17 de novembro de 2020

Ten lessons for a post-pandemic world

Autor: Fareed Zakaria
Género: Comentário social, Política

Idioma: Inglês
Páginas: 320
Editora: W.W. Norton Company (ebook)
Ano: 2020

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Fareed Zakaria é um escritor e jornalista norte-americano de origem indiana, especializado em relações políticas internacionais. No seu currículo conta com colaborações escritas no Washington Post e na Newsweek e programas na CNN, PBS e ABC.

Em Ten lessons for a post-pandemic world, Zakaria propõe encarar a pandemia como uma oportunidade para readaptar a economia mundial e tornar as nações mais prósperas.

O livro menciona várias fontes e adivinha uma pesquisa profunda. Várias reflexões são bastante lúcidas, analisando a corrida pré-confinamento às prateleiras dos supermercados e a uma vacina, comparando o passado e o presente e prevendo o futuro económico-social da Europa e dos EUA, embora com maior enfoque na América do Norte.

O autor defende um combate activo ao individualismo e para que os países não se fechem sobre si mesmos e apostem na entreajuda. O futuro não é unidimensional e demonizar a globalização é um passo largo para um isolamento que poderá alimentar regimes autoritários e nacionalistas. 

Não há que concordar com tudo o que Zakaria escreve, mas devemos pensar nas questões levantadas e na hipótese de reescrever o futuro.

Ten lessons for a post-pandemic world é uma lufada de ar fresco, equilibrando lições de economia e filosofia com os vários possíveis cenários de mudança da situação geopolítica e da ordem mundial.

Índice do livro
Introduction: The bat effect
01 - Buckle up
02 - What matters is not the quantity of government but the quality
03 - Markets are not enough
04 - People should listen to the experts and experts should listen to the people
05 - Life is digital
06 - Aristotle was right: we are social animals
07 - Inequality will get worse
08 - Globalization is not dead
09 - The world is becoming bipolar
10 - Sometimes the greatest realists are the idealists
Conclusion: Nothing is written

*****
(muito bom)

8 de novembro de 2020

The Familiars

Autor: Stacey Halls
Género: Literatura

Idioma: Inglês
Páginas: 420
Editora: Zaffre Publishing
Ano: 2019

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The Familiars é o romance de estreia da britânica Stacey Halls.

A autora baseou grande parte da história no julgamento das bruxas de Pedle, descrito como o julgamento mais mediático e documentado do século XVII; já Terry Pratchett e Neil Gaiman lhe tinham feito referência em Good Omens.

O ano é 1612, no condado de Lancashire, no noroeste inglês. Seguimos de perto os pensamentos e anseios de Fleetwood Shuttleworth, senhora de Gawthorpe, que aos 17 anos já conta três abortos e se encontra grávida pela quarta vez. 

Nada leva a crer que desta vez consiga levar a gravidez a bom termo, mas quando Fleetwood surpreende Alice Gray na floresta que faz parte de Gawthorpe, a jovem afirma ser parteira e poder ajudá-la a levar a gravidez até ao fim. A jovem senhora decide arriscar e entre as duas nasce uma amizade e confiança que são ameaçados quando Alice é acusada com outras onze pessoas de bruxaria. Fleetwood é a única que se preocupa com o destino da jovem e tenta intervir e impedir que acabe no cadafalso... numa região supersticiosa, num clima agressivo para com as mulheres que conhecem as ervas e são curandeiras, onde ser pobre equivale a não ter representação legal nem conhecimento dos seus direitos.

Mesmo no meio de todo o horror que involve a investigação inquinada, as dinâmicas sociais e a imensa pobreza que assola a esmagadora maioria da população, a determinação de Fleetwood em provar a inocência da amiga é um dos pontos altos do livro. 

Ao mesmo tempo seguimos a evolução de uma rapariga privilegeada com pouco a acrescentar num mundo masculino e onde se espera submissão para com o marido para uma jovem firme nas suas convicções que aprende a fazer ouvir a sua voz. 

A escrita é elegante e a acção é empolgante. A autora leva o seu tempo a envolver-nos na narrativa, o progresso é lento mas eficaz; gostei bastante do desenvolvimento da protagonista, das descrições, do ambiente medieval, e aceitei algumas liberdades para com os costumes e papel femininos na Inglaterra de 1612 - até perdoo o final arrumadinho. 

A capa do livro é magnífica e merece ser mencionada.

Um dos melhores livros que li este ano.

*****
(muito bom)


1 de novembro de 2020

Run

Autor: Blake Crouch
Género: Thriller

Idioma: Inglês

Páginas: 284

Editora: Blake Crouch (Kindle)

Ano: 2011

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Blake Crouch é um excelente contador de histórias; depois da trilogia Wayward Pines (opiniões aqui, aqui e aqui), adaptada à televisão de uma forma menos bem conseguida, a leitura de Run confirmou-o novamente.
  
No seguimento de um fenómeno astronómico que transforma quem o viu num homicida, por todos os Estados Unidos há assassinatos em grande escala e incêndios de cidades inteiras.

É neste cenário pós-apocalíptico que a família Colclough (os pais Jack e Dee, e os filhos Naomi e Cole) foge da sua casa no Novo México.

A esperança é seguir para norte e alcançar o Canadá, a mais de 2 mil quilómetros de distância. Jack e a família atravessam o país testemunhando horrores sem precedentes e lutando pela sobrevivência, enquanto o caos rebenta à sua volta – o direito às armas aqui prova ser ainda mais mortal do que presenciamos na televisão de tempos a tempos.

Este livro é anterior à saga Wayward Pines, que achei mais interessante e muito mais complexa. Run compensa a falta de complexidade com muita acção. A temática apocalíptica agrada-me – sou fã da série Walking Dead – e Blake Crouch está à vontade e guia o leitor num ritmo imparável. Gostei das personagens e da dinâmica familiar, mas o livro torna-se algo repetitivo e isso tira alguma força à história. Quanto ao final, esperava algo com mais impacto.

Bonzinho; vou continuar a ler este autor, mas vou voltar à ficção científica.

****
(bom)

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