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18 de abril de 2026

Symposium / O Banquete

     






Autor: Platão
Género: Clássicos
Idioma: Inglês
Páginas: 130
Ano: 2012 

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Platão terá nascido em 428 a.C., em Atenas, cidade onde também morreu, aos 81 anos.

Uma das figuras-chave do período clássico da Grécia Antiga, foi filósofo e matemático, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental.

Juntamente com o seu mentor, Sócrates, e o seu discípulo, Aristóteles, Platão lançou os alicerces da filosofia ocidental. 

Entre as suas obras mais relevantes, além d
’O Banquete, contam-se República, Fédon, Górgias, Íon e a Apologia de Sócrates.

Symposium / O Banquete, redigido por volta de 384 a.C., é geralmente considerado o primeiro texto literário-filosófico de um ciclo centrado na reflexão à mesa — neste caso, um banquete entre amigos.

Estudei vários textos de Platão na escola, mas não este — a oportunidade surgiu quando o livro foi o mais votado no clube de leitura a que pertenço.

N’O Banquete, Sócrates, Xenofonte, e Aristodemo, entre outros, alternam entre conversas triviais e discussões de maior alcance, que passam por Homero, a pólis e, sobretudo, o amor.

O texto é um conjunto de ideias sobre o desejo — não apenas como impulso carnal, mas como força estruturante das relações sociais, da produção intelectual e da ambição política. 

A famosa “escada do amor”, apresentada por Sócrates através de Diotima, pode ser lida como uma tentativa de sistematizar o modo como transformamos a atracção em significado — do corpo à ideia, do particular ao universal/
transcendente.

Ao mesmo tempo, há algo moderno na forma como o texto expõe o discurso enquanto encenação de si mesmo: cada interveniente fala tanto sobre o amor quanto sobre si próprio, revelando inseguranças e propósitos. Nesse sentido, o banquete não é apenas um espaço de pensamento, mas também de performance.

Talvez por isso o texto continue a ser lido: não tanto pelas respostas que oferece, mas pela forma como organiza perguntas que ainda hoje são relevantes.

Eu li a tradução inglesa que faz parte do domínio público; a obra está traduzida em Portugal pela helenista Maria Mafalda Viana, com o título O Banquete, via Tinta da China.

«Human nature was originally one and we were a whole, and the pursuit of the whole is called love.»

«
There is no sameness of existence, but the new mortality is always taking the place of the old. This is the reason why parents love their children — for the sake of immortality; and this is why men love the immortality of fame. For the creative soul creates not children, but conceptions of wisdom and virtue, such as poets and other creators have invented.»

*****
(muito bom)

9 de maio de 2023

Elevação

  

Autor: Stephen King
Género: Mistério

Idioma: Português

Páginas: 120

Editora: Bertrand Editora

Ano: 2020
Título original:
Elevation

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Detentor de uma capacidade invulgar de provocar medo, Stephen King assusta-nos como poucos escritores.

Mas do seu talento imenso também saem histórias de esperança e superação. Elevação, de 2018 – o mesmo ano em que King publicou O intruso –, é um desses exemplos.

Scott Carey perde peso todos os dias... mas não se nota na sua aparência. Homem pacato, Scott só confia o seu segredo ao Dr. Ellis, entretanto reformado, que não encontra nada de errado a não ser a situação inexplicável.

Scott recusa-se a tornar-se uma experiência, por isso guarda segredo da sua condição. Ao mesmo tempo, envolve-se numa discussão com as vizinhas Deidre e Missy, um casal de lésbicas que abriu um restaurante na cidade, e que todos os dias sente a má-vontade e a hostilidade dos restantes habitantes por não encaixarem nas “expectativas” da comunidade.

Entretanto, Scott começa a compreender a vida difícil das vizinhas e tenta ajudar, enquanto lida com o seu próprio dilema, antecipando o dia em que desaparecerá.

Enquanto a comunidade se une num evento desportivo e se prepara para mais uma comemoração do Dia de Acção de Graças, a história mostra como podemos encontrar algo em comum apesar das diferenças. Uma premissa simples para ilustrar um manifesto pela tolerância.

Em Elevação, Stephen King leva-nos de volta a Castle Rock, uma cidade pequena que já serviu de cenário a alguns dos seus livros (The dead zone; Needful things).

Ao contrário da maioria dos livros de King, este não recebeu nomeações nem prémios. Mas não é uma leitura menor; é uma boa história, com um toque de sobrenatural, e uma mensagem bonita, com contornos políticos (Donald Trump é mencionado – King sempre foi vocal em relação à sua ideologia política).

