12 de outubro de 2014

Sempre o diabo


Autor: Donald Ray Pollock
Género:
Literatura
Idioma: Português

Páginas: 312
Editora:
Quetzal

Ano:
2014
ISBN: 978-989-7221545
Título original: The devil all the time
Tradução: Maria do Carmo Figueira
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Estamos na América rural, bem a sul, onde se mede a decência das pessoas pela frequência com que frequentam a igreja e pelo cuidado com que mantêm as aparências. 

Willard Russell é um veterano atormentado pela carnificina da guerra, que vive para a mulher, educando o filho Arvin com dureza e pouco afecto. Carl e Sandy são um casal de assassinos em série, cuja ideia de umas férias bem passadas é dar boleia a rapazes  bem-parecidos antes de os matar, fotografando-os na sua agonia. Lee é um polícia sujo, a quem todos olham com desprezo mas sem desafio. Roy é um pregador que come aranhas para provar a sua fé, enquanto o primo deficiente o mira com olhares pouco religiosos.

Sempre o Diabo é um livro sujo, com personagens reprováveis e uma cena violenta a cada duas páginas. Adorei-o. A acção é passada na América pós-guerra até à explosão do flower power e da guerra do Vietname, providenciando às acções das personagens um cenário ainda mais miserável.

Donald Ray Pollock consegue, de uma forma notável, retratar a violência omnipresente sem ser gratuitamente e dar uma humanidade tal às personagens que as torna magnéticas. A resignação, o desespero e até a ingenuidade malévola se tornam compreensíveis, e ao lermos os pedaços de vida patéticos destes trastes/insanos/inadaptados, do mais mal-intencionado ao mais pueril, é impossível não sentir neles a crueldade da vida, a forma como a escuridão pode povoar a alma humana e envenená-la.

Um livro brutal, em todos os sentidos (ler excerto), que recomendo muito.

*****
(muito bom)

2 comentários:

Fiacha disse...

Ois,

Sugestão anotada, deve ser bem bom ;)

Bj

barroca disse...

OLá! É muito bom, negro mas gooooood. :)

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