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8 de janeiro de 2023

I'm glad my mom died

 

Autor: Jennette McCurdy
Narrador: Jennette McCurdy
Género: Autobiografia
Idioma: Inglês
Duração: 6h e 26m
Editora: Audible Originals (Audible)
Ano: 2022

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Este livro chamou-me a atenção pelo título e pela capa.

I'm glad my mom died é uma autobiografia comovente, e com um tom humorístico cortante, sobre as dificuldades da ex-atriz Jennette McCurdy, numa história que inclui distúrbios alimentares, alcoolismo e a relação complicada com uma mãe autoritária que a forçou, desde muito jovem, a ser actriz e a sustentar a família, entre outros comportamentos que constituem abuso físico, mental e emocional de uma menor.

«Why do we romanticize the dead? Why can't we be honest about them? Especially moms, they're the most romanticized of anyone. Moms are saints, angels by merely existing. No one could possibly understand what it's like to be a mom. Men will never understand, women with no children will never understand. No one but moms know the hardship of motherhood and we non-moms must heap nothing but praise upon mom because we lowly, pitiful, non-moms are mere peasants compared to the goddesses we call mothers.»

McCurdy conheceu o estrelato quando participou em séries infanto-juvenis da Nickelodeon - iCarly e Sam & Cat. A forma como a mãe a manipulou e pressionou a manter-se no ramo, o ritmo de trabalho, as formas de contornar a lei quando se envolvem menores, mostram o quão implacável é o trabalho infantil na indústria do entretenimento.

Agora com 30 anos, a autora descreve vários episódios familiares e profissionais, numa “arena” onde vale tudo. Fá-lo depois de anos de terapia e após ter superado suficientemente o trauma para contar a sua história.

McCurdy fala ainda do dinheiro que a Nickelodeon lhe terá oferecido para não revelar alegados abusos às mãos de um produtor influente - um homem a que Jennettte se refere como "o Criador".

Infelizmente, esta não é uma história inédita em Hollywood, com vários actores-criança a terem comportamentos auto-destrutivos quando entram na idade adulta; estou a pensar em Macauly Culkin e em Lindsay Lohan.

Jennette consegue ser engraçada e irónica na narração da sua história, com episódios engraçados e outros extremamente tristes, dando a entoação e a emoção que considerou adequadas à sua narrativa (escolhi a versão audiolivro). Fico feliz pela autora ter finalmente encontrado a paz para viver a sua vida da forma que sempre quis.

I'm glad my mom died ganhou o prémio Goodreads Choice Awards 2022 na categoria biografia/autobiografia com mais de 200 mil votos, batendo largamente a concorrência, que incluía as biografias de Viola Davis, Alan Rickman e Matthew Perry.

Adenda 30/03/2023: O livro foi publicado em Portugal pela Lua de Papel com o título Ainda bem que a minha mãe morreu; saiu em Fevereiro de 2023, depois deste apontamento.

*****
(muito bom)

6 de julho de 2022

The breach

 

Autor: Nick Cutter
Narrador: Marc Vietor
Género: Terror
Idioma: Inglês
Duração: 6h e 45m
Editora: Audible Originals (Audible)
Ano: 2020

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O escritor Nick Cutter aparece frequentemente recomendado nas publicações que sigo.
 
Descrito como uma das novas vozes do terror, e com várias nomeações para prémios, Nick Cutter é um dos pseudónimos do escritor canadiano Craig Davidson, que escreve maioritariamente thrillers e terror sob o seu nome verdadeiro, e ainda sob um outro pseudónimo - Patrick Lestewka. 
 
The breach foi lançado exclusivamente em formato audiolivro pela Amazon, e, à data deste apontamento, assim continua, não estando prevista uma edição em papel ou e-book.
 
Passemos à história: John Hawkins é chefe da guarda florestal de uma reserva natural. Um dia, é chamado a investigar um corpo sem rosto, coberto de feridas peculiares. Hawkins e o médico legista suspeitam que o corpo desfigurado possa ser o de um físico que desapareceu recentemente. 
 
Apoiado por um pequeno grupo, Hawkins dirige-se à casa onde o físico foi visto pela última vez, encontrando-a infestada de insectos e com uma estranha máquina feita de peças de brinquedos no sótão. Quando uma das pessoas do grupo é mordida e outra desaparece, Hawkins começa a suspeitar que a máquina poderá ser a chave do mistério. Não passa muito tempo até tudo começar a descarrilar, com muitos insectos e descrições gráficas à mistura.

