Contos de cães e maus lobos reúne onze contos, tem um prefácio de Mia Couto e uma nota do autor no final.
A encadernação, dominada pelo cinzento-escuro e pelo vermelho, é muito bonita, e cada conto, e também o prefácio, é acompanhado por ilustrações de um artista plástico diferente (doze ao todo), o que dá ao livro uma dimensão visual marcante.
Mas é o tom das histórias que fica. Há qualquer coisa de encantatório nos contos, mas aquilo de que se fala é bastante real.
As personagens são, na sua maioria, pessoas comuns: rapazes e raparigas, mães, avós, filhos, netos, velhos. Há crianças que não querem crescer e outras que são obrigadas a fazê-lo muito depressa. Há personagens que descobrem a importância de gostar e de cuidar, seja de outras pessoas, de objetos ou dos próprios livros.
Gostei da forma como Valter Hugo Mãe fala de coisas importantes sem lhes retirar simplicidade. Escreve sobre amor, perda, infância, memória e afectos de uma forma delicada, com uma escrita poética com sabor a fábula.
Os meus
contos favoritos de Contos de cães e maus lobos: A
menina que carregava bocadinhos; O menino de água; Querido monstro;
Modo de amar; As mais belas coisas do mundo; e Bibliotecas.
«A liberdade também era isso, não voltar. O amor existia em todas as direcções. Ela pressentia isso. Que o amor estava para lá de qualquer direcção.»
«Tinha um pássaro no coração. Era, assim mesmo, o lugar mais decente para aprisionar um animal de estimação.»
«Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes.»
«Eu queria ser sagaz, ter perspicácia, estar sempre inspirado. O meu avô pedia que não me desiludisse. Quem se desilude morre por dentro. Dizia: é urgente viver encantado.»
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(bom)