A leitura d'Elevação é fluída, e chegamos rapidamente ao final (o livro é curto), inspirador e com tónica na amizade.

Recomendo sem reservas.

****
(bom)

5 de março de 2023

Rapariga, Mulher, Outra

   

Autor: Bernardine Evaristo
Género: Contemporâneo

Idioma: Português

Páginas: 470

Editora: Elsinore

Ano: 2020
Título original:
Girl, Woman, Other

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Bernardine Evaristo é natural de Londres, onde nasceu em 1959. Filha de mãe britânica e pai nigeriano, a sua obra inclui romance, poesia, contos, teatro e crítica literária, e explora a diáspora africana e a vida moderna.

Rapariga, Mulher, Outra, o seu oitavo romance, foi, ex-aequo com Os Testamentos, de Margaret Atwood, o vencedor do Booker Prize de 2019, e Livro do Ano do British Book Awards 2020.

Neste romance, o leitor segue doze personagens, a maioria mulheres negras britânicas. Cada personagem tem um capítulo com o seu nome, onde conta a sua história - e as experiências, origens e escolhas de cada uma não poderiam ser mais diferentes entre si.

Temos, por exemplo, uma dramaturga lésbica preocupada com o que significa ser politicamente puro ou um “vendido”; uma mulher que persegue o sucesso no mundo (branco) da alta finança; uma jovem não-binária que usa a Internet para discutir as suas ideias; uma noiva “encomendada” dos Barbados.

A maioria das personagens têm laços de sangue/amizade/afectivos entre si, citando-se frequentemente. A estrutura do livro, cuja única pausa são vírgulas e quebras de parágrafo, é invulgar mas de fácil habituação.

Rapariga, Mulher, Outra é sobre luta e afirmação, mas também sobre amor e preconceito.

Acredito que para muitos leitores, como eu, o mundo retratado não seja um mundo familiar, focado numa Grã-Bretanha retratada com menos frequência na ficção.

Abordando o feminismo, o privilégio branco, o amor e o racismo através de várias décadas, o livro permite descobrir mais sobre a história do Reino Unido, perceber a mudança de mentalidades e o aumento de oportunidades e melhoria de condições de vida das pessoas negras e mestiças. Acolhi o conhecimento sem reservas. Pessoalmente, preferi as histórias das personagens mais velhas, com uma narrativa menos retórica e politizada, sendo o epílogo com as duas personagens de 80 e 90 anos a minha parte favorita.

Rapariga, Mulher, Outra  é uma narrativa contemporânea, com uma escrita rica e emocional, que recomendo.

*****
(muito bom)

3 de setembro de 2022

Pele de Homem

  

Autores: Hubert, Zanzim
Género: Banda desenhada
Idioma: Português
Páginas: 160
Editora: A Seita
Ano: 2022

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Pele de Homem foi uma prenda, uma bela prenda!

A história passa-se na Itália renascentista: Bianca é uma donzela que pertence a uma família abastada com um casamento arranjado pelos pais. O noivo chama-se Giovanni; os dois nunca se conheceram.

Mas há muitas mais coisas que Bianca desconhece, e isso é motivo de angústia. Tudo muda quando a madrinha lhe revela um segredo de família reservado às mulheres: possuem um tesouro, uma “pele de homem” que lhes permite transformarem-se num... homem.

Com ela e nela, Bianca «irá descobrir o mundo masculino fechado às mulheres da época, e na busca de conhecer aquele que lhe está prometido como marido, irá também descobrir o amor entre homens, bem como o seu desejo como mulher, e todas as alegrias, frustrações e tristezas que esse amor e esse desejo podem trazer». E essas descobertas cimentam um desejo de emancipação que Bianca simplesmente não quer refrear.

«Nós, as mulheres da nossa família, temos um grande segredo. Possuímos uma pele de homem. Chamamos-lhe Lorenzo. Uma vez vestida, ninguém duvidará de que és um rapaz.»

Fonte: google images

Pele de Homem surpreendeu-me. Conseguiu retratar temas como a condição feminina, o fervor religioso, e a sexualidade de uma forma fresca e delicada, mantendo a importância dos valores universais ligados às liberdades (religiosa, expressão, imagem, pensamento).

As 160 páginas não se prestam a uma leitura de enfiada; é preciso degustar a obra. Percebi que assim, a cada serão de leitura, além de me lembrar exactamente do que se tinha passado antes, e segundo a divisão por capítulos, mergulhava com gosto renovado nas aventuras de Bianca/Lorenzo e Giovanni.