Gosto muito da mistura de elementos de terror com os de ficção científica, por isso The breach abriu com vantagem. Há suspense e muitos arrepios, alimentados por tentativas desesperadas de sobrevivência.

As descrições são muito boas, com metáforas originais. Nota-se uma clara mestria do escritor em trabalhar a atmosfera e todo o aspecto de "body horror", tornando a audição do livro uma experiência visual e inquietante, ao que ajuda o narrador ser bastante bom, com um timing cómico que perturba.

O ponto menos conseguido passa pelas personagens, quase todas (menos uma das secundárias) pouco interessantes, o que arrastou o chegar ao fim. Isso e a explicação científíca por detrás da ideia principal, que merecia mais elaboração. 

Fiquei entusiasmada em descobrir uma voz muito interessante em Nick Cutter. Vai ser uma questão de tempo até ler outro título dele - desconfio que será o The troop.

****
(bom)

3 de abril de 2022

What really happened in Wuhan

 

Autor: Sharri Markson
Género: Política

Idioma: Inglês
Duração: 16h e 28m

Editora: Harper Audio
 Ano: 2021

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À data deste texto, vivemos ainda sob o efeito da pandemia causada por um vírus que ceifou milhões de vidas e alterou milhares de milhões de outras, causando um abrandamento mundial.

Desde Março de 2020, altura em que foram adoptadas as primeiras medidas sanitárias no continente europeu, vivemos confinamentos e recolheres obrigatórios, tornando-se habitual o uso continuado de máscaras e debates acesos sobre a eficácia/obrigatoriedade/efeitos da vacinação e dos passes vacinais. Da China, ainda chegam notícias de novas infeccções, de uma nova variante (demicron) e novos confinamentos. As notícias ainda existem, mas a tragédia que se abateu sobre a Ucrânia abre agora, com toda a legitimidade, os telejornais.

Sharri Markson, a autora de What really happened in Wuhan, é uma jornalista australiana premiada. Neste livro, defende a teoria de que o vírus do covid-19 terá sido geneticamente criado pelo Instituto de Virologia de Wuhan e libertado no mundo após uma fuga acidental («lab-leak theory»), contrariando a teoria de que a origem terá sido natural, com origem num mercado local de animais (semelhante à hipótese de 2000, aquando da epidemia de SARS, entre 2002 e 2004). 
 
É um tema polarizador, sem dúvida, e a teoria da fuga do laboratório chinês contém nuances que fazem as delícias dos críticos mais vocais, que a classificam como uma elaborada "teoria da conspiração". Quem pega neste livro estará desde já aberto a ouvir os argumentos que fundamentam esta hipótese. A sua robustez é subjectiva, o que não equivale a dizer que quem lê este livro, vai ficar convencido. Mas alguns ficarão. É assim que funciona.

Misturando factos (há um departamento no Instituto de Virologia de Wuhan que estuda e manipula coronavírus; foi publicado em 2018 um estudo norte-americano que denunciava incumprimentos dos protocolos de segurança, e alertava para deficiências na segurança ligadas a alegadas faltas de pessoal técnico especializado nesse mesmo instituto), testemunhos directos (citações de cientistas, políticos, investigadores, cidadãos comuns nos media e em relatórios entretantos publicados) e indirectos (fontes jornalísticas e denunciantes, cuja identidade é protegida), em What really happened in Wuhan, a autora constrói uma cronologia minuciosa, atravessando vários continentes e envolvendo diferentes actores.

Vai sendo traçada uma cadeia de eventos que envolve alegadas ocultações de informação, pressões políticas e interesses económicos, onde diversos agentes governamentais chineses e norte-americanos (assim como os seus colaboradores espalhados pelo mundo) têm os papéis principais. Tudo "atado" e referenciado como está, este livro lê-se quase como um thriller, ao que ajuda ter tanto de plausível como de fantástico.
 
É possível que um cientista do Instituto se tenha esquecido de um passo no protocolo de segurança? 
 
É possível que as autoridades chinesas tenham tentado encobrir a gravidade da situação, aquando da escalada do número de casos, no final de 2019? Por que é que essas mesmas autoridades terão levado meses a permitir o acesso a uma equipa de peritos da Organização Mundial de Saúde ao mercado de animais de Wuhan e ao Instituto de Virologia?
 
