22 de junho de 2014

Este país não é para velhos


Autor: Cormac McCarthy
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 220
Editora:
Impresa

Ano:
2010
ISBN:  978-972-792204-8
Título original: No country for old men
Tradução: Paulo Faria
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Já tinha este livro na estante há alguns anos, quando saiu com a revistão Visão, há uns Verões idos. O preço foi de rir, absolutamente insano para a qualidade do livro, mas isso eu não sabia. Tive sorte em dose dupla, aliás, pois a minha estreia na escrita de Cormac McCarthy não podia ter sido melhor. Tenho de ler mais deste autor, é uma certeza.

Texas, 1980.
 

As notícias sobre tiroteios e cadáveres nas ruas tornaram-se habituais, o tráfico de droga é comum, um negócio maioritariamente dominado pelos mexicanos.

Durante uma caçada em Rio Grande, Llewelyn Moss, soldador e veterano da guerra do Vietname, depara-se com o cenário de um negócio de droga que correu mal. Para trás ficaram corpos mortos, muitos quilos de droga e 2 milhões de dólares.


Apesar de viver uma vida honesta, Moss não resiste: fica com o dinheiro. No entanto, a sua compaixão fá-lo cometer um erro que revela a sua identidade à escumalha traficante e não tarda a ter um grupo de pessoas nos calcanhares: a polícia, o cartel e um psicopata chamado Anton Chigurh, a personificação moderna do mal e um dos antagonistas mais arrepiantes de todos os livros que já li; perto dele, ou se está morto ou se está moribundo. Chigurh tem uma lógica distorcida e é implacável perante o objectivo. Mata naturalmente, sem remorso, sem emoção.

Na peúgada de ambos, encontra-se o xerife Ed Tom Bell, desgastado pela forma como a sociedade tem evoluído e como os valores tradicionais se têm perdido. Ultrapassado, é através dos seus monólogos que entendemos a inevitabilidade das coisas e o que acontece quando nos recusamos a reconhecer que o homem é a pior criatura à face da terra, persistindo numa ingenuidade forçada de que a decência prevalecerá.  

É esta trupe que acompanhamos ao longo de umas intensas 220 páginas, em que nos maravilhamos com a escrita experiente do autor. Tudo faz sentido, os diálogos sem travessões obrigam a uma leitura mais atenta e a um absorver mais impactante do que a personagem está a dizer. Há uma harmonia admirável na escrita de McCarthy, ainda mais meritória quando a acção está cheia de maldade e violência, descrita de uma forma tão talentosa que nunca soa sensacionalista nem acessória, no que considero ser uma tradução muito bem conseguida do excelente texto orginal.

Este país não é para velhos é um livro brutal: em qualidade, em textura, em personagens masculinas. Um thriller fantástico, com pitadas mestras de filosofia e gore.

«Na semana passada, lá na Califórnia, apanharam um casal que alugava quartos a idosos e depois matava-os e enterrava-os no quintal. (...) Os vizinhos foram alertados quando um homem fugiu de casa completamente despido, trazendo apenas uma coleira de cão ao pescoço. (...) Todo aquele berreiro e o casal a fazer buracos no quintal não pôs ninguém de sobreaviso.» 

A sua adaptação ao cinema pelos Coen é muito boa, mas prefiro o livro, apesar de tudo; as pessoas são mais autênticas e menos heróicas, mais próximas da realidade que da ficção; os Coen estiveram excelentes, mas McCarthy esteve ainda melhor.

*****
(muito bom)

2 comentários:

Fiacha disse...

Ois,

Tenho por ler, tal como Merediano Sangue (penso ser este o nome) sem duvida um escritor muito aclamado e que não deve ser uma leitura suave, pois lembro-me de ter começado um dos seus livros e acabei por suspender já nem me lembro, mas tenho que ler sem duvida.

Penso que A Estrada é escrito por ele e é um livro bem cruel :)

Bjs e boas leituras

barroca disse...

Oi!

Sei que vou seguir este autor, isso é certo.

Vi o filme The Road (baseado no livro dele) e é pesado, sim. Hei-de ler tb. É tão bom descobrirmos um autor e ver que tem montes de livros escritor por descobrir! ;)

bjo.

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