Fonte: google images

Pele de Homem é um livro fenonenal, que me encantou, e quando o acabei de ler, comecei a procurar por outros livros dos autores.

Infelizmente, um deles não mais publicará: o escritor, Hubert, suicidou-se uns meses antes da publicação da BD, alegadamente depois de anos a lutar com uma depressão ligada à sua sexualidade e crenças religiosas.

Fonte: google images

A obra venceu o Grande Prémio RTL de BD, o Prémio de BD do jornal Le Point, o Prémio Landerneau 2020, o Grande prémio ACBD da crítica de BD francófona, o Prémio das Livrarias de BD, e o Prémio dos Jovens no Festival de Angoulême.

Pele de Homem é uma pepita visual e uma narrativa com uma mensagem intemporal. Não tenho dúvidas de que se tornará um clássico.

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(fenomenal)

26 de julho de 2022

Crema


 
Autores: Johnnie Christmas,
Dante Luiz, Ryan Ferrier
Género: Banda desenhada
Idioma: Inglês
Páginas: 122
Editora: ComiXology Originals
 Ano: 2020

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Crema é descrito pelos autores como «um romance assombrado em três capítulos».

A história é efectivamente contada em três capítulos - The last roast, The grind e Brew -, e centra-se em Esme, uma barista de Brooklyn que consegue comunicar com fantasmas quando ingere grandes quantidades de café.

Quando Esme se apaixona por Yara, herdeira de uma plantação de café, as duas decidem mudar-se para o Brasil e dedicar-se ao negócio familiar. Mas um fantasma local assombra Esme e convence-a a ajudá-lo a corrigir um erro passado.

É uma história dinâmica com nuances sobrenaturais, com várias vinhetas dedicadas ao delicioso mundo do café.

Fonte: comicsbeat.com

Um dos autores, Christmas, explica que escreveu a maior parte de Crema em cafés, ouvindo as conversas nas mesas em redor e consumindo grandes quantidades de cafeína.

As ilustrações de Luiz - gostei muito do traço dele - destacam o realismo mágico em contexto moderno da acção, recorrendo a uma paleta de cores vibrantes.

Fonte: comicsbeat.com


Gostava que a história tivesse sido mais desenvolvida porque as coisas acontecem muito rápido.
Com mais umas dezenas de páginas e um maior enfoque na cultura brasileira, Crema teria tido uma acção bem mais rica. No final do livro, Christmas diz que se inspirou na trama da telenovela [brasileira], o que poderá justificar a acção corrida sem grandes explicações.

É uma BD boazinha, onde a ilustração, excelente, compensa uma história menos forte, com um refrescante romance sáfico.

****
(bom)

17 de novembro de 2021

Unfollow me: essays on complicity


Autor: Jill Louise Busby
Género: Ensaio
Idioma: Inglês
Duração: 4h e 44m
Editora: Audible Studios (Audible)
Ano: 2021

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Jill Busby ganhou notoriedade através da sua persona no Twitter e no Instagram: jillisblack (traduzido como "a Jill é negra"). 
 
O ponto de viragem ter-se-á dado em 2016, quando desabafou no Instagram a sua percepção sobre racismo e «falso liberalismo»; o vídeo tornou-se viral e Jill foi apontada como uma das vozes da moda, uma das influencers a seguir no que se relacionava com racismo e a crítica do politicamente correcto.

Pessoalmente, nunca tinha ouvido falar da autora. Este título foi-me sugerido pelo algoritmo da Amazon aquando da compra de um outro livro; ouvi o extracto e pareceu-me interessante, ainda mais porque é narrado pela própria - um tom cândido e desempoeirado que me cativou.

A cumplicidade do título é, segundo Jill Busby, a forma como, mais ou menos conscientemente, muitos participam na inclusão e na diversidade de quem é diferente (e aqui poderiam ser vários os grupos visados, mas o enfoque é nos afro-americanos) de uma forma esperada, sem desvios nem fazendo ondas, resultando num progresso questionável. E aponta-se a ela mesma como cúmplice desse sistema.

A criação de uma persona online serviu para que a autora pudesse dizer o que pensava sem represálias na sua vida prática, não sendo despedida, por exemplo, por afirmar coisas que seriam menos aceite no sector onde trabalhava, ligada à inclusão e diversidade, numa tentativa de transformar as organizações em locais de multiplicidade e aceitação, e promotoras de igualdade racial. 

