciados pelos valores tradicionais e são eles mesmos a repreender outros que não sigam a ideologia do regime. 

Persépolis narra gráfica e habilmente os sentimentos e emoções de uma mulher rebelde que recusa viver em submissão, ilustrando de uma forma poderosa o cenário histórico-político iraniano. É uma história arrebatadora, que merece ser lida.

O livro, banido de várias escolas norte-americanas - onde foi incluído como leitura obrigatória, gerando mil controvérsias -, ganhou vários prémios, foi adaptado ao cinema, premiado em Cannes e nomeado aos Óscares. A autora abandonou o Irão em 1994 para não mais voltar. Obteve a nacionalidade francesa e reside em Paris, vivendo da realização, da escrita e da ilustração.

*****
(muito bom)

29 de março de 2020

O homem de giz


Autor: C.J. Tudor
Género: Mistério
Idioma: Português
Páginas: 273
Editora: Planeta (e-book)
Ano: 2018
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Depois de ter visto o livro destacado em várias livrarias (ainda) e mencionado em diversos posts, finalmente cedi. 

Mergulhei, então, no primeiro livro de C.J. Tudor, lançado no início de 2018.

Em 1986, um grupo de miúdos descobre um cadáver na floresta, depois de seguir uma série de desenhos feitos em giz. É um episódio que os vai marcar profudamente e à cidade onde vivem.

Um desses miúdos, Ed, é o narrador.
Em 2016, esforça-se por ultrapassar coisas que aconteceram no passado. É um tipo com alguns tiques e que gosta do seu copito mas é pacato. Um dia, ele e os amigos de infância recebem o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Ed sabe que tem de revisitar o que aconteceu há três décadas.

É evidente a admiração da autora por Stephen King, citado por ela como uma grande influência, o que se nota em alguns pontos da história, com alguns pormenores que lembram The Body, adaptada ao cinema (Stand by me). Não me admirava de o ver também adaptado ao cinema.

A vibe dos anos 80 é um ponto positivo e o recurso aos cliffhangers no final da maioria dos capítulos resulta algumas vezes, depois perde charme.  

O homem de giz é bem executado mas ficou aquém do que esperava.

***
(mediano/razoável)

24 de março de 2020

Horrorstör


Autores: Grady Hendrix, 
Michael Rogalski (ilustrador)
Género: Terror
Idioma: Inglês
Páginas: 240
Editora: Quirk Books (e-book)
Ano: 2014
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Este é o segundo livro que leio de Grady Hendrix, depois do excelente We sold our souls.

Em Horrorstör, Hendrix debruça-se sobre o sector do retalho. O livro em papel, concebido para ter a aparência de um catálogo do IKEA, é genial, com cada capítulo ilustrado por um produto disponível na loja ORSK - uma cópia fictícia do gigante IKEA -, cenário da acção. Eu li o e-book, que não é tão fixe, mas que ainda assim resulta bem graficamente.


Algo estranho está acontecer na ORSK do Ohio. Ultimamente, a equipa que abre a loja descobre estantes Kjërring desmontadas, dejectos nos sofás Brooka e copos estilhaçados. Como as câmaras de vigilância não mostram nada de anormal, um grupo de funcionários decide ficar depois do fecho.
«Work gives you a goal. It lets you build something that lives on after you’re gone. Work has a purpose beyond making money.»
À noite, na escuridão, o interior da loja é labiríntico, os barulhos e estalidos multiplicam-se. O showroom, projectado para forçar os clientes a moverem-se no sentido anti-horário, presos num frenesim de consumismo durante o dia, é o palco de algumas entidades sombrias quando cai a noite.

Horrorstör é um romance à parte. Por detrás do grafismo inovador, está uma crítica da sociedade de consumo extrema e uma sátira da filosofia corporativa, tudo misturado num romance horripilante.

****
(bom)

19 de março de 2020

O marinheiro que perdeu as graças do mar


Autor: Yukio Mishima
Género: Romance
Idioma: Português
Páginas: 176
Editora: Assírio e Alvim
Ano: 2008
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Este é o primeiro livro que leio de Mishima, pseudónimo de Kimitake Hiraoka, nascido em Tóquio em 1925.

Mishima suicidou-se aos 45 anos por seppuku (vulgo haraquíri), seguindo o código de conduta dos samurai, por ideologia e por não se rever na direcção que a sociedade japonesa estaria a tomar - não terá ajudado uma tentativa de golpe de estado que lhe valeu enorme contestação.

Em O marinheiro que perdeu as graças do mar, o adolescente Noboru está fascinado com a relação amorosa da mãe com Ryuji, um marinheiro que carrega a grandeza do mar e uma aura de masculinidade impossível de ignorar. Noboru não é próximo da mãe, não tem uma figura paternal na sua vida e faz parte de um grupo de rapazes com tendências violentas. A presença de Ryuji vai agitar e mudar várias coisas.
«A glória, como vós sabeis, é uma coisa amarga.»
Há partes do livro viscerais, outras de grande beleza evocativa. É raro encontrar um autor assim; uma cena particular envolvendo um gato é aflitivamente descritiva, mas a descrição é ao pormenor, tornando-a impossível de esquecer. É um livro muito denso.

Li que Mishima foi várias vezes indicado como candidato ao Nobel da Literatura, e consigo ver o porquê. Há força na sua escrita e a leitura não é fácil - as personagens d'O marinheiro que perdeu as graças do mar marcaram-me ao ponto de não querer voltar ao universo do autor tão cedo. 

****
(bom)

15 de março de 2020

The choice


Autor: Dr. Edith Eger
Género: True crime
Idioma: Inglês
Duração: 12h e 26m
Editora: Simon & Schuster (Audible)
Ano: 2017
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The choice é uma biografia escrita por uma sobrevivente do Holocausto.

