10 de junho de 2011

A criada

Autor: Isabel Marie
Género:
Literatura

Idioma: Português
Editora: Terramar
Páginas: 140
Preço: € 6
ISBN:  978-9-89-710175-7
Título original: La bonne




Avaliação: **** (bom)

A Criada é um livro fininho, de cento e poucas páginas, que se lê enquanto o diabo esfrega um olho. De linguagem acessível e parágrafos curtos, conta uma história contemporânea, sem entrelinhas.

A narradora é Sarah, uma jovem de 23 anos, recém-licenciada em Filosofia e
hedonista assumida. Habituada a viver o presente ao sabor do que acontece, leccionar numa escola parece-lhe inconcebível. Nómada urbana (aloja-se em pensões e quartos de particulares), faz questão de viver em Paris, pela riqueza de eventos e culturas, e apenas procura o sexo oposto para gratificação sexual.

Candidata-se à função de empregada doméstica de um casal de classe média-alta, Laura e Bernardo, decidida a não revelar a sua identidade. Uma vez aceite, "Clara" (Sarah), passa a desempenhar um papel de catalisador entre os cônjuges, dando-lhes carinho, conforto e atenção. À medida que o tempo passa, Clara/Sarah vai-se envolvendo cada vez mais com o casal, mantendo um registo pormenorizado sobre a relação que tem com ambos: sexual com Bernardo e platónica com Laura.

A leitura d'A Criada é tão fluída (e breve) que rapidamente chegamos ao final, deparando-nos com um final com tanto de credível como de actual. Há algo magnético nas personagens cinzentas e lineares do livro, tão comuns, perdidos num quotidiano insípido e automatizado (mas inconscientemente à espera de algo que lhes dê alento).


Em jeito de nota de rodapé, a autora, nascida em Barcelona, foi uma psicanalista, deportada em criança pelo regime de Franco. Este seu romance esteve nomeado para vários prémios. Isabel Marie enforcou-se em 1996.

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