É assim que, assumindo-se como uma mulher negra, lésbica e imperfeita, Jill descreve - alternando entre a primeira e a segunda pessoa do singular - episódios mais ou menos felizes (a inesperada ascensão de jillisblack nas redes scoais, ou como, quando já maior de idade, está a viver com os avós, e pede dinheiro à avó para despesas não essenciais, inflancionando o o custo das coisas para ficar com o troco; ou a sua troca de mensagens com um supremacista branco, um "proud boy"), as suas "turras" com o politicamente correcto e o desafio em manter-se fiel às suas ideias ao mesmo tempo que geria o aumento ou o decréscimo de seguidores e como isso influenciava o seu "discurso" online. 

Há um par de capítulos muito bons, de uma sinceridade e humor desarmantes, e outros desinspirados q.b., uma mistura de ensaio e autobiografia, que vale pelo tom franco da autora/narradora.

****
(bom)

22 de agosto de 2021

O canto de Aquiles

 

Autor: Madeline Miller
Género: Romance

Idioma: Português

Páginas: 344

Editora: Bertrand Editora

Ano: 2011
 

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O canto de Aquiles foi o romance de estreia de Madeline Miller. 
 
Já tinha lido outro romance da autora, baseado também na mitologia grega: Circe. Gostei muito da escrita elegante e de todos os pormenores, claramente resultado de uma pesquisa minuciosa.
 
Sempre gostei da mitologia clássica, do misto de fantasia e exaltação do Homem à mercê de deuses caprichosos. A crescer, um dos meus livros mais queridos era um dicionário de mitologia greco-romana de Pierre Grimal, de capa vermelha reluzente, que li de uma ponta à outra, completamente embalada por histórias de homens e mulheres aventureiros.

N'O canto de Aquiles, seguimos Aquiles, «o melhor dos gregos», filho da divina Tétis e do (humano) rei Peleu; Aquiles é a personificação do guerreiro: forte, veloz, belo e destemido. O nosso narrador é Pátroclo (cujo nome significa "honra do pai"), o fiel companheiro e, mais tarde, amante de Aquiles; é ele o foco da história, a personagem que seguimos de perto e cuja evolução acompanhamos. Pátroclo idolatra Aquiles e é pelos seus olhos que vemos e julgamos os actos deste.
 
Seguimos a infância de Pátroclo, o seu exílio para a corte do pai de Aquiles, como os dois se tornam inseparáveis e, mais tarde, as circunstâncias que levam à sua participação na Guerra de Tróia - palco de façanhas militares durante uma era de heróis.
 
Sabemos o fim da história mas isso não a torna menos involvente. O amor entre Pátroclo e Aquiles experimenta altos e baixos, evolui com os anos e tem as características de uma bela e comovente história de amor.
  
O canto de Aquiles é um livro para ser degustado, escrito com uma elegância invulgar que já reconheço como uma das marcas literárias de Madeline Miller.
 
A autora disse que demorou dez anos a escrevê-lo, pesquisando os textos clássicos e tentando captar o tom perfeito para o narrador. Sem dúvida que o conseguiu.   
 
Ele é uma arma, um assassino. Não se esqueçam disso. Podemos usar uma lança como bengala, mas isso não altera a sua natureza.
 
O canto de Aquiles, que conquistou o Orange Prize 2012, é um romance belíssimo que vamos recomendar a amigos leitores.
 
Em Portugal, está disponível em formato papel e e-book; podem ler um excerto aqui.
 

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(muito bom)

24 de julho de 2021

Liebestrasse

 
Autores: Greg Lockard, Tim Fish,
Lucas Gattoni, Hector Barros
Género: Banda desenhada
Idioma: Inglês
Páginas: 98
Editora: ComiXology Originals
 Ano: 2019

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Liebestrasse traduz-se do alemão como "rua do amor".

Conta a história de amor de dois homens na Alemanha dos anos trinta, com a ascensão ao poder do partido nazi - o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.

Sem surpresa, não é uma história com um final feliz.

O livro foca-se na relação dos protagonistas, com a acção passada  num período que não é habitual neste tipo de histórias. Vale mais por isso e pela beleza das ilustrações do que pela história em si, que não é original. Tal não significa que é menos relevante por isso, é simplesmente um facto. 

Com quase cem páginas, Liebestrasse está muito bem ilustrado e tem alguns momentos dramáticos muito bem conseguidos, sem nunca recorrer à violência gráfica.

O livro foi nomeado para "Outstanding Comic Book" nos prémios GLAAD 2020, criados para homenagear as representações inclusivas da comunidade LGBT nos media.

Há uma entrevista com dois dos autores aqui, que inclui excertos do livro.