É plausível que vários cientistas internacionais tenham hesitado em aprofundar e/ou defender uma teoria que implicaria a perda de fundos chineses para as suas pesquisas? Por quê o ataque aos cientistas que o fizeram, quando a base de qualquer método científico passa por questionar, formular hipóteses e testá-las através da discussão e da aplicação desse mesmo método?

Não hesitaria em ler um livro que defendesse a teoria oposta, a de que o vírus terá sido transmitido por um animal (morcego ou pangolim) a uma pessoa, no mercado de Wuhan. Teria de ser um livro com uma linguagem acessível a leigos, pois a sustentação dessa hipótese é maioritariamente baseada em factos estudados na biologia, zoologia, virologia, e epidemiologia, entre outras.
 
O título deste livro é directo mas poderá ser visto como sensacionalista (marketing?), afastando potenciais leitores que privilegiem uma abordagem mais neutra.

À semelhança de outros títulos de não-ficção, esta versão audiolivro poderia ter beneficiado de um (PDF) anexo com mapas, glossários e/ou indíces bibliográficos, o que teria facilitado a escuta.
 
What really happened in Wuhan é um livro bem escrito e bem organizado, denso em informação e cross-references. A classificação de "bom" não se prende tanto com a minha inclinação em aceitar a teoria da lab-leak mas pela forma consistente como a teoria é construída, assente numa cronologia extensiva, citando nomes de pessoas vivas, mortas e desaparecidas (estas últimas na China, contando-se vários médicos, advogados e jornalistas); junta-se a isso o facto de, numa pesquisa rápida online, não ter encontrado nenhuma referência a um eventual processo judicial iniciado contra a autora ou a editora deste livro por difamação, algo que não me surpreenderia encontrar. 
 
Nas últimas décadas, a forma como o governo chinês se posiciona no mercado e adopta medidas económicas e sociais dentro das suas fronteiras (e até fora delas), dá azo a que se levantem muitas questões... 
 
No entanto, o próprio livro falha em apresentar vários elementos probatórios, talvez por razões válidas ou não, o que dá azo a especular acerca da veracidade de algumas alegações. Alguma vez se saberá a verdade? Estarão, agora, cientistas a atestar da robustez da hipótese defendida neste livro? Se sim, as suas conclusões alguma vez serão tornadas públicas? O tempo dirá.
 
Se, no final, não ficarmos inclinados a aceitar a teoria defendida, ao menos poderemos dar o tempo por bem empregue se considerarmos a leitura como um thriller ou, por que não?, como tema de conversa entre amigos.

****
(bom)

17 de novembro de 2021

Unfollow me: essays on complicity


Autor: Jill Louise Busby
Género: Ensaio
Idioma: Inglês
Duração: 4h e 44m
Editora: Audible Studios (Audible)
Ano: 2021

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Jill Busby ganhou notoriedade através da sua persona no Twitter e no Instagram: jillisblack (traduzido como "a Jill é negra"). 
 
O ponto de viragem ter-se-á dado em 2016, quando desabafou no Instagram a sua percepção sobre racismo e «falso liberalismo»; o vídeo tornou-se viral e Jill foi apontada como uma das vozes da moda, uma das influencers a seguir no que se relacionava com racismo e a crítica do politicamente correcto.

Pessoalmente, nunca tinha ouvido falar da autora. Este título foi-me sugerido pelo algoritmo da Amazon aquando da compra de um outro livro; ouvi o extracto e pareceu-me interessante, ainda mais porque é narrado pela própria - um tom cândido e desempoeirado que me cativou.

A cumplicidade do título é, segundo Jill Busby, a forma como, mais ou menos conscientemente, muitos participam na inclusão e na diversidade de quem é diferente (e aqui poderiam ser vários os grupos visados, mas o enfoque é nos afro-americanos) de uma forma esperada, sem desvios nem fazendo ondas, resultando num progresso questionável. E aponta-se a ela mesma como cúmplice desse sistema.

A criação de uma persona online serviu para que a autora pudesse dizer o que pensava sem represálias na sua vida prática, não sendo despedida, por exemplo, por afirmar coisas que seriam menos aceite no sector onde trabalhava, ligada à inclusão e diversidade, numa tentativa de transformar as organizações em locais de multiplicidade e aceitação, e promotoras de igualdade racial. 

