dos Santos (e-book)
O voto é um elemento essencial da vida democrática, e participar nas eleições é uma das formas mais importantes de exercer a cidadania.
Em Portugal, uma parte significativa da população escolhe repetidamente não exercer esse direito.
No livro O tanto que grita este silêncio: porque se abstêm os portugueses?, Nelson Nunes dedica-se a compreender o que leva tantos cidadãos a afastarem-se das urnas.
Através de testemunhos, análises e reflexões, revela um conjunto de motivações que inclui desconfiança nas instituições, desencanto com os partidos políticos, sentimento de impotência perante as decisões do poder, e uma forma deliberada de protesto.
Cada abstencionista representa uma história individual e uma relação particular com a democracia.
Um dos aspectos mais interessantes do livro é que o autor não procura convencer o leitor de que a abstenção é correcta ou incorrecta; o seu objectivo é compreender as causas de um comportamento que tem vindo a marcar a realidade portuguesa e que levanta questões importantes sobre representação, participação e confiança pública.
Num contexto em que a distância entre eleitores e instituições parece aumentar em várias democracias ocidentais, este ensaio é uma leitura pertinente.
Pessoalmente, acho importante participar nas eleições. Mesmo quando nenhum partido convence, creio que votar em branco ou nulo é preferível à abstenção. O livro surpreendeu-me pela consistência e racionalidade de muitos dos argumentos apresentados pelos abstencionistas. Ainda assim, não vejo por que razão essas mesmas posições não poderiam ser expressas através de um voto em branco.
Por outro lado, a obra chama a atenção para um aspecto interessante: os meios de comunicação tendem a analisar e discutir a abstenção, mas raramente dedicam a mesma atenção aos votos brancos e nulos. Isso cria uma diferença relevante. Quem se abstém como forma de protesto acaba por gerar debate público e visibilidade para a sua posição, enquanto quem se desloca às urnas para votar em branco ou nulo vê, muitas vezes, essa escolha passar despercebida.
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(muito bom)