****
(bom)

6 de fevereiro de 2021

Not that bad - dispatches from rape culture

Autor: Vários; Roxane Gay (ed.)
Género: Ensaio

Idioma: Inglês

Duração: 8h e 41m

Editora: Harper Audio (Audible)

Ano: 2018
 

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Editado por Roxane Gay, uma autora bestseller famosa nos Estados Unidos pelas suas análises sociais, Not that bad é uma antologia de 30 ensaios lida pelos próprios autores, cujo tema é a violação, a agressão e o assédio sexuais.

É uma audição difícil. Cada ensaio tem a sua própria força, com uma perspectiva única sobre a rape culture (ou "cultura da violação", um contexto no qual a violação sexual é normalizada, algo decorrente das atitudes sociais sobre o género e a sexualidade) e uma carga emocional considerável.

Cada capítulo aborda como é viver num mundo onde a população feminina tem que gerir o assédio e a agressão sexual constantes e onde as mulheres são «(…) questionadas, rejeitadas, desacreditadas, denegridas, menosprezadas, ridicularizadas, envergonhadas, intimidadas quotidianamente (…)».

Com um tom honesto e cobrindo múltiplas experiências nos mais diversos cenários (atingindo todas as classes sociais; em contexto de migração; abordando o abuso infantil) os testemunhos são de uma intimidade desarmante. É uma colecção audaz, que reflecte a sociedade ocidental e incita à mudança, insistindo que not that bad (não tão mau assim) não deve definir a gravidade de uma agressão sexual.

Os diversos testemunhos diferem nas circunstâncias e alguns podem ser controversos para alguns leitores, como nas histórias onde as vítimas que deram consentimento para sexo não queriam ter dado o seu consentimento. É uma nuance complicada para alguém mais conservador ou do sexo masculino. Como li numa crítica na Amazon, este livro é para todos, mas nem toda a gente está preparada para este livro.

É um tema corajoso, que precisa de difusão e de ser discutido. Tenho as minhas dúvidas sobre o seu peso na era pré-movimento #metoo, que expôs uma mentalidade perniciosa e impensável nos dias de hoje. Mas a mudança faz-se lentamente e para isso é preciso falar, discutir e alterar o que é preciso. E se há tema que vale esse investimento!, a forma como a sexualidade feminina é retratada e encarada tem de mudar.

A lista completa de narradores inclui: Roxane Gay (introdução), Gabrielle Union, Ally Sheedy, Amy Jo Burns, Lyz Lenz, Claire Schwartz, Aubrey Hirsch, Jill Christman, Lynn Melnick, Brandon Taylor, Emma Smith-Stevens, A.J. McKenna, Lisa Mecham, Vanessa Mártir, xTx, Sophie Mayer, Nora Salem, V.L. Seek, Michelle Chen, Liz Rosema, Anthony Frame, Samhita Mukhopadhyay, Miriam Zoila Pérez, Zoe Medeiros, Sharisse Tracey, Stacey May Fowles, Elisabeth Fairfield Stokes, Meredith Talusan, Nicole Boyce e Elissa Bassist.

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(muito bom)

4 de outubro de 2020

The seven husbands of Evelyn Hugo


Autor: Taylor Jenkins Reid
Género: Romance
Idioma: Inglês
Páginas: 400
Editora: Washington Sq. Press (ebook)
Ano: 2017

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De repente parecia que via o nome de Taylor Jenkins Reid em todo o lado, ligado a diferentes livros. Não ligo muito a modas mas a sinopse pareceu-me interessante e ideal para as férias.
 

The seven husbands of Evelyn Hugo conta a história de uma jovem que, com dois tostões no bolso e um palminho de cara (mais um decote de virar cabeças) tenta a sua sorte em Hollywood.
 
Muitas décadas mais tarde, encontramo-la octogenária, uma actriz consagrada, milionária e com um punhado de histórias sumarentas para contar.  O livro é o ditado da sua história a uma jornalista. Evelyn Hugo, diva e senhora do seu destino, escolhe o tempo, o lugar e a pessoa que vai publicar a história da sua vida. Para trás ficaram sete casamentos, cada um com os seus desafios, encantos e desencantos.

The seven husbands of Evelyn Hugo é uma leitura leve, indicada para o período de veraneio que recentemente findou. Tem uma reviravolta nos capítulos finais que não achei óbvia e um enredo fácil de acompanhar.
Algumas personagens - alguns maridos, entenda-se - têm capítulos curtos e contornos pouco definidos, próximos de pequenas caixas de texto nas páginas de uma qualquer revista cor-de-rosa.
 
Boa leitura de férias.
 
****
(bom)