19 de agosto de 2013

Em Parte Incerta




Autor: Gillian Flynn
Género:
Thriller
Idioma: Português
Editora: Bertrand Editora
Páginas: 520
ISBN:  978-9-72-252557-2
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Acha mesmo que conhece a pessoa que dorme ao seu lado?

É esta frase provocadora que ilustra a capa de Em Parte Incerta, o novo livro de Gillian Flynn, uma escritora americana cujo romance de estreia, Objectos Cortantes, foi bastante bem recebido pela crítica (este é o terceiro romance da autora).

Eu li Objectos Cortantes pouco depois de ter saído e gostei (tem uma protagonista forte e fala sobre auto-mutilação), e este Em Parte Incerta também é um mimo. É desafiante, é envolvente e surpreende, ah pois! Os protagonistas e narradores, Nick e Amy, não se permitem ter qualquer segredo para com o leitor e há algumas passagens que chegam a ser constrangedoras, o que valoriza bastante a narrativa.
 
Mas vamos à história: na manhã que marca o 5.º aniversário do seu casamento, Amy Dunne desaparece, deixando vários indícios a apontar para o marido, Nick. O livro (mais de 500 páginas) divide-se em capítulos contados pelo casal, os dele após o desaparecimento dela e os dela antes de desaparecer. O marido foca-se nos interrogatórios, na organização popular para promover buscas e divulgação da gone girl e na forma como reage ao que acontece(u); Amy foca-se na sua vida, na sua carreira e na relação com Nick, pré e durante o casamento.

Os capítulos iniciais precisaram de persistência q.b. da minha parte, porque chegam a ser aborrecidos e repetitivos, mas são cruciais para a história, para percebermos as personagens e o que as motiva.

Assim, passados os capítulos mais maçudos, Em Parte Incerta ganha interesse e segue-se um festival de virar páginas, num thriller (não policial) viciante e enigmático.

O que menos gostei? Os capítulos finais e algumas pontas soltas, uma surpresa numa narrativa tão meticulosa desde o início. Li uma entrevista a Gillian Flynn em que a autora confessa que a 80 e pouco por cento do livro bloqueou e não sabia como terminar o livro; valeu-lhe algumas dicas da equipa editorial... não vou dizer que foi um flop total, mas a qualidade e coerência ressentiram-se.

Porém, o saldo final é para lá de positivo, o livro está muito bem escrito e a galeria literária dos mega psychos ganhou uma adição de peso.
  
   
avaliação: **** (bom)

13 de agosto de 2013

Sangue Ardente (saga Sangue Fresco #11)



Autor: Charlaine Harris
Género:
 Fantasia Urbana
Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 288
ISBN:  978-9-89-637418-1
Título original: Dead reckoning
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Sangue Ardente é mais uma oportunidade de voltarmos ao Louisiana e sabermos as novidades de Sookie. Este é o 11.º livro da saga Sangue Fresco (que são 13) e o final da colecção aproxima-se (oooh). Por isso, tenho lido os livros com mais calma e com mais atenção (p'ra render, confesso), e alguns detalhes deixam antecipar para onde caminha a história.

Desta feita, a nossa empregada de mesa e telepata favorita - sempre armada em detective - descobre muito do passado (oculto) da avó Adele, o que vai levar a revelações surpreendentes relacionadas com o mundo das fadas. Com Eric, as coisas também já viram dias mais soalheiros. A mudança do poderoso Victor Madden para a área, e a afronta directa ao poder local do viking, levam a que a tensão se instale e que Sookie se veja (yet again!) envolvida em jogos de intriga vampírica, sem esquecer a gestão delicada da relação com Eric.

Entretanto, o reaparecimento do casal de bruxos Amelia e Bob desanuvia o ambiente em casa de Sookie, que tenta não flipar com os familiares (e hóspedes permanentes) Claude e Dermot que têm uma agenda própria e uma vida paralela onde ela não é perdida nem achada.
 
Neste livro, é claro que estamos perante uma protagonista mais madura. Sookie tenta levar o seu dia-a-dia normalmente, mas desde que conheceu o vampiro Bill que tomou consciência de um mundo novo e perigoso. Em 2 anos (período temporal do livro), Sookie passou por muito, ganhou e perdeu amigos, testemunho a maldade e a violência extremas, esteve com a vida por um fio 1001 vezes, (des)apaixonou-se, viveu.
 
É visível o amadurecimento da personagem e a tentativa da autora Charlaine Harris em manter Sookie optimista e espevitada, mas perdeu-se frescura e nota-se algum desgaste na série e este livro é exemplo disso. Não é o mais entusiasmante nem o melhor conseguido, mas é bom entretenimento e um must para as fãs da fantasia urbana mais viciante dos últimos tempos.

avaliação: **** (bom)
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