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4 de agosto de 2019

I’ll Be Gone in the Dark - one woman’s obsessive search for the Golden State Killer




Autor: Michelle McNamara
Género: True crime
Idioma: Inglês
Duração: 10h e 13m
Editora: HarperAudio (Audible)
Ano: 2018
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Nunca tinha ouvido falar de Michelle McNamara.

Jornalista e escritora do género true crime (relatos verídicos de crimes investigados pelas autoridades), falecida em 2016 durante o sono, foi casada com o actor/comediante Patton Oswalt.

Nas próprias palavras da autora, desde a adolescência que era obcecada por histórias de crime; há alguns anos que mantinha um blog acerca de casos arquivados, com uma vasta comunidade de detectives amadores (armchair sleuths) e uma extensa troca de comentários. Foi aí que nasceu a ideia de pegar na compilação exaustiva de informação que acumulara e escrever este livro sobre os crimes do East Area Rapist/Original Night Stalker (EAR/ONS), um violador e assassino em série activo nas décadas de 70 e 80 - McNamara “rebaptizou-o” como Golden State Killer (GSK).

Ao longo dos vários capítulos, vai sendo descrito o modus operandi do criminoso, e como passou do furto ao roubo com violação, até ao homicídio premeditado de casais, com vários sinais de violência, numa escalada sombria de violência e crueldade que sempre confundiu as autoridades policiais – o indivíduo atacou em estados diferentes dos EUA durante períodos distintos.

I’ll Be Gone in the Dark é o trabalho de uma vida: um livro pesado, repleto de pormenores macabros e cronologias desafiantes. McNamara fez um trabalho de pesquisa exaustivo (o subtítulo é mais do que apropriado) e o livro foi terminado postumamente recorrendo aos arquivos minuciosos da autora e a capítulos parcialmente iniciados; foi publicado no início de 2018. 

Não sendo o meu género de eleição, foi uma excelente incursão pelo true crime. O formato audiolivro (Audible) foi uma boa aposta e ajudou a expandir o vocabulário forense em inglês.

Uma nota para o capítulo final: soberbo. 

O epílogo, narrado pelo viúvo, Oswalt, confirma o carácter de Michelle e a sua devoção pelo tema, movida pela paixão de que se fizesse luz sobre este mistério. 

Em 2018, dois meses após a publicação do livro, foi detido um suspeito, o qual foi posteriormente acusado de alguns crimes de homicídio (os de violação já prescreveram) atribuídos ao EAR/ONS ou GSK. É arrepiante ver como o perfil traçado pelas equipas de investigação envolvidas – e compilado pela autora - encaixa que nem uma luva: ex-militar, ex-polícia, conhecimentos de procedimentos e investigação criminal, residente nas áreas afectadas. Curiosamente, as autoridade anunciaram que a captura do suspeito não teve qualquer relação com a saída do livro - uma afirmação infeliz e em que pouca gente deve acreditar.

Esperemos que a justiça (possível) seja feita.

*****
(muito bom)

20 de outubro de 2015

Wayward Pines - Caos (Wayward Pines #3)


Autor:
Blake Crouch
Género:
Thriller
Idioma: Português

Páginas: 352
Editora:
Suma de Letras

Ano:
2015

ISBN:
978-989-87755559
Título original: The last town (Wayward Pines Trilogy, Book 3)
 
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Este livro encerra a trilogia de Wayward Pines. 

Não costumo ler ficção científica mas gostei bastante da história e da acção. Este terceiro livro tem mais cenas de violência do que os outros dois mas temos os habitantes de Wayward Pines num cenário diferente, a lutar pela sua sobrevivência e a tentar assegurar a segurança da cidade, completamente à mercê da ameaça exterior.

Quando comecei a ler os livros, estava longe de imaginar o que escondia o desaparecimento de dois colegas que o agente secreto Ethan Burke investigava e o levara à pacata Wayward Pines, onde nada senão o silêncio e alguma hostilidade dos locais o esperavam.  Muitas reviravoltas depois, o desfecho é inesperado e foi uma leitura de que gostei bastante, numa mistura de thriller com ficção científica que não costumo ler mas que foi uma agradável surpresa.

Fiquei curiosa em saber a possível continuação da história. Este terceiro livro fecha a trilogia mas a narrativa deixa em aberto a possibilidade de uma continuação.

No entanto, o autor já disse no seu site que é improvável um quarto livro; como estas coisas ficam sempre em aberto e a adaptação a televisão correu bem, não me admiraria que houvesse uma continuação da história, mesmo que só em televisão; há certamente material para isso. 


Recomendo a trilogia, se possível com o menor conhecimento prévio possível, para desfrutar melhor das revelações.  

****
(bom)

6 de outubro de 2015

Wayward Pines - Revolta (Wayward Pines #2)


Autor:
Blake Crouch
Género:
Thriller
Idioma: Português

Páginas: 362
Editora:
Suma de Letras

Ano:
2015

ISBN:
978-989-87755405
Título original: Wayward (Wayward Pines Trilogy, Book 2)
 
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Wayward Pines é, vista de fora, a cidade de sonho: pacata, bonita, limpa, com habitantes simpáticos e sem crime.
 

Para que servem então a vedação electrificada e o arame farpado, as inúmeras câmaras e microfones? Pouco depois de chegar, o agente secreto Ethan Burke sofreu um violento acidente de viação. Ao acordar, tentou sair da cidade sem sucesso. Reunido entretanto com a sua família e a morar em Wayward Pines, Burke, recém-nomeado xerife da cidade, parece ter abraçado a nova vida e ter esquecido o que o levou ali.