É assim que, assumindo-se como uma mulher negra, lésbica e imperfeita, Jill descreve - alternando entre a primeira e a segunda pessoa do singular - episódios mais ou menos felizes (a inesperada ascensão de jillisblack nas redes scoais, ou como, quando já maior de idade, está a viver com os avós, e pede dinheiro à avó para despesas não essenciais, inflancionando o o custo das coisas para ficar com o troco; ou a sua troca de mensagens com um supremacista branco, um "proud boy"), as suas "turras" com o politicamente correcto e o desafio em manter-se fiel às suas ideias ao mesmo tempo que geria o aumento ou o decréscimo de seguidores e como isso influenciava o seu "discurso" online

Há um par de capítulos muito bons, de uma sinceridade e humor desarmantes, e outros desinspirados q.b., uma mistura de ensaio e autobiografia, que vale pelo tom franco da autora/narradora.

****
(bom)

7 de novembro de 2021

Alien: river of pain (Canonical Alien Trilogy #2)


Autor: Christopher Golden; Dirk Maggs
Género: Ficção Científica, Terror
Idioma: Inglês
Duração: 4h e 52m
Editora: Audible Studios (Audible)
Ano: 2017

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Depois do excelente Alien: out of the shadows, segue-se o também excelente Alien: river of pain
 
Estes dois títulos, integrantes da trilogia-homenagem em audiolivro à saga cinematográfica iniciada em 1979 por Ridley Scott com Alien - o 8.º passageiro, são os meus favoritos e aqueles a que retorno mais vezes. Já os escutei inúmeras vezes.
 
A acção deste segundo livro funciona como uma prequela para o filme de James Cameron, Aliens, o recontro final, de 1986. 
 
Baseado no livro homónimo de Christopher Golden, narra a queda da colónia de Hadley's Hope na lua de Acheron (LV-426), após alguns colonos descobrirem uma nave abandonada e um deles ser infectado com um parasita (um facehugger), o que vai originar um alien que vai começar a devastar a colónia.
 
Ao longo de quase cinco horas, vamos assistir à tentativa dos colonos e do destacamento de militares em sobreviverem, à medida que vários xenomorfos vão conquistando cada vez mais espaço e corpos, num cenário familiar a quem conhece a história dos filmes. Entretanto, a milhares de kms dali, Ripley foi resgatada e tenta recuperar do trauma e aceitar as décadas que andou perdida no espaço.
 
Na colónia, assistimos às diferentes estratégias humanas perante uma situação cada vez mais desesperada e as diferentes motivações dos envolvidos, onde a ganância e os interesses corporativos ganham a dianteira.

Os minutos finais do audiolivro fazem a transição perfeita para o filme de James Cameron, quando Ripley e os militares encontram Newt nas condutas de ar.

A produção do audiolivro é, mais uma vez, excelente, dirigida pelo multipremiado Dirk Maggs. O elenco é cinco estrelas, com vários actores conhecidos (Anna Friel, Colin Salmon, Alexander Siddig, entre outros). Os efeitos sonoros são sublimes e ajudam à imersão completa na história. 

Incontornável para os fãs da saga. Segue-se Alien: sea of sorrows.

*****
(muito bom)


24 de outubro de 2021

The X-Files: cold cases


Autores: Joe Harris, Chris Carter
Género: Ficção Científica

Idioma: Inglês

Duração: 4h e 4m

Editora: Audible Originals

Ano: 2017
 

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Os X-Files, Ficheiros Secretos em Portugal, foi um dos fenómenos televisivos dos anos 90.
 
Exibida em mais de 30 países, a série ganhou vários Emmy e gerou dois filmes. Lançou para o estrelato os protagonistas: David Duchovny como Fox Mulder, e Gillian Anderson como Dana Scully, a dupla de agentes do FBI que investigavam casos com contornos paranormais. Ele era o crente de serviço e ela a céptica para a qual tudo tinha uma explicação científica.
 
Eu via a série todas as semanas e comentava os episódios com um grupo de amigos - éramos todos fãs devotos. Ao início, os meus episódios favoritos eram aqueles que envolviam ocultismo e eventos sobrenaturais e menos aqueles à volta da temática extra-terrestre e teorias da conspiração, mas estes últimos foram ganhando contornos cada vez mais elaborados e acabaram por ser o tema mais forte da série.
 