No início dos anos 40, Edith era uma adolescente húngara que vivia para a dança e para a ginástica; fazia parte da equipa nacional de ginástica até ter sido expulsa devido ao clima crescente de anti-semitismo. É o golpe mais devastador da sua vida até eclodir a segunda grande guerra, quando a família Eger é intimada a embarcar em vagões…

No campo de Auschwitz Edith sofre várias atrocidades, testemunha muitas outras e dança para o infame Mengele. No final da guerra, órfã, com pouco mais de trinta quilos e muito debilitada, não sabe o que fazer com a liberdade recém-adquirida. O seu relato de sobrevivência é tocante e um milagre.

«No one can take away from you what you’ve put in your mind.»
 
Edith sobreviveu a Auschwitz, casou, teve filhos, mudou-se para a América e formou-se em psicóloga clínica - é mundialmente conhecida pelo seu trabalho no tratamento da perturbação de stress pós-traumático (PSPT). Com mais de 90 anos, ainda dá consultas, determinada a ajudar outros a encontrarem a paz que ela própria demorou décadas a encontrar.
 
Edith Eger não é a primeira sobrevivente de Auschwitz a relatar a sua experiência mas a sua perspectiva e o seu percurso são singulares; profissionalmente, a relação com os seus pacientes é feita com uma profunda empatia e humildade, e o seu entendimento da dor e do perdão é único.  
 
The Choice é triunfal.
*****
(muito bom)

8 de março de 2020

Viral


Autor: Helen Fitzgerald
Género: Romance
Idioma: Inglês
Páginas: 272
Editora: Faber & Faber
Ano: 2016
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Su é uma jovem responsável, boa aluna, prestes a entrar em Medicina; adoptada na Coreia do Sul por um casal anglófono quando tinha meses, sabe que escapou a uma existência triste num orfanato. A irmã, Leah, da mesma idade, não está preocupada em ter uma carreira ou um emprego; quer divertir-se o mais possível enquanto os pais lhe pagarem as despesas.


Leah, determinada que Su não passe o Verão enfiada em casa, lança a ideia de fazerem uma viagem de finalistas a Magaluf, em Maiorca, com duas amigas. Su aceita.

No último dia de férias, depois de uma noite com muito álcool, Su acorda com um link para um vídeo que se está a tornar viral: nele, aparece a fazer sexo oral a doze homens num bar, completamente embriagada. A irmã e as amigas aplaudem, rodeadas por estranhos.

«So far, twenty-three thousand and ninety-six people have seen me online. They include my mother, my father, my little sister, my grandmother, my other grandmother, my grandfather, my boss, my sixth year biology teacher and my boyfriend James.»

A cada minuto que passa, a cada partilha que é feita, mais pessoas no mundo descobrem o que Su fez nas férias. O efeito cascata rapidamente se faz sentir e ninguém ligado a Su escapa. Na Escócia, a mãe das jovens, juíza de primeira instância, vê-se impossibilitada de iniciar uma acção judicial contra o autor do vídeo, e pondera fazer justiça pelas próprias mãos. Uma após outra, sucedem-se catástrofes que vão alterar a vida de Su e da sua família para sempre.

A cada capítulo, vemos o impacto das redes sociais e o seu poder. Vemos como Su e a família tentam lidar com o sucedido, as reacções de amigos e conhecidos, a forma como tudo é noticiado.

Uma pesquisa rápida no Google mostou-me que situações similares são comuns e estão disponíveis online. O que para algumas pessoas será impensável é o esperado (e procurado) por milhares de jovens que todos os anos se deslocam à ilha para desfrutar das praias e da vida nocturna.

As personagens são credíveis, o livro simples e com uma mensagem muito poderosa. Viral aborda um assunto difícil de uma forma realista; no fim fica a sensação que ficou tudo "arrumadinho" muito depressa mas isso não prejudica o ritmo de leitura. O essencial ficou escrito. 

****
(bom)

1 de março de 2020

Sour candy

 
Autor: Kealan Patrick Burke
Género: Terror
Idioma: Inglês
Páginas: 67
Editora: Amazon (Kindle)
Ano: 2015
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Phil Pendleton está feliz e sente que a vida não lhe poderia correr melhor. Numa passagem por um Walmart para comprar uns doces para passar o dia a ver filmes enroscado com a namorada, presencia uma cena perturbante: uma criança em plena birra e uma mãe apática, incapaz de controlar o petiz, enquanto as pessoas em volta tentam não julgar muito... sem sucesso.

Momentos mais tarde, fora do supermercado, Phil é protagonista de uma cena que vai virar-lhe a vida do avesso. O miúdo que há pouco chorava não o perde de vista e chama-o de pai, e não há nada que Phil possa dizer que convença as pessoas à sua volta que isso não é verdade. Parece um episódio à "Twilight Zone".

«Four months to the day he first encountered the boy at Walmart, the last of Phil Pendleton's teeth fell out.»
Toda a gente parece crer que a criança lhe pertence, e a própria garante que são uma família e que sempre viveram juntos. Seguem-se semanas de terror, onde Phil questiona se terá perdido a sanidade... 
 
Sour Candy é uma leitura rápida e intensa, e deliciosamente bizarra. Kealan Patrick Burke transmite com mestria a inquietação e desespero de Phil, e todo o ambiente de tensão.
 

A reviravolta final é bem imaginada e surpreendente. Sendo um conto de pouco mais de 60 páginas, fiquei com pena de não ver desenvolvidos alguns aspectos porque acho que havia potencial para isso.

Um autor recém descoberto que fiquei com curiosidade em seguir.

****
(bom)
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