Mas a cidade e o seu modo de vida estão na base de um segredo terrível e nem todos os habitantes estão preparados para ouvir a verdade. Burke é um dos poucos que a conhece e está dividido entre contar a verdade ou manter a farsa para o bem comum. É um dilema que atormenta o xerife e a morte violenta de um habitante vem precipitar os acontecimentos.

Este segundo livro explora melhor as dinâmicas da cidade e traz à luz alguns aspectos da vida de algumas personagens centrais. É uma boa sequela que mantém o interesse na história e deixa adivinhar algumas reviravoltas futuras bem suculentas, que garantem uma leitura a bom ritmo.
 
Vi a série, entretanto, e para não variar, o livro é melhor, mas isso em nada diminui o facto de esta trilogia ser uma das surpresas literárias do ano: original, emocionante e garante de horas bem passadas. É indispensável começar a lê-la sem saber o que realmente se passa em Pines, por isso resistam à leitura dos spoilers. 

****
(bom)

13 de setembro de 2015

Wayward Pines - Paraíso (Wayward Pines #1)


Autor:
Blake Crouch
Género:
Thriller
Idioma: Português

Páginas: 336
Editora:
Suma de Letras

Ano:
2015

ISBN:
978-989-8775368
Título original: Pines (Wayward Pines Trilogy, Book 1)
 
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O agente secreto Ethan Burke chega a Wayward Pines com uma missão bem definida: encontrar dois agentes federais que desapareceram há dois meses na pacata localidade cercada por montanhas.
 

Pouco depois de chegar, Burke sofre um violento acidente de viação e acorda no hospital, desorientado, com dores, sem telemóvel e sem carteira. Ao explorar a cidade, tem dificuldades em prosseguir a investigação: todos duvidam da sua identidade, o xerife não colabora, o seu superior não atende os seus telefonemas, as pessoas parecem esconder qualquer coisa. E qual é a finalidade do muro electrificado que cerca a cidade?

Estava curiosa em ler o livro porque já está disponível a série e queria ler antes de a ver. Wayward Pines - Paraíso é bom como livro de mistério e thriller porque mantém o leitor em suspenso e tem um final provocador.

Tem vários pormenores que poderiam ter sido melhor trabalhados (e que prefiro não mencionar para não estragar a surpresa de quem ainda não leu) mas não deixa de ser um livro que cativa. Pessoalmente, achei o personagem principal interessante e estive sempre curiosa em saber o que aconteceria e o que escondia a pacatez de Wayward Pines, afinal. 

Faz lembrar o filme Stepford Wives, onde tanta perfeição se estranha e onde a fachada imaculada dá sempre lugar a uma verdade tenebrosa. Todo o ambiente da cidade é bem trabalhado e foram horas envolventes perdida em Pines com o agente Burke para perceber o que se passava, o que se escondia por detrás da calma e dos sorrisos dos habitantes, a imaginar vários outros cenários que não o que o autor escreveu.
Não é o melhor livro que já li mas é extremamente cativante e aguça a curiosidade para o seguinte. Vi a série, entretanto, e para não variar, o livro é melhor. 

****
(bom)

19 de agosto de 2013

Em Parte Incerta




Autor: Gillian Flynn
Género:
Thriller
Idioma: Português
Editora: Bertrand Editora
Páginas: 520
ISBN:  978-9-72-252557-2
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Acha mesmo que conhece a pessoa que dorme ao seu lado?

É esta frase provocadora que ilustra a capa de Em Parte Incerta, o novo livro de Gillian Flynn, uma escritora americana cujo romance de estreia, Objectos Cortantes, foi bastante bem recebido pela crítica (este é o terceiro romance da autora).

Eu li Objectos Cortantes pouco depois de ter saído e gostei (tem uma protagonista forte e fala sobre auto-mutilação), e este Em Parte Incerta também é um mimo. É desafiante, é envolvente e surpreende, ah pois! Os protagonistas e narradores, Nick e Amy, não se permitem ter qualquer segredo para com o leitor e há algumas passagens que chegam a ser constrangedoras, o que valoriza bastante a narrativa.
 
Mas vamos à história: na manhã que marca o 5.º aniversário do seu casamento, Amy Dunne desaparece, deixando vários indícios a apontar para o marido, Nick. O livro (mais de 500 páginas) divide-se em capítulos contados pelo casal, os dele após o desaparecimento dela e os dela antes de desaparecer. O marido foca-se nos interrogatórios, na organização popular para promover buscas e divulgação da gone girl e na forma como reage ao que acontece(u); Amy foca-se na sua vida, na sua carreira e na relação com Nick, pré e durante o casamento.

Os capítulos iniciais precisaram de persistência q.b. da minha parte, porque chegam a ser aborrecidos e repetitivos, mas são cruciais para a história, para percebermos as personagens e o que as motiva.

Assim, passados os capítulos mais maçudos, Em Parte Incerta ganha interesse e segue-se um festival de virar páginas, num thriller (não policial) viciante e enigmático.

O que menos gostei? Os capítulos finais e algumas pontas soltas, uma surpresa numa narrativa tão meticulosa desde o início. Li uma entrevista a Gillian Flynn em que a autora confessa que a 80 e pouco por cento do livro bloqueou e não sabia como terminar o livro; valeu-lhe algumas dicas da equipa editorial... não vou dizer que foi um flop total, mas a qualidade e coerência ressentiram-se.

Porém, o saldo final é para lá de positivo, o livro está muito bem escrito e a galeria literária dos mega psychos ganhou uma adição de peso.
  
   
avaliação: **** (bom)
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