A máxima/slogan da série era: "The truth is out there", e Mulder e Scully viajavam por toda a América para tentar solucionar casos, muitos deles no arquivo, ainda por resolver.    

Em X-Files: cold cases, a dupla de agentes está de volta. A história é inspirada nas novelas gráficas de Joe Harris (que não li) e dirigida pelo criador da série original, Chris Carter.

Há cinco episódios, alguns com a duração inferior a meia hora, e o maior com quase hora e meia. As interpretações estão boas, mas a história é fraquita. Uma duração maior teria ajudado a desenvolver a trama, mas como ficou (aguado), soube a pouco. 

X-Files: cold cases ficou aquém das minhas expectativas, mas não conseguiria passar ao lado deste título, apesar de preferir retomar a franquia neste formato ou em livro. De lado, ficou a ideia de rever a série. Há uns anos, fi-lo e desisti rapidamente; Ficheiros Secretos, sem surpresa, não envelheceu bem em termos de efeitos especiais e argumento - prefiro recordar a série sob a aura de encantamento adolescente.

O elenco deste audiolivro inclui David Duchovny, Gillian Anderson, Mitch Pileggi, Willliam B. Davis, Tom Braidwood, Dean Haglund e Bruce Harwood.

Creio que os fãs da série irão sempre ler/ver/ouvir o que for lançado relacionado com os X-Files; não é mesmo que dizer que tudo o que for lançado vai ser visto com lentes cor-de-rosa saudosistas. Infelizmente, X-Files: cold cases revelou-se decepcionante.

**
(fraco)

12 de maio de 2021

Alien: Isolation

 

Autor: Keith R.A. DeCandido
Género: Ficção Científica, Terror

Idioma: Inglês

Duração: 8h e 43m

Editora: Blackstone Audio Inc.

Ano: 2019
 

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Sempre joguei, principalmente no PC. Ao longo dos anos, as consolas foram e vieram, e a Xbox tem-se mantido cá por casa. Foi nela que joguei Alien: Isolation, lançado em 2014, um dos melhores jogos de survival horror de sempre e o melhor videojogo da série Alien
 
Foi uma prenda muito apreciada e, sendo uma grande fã da saga, não descansei enquanto não cheguei ao fim. O jogo é excelente, mexendo com o jogador de uma forma que só o filme original (e a sequela de Cameron) conseguiu - a sensação de claustrofobia, a ansiedade máxima à coca de qualquer ruído do alien e o sobressalto consequente, cada aparição da criatura, é o reviver do terror iniciado por Ridley Scott em 1979. Dei grandes saltos e houve alturas em que não avançava no jogo com medo da criatura, que nos matava das mais variadas formas sempre em close-up (espectacular!). 
 
O ano passado, em pleno confinamento, decidi jogar novamente, e o jogo continua fenomenal: a filha de Ellen Ripley, Amanda, é a figura central e uma heroína de acção que saiu à mãe.

Foi então que descobri que o jogo tinha tido uma adaptação oficial em livro e audiolivro, lançados em 2019. Escolhi ouvir a história.

Não li muitas novelizações até hoje, mas das poucas que li, o saldo foi positivo. Há elaboração de personagens, das suas motivações e características, informações adicionais de situações e eventos que enriquecem o que vimos no ecrã. Mas com esta adaptação, os resultados ficaram aquém. 

É um livro mediano que não faz justiça ao excelente jogo em que se baseia, apesar de dar mais pormenores sobre como Amanda Ripley cresceu sem a mãe e como a situação de pobreza lhe limitou o acesso a uma educação e empregos mehores. Não conheço outros livros do autor, que tem no currículo vários livros de fantasia e ficção científica, mas creio que com outro escritor, Alien: Isolation poderia ser melhor, como o fizeram Alan Dean Foster e Tim Lebbon

Não fiquei surpresa quando li que o autor não jogou Alien: Isolation, porque a tensão ao longo do livro é quase inexistente, várias cenas dramáticas no jogo são reduzidas a um par de linhas e a maioria das personagens têm pouco desenvovimento além da protagonista; pensei que pudesse ser a versão compactada em audiolivro que tivesse cortado algumas partes mas tive a oportunidade de folhear a versão em livro (mais de 300 páginas) e não difere grande coisa - prefiro não o ler num futuro próximo.

A narração, de Sarah Mollo-Christensen, é sem mácula; é isso que eleva o audiolivro a bom em vez de mediano. Ripley out.

