18 de junho de 2018

A river in darkness: one man's escape from North Korea



Autor: Masaji Ishikawa
Género: Biografia
Idioma: Inglês
Páginas: 155
Editora: AmazonCrossing (Kindle)
Ano: 2018
ISBN: B06XKRKFZL

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A river in darkness: one man's escape from North Korea é uma história assombrosa contada na primeira pessoa. Alguns detalhes vão ficar na memória de quem a lê durante muito tempo.

Masaji Ishikawa nasceu no Japão nos anos 60. Filho de pai coreano e mãe japonesa, teve no pai um homem fechado e violento que se ressentia do tratamento descriminatório por parte dos japoneses, e na mãe uma mulher passiva e dócil, por vezes em demasia.

Quando surgiu a oportunidade da família se mudar para a Coreia do Norte - pintada como se fosse o "el dorado" -, o pai de Masaji como que rejuvenesceu, animado com a perspectiva de voltar à pátria como um retornado honrado e dar uma vida melhor à família...

Masaji começou a viver na Coreia do Norte ainda adolescente, com a família. Ao longo de várias décadas, e desde o início, ele e a sua família foram constantemente rebaixados, ofendidos e prejudicados por serem japoneses, por terem um pouco mais que os restantes (estamos a falar de relógios de pulso e pequenos utensílios domésticos).

O pouco que eu sei acerca da Coreia do Norte são as nada lisonjeiras notícias que passam de tempos a tempos, apesar da alegada recente "abertura" ao mundo ocidental, i.e. aos EUA. Não há muitos livros acerca da vida lá, por isso esta foi/é uma oportunidade única de ler como se vivia nas áreas rurais nas últimas décadas... e confesso que não estava preparada para a miséria profunda que pontuava a existência dos norte-coreanos.

Biografias são sempre livros difíceis de classificar; este livro está numa categoria ainda mais à parte por causa do tema e da forma como põe a nu a natureza humana em situações extremas de teste à capacidade humana de sobreviver. A coragem de Ishikawa, fortalecida pela clara noção que não tem mais a perder, é louvável e a sua história tem de ser ouvida e passada de boca em boca. Leitura obrigatória.

“There’s a saying, “Sadness and gladness follow each other.” As I see it, people who experience equal amounts of sadness and happiness in their lives must be incredibly blessed.”

“(...) that’s always the way with totalitarian regimes. Language gets turned on its head. Serfdom is freedom. Repression is liberation. A police state is a democratic republic. And we were “the masters of our destiny.” And if we begged to differ, we were dead.”

“I even heard a rumor of one man killing his wife and eating her.”
****
(bom)

22 de maio de 2018

Weird things customers say in bookshops



 Autor: Jen Campbell
Género: Humor
Idioma: Inglês
Páginas: 128
Editora: Constable (Kindle)
Ano: 2012
ISBN: B005RZB8AO
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Qualquer amante de livros digno desse nome não vai conseguir deixar de ler Weird things customers say in bookshops com uma expressão franzida e um sorriso. 

Isto porque apesar de ser um livro leve e despretencioso, lê-se com um misto de incredulidade perante algumas tiradas incríveis como "I enjoyed the Diary of Ann Frank, why did she never write a sequel?" e "Someone should have taught that Shakespeare guy how to spell. I mean, am I right, or am I right?"

Um retrato bastante fiel daquilo que se ouve quando se trabalha em retalho - e é incrível o que as pessoas dizem/perguntam/comentam -, é também um espelho de uma sociedade que lê cada vez menos e onde se tem menos filtros. E as frases do livro são maioritariamente de livrarias inglesas, sendo o Reino Unido um dos países onde mais se consome livros e literatura. Nem quero imaginar o que se diria no nosso país.  

Weird things customers say in bookshops é um livrinho simpático, que se lê num instante. É um ensaio realista sobre os consumidores em geral, com as suas perguntas surreais q.b., alguma falta de educação e muita ignorância.


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(mediano/razoável)
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