4 de agosto de 2011

Aventuras de João sem medo

Autor: José Gomes Ferreira
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Leya

Colecção:
Bis

Páginas: 176
Preço: € 4,95
ISBN:  978-9-89-653006-8

Avaliação:
****
(bom)


Ler as Aventuras de João sem medo é ler uma história passada num mundo encantado e mágico.

João sem medo mora com a mãe em Chora-Que-Logo-Bebes, uma pequena aldeia onde os habitantes, os choraquelogobebenses, passam os dias a chorar de tão infelizes.
Um dia, farto de tudo aquilo e contra a vontade da mãe, João salta o Muro em volta da Floresta Branca e aventura-se na área desconhecida.

«É PROIBIDA A ENTRADA
A QUEM NÃO ANDAR
ESPANTADO DE EXISTIR»


Envolve-se então em várias peripécias ao defrontar-se com as criaturas mágicas que se atravessam no seu caminho (o homem sem cabeça, o joão medroso, o gramofone com asas). Afinal, é um choraquelogobebense diferente, que não anda sempre a chorar pelos cantos.

Apesar do tom ligeiro,
Aventuras de João sem medo tem uma forte crítica social, com analogias e metáforas notáveis (o livro é de 1963). A escrita é ambígua e dirigida a um público adulto, numa sátira à situação nacional sob a ditadura que se vivia em Portugal.

«Era uma vez um rapaz chamado João que vivia em Chora-Que-Logo-Bebes, exígua aldeia aninhada perto do Muro construído em redor da Floresta Branca onde os homens, perdidos dos enigmas da infância, haviam instalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos.»

O autor, José Gomes Ferreira, foi cônsul, crítico de cinema e tradutor. Formado em Direito, lutador antifascista, qualificou-se como um «poeta militante», um «misto de cavaleiro andante, profeta, jogral, vate, bardo, jornalista, comentador à guitarra de grandes e horríveis crimes». Este seu título é bom e recomenda-se.

2 comentários:

João disse...

Este livro faz parte do meu imaginário, fazia parte da leitura obrigatória no antigo liceu, a seguir ao 25 de Abril e ainda hoje penso no João Sem Medo e nas suas extraordinárias aventuras

Barroca disse...

Foi uma agradável surpresa, uma recomendação do meu avô, vai para muitos anos. É sempre bom recomendar autores portugueses. :)

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