****
(bom)

7 de maio de 2021

Blowout - corrupted Democracy, rogue state Russia and the richest, most destructive industry on Earth




Autor: Rachel Maddow
Género: Política

Idioma: Inglês
Duração: 15h e 33m

Editora: Random House Audio
 Ano: 2019

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Não conheço o programa de Rachel Maddow - The Rachel Maddow Show - mas todos os artigos que li sobre ela mencionam a sua marca registada: um discurso informado sem papas na língua pontuado por humor negro e sarcástico.

No livro Blowout, Maddow, que é doutorada em Ciência Política pela universidade de Oxford, explica como o petróleo é o maior influenciador do mundo em que vivemos actualmente, não apenas económica como geopoliticamente, plasmado na forma como as petrolíferas influenciam as potências mundiais e contribuem para a opressão dos países em desenvolvimento.

Nos primeiros dois capítulos, é claro que o tom do livro tem tanto de divertido como de assustador.

É explicado como a indústria de petróleo e gás – que gerou corporações bilionárias como a ExxonMobil, a Chevron e a BP - enfraqueceu democracias em países desenvolvidos e em desenvolvimento, poluiu massas de água e financiou ditadores. Há capítulos dedicados a como Yeltsin entregou a presidência russa a Putin, e como Putin usou a indústria do petróleo para afirmar e manter o seu poder – ajudado ainda pelo recurso à chantagem, à intimidação e ao assassinato de vários adversários políticos.

Dos EUA à Rússia, passando pela Sibéria e pela Guiné Equatorial, percebemos como o petróleo e os poluentes brutos da perfuração intensiva exauram o solo causando danos irreversíveis ao ambiente e como as empresas do ramo nunca são sancionadas, contornando leis e pagando generosamente para escapar às punições legalmente previstas.

Blowout leva-nos numa viagem à volta do mundo, expondo a influência e o poder das indústrias do petróleo e do gás natural (o “Big Oil and Gas”) rematando sobre o “como” e o “porquê” do governo russo ter interferido nas presidenciais americanas de 2016.

No final, Maddow apela aos activistas, jornalistas e eleitores que preservem e protejam as democracias dos seus países da influência destas indústrias nocivas, mas depois de tanto "podre", as soluções mencionadas são poucas e desanimadoras.

É um livro muito bem pesquisado e muito bem narrado... e igualmente deprimente. Alguns parágrafos precisam de ser relidos/rebobinados e ouvidos porque as frases são longas e contêm tanta informação - nomes, datas, locais, estatísticas - que é fácil deixar escapar alguns pormenores. Recorri ao Google várias vezes para associar caras a nomes e ler algumas biografias. É um livro que exige tempo e atenção e que não se lê de enfiada.

Esta versão audiolivro, narrado pela autora, ganhou o Grammy de Best Spoken Word Album de 2019.

*****
(muito bom)

 


14 de abril de 2021

Mr. Mercedes (trilogia Bill Hodges #1)


Autor: Stephen King
Género:
Thriller
Idioma: Inglês

Duração: 14h 22 min

Editora: Simon & Schuster
(Audible)
Ano: 2014

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Mr. Mercedes atesta a versatilidade de Stephen King, desta feita no género thriller.

O primeiro livro de uma trilogia, o nosso protagonista é Bill Hodges, um polícia reformado que caiu numa rotina de televisão, cerveja e comida processada. 

Actualmente divorciado e com uns quilos a mais, Hodges teve uma carreira bem sucedida como detective, mas continua atormentado pelo caso que ficou por resolver: o caso do assassino do Mercedes, onde um condutor solitário avançou com um carro roubado sobre uma fila de pessoas que aguardava a abertura de uma feira de empregos, causando vários mortos e feridos.

A rotina do reformado muda quando recebe uma carta de alguém que assina "o assassino do Mercedes", provocando-o e dando detalhes que foram mantidos secretos. Hodges decide investigar por conta própria, explorando ângulos diferentes e servindo-se de aliados improváveis. E o tempo urge, porque o Sr. Mercedes está ansioso por voltar a sentir a mesma sensação de poder e excitação e planeia o próximo ataque.

Mr. Mercedes está bem escrito, com um ritmo adequado a um thriller. Em termos de enredo e personagens, não inova. Tanto o ex-detective como o psicopata de serviço são estereótipos batidos, com características vistas "n" vezes dentro do género literário e em séries como Mentes Criminosas e CSI.
 
Tem pormenores interessantes, como o recurso às novas tecnologias e explorando o sadismo de um antagonista com uns dialogos interiores "coloridos".
 
Não sendo um livro mau, não é um dos melhores de Stephen King, cujo talento é inegável e (já) não precisa de provar nada a ninguém.
 
Ouvi o audiolivro e o narrador - o actor Will Paton - é excelente. Faz toda a diferença neste formato e quando é bem feito, é memorável e eleva a qualidade da história. 

Em Portugal, o livro foi publicado pela Bertrand e está disponível na edição em papel (livro de bolso, inclusive) e em e-book.

****
(bom)

7 de março de 2021

Total Recall - my unbelievably true life story


Autor: Arnold Schwarzenegger
Género: Autobiografia

Idioma: Inglês

Duração: 23h e 21m

Editora: Simon & Schuster Audio

Ano: 2012
 

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Arnold Schwarzenegger nasceu numa pequena cidade austríaca em 1947, sem nada que o distinguisse à primeira vista. 
 
Mais de 50 anos depois, o seu palmarés inclui a conquista de 7 títulos como Mister Olympia, tornando-o um dos culturistas mais celebrados do meio; a façanha de actor melhor pago em Hollywood nos anos 80, um casamento duradouro dentro do clã Kennedy e um mandato como governador da Califórnia de 2003 a 2011 - que lhe valeu o nome de "The Governator" -, o estado americano mais populoso e com um PIB de fazer inveja a muitos países desenvolvidos. 
 
Em todas as suas três carreiras (culturista, actor e político) foi bem sucedido, se bem que em proporções distintas, sendo a última a prestação - a julgar pelos capítulos dedicados a esses anos - a que terá deixado mais a desejar.

A história de Schwarzenegger é digna de um argumento de cinema. Na adolescência, percebeu que queria ter uma vida diferente daquela que via à sua volta. Ir para a América era um sonho e a prática do culturismo permitiu-lhe mudar-se para os EUA quando tinha 21 anos. Num período de cinco anos, era o culturista mais premiado a nível mundial, e em 10 anos, tornou-se milionário pelos seus investimentos imobiliários; pelo caminho, começava a dar cartas como protagonista de filmes de acção.

Ao seu lado tinha Maria Shriver, com uma carreira jornalística também bem sucedida, com quem criou quatro filhos.

A filosofia de Arnold é exemplar na forma como incentiva à excelência, ao auto-aperfeiçoamento e ao trabalho. Para alguém que veio de uma família de classe média europeia com perspectivas modestas, a forma como se formatou e incentivou, fazendo as escolhas certas com reflexão e bom senso, desmistificam por completo a sua imagem de "só músculo e tamanho, cabeça de vento".

A disciplina de treino, a superação de obstáculos e adversários no mundo do culturismo são dos capítulos mais impressionantes. Afirma que isso foi a base para tudo o que conseguiu: ser disciplinado, não perder o objectivo de vista e treinar/praticar/repetir. É uma máxima que aplicou a tudo na vida.

Há várias passagens tão inspiradoras como simples: levantar cedo, praticar exercício frequentemente, tentar aproveitar o máximo as 24 horas diárias (aqui dá o exemplo quando treinava para competir enquanto estudava na universidade, tinha aulas de Inglês, trabalhava no negócio de construção que tinha com um amigo e ainda geria o seu serviço de encomendas ligadas ao fitness com livros e suplementos; depois começou a ter também aulas de representação...!) 

«You’ll have plenty of time to rest when you’re in the grave. Live a risky life and a spicy life and like Eleanor Roosevelt said, every day do something that scares you. We should all stay hungry.»

Os capítulos inicial e final são narrados pelo próprio Schwarzenegger, com o sotaque que lhe é característico. Como em quase tudo em que Arnold S. se envolve, é um sucesso, o testemunho de alguém que viveu/vive o "sonho americano". O capítulo em que fala sobre o divórcio e a infidelidade que o motivou é breve mas está lá. Nem podia ser de outra forma. Schwarzenegger assume-se como é: um tipo curioso que ama a família e os amigos, que adora fumar os seus charutos e alcançar o que se propõe fazer. 

É um livro grande, com tantos pormenores - e eu só falei de algumas coisas -, e uma grande autobiografia -; super recomendado. Hasta la vista, baby!


*****
(